O casamento Sève-Waldner / Parte 1

Importa dizer que o clã Rothschild de banqueiros estava praticamente todo reunido na igreja, desde seu patriarca, o barão David de Rothschild com Olympia? Importa dizer que havia, sim, nomes importantes e tradicionais da Europa e do Brasil, Nicolay, Brandolini, Gouvêa Vieira, Nabuco, Rossi di Montellera, Haas, Espírito Santo, Capanema, Ludinghausen, Mayrink Veiga, Ecot, El Khoury, Tostes, Chagas, Magalhães Lins, Marcondes Ferraz, Frering, Steinfeld, Borges, de Botton, Niemeyer, Veiga, Dorey, Bouygues, Niedzielsky, um colar inteiro de sobrenomes, que fariam palpitar edições inteiras de revistas locais e/ou internacionais de mondanité e/ou business? Importa dizer que em raras ocasiões encontramos tantos homens e tantas mulheres tão adequadamente vestidos, impecáveis mesmo, e com joias tão belas? Importa dizer que o friozinho que de vez em quando corria nas espinhas não era tanto pela temperatura baixa daquela noite, porém mais pelo frisson de se estar ali, participando daquele momento? Não, não importa. E realmente não importa mesmo

O que, para mim, naquele momento, importava, escutando a Ave Maria de Schubert, tão bem interpretada, seguida de uma Ária da 4ª corda de Bach, sucedida pelo Concerto de Bradenburgo e a suave Pour Elise era ver, no alto e no fundo do altar, pela primeira vez em minha vida, um Jesus Cristo alado, asas nos ombros e nas ancas, fazendo-me crer que, a qualquer momento, ele se soltaria da cruz e sobrevoaria nossas cabeças, despejando sobre elas suas bênçãos infinitas. Tolice minha. Pois as bênçãos já estavam lançadas mesmo lá de longe. Abençoados estávamos sendo todos nós por participar daquele momento absolutamente único. A começar pelo cenário, a Igreja da Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência, um verdadeiro achado. Ouvi alguém dizer: “Foi preciso Silvia Amélia vir de Paris para que nós conhecêssemos esta maravilha do Rio”…

Na verdade, foi uma descoberta conjunta, de Silvia e sua norinha, Manuela Sève. Inicialmente, elas pretendiam que o casamento acontecesse no Mosteiro de São Bento, ao qual era ligado o pai de Silvia, avô do noivo Edouard de Waldner, professor Carlos Chagas. Mas não havia a data desejada. E, como coincidência não existe, um anjo levou-as até aquela igreja, de uma inacreditável beleza, uma preciosidade barroca do Rio, as paredes totalmente esculpidas em florões, de alto a baixo, com os santos preciosos projetando-se com seus pedestais. Os tetos são completamente pintados. Mas o momento de máxima beleza é mesmo o altar, com aquele Cristo de asas dominando todos os olhares. Sob ele, Manuela e Edouard se casavam, contritos porém muito felizes…

E a alegria dominou o ambiente o tempo todo. Desde a chegada de Edouard, os olhinhos faiscando de contentamento, ao lado de sua mãe, Silvia Amélia. Manuela desembarcou de um Rolls Royce branco antigo, braço dado com Paulo Di Biase, o padrasto que a criou e a acompanhou até o meio da passadeira vermelha, quando Frederico Sève, o Dundum, pai que a gerou, assumiu o posto, levando a filha até o altar, onde a entregou a Edouard… e às bênçãos do Cristo alado…

Dois padres oficiaram: José Maria e Jorjão, ambos da paróquia de Nossa Senhora da Paz, que Silvia Amélia frequenta. La baronne, todos viram, faz reverência diante dos padres, a genuflexão. Esse traço fortemente religioso da família, certamente, justifica a bênção enviada do Vaticano pelo Papa, não apenas aos noivos, mas extensiva aos familiares, aos padrinhos e a todos os presentes na igreja…

Uma lagrimazinha besta cismou de riscar o meu make. Não, não foi pela bênção do Papa. Foi pelo conjunto da obra. Pela alegria do barãozinho (sim, pois o título de Edouard foi recebido desde o nascimento, não dependendo da morte de seu pai para tê-lo), a alegria da noiva, pela harmonia familiar que cercava aquele momento, pela euforia dos jovens amigos na igreja, pela atitude positiva, religiosa e descontraída de todos, sem o mais leve resquício de afetação, o que é deveras raro num casamento como aquele…

Degustem os primeiros momentos, os próximos virão depois…

 

casamento do baron O casamento Sève Waldner / Parte 1

Fotos de Sebastião Marinho

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