Enfim, uma fresta aberta na caixa preta do Itamaraty dos anos de chumbo

Em fase de lançamento, com noites de autógrafos dia 30 em Brasília e dia 3 no Rio, o esperadíssimo livro À sombra dos anos de chumbo no Itamaraty. Um romance em que Edgard Telles Ribeiro, diplomata de carreira, abre a chamada caixa preta da diplomacia brasileira durante a ditadura e que há de fazer tremer a carrière
Um dos autores mais sofisticados de nossa literatura, Telles Ribeiro, já premiado com Olho de rei e Histórias mirabolantes de amores clandestinos, mergulha nos bastidores da diplomacia brasileira na época da ditadura, em sua trama, que se passa entre os anos 70 e os dias de hoje, misturando espionagem, política e truculência militar a desbunde e provocações…

A obra revela os subterrâneos sinistros da Operação Condor e lida com os grupos de direita que atuaram dentro do Itamaraty nessa época. Uma história que levou 40 anos para ser contada, embora de forma ficcional. Edgard, que vive nos EUA, já está no Brasil para lançar O punho e a renda, que hoje autografa na Loja Record da Livraria Cultura, em São Paulo…

Um outro autor já tentou publicar seu livro sobre essa época, porém de forma documental, dando nome aos bois: o diplomata brilhante aposentado pelo AI-5, Marcos Romero, homem muito culto, amigo de personalidades internacionais, como os dramaturgos Arthur Miller e Tennessee Williams, que conheceu quando serviu em Nova York…

Romero escreveu o livro O poço, cujos originais desapareceram misteriosamente, depois de ele ser assassinado de modo violento e extremamente cruel, em seu apartamento na Avenida Beira-Mar. Na época, por pressão e apelo dos próprios familiares (e familiares bem distantes, pois ele não tinha parentes próximos), o crime não foi investigado e muito menos esclarecido. Atribuiu-se então, de maneira velada, o assassinato a um envolvimento homossexual do diplomata. Mais fácil assim, não?…

De forma intrigante, todo o conteúdo do belo apartamento de Marcos, um colecionador de arte, com quadros importantes, mobiliário antigo que trouxe de seus muitos postos, muitas peças chinesas, inclusive um jogo precioso de peças de laca vermelha, que pertencera à sua amiga embaixatriz Gemina de Mello Franco, tudo isso desapareceu. Não ficou um móvel, um quadro, um prego, uma lâmpada, sequer uma panela! Um caminhão de mudança deve ter parado na porta… Mas o porteiro, na época, nada viu…

Marco Romero, um homem inteligente, sensível e fino, e também um dos primeiros e corajosos gays assumidos da carrière, merecia mais respeito e interesse em sua morte. Da suposta família, das autoridades, dos companheiros do Ministério das Relações Exteriores

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