O vazamento da Chevron

Leiam isto, vale a pena. Trata-se do pronunciamento do deputado federal Chico Alencar sobre o vazamento da Chevron:

Crime contra o Brasil
01/12/2011

A riqueza pode virar desgraça ambiental. A expansão da indústria petroleira no Brasil, em curso, exige mais e mais precaução com o meio ambiente. O episódio do vazamento de óleo do Campo de Frade, na Bacia de Campos, no Rio de Janeiro, é revelador do nosso despreparo para enfrentar com rapidez esse problema.

A Comissão Externa da Câmara dos Deputados, da qual faço parte, tem feito o que lhe cabe. Mantivemos contato com a Agência Nacional de Petróleo, com as autoridades ambientais fluminenses, com o Ibama e com a Polícia Federal, instância pública que, até aqui, foi a mais diligente na ação.

Também cobramos as responsabilidades da Chevron, petroleira poderosa, que opera a plataforma acidentada. Vistorias e Audiências Públicas na Câmara nos deram um quadro da gravidade da questão.

Passadas mais de três semanas do acidente, podemos constatar que:

1) O óleo segue vazando, embora em quantidades menores. A Chevron, que, por absurdo, é a quem mais tem informações sobre a obstrução do vazamento que ela própria provocou – estranha situação em que o ‘réu’ faz o trabalho do ‘juiz’ – , garante que a ‘alimentação do derrame está cessada’, embora admita que o ‘vazamento residual continua, na média de 3 barris (cerca de 400 litros) por dia, sem previsão de estacamento total’;

2) Os rejeitos recolhidos em alto mar foram levados para Duque de Caxias, na Baixada Fluminense, em empresa (Contecom) que vistoriamos, e que porta várias irregularidades, inclusive licença vencida há um ano e meio, reveladoras de fortes indícios de que este óleo pode estar seguindo, em parte, para as galerias pluviais e para a rede fluvial do bairro Figueira. O óleo vindo do mar, e não através de correntes marítimas mas sim por iniciativa da Chevron, está contaminando o continente!

3) A Chevron também contratou outras duas empresas – Enveroquimi e Essences – para receber os rejeitos, ‘sediadas no eixo Rio-SP’, segundo a empresa, e que precisam ser vistoriadas pelo INEA, que tem sido ‘licencioso’ nesse caso;
4) A Marinha do Brasil afirma ter estrutura logística adequada para apurar esses problemas, inclusive apoiando em locomoção agentes de outros órgãos públicos, para que não dependam, como aconteceu até aqui, da empresa investigada. Por outro lado, a Marinha diz não ter estrutura para monitorar a produção petroleira. Nem dispõe de autorização para abordar embarcações e plataformas, exceto para verificação das condições de segurança marítima;

5) A Agência Nacional de Petróleo garante que, até os primeiros dias de fevereiro, apresentará relatório circunstanciado revelando as causas do acidente.

Vamos acompanhar, vamos cobrar. O Brasil não pode ter tal grau de descuido e improvisação face a um problema que tende a se ampliar, com a ampliação da exploração do pré-sal.

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