Na missa por Lily, a certeza: fechou-se uma página importante da História do Rio de Janeiro

Elegante como era Lily Marinho, sóbria como a ocasião pedia e afetuosa como ela bem merecia. Foi assim a Missa de Sétimo Dia de Lily de Carvalho Marinho, no Outeiro da Glória. Nos bancos das duas primeiras filas à direita, o filho de Lily, João Batista, os netos e as ex-noras. Nos bancos das primeiras filas à esquerda, toda a família Roberto Marinho. No primeiro banco, os casais João Roberto e Roberto Irineu. No segundo banco, o casal José Roberto Marinho e a sra. Bebeth Marinho, mulher de Rogério Marinho, irmão de Roberto Marinho. No terceiro banco, ao lado da amiga Marina Sauer, estava Frances Marinho, ex-mulher de José Roberto. Vários netos Marinho, inclusive Robertinho Irineu com sua linda namorada modelo internacional, Ana Beatriz Barros. Todas as mulheres de preto. Os homens de terno, à exceção de José Roberto, com camisa social, traje mais adequado, aliás, ao clima reinante no interior da igreja do Outeiro da Glória, onde não há ar refrigerado nem ventilador…

Os bons amigos de Lily estavam todos lá. O ex-governador Albano Franco veio de Sergipe especialmente. Do mundo financeiro, Lázaro Brandão, presidente do conselho do Bradesco, e o presidente do banco, Luiz Carlos Trabuco. Os Larragoiti: Emita, Gérard e Harilda. Dom Pedro e dona Fátima de Orléans e Bragança. Maria Thereza Williams, com Margareth Petain, Lolly Hime, Helô Guinle, bastante debilitada por um problema de saúde. Os Niskier. João Mauricio de Araujo Pinho, Rawlson de Thuin, embaixador Marcos Azambuja. O mordomo da vida toda de Lily, há mais de 50 anos, Manuel; e o mordomo Edgar, do Cosme Velho, que atendeu Lily até seu último momento. O médico Carlos Giesta…

A embaixatriz Ana Maria Thompson Flores comungou com o véu sobre os cabelos. Também na fila da comunhão, Sylvia Fraga, de vestido preto de alças, compenetrada. Não havia qualquer movimento curioso de cabeças, para os lados ou para trás – foi uma missa em que, nitidamente, todas as pessoas estavam para rezar com sinceridade e prestar sua homenagem. Padre Sérgio foi direto, sucinto e gentil com a memória de Lily, evocando sua presença naquela igreja, religiosamente, nas duas missas anuais que mandava rezar para o marido Roberto, e onde era sempre a primeira a chegar…

O padre convidou quem quisesse falar sobre Lily a subir ao altar. O filho João Batista atendeu e deu um depoimento emocionado e agradecido. Em seguida, falou o neto, Anthony, que Lily tanto amava e que já fizera uma das leituras da missa. Sucedido por Romaric Buel. Depois, falou a filha da vice-presidente executiva da Casa de São João Batista da Lagoa, Maria Helena Alcântara Bulcão, agradecendo os mais de 20 anos de apoio ininterrupto de Lily à instituição, da qual ela foi Presidente de Honra até o último minuto de sua vida. Quando a senhora desceu do altar, Roberto Irineu a cumprimentou e conversaram por um tempo. Posso até adivinhar que ele tenha se disposto a continuar com a ajuda dada por Lily. Pois os filhos de Stela e Roberto Marinho são assim: muito corretos. Em seguida, levantou-se João Roberto indo ao altar fazer sua saudação: “Lily era uma mulher extremamente inteligente, impulsiva, ciumenta e muito alegre. Tinha o dom do humor” e prosseguiu elogiando-a, de forma carinhosa, pelas alegrias que também proporcionou ao seu pai…

A música foi ao vivo. No balcão, uma orquestra e um tenor de lindo timbre. Lily, que apreciava o canto e a música erudita, deve ter apreciado…

A fila de cumprimentos foi dispensada, “os membros das duas famílias estarão aqui dentro na igreja e no pátio, para quem queira expressar suas condolências”, anunciou padre Sérgio. E assim foi feito. E assim se fechou uma página preciosa da História do Rio de Janeiro, dos almoços e jantares importantes, das recepções de grande elegância. Assim, com a partida da grande dama Lily Marinho, cerraram-se as portas do último grande endereço social, endereço do poder e da influência no Estado do Rio de Janeiro: a mansão do Cosme Velho!…

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