Usavam saias no carnaval e, na quinta-feira, todos voltavam a falar grosso e a levar esporro de mulher

Está engraçado sair nas ruas  do Rio e nos blocos do Rio neste carnaval. A gente conclui, entre divertida e embasbacada, que não foram os gays que resolveram sair do armário. O Brasil saiu do armário! Arrombou a porta, quebrou o trinco, destravou a trava, chutou o balde geral. O saiote de tule de bailarina virou traje obrigatório masculino. Pirata não usa mais perna de pau, vai de tutu. Índio não anda de tanga, veste saiote. Para cada Mickey, 100 deles vão de Minnie. E os anjinhos? As abelhinhas? As borboletas? Mulheres Maravilha? Com bigode, cavanhaque… Ah, que gracinhas! E não estou falando que todo mundo masculino virou a mão. Digo que voltou a ser moda o que era modismo comum nos primórdios do carnaval, no tempo do Zé Pereira, das batalhas de talco e de flores, do corso, da lança-perfume, dos saquinhos com confete e rolos de serpentina e de outras antiguidades carnavalescas, quando homem se fantasiar de mulher no carnaval era quase um uniforme.

Minnies e Mulher Maravilha, preferências dos foliões do Rio (Julio Cesar Guimaraes/UOL)

Funcionava praticamente como uma terapia. Naqueles três dias de Momo, todos estavam liberados para desmuchecar, falar fino, usar batom, sutian, peruca, rebolar, soltar a franga. Uma catarse generalizada do eu feminino reprimido por eles o ano inteiro. E muita cachaça, cuba libre, batida, cerveja, regando essa pajelança de gênero, com as roupas emprestadas da patroa, da irmã, da mãe, da tia, da amante. E na quinta-feira, depois da quarta-feira do porre, todos voltavam a falar grosso, coçar o saco, fazer xixi na tábua, a jogar toalha molhada no chão e a levar esporro de mulher. A vida retomava sua máscula normalidade.

 

4 ideias sobre “Usavam saias no carnaval e, na quinta-feira, todos voltavam a falar grosso e a levar esporro de mulher

  1. Desde criança, no interior, me acostumei aos Blocos dos homens vestidos de mulher! Com as roupas das mulheres, irmãs, tias, noivas : de barba e bigodes ! Sempre adorei,e eram meus favoritos. Anos depois, no Rio passou a se chamar “Bloco das Piranhas! Vinda de NY. pro Carnaval, costumava ir na Atlântica, de tarde – sem tumulto – e me divertir com as graças que eles faziam, parando carros, fazendo dramas e brincando com os motoristas! Ainda bem que não acabou este costume saudável e engraçado que é parte importante do Carnaval de Rua…

    • Ninguém falou em invertido. Eu me referi ao saudável costume, no carnaval, de brincar de ser o gênero oposto. O que é uma diversão tradicional de Momo.

  2. querida hilde concondo com tudo que voce escreveu eu pensei que so eu tivesse observado esta forma de se exibir pirei não se aonde vamos chegar valeu tua fã eliana pittman

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