Sobre Hildegard Angel

[email protected] Hildegard Angel é uma das mais respeitadas jornalistas do Rio de Janeiro. Durante mais de 30 anos foi colunista no jornal O Globo, quer cobrindo a sociedade (com seu nome e também com o pseudônimo Perla Sigaud), quer cobrindo comportamento, artes e TV, tendo assinado por mais de uma década a primeira coluna de TV daquele jornal. Nos últimos anos, manteve uma coluna diária no Jornal do Brasil, onde também criou e editou um caderno semanal à sua imagem e semelhança, o Caderno H. Com passagem pelas publicações das grandes editoras brasileiras - Bloch, Três, Abril, Carta, Rio Gráfica - e colaborações também em veículos internacionais, Hildegard talvez seja a colunista social com maior trânsito

A fonte da eterna juventude de Lourdes Catão

OS QUE CHEGAVAM para celebrar o aniversário do amigo Márcio Roiter, o Monsieur Art-déco, eram logo convidados a conhecer o jardim do Edifício Biarritz, paisagismo realizado pela anfitriã do jantar, Lourdes Catão, com a máscara do Deus Baco num muro de ladrilhos e uma fonte luminosa central, que irradia vibrações de beleza para todos que a contemplam… O QUE HAVERÁ naquela água da fonte do Biarritz, que a faz tão energética?… NO VIÇO DOURADO de seus 92 anos, os cabelos louros caindo como seda sobre os ombros, a luz de Lourdes Catão ofusca a dos refletores da fonte. Que mistério será esse?… DIZ A LENDA que quem bebe da Fonte da Juventude fica sempre jovem e alcança a imortalidade… NA MITOLOGIA GREGA, a fonte da juventude brota no Monte Olimpo e atravessava, como rio, a Terra. Alexandre o Grande andou procurando esse rio da juventude, depois de ter lido um conto hebraico… NA IDADE MÉDIA, o espanhol Ponce de Leon procurou, procurou, e disse que encontrou a fonte da juventude e da imortalidade lá na Flórida. Mas não deve ter bebido a água, pois morreu logo em seguida… TALVEZ POR ESSA fama o estado da Flórida seja o paraíso dos idosos americanos. Que se saiba, nenhum deles alcançou a imortalidade. Nem tenho lembrança de qualquer senhora de 92 anos da Flórida com o pique e a beleza de Lourdes Catão… MEUS AMORES, quem descobriu a fonte mágica rejuvenescedora foi Lourdes Catão, e ela jorra logo ali, na Praia do Flamengo, na joia da arquitetura Art Déco, o Edifício Biarritz!… AFINAL, ANTES de Lourdes, viveram lá Lúcia e Harry Stone, e que pique tinha aquele casal, meu deus, sempre frequentando e recebendo, recebendo e frequentando!… EU, SE fosse o condomínio, engarrafava a Água Biarritz da Eterna Juventude, e vendia a peso de ouro. Com uma foto da Lourdes no invólucro…  NO JANTAR do Roiter, o que jorrou não foi água milagrosa, foi o bom Champagne, regando o foie gras e o menu by Rose, todo preparado em casa. Quanto requinte!… NA SOBREMESA, o bolo de coco, os docinhos de aniversário feito pela nora, Salete, que vive com Lourdes… O BOLO DE aniversário trazia no topo da glace o símbolo do Instituto Art Déco, dois tucanos, no tom “verde Edifício Itaoca”, e toda a cobertura “cor de laranja Vicente do Rego Monteiro”, conforme pedidos do especialista no estilo e presidente do instituto, o aniversariante Roiter, à doceira Regina Rodrigues…

Lourdes e Marcio Roiter, enorme afinidade no gosto e até nas coincidências. A mãe de Márcio, que era artista, também se chamava Lourdes, e nasceu exatamente na mesma data de sua xará.

Mary e Charles Antell, Márcio e Verinha Bocayuva, sua best young friend

Lourdes com Salete, primeira mulher de seu filho saudoso, Antonio, que agora vive com ela no Biarritz, e lhe faz afetuosa companhia. Família, queridos.

Vera Bocayuva, Charles Antell e Mary Zaide, Jota Mape, Paulo Knauss, diretor do Museu Histórico Nacional, Marcio entre Lourdes e esta colunista, atrás, Andréa Pittigliani e Isaac Berensztejn, Nubia Melhem e Francis Bogossian.

O bolo de Regina Rodrigues com a logo do Instituto Art-Déco no topo

Nubia Melhem, pesquisadora das memórias de Lourdes

Amigas

Vanity Fair style

Leia a coluna completa no JORNAL DO BRASIL m.jb.com.br

Fotos Sebastião Marinho

Mario Priolli, longe do Rio, distante dos amigos, no exílio forçado de Cabo Frio

Mario Priolli, num dos seus momentos de grande felicidade, ao lado de uma das divas que lotavam o canecão em longas e apoteóticas temporadas, Maria Bethânia, e de sua Maria de Fátima, com quem foi viveu um casamento em que todo dia era uma festa

NÓS VOLTÁVAMOS de Cabo Frio, onde fomos visitar nosso amigo Mario Priolli. Éramos Gisella Amaral, Renato Garavaglia e eu… FOMOS, DESAFIANDO a vontade de Mario, que não queria, de forma alguma, ser visitado Assim como não queria que soubessem onde ele estava… HAVIA CORTADO todos os seus laços com o Rio de
Janeiro, e ele, o pródigo, o generoso, o sempre mão aberta, o dos largos gestos, o provedor, não queria que o vissem, nem mesmo os amigos da estima verdadeira,
numa situação difícil… BATEMOS PALMAS no portão da casa onde ele se hospedava, e deixamos recado que o esperávamos no hotel em frente. E lá veio algum tempo
depois o mesmo Mário, banho tomado, cabelos penteados pra trás, perfumado, camisa bem passada, acompanhado do primo, Arthur Priolli… SENTARAM-SE CONOSCO, almoçamos, conversamos, rimos, lembramos histórias. Isso lhe fez bem. E voltamos com a promessa de que, na primeira oportunidade, ele aceitaria um convite para vir ao Rio rever os amigos todos… O QUE ACABOU acontecendo em setembro do ano passado, no jantar do aniversário de sua comadre, madrinha do filho, Rafael… BEM, OS COMPADRES de Mario somos Francis e eu, daí que, nesse jantar, pedi ao Mario que me contasse, francamente, a razão do fim do Canecão… ELE ME DISSE: “Havia um projeto de interesse do então reitor da UFRJ, com o Governo do Estado e o empresário Eike Batista, de construir um grande empreendimento naquele local. Eles
vieram conversar comigo. Disseram que o Canecão poderia continuar, mas seria no subsolo. Eu concordei, mas disse que era importante que o Canecão tivesse direito a manter o espaço do letreiro da fachada, pois era o letreiro que vendia todos os espetáculos. Eles recusaram. Eu não abri mão. Aí, o reitor iniciou aquele processo para despejar o Canecão. Quando vi que ele estava irredutível, tentei várias vezes fazer um acordo, mas ele não quis conversa. Eles queriam despejar o Canecão para construir o empreendimento deles”… O REITOR morreu antes de conseguir realizar seu projeto. E
o Canecão morreu em pé, desmanchando aos poucos, destelhando, caindo aos pedaços, tornando-se um ninho de ratazanas… E ASSIM se foram 40 anos de História da Música Popular Brasileira… E ASSIM se extinguiu, por força dos podres poderes, a memória da cultura nacional. E assim o Rio de Janeiro perdeu um dos pontos fortes de
seu roteiro cultural, artístico e turístico… NENHUMA DAS casas de espetáculo que surgiram depois do Canecão conseguiu preencher seu espaço. O público concorda com isso. A imprensa endossa. Os artistas assinam embaixo… MARIO PRIOLI tinha uma memória excepcional. Estar com ele era sempre um deleite, porque ele revelava os bastidores da vida artística, peculiaridades e causos únicos, envolvendo os grandes personagens do show business… ERA UMA pessoa sedutora e era difícil não gostar dele… TINHA AMIGOS no mundo artístico, no meio empresarial, nos redutos sociais mais fechados, ninguém resistia ao charme do Mario… FICOU LONGO tempo solteiro e não estava feliz. Os amigos resolveram que ele precisava se casar. Mas para o Mario teria que ser uma mulher realmente especial. Lembramos de Maria de Fátima Monteiro. A Maria de Fátima “capa da Manchete”. A mulher mais bonita do Brasil. E além de tudo inteligente, espirituosa, bom caráter e de origem italiana, como ele… FÁTIMA TINHA terminado um romance recentemente. Então combinamos, Ruth de Almeida Prado, Ibrahim Sued e eu: o Ibrahim daria uma festa em minha homenagem no Special. Eu faria os convites, Maria de Fátima e Mario Priolli, meus amigos, não recusariam. Nem ele nem ela poderiam saber. Assim foi feito… APRESENTADOS NA festa, não mais se separaram, eram almas gêmeas. Tiveram um filho muito esperado e
querido, o Marinho… MARIO E FÁTIMA viviam uma vida às avessas. Dormiam de dia e, à noite, estavam despertos, recebendo em sua mesa longa do Canecão as
personalidades mais importantes, poderosas e conhecidas do Brasil e do mundo, e depois esticavam no Concorde, no Special, no Régine’s, no Hippo… O CANECÃO estava no seu auge. Elis Regina, Maysa Matarazzo, Tom Jobim, Vinicius, Chico Buarque, o MPB-4, Quarteto em Cy, Rita Lee, Mutantes, os baianos todos, todos os mais importantes estrangeiros e longas temporadas de Roberto Carlos… MAS, COMO todo conto de fadas, este teve um fim… FOI SOFRIDO para todos, o Mario, a Fátima, Marinho e todos os amigos, que conviviam com eles, que os acompanhavam nas
madrugadas, que jantavam com eles no Concorde e rolavam de rir com as sacadas de Fátima – que mulhe inteligente!… BEM QUE se tentou impedir essa separação, mas estava escrito nas estrelas e na determinação de Fátima. Caprichos de mulher linda. Uma pena… MARIO REFEZ sua vida, e sua grande alegria foi o nascimento de Rafael, que o acompanhava em Cabo Frio, quando ele morreu… MARIO MORREU pobre no bolso, mas com um patrimônio espetacular, uma área imensa em São Paulo, praia paradisíaca e uma encosta em área preservada, onde havia um projeto imobiliário de
condomínio fechado, que chegou a nos mostrar… LONGE DOS AMIGOS e da grande vida que ele soube tão bem orquestrar para ele e todos os que o cercavam… FOI GENEROSO com todos, mas o fim de vida não foi nada generoso com ele. Muitomenos, ele recebeu o reconhecimento e o apoio que merecia e deveria ter tido do meio artístico e da mídia cultural, na defesa do Canecão, contra a truculência e a arbitrariedade de seu fechamento… VÁRIAS VERSÕES foram divulgadas, nem
sempre correspondendo à realidade. Fake News que serviam ao interesse dos grandes investidores. Perguntem ao Ricardo Cravo Albin, seu sempre grande defensor, e por isso ele era grato… PRIOLLI NUNCA cobrou nem se queixou de ninguém. Ao contrário, silenciou, se afastou. Porém, os fatos que envolvem seu afastamento do Rio de Janeiro, seu “exílio” em Cabo Frio, são tristes, vergonhosos até… PORÉM, E definitivamente, ele não merecia tanta insensibilidade de tantos. Os mesmos que ele recebia em sua casa de espetáculos com a categoria do grande cavalheiro que sempre foi… VÁ EM PAZ, meu compadre. Agora, você está de novo liberado para tomar seu uisquinho, numa mesa do Canecão do Céu, com Vinícius, Tom, Miele, Bôscoli, Aluízio de Oliveira, Maysa e todos os seus amigos, que partiram na frente, abrindo caminho para o grande empresário do entretenimento, um homem que sabia viver à larga, e
nessa largueza incluía todos os que o cercavam… MARIO FOI um vitorioso, empresário extremamente bem sucedido, empurrado no fim da vida para um tempo de
fracasso, pela confiança que depositou em quem não devia… E QUE REZEMOS todas o terço para Nossa Senhora nos proteger das más companhias. Amém!…

 

A execução de Marielle não foi só crime de gênero ou crime racial, as nove balas atingiram a nossa Democracia

O momento é da maior gravidade. Abrem-se as cortinas da tragédia anunciada. Não podemos restringir a execução de Marielle a mais um crime de gênero ou mais um crime racial. Sua dimensão é ainda mais abrangente. Foi sobretudo um crime político, de cerceamento de opinião. Um tiro fatal na liberdade, nove balas UZZ-18 em nossa agonizante Democracia.

O tiro no Calabouço, em 1968, levou embora o secundarista Edson Luís, mas despertou a massa humana, que desde 1964 se mantinha passiva observadora dos fatos. Nessa era da internet, tudo acontece em maior velocidade. Do golpe de 2016 ao despertar das multidões entorpecidas e da consciência nacional, neste 15 de março de 2018.

As panelas emudecidas e as camisetas da Seleção não quiseram compactuar com o sangue dessa cilada grotesca. Entenderam o quanto foram e têm sido manipuladas em nome de interesses que não são os do povo. As balas que mataram Marielle foram vendidas para a PF de Brasília. Houve uma conspiração muito bem planejada, envolvendo dois carros, um deles clonados.

Executaram Marielle para calar sua militância. Assim como executaram minha mãe, Zuzu Angel, para emudecer suas denúncias e a exposição enlutada de sua dor, com a perda do filho torturado e morto pela ditadura. Da mesma forma como se deu com Marielle, minha mãe foi seguida em seu trajeto, pelo veículo de seus executores, até o local pretendido para a eliminação. Tudo de acordo com os manuais técnicos da maldade. Duas décadas depois, as investigações dos Conselhos de Desaparecidos e Comissões da Verdade jogaram luz sobre o que se tentou fazer passar por “acidente”, e esclareceram que houve uma emboscada para exterminar Zuzu. Bem como, inicialmente, quiseram fazer a execução de Marielle passar por mais um assalto entre tantos na cidade. Não colou.

O efeito dessa campanha desmoralizadora logo se fez sentir. Hoje, em minha hidroginástica frequentada por pacatas senhoras do bairro, uma delas, enfurecida, bradava contra os “direitos humanos” que Marielle defendia. Na campanha em circulação, eles maliciosamente a comparam a uma médica não militante, que morreu num assalto e não teve as mesmas glórias na morte. Propaganda cheia de obviedades, para atingir mentes desprevenidas.

E de repente me vi, não mais na piscina azul da academia, porém numa piscina de sangue. O sangue que o pensamento fascista já verteu no Brasil e poderá fazer ainda jorrar muito mais. O sangue de minha mãe, em 1976. O sangue de Stuart, de Sônia, de Maria Helena, de Vlado, de Rubens Paiva e muitas centenas, nos Anos de Chumbo. O sangue de Marielle neste 2018. O sangue de Anderson Gomes, a vítima errada na hora inadequada. O sangue de muitos outros que precisarão ser emudecidos.

A Democracia está sangrando por Marielle, por Anderson, por nossos filhos, por todos aqueles que não se calam.

Minha coluna do Jornal do Brasil desta terça-feira, dia 27 de fevereiro de 2018

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Enquanto a Cultura do RJ tropeça, a Secretaria de Cultura de Caxias encomendou reformas dos teatros Raul Cortez e Armando de Mello e a reativação do Teatro Procópio Ferreira. Viva Caxias!

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Arquiteto José Dias concluiu e entregou ao reitor da UFRJ o projeto do Centro Cultural Minerva, no local do Canecão. Tem teatro, galeria de arte, cinema, restaurante café com vistão e painel restaurado de Ziraldo para visitação pública.

Maitê, A Mulher de Bath e mulher do Amir Haddad, juntos formam grande parceria (Foto Divulgação) 

Maitê Proença Repete Tônia Carrero E Dá Grande Salto Reinventando-se Como Atriz de Alto Teatro

Como se fosse uma predestinação, Maitê Proença, a mais bela de sua geração de atrizes, repete a história de Tônia Carrero, a mais bela em seu tempo de juventude, e também de meia idade, na cena brasileira.

Despedida da Rede Globo (o que faz questão de enfatizar, a cada ocasião que tem), Maitê decidiu se reinventar como atriz, começar do zero, entregando-se a um diretor que lhe arrancasse a alma e os sentimentos, descaracterizando-a da cosmética, que costuma encobrir e até mascarar a anima do intérprete, após tantas décadas de gravações de novela.

Tônia fez o mesmo. Após 20 anos de comédias ligeiras e vaudevilles glamourosos, que criaram a falsa ideia de que seria apenas uma atriz bonita, ela se entregou nas mãos do diretor Fauzi Arap e interpretou a prostituta Neusa Sueli, na peça de Plínio Marcos, “Navalha na carne”. Isso a entronizou no primeiro time de nossas grandes intérpretes. Tônia foi carne viva, esparramando no palco drama, sofrimento e sinceridade, decadência ao mais baixo extrato das possibilidades, esquecendo-se de sua beleza. As plateias iam ao delírio, ao vê-la assim descomposta e tão belamente atriz. O espetáculo era de tal forma intenso que acabou proibido pela censura e só foi liberado 13 anos depois.

De São Paulo me chegam os ecos do desempenho de Maitê. Ouço que, liberta da televisão, ela deu um salto na carreira, vivendo “A mulher de Bath”, um dos “Contos da Cantuária”, de Geoffrey Chaucer, autor cem anos precursor de Shakespeare.

Trata-se de um monólogo, que ela levou um ano para conseguir encarar, tamanhas as minúcias e peculiaridades do tema, abordando as fragilidades e fortalezas da mulher. Amir Haddad fez um trabalho paciente, carinhoso e firme com a atriz, que agora nada de braçada no texto, com andamento de cordel, lotando o Teatro do Sesc Bom Retiro, como um dos highlights desta temporada.

BORBULHANTES

SoHo Comprido. O Rio de Janeiro vai ganhar o seu SoHo. Uma região destinada às artes, consistindo em além dos dois teatros já existentes (um, para 350 pessoas, o Teatro Cesgranrio; o outro, para 100, no antigo Le Buffet, o Teatro Beth Serpa), um terceiro para 800 pessoas, em vários níveis, totalmente equipado para grandes espetáculos, o maior do Rio de Janeiro… Um quarto teatro, dentro do Le Buffet, além de estúdio de TV, estúdio de edição de filmes… Tudo isso ocupando três prédios a serem construídos em tempo recorde, projetos já aprovados, integrando o grande complexo cultural que terá como sede o Centro Cultural Cesgranrio, em vistoso palacete histórico do século XIX… Isso é só a ponta do iceberg. Ou melhor, do vulcão cultural que se prepara para fazer fumegar com cultura, arte e entretenimento toda a região histórica do Rio Comprido, cenário dos romances de Machado de Assis… Concepção do empreendedor cultural e do ensino, professor Carlos Alberto Serpa, que não chamo de visionário, pois seus sonhos não ficam na imaginação nem no papel. Ele os concretiza todos. Para a glória e a graça de São Sebastião do Rio de Janeiro… Nossa grande dame do ballet, Dalal Achcar, voltou de Portugal, onde ganhou, ao lado da irmã Aniela Jordan, festa-homenagem do praticamente irmão André Jordan (o pai dele, o empresário Spitzman Jordan, era casado com a mãe dela, Josefina Jordan, com quem tiveram Aniela)… André é um dos grandes empreendedores do setor de resorts de Portugal, quiçá da Europa inteira, e agora faz seu empreendimento “Belas” bombar com brasileiros que migram para Lisboa. Uma família de sucesso… Dalal voltou com fôlego, e faz jantar para o conde Ernesto Azzalim, no Satyricon… Perfeita para nós, brasileiras gulosas, a última coleção de alta costura para festas lançada pela marca Schiaparelli (fotos). Ela traz bolsões enormes na frente de todos os vestidos e casacos, permitindo que, assim, acumulem muitos docinhos dos casamentos, de maneira prática, confortável e discretíssima he he he he…Ciro Gomes defende mudanças na legislação da radiodifusão, mas disse que a regulação é o controle remoto. Não é pela intervenção militar no Rio, mas a ela também não se opõe… Ciro é estranho. Falava grosso, voz de tenor profundo, logo que se apresentou candidato. Entusiasmou muita gente… Mas, na medida que a eleição se aproxima, seu timbre vai modulando pra barítono, até sondando Marina Silva pra sua vice… Receio que breve suavize pra contralto, no ponto para os ouvidos aveludados do mercado, da mídia amiga e dos manifestoches…

Carta ao Futuro Em Tempos de Horror

Este é o título do prefácio de Maria Inês Nassif, no segundo volume da Enciclopédia do Golpe, organizado por ela, juntamente com Miguel do Rosário, Giovanni Alves, Wilson Ramos Filho.

Maria Inês acredita que serão necessários muitos anos para que os brasileiros se deem conta da complexidade do golpe de Estado “iniciado em agosto de 2016, quando a presidenta eleita foi levada à lona pelo Senado num processo de Impeachment autorizado ela Câmara no 17 de abril anterior”.

A jornalista, por várias vezes, prismas e às minúcias, aponta os efeitos danosos do golpe e a ação coordenada da propaganda que disseminou este “horror”.

Ela sobretudo focaliza e responsabiliza a ação da mídia na desestabilização do regime democrático e no acirramento do reacionarismo entre os jornalistas.

Concluindo: “Nunca a prática do mau jornalismo foi tão comum no país”.

ERRATA

Vocês sabem, coluna de estréia, jornal novo, equipe ainda sendo apresentada uns aos outros, todo mundo nervoso, e – pimba! – alguma coisa tinha que dar ruim. Foi sobrar pra quem? Pro Lulu da Pomerania, ora essa! Era a foto dele que tinha que sair ontem. Então fechem os olhinhos e pensem nas Borbulhantes de ontem, pois é. Este é o Lulu chamado Gucci, que a namorada do filho da Beth Winstom está disputando com ela na Justiça. Fechem os olhinhos de novo e lembrem da foto de ontem. Aquela é a Maria Inês Nassif, jornalista sobre a qual falo na nota aqui ao lado.
Perdão, queridos. Podem considerar erro meu.

Íntegra de minha coluna desta segunda-feira, 26/02/2018, no Jornal do Brasil

O embaixador José Viegas Filho, ex-ministro da Defesa de Lula, é exemplo vivo de que dentro do peito da ministra Carmen Lúcia também bate um coração.

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Pra quem é rico e está de saco cheio desta vida, morrer no Rio será grande pedida a partir de março com o novo Crematório da Penitência no Caju. Leia aqui.

Plano B, de Bagner

Esta é a hora dos nomes fakes de candidatos em todas as direções. Bastou Lula ter um encontro com Guilherme Boulos, que já há quem diga que ele é seu plano B para candidato a presidente. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad nem esconde suas certezas de será ele, até articulando alianças. Haddad encontra rejeição entre os PT puro-sangue, que, à boca miúda, identificam nele sintomas latentes de SDE – Síndrome de Coxinhismo Enrustido.

O único nome que cintila no horizonte da estrela petista é o de Jacques Wagner, ou melhor, Bagner, com B, de plano B.

Enfim um Rio de Paz

Músicos permanentemente no local, transmissão online, columbário, chuva de pétalas de rosa e transformação das cinzas do(a) finado(a) em diamante, são alguns dos atrativos do novo crematório high tech, que será inaugurado, em março, no Caju, investimento de R$ 100 milhões. Quem quiser morrer em grande estilo, melhor esperar até lá (humor negro).

Trata-se do Crematório e (também) Cemitério da Penitência, no Caju, que, além de jazigos tradicionais em terra firme, terá 22 mil outros (até especiais pra obesos) em prédio de oito andares, com capelas ecumênicas para 150 pessoas.

A ideia é tirar do carioca a impressão de que a última morada é um lugar cheio de moscas, calor infernal, tropeços em ossadas e mau cheiro.

Herança genética

Diante da crise fiscal, econômica, política, moral e cívica do município, o PMDB pensa em lançar o vereador Jairinho para líder do partido na Câmara Municipal.

Seu pai, o ex-deputado estadual coronel Jairo, foi apontado como miliciano na CPI das Milícias, e teve o nome envolvido em investigações sobre tortura de equipe de jornal na favela do Batan.

Espera-se que Jairinho tenha herdado os dotes da mãe.

Me tira dessa!

Intervenção militar no Rio parece que só agradou a Pezão. Todos reclamam. Amanhã, os líderes de partidos da Alerj se reúnem para debater o impacto da presença militar no Rio e discutir meios de deixar a Alerj fora da esteira de poderes concedidos aos militares. Mesmo a base do Governo Pezão se preocupa com a despolitização que os militares podem causar. Ninguém quer ter o poder diminuído e, com isso, os votos decrescidos, em ano de eleição, ora, bolas!…

A NOVA FAMÍLIA BRASILEIRA

A Nova Família Brasileira aqui representada pelo bebê Rafael Soares Sampaio Araújo, Thaís Araujo e Maria Soares Sampaio Geyer (Foto Álbum de Família)

A Nova Família Brasileira é mais feliz. Ela se assume e, por se assumir, não patrulha o próximo. E quando olha ao redor esparrama compreensão. Seus valores se refinam, na busca da própria essência. A coragem de desafiar preconceitos e antigos padrões faz dela, mesmo que assim não deseje, referência. Assim ela é, ainda nesta segunda década do Terceiro Milênio, mas, nas próximas, será motivo de incredulidade contar que em nossos dias era grande audácia haver duas mulheres determinadas como Thaís Araújo e Maria Soares Sampaio Geyer, aqui vistas com seu bebê de três meses, Rafael Soares Sampaio Araújo.

Acompanhei essa amizade, o amor, o casamento e a decisão de terem um fruto da união bem sucedida. Modernas, recorreram aos serviços do médico obstetra dr. Carlos Dale, especialista em fertilização. Lá, tiveram acesso aos catálogos de doadores de um laboratório americano. Levaram os catálogos para casa com todo o tempo do mundo para escolher, folheando páginas e páginas de fotos de doadores, desde seu nascimento até a idade atual. O pai biológico de Rafael tem 18 anos e olhos azuis. Talvez tenha feito Maria se lembrar dos olhos azuis de seu pai, Paulo Geyer, fundador do Grupo Unipar. Mas a cor dos olhos não importa, quando se sabe que, na formação de uma criança, prevalecem a dedicação, o carinho e os valores transmitidos a ela.

Thaís é nutróloga, sabe tudo sobre alimentação de seu bebê. Maria descende do que poderia ser uma aristocracia brasileira, desde os Proença, que bateram com os costados no Rio de Janeiro por volta dos 1500. Tem também os Machado Coelho, os Halfeld… Retratos de família para pendurar na sala e contar histórias bonitas ao menino Rafael não faltarão.

O que mais me toca, porém, é o lado piedoso dos Soares Sampaio, da mãe de Maria, Maria Cecília. Por muitas gerações eles mantêm vínculos com a Venerável Ordem Terceira de São Francisco de Paula dos Mínimos, e por isso estão todos sepultados no modesto Cemitério do Catumbi. Este é o São Francisco que o Papa homenageia com seu nome, de tal forma exemplar foi Francisco de Paula dos Mínimos.

BORBULHANTES

Apesar de Brasília ser o epicentro, há crise por toda a parte. Na Barra da Tijuca, por exemplo, a generosa Beth Winstom está sendo processada na Vara de Família pela cidadã Kelly Corrêa, que, a título de indenização por suposta união estável, exige a casa de Búzios, o carro Audi, o Lulu da Pomerania (são três pets), e uma pensão de 10 mil reais… Só que a cara metade (aliás, caríssima), não é a Beth, é o filho dela, Kid, ainda estudante, que mora com a mãe, e em cujo quarto Kelly se instalou há seis anos e meio. Louco amor… Beth, obediente à decisão provisória da Justiça, vinha regularmente pagando 5 mil por mês à ex-norinha, que amava como filha. Tanto que, tendo chegado ao lar dos Winstom com pequena maleta plástica, ao partir levava 16 valises grifadas e de grande porte, contendo um guarda-roupa espetacular, que fez a festa das vendedoras do Village Mall: Gucci, Dolce&Gabbana, Valentino, Fendi, algumas das notáveis marcas que as recheavam… Sem esquecer os 32 pares de sapato que trouxe da última viagem a Los Angeles… Kelly é linda, doce, e sua paixão por Kid foi instantânea… Tendo conhecido Beth numa festa e a reencontrado em outro evento, elas trocaram telefones… Ato contínuo Kelly ligou para Beth querendo passar um fim de semana em sua casa (hollywoodiana)… Foi. Lá, perguntou: “Seu filho está? Queria conhecer”. Beth: “Está, mas não sai do quarto para confraternizar com visitas”. Ela: “Vou lá”. Toc, toc, toc. Bateu na porta. Kid abriu. Kelly entrou...Love at first sight E assim se passaram seis anos e meio até chegar à 10ª Vara de Família da Barra da Tijuca, onde semana passada Beth Winstom teve sua vitória em Primeira Instância… A juíza Eunice Bittencourt Haddad negou a pretensão de Kelly Nataly Corrêa de obter pensão mensal da “sogra”… O que mais aflige Beth não são as coisas materiais. É perder o Lulu da Pomerânia, Gucci (os outros dois cãezinhos são Hermès e Louis Vuitton), pet que dorme com ela, cabe na mão, e faz de sua cabeça ninho… É uma questão de afeto, não de dinheiro. Apesar de ter pago por Gucci quase 20 mil reais…

QUE TIRO FOI ESSE, NÉLIDA PIÑON?

Flagrante exemplar da Nova Pet-Família Brasileira, que (estatísticas) cada vez mais ama e cuida de seu pet: a grande escritora Nélida Piñon e a grande sedutora Suzy Piñon, em momento de total entrega ao afeto mútuo

Nélida Piñon, mulher dada a encantamentos, tem hoje um especial. Ele tem nome e sobrenome: Suzy Piñon. A grade dama das letras brasileira, imortal das palavras, acadêmica de muitos tomos, agora se derrete feito manteiguinha aquecida diante de Suzy, que chegou assim assim, meio de coadjuvante da casa, apenas para namorar o rei do lar de Nélida, o Gravetinho.

Uma amiga, a Marina Pires, trouxe Suzy da mesma raça, lá do Morro do Tiro, em Teresópolis. Que tiro foi esse, meu Deus! Foi um tiro poderoso. Um fuzil AK47 de puro amor. Aos 7 de idade, os jogos de sedução de Miss Piñon, como alguns amigos de Nélida a chamam, são de deixar sua dona totalmente dominada. É, está tudo dominado lá naquele apartamento da Lagoa. Que tiro foi esse? – eu repito. Nélida reconhece: “Tão logo a vi, senti um “Assombro” amoroso”.

E vai discorrendo sobre as peculiaridades de sua menina: “Suzy é uma sobrevivente. Suas atitudes iniciais lutando por afeto e por direitos iguais aos de Gravetinho, senhor da casa, não só demonstram que é uma feminista nata, mas revelam seu difícil passado. Tem singularidades: um paladar exigente (adora foie gras e queijo Manchego), uma sensibilidade aguçada, um olhar perscrutador. É destemida, impetuosa e delicada ao mesmo tempo. Não suporta ficar sozinha. Na rua, desafia todo mundo, late para me proteger e impedir qualquer aproximação, comporta-se como uma gigante”.

Mas o encantamento mesmo se deu por “sua capacidade de se comunicar vivamente sem ter que dizer uma única palavra. Sua amorosidade. Suas lindas orelhas, enormes, mas que esteticamente se equiparam à perfeição do homem de Vitruvius”, diz a intelectual, que jamais imaginou, com toda aquela paixão que tinha por Gravetinho Piñon, com quem conviveu por 11 anos, e por quem até hoje chora a morte, reencontrar outra alma gêmea canina.

Quando lhe peço para lembrar mais alguma coisa sobre a “donzelinha”, ela diminui o volume da voz e me corrige: “Uma confissão familiar: Suzy não é uma donzela, foi namorada sim de Gravetinho. E segundo consta teve outros amores no Morro do Tiro. Pergunto-lhe como foram, ela só mexe as orelhas como se a memória lhe provocasse frêmitos.”

Foto de José Peres

 

Assim como o Benjamin Button do cinema, com o passar do tempo a colunista ganha vigor infantil, intrepidez adolescente

Compartilho aqui com vocês, exclusiva para vocês, meus leitores estimados, minha coluna na edição de estreia do Jornal do Brasil, domingo, 25 de fevereiro, que não está no ar no site do jornal. É um resumo biográfico de minha trajetória profissional. Um textão pra quem tiver paciência e tempo para ler tanta coisa. Perdão.

Sempre lembrando o lema que orienta meu trabalho:

“Pode não ser a sua opinião, pode não ser a melhor opinião, mas é a minha opinião.”

Hildegard Angel

Catito Peres me pede que escreva sobre a minha trajetória como colunista até o advento do novo Jornal do Brasil. Sou uma Benjamin Button* do jornalismo brasileiro. Comecei, aos meus 18 anos, uma senhora conservadora, contida, assustada, fazendo um colunismo cor-de-rosa, vendo um mundo sob a lente do encantamento, totalmente vedada à minha realidade pessoal, que evitava encarar de frente, tal sofrimento me causaria.

E assim fui caminhando, com meus sapatinhos de Perla Sigaud, saltitando sobre minha perdas familiares dolorosas e trágicas. Consegui seguir adiante, ultrapassando a dura fase brasileira, ao olhar desconfiado de muitos, que se arvoravam o direito, não sei advindo de que entidade divina, de julgar esta sobrevivente, que hoje aqui está, não digo inteira, mas viva, liberta e coerente, buscando honrar a memórias dos meus com todas as minhas possibilidades.

Rompi o bloqueio que me paralisava e, ao passar do tempo, fui me enriquecendo de informações, valores, consciente do verdadeiro serviço, que, como jornalista, posso prestar à sociedade. Tive a chance de expressar opiniões, sem medo, indo contra a maioria das pessoas do meu círculo social, sem me preocupar em ser contestada. Logo eu, que sempre tive como maior prazer e preocupação ser agradável a todos! Hilde Benjamin Button, na medida em que amadurecia, estava rejuvenescendo. Passava a ser uma formadora de opinião de fato.

Tive alguns reconhecimentos que foram satisfações. Quando fui a primeira na imprensa a noticiar o namoro de Carla Bruni e o presidente da França, Sakozy, antecipando inclusive seu casamento, repercuti na mídia internacional. Favia furado inclusive meus companheiros franceses! E os italianos do Corriere della Sera me chamaram de Rainha das colunas.

Quando criei a Sociedade Emergente, o impacto superou qualquer expectativa. Perdi a conta dos jornais estrangeiros que a comentaram e me pediam para eu teorizar sobre o assunto, como o britânico The Economist e o Miami Herald. O New York Times fez menção. No Brasil, o feito me valeu capa da Vejinha. Emergente virou verbete de dicionário com a conotação dada por mim. Isso sim foi um gol do colunismo social.

Aos 24 anos, fui passar uma temporada em Nova York, hospedada com uma amiga de minha mãe, que se tornou amiga, orientadora e referência em todos os aspectos da minha vida, pessoal e profissional. Foi minha madrinha de casamento. Eleanor Lambert. Chamada pela mídia dos EUA de “Czarina da moda”. Eu estava na Última Hora e precisava de uma máquina de escrever para redigir minhas colunas diárias, que enviaria Via Varig. Eleanor emprestou-me a de seu marido, jornalista já falecido, Samuel Berkson: uma Remington toda folheada a ouro, troféu que ele recebeu com o Prêmio Pulitzer. Foi uma emoção muito forte. Minha primeira coluna de Nova York teve o título: “Escrevo numa máquina de ouro”. Houve quem duvidasse…

Muito do que aprendi de moda, de gente, beautiful people, elegância e de lutar por uma posição através do trabalho, e só do trabalho, aprendi com duas mulheres exemplares: minha mãe e Eleanor Lambert.

Aos 24 anos, idade com que fui para Nova York usar máquina de escrever de ouro, aqui no set da TVE, em estreando programa jornalístico de Fernando Barbosa Lima

Eleanor criou a “Eleição dos Mais Bem-vestidos do Mundo”, cujos direitos cedeu antes de morrer para a revista Vanity Fair. O resultado final era decidido por um Conselho de alto nível, do qual tive a honra de participar em casa de Eleanor, com monstros sagrados da elegância como Nan Kempner, Oscar De La Renta e Jeromy Zipkin.

Entrevistei todos, mas todos os grandes nomes da moda americana, a Sétima Avenida abriu-se para mim. Entrevistei a maior colunista social do mundo, e quando eventualmente a encontrava em alguma festa nos Estados Unidos ou na Europa ela logo me cumprimentava ardorosa: “Hildegard Angel from Brazil!”. Chamava-se Aileen Mehle, a Suzy Knickerbocker do New York Post, posteriormente simplesmente Suzy, da W. Eleanor era o “Abre-te Sésamo”.

Régine Choukron, a das boates Régine’s, foi outra pessoa que me descortinou um mundo de gente interessante. A começar pela princesa Grace Kelly, com quem passei boas horas, a ponto de preencher  página inteira de jornal com entrevista exclusiva. E comemorou meus 30 anos com festa para 300 no seu Crystal Room, em Nova York, quando sua boate de Park Avenue era o must dos musts. Os brasileiros foram daqui muitos deles e, de lá, os com maior expressão no exterior estavam: Ivo Pitanguy, Pelé e Marcia Kubitscheck com o marido primeiro bailarino do American Ballet Theatre, Fernando Bujones. E as celebs amigas de Régine, como Stevie Wonder. Consultem as colunas da época.

Duas viagens me marcaram para a vida inteira. Ao Equador, em 1980, e à China, em 1979, no início de seu processo de abertura para o capitalismo. Uma China ainda tosca, com riquixás e poucos carros, remanescentes do que havia no período pré-comunismo, uma China com civis uniformizados (de verde) e militares (de azul). E todos de boné com estrelinha vermelha.

Uma China pobre, sem luxo, sem tecnologia, com higiene discutível, porém, sem miséria. Este último item particularmente me encantou. Falavam que a China era uma Democracia. Mas todos vigiavam todos.

Da China, trouxe material para seis páginas de reportagens, publicadas seriadas. E um furo que valeu primeira página: “O Globo é o primeiro jornal do Ocidente a figurar num Dazibao chinês”. Dazibaos eram os chamados Muros da Democracia onde o povo chinês colava seus comentários e reclamações. Com a ajuda de minhas amigas colamos várias páginas minhas no Dazibao. Colunas com as “dondocas” e os “dondocos” no capricho. Longos, smokings, chapéus. E os chineses, naquela sua simplicidade, riam às gargalhadas, como se assistissem a um espetáculo de humor. Considerei as risadas, aplausos.

Minha entrevista com Imelda Marcos foi, esta sim, um grande lance de humor. Quando entrei em sua townhouse das ruas 80’s, próxima ao Central Park, jamais imaginei encontrar uma imagem de Nossa Senhora de Fátima florida, em tamanho natural, encarando uma imagem, numa redoma, de Buda gordo sentado, também em tamanho natural, todo de jade, com uma linguinha que se mexia, com um imenso rubi sobre ela. Show!

Pedi a madame Marcos para ver sua famosa coleção de sapatos. Ela me levou para conhecer sua coleção de processos a que respondia. Numa imensa biblioteca, as paredes eram todas cobertas por estantes todas, ocupadas por processos devidamente encadernados em couro pirografado com letras douradas. Fiz a foto e publiquei.

Mergulhar no universo de Darwin, as Ilhas Galápagos, foi experiência única. Descobrir, in loco, a evolução das espécies de acordo com cada habitat. Conferir a dança do acasalamento do albatroz, pássaro monogâmico. E as praias de decomposição de coral rosa ou de coral branco? Experiências acompanhadas da consciência de ser uma sul americana, e não aquela coisa brasileira enclausurada em um Brasil narcisista, com cultura, valores, idioma, culinária, enfim, um conjunto de fatores que mais nos diferencia do que aproxima de nossos vizinhos.

Lá no Equador, na década dos meus 20 anos, pude pela primeira vez me perceber continental, e passear pela Quito Antiga, em cujas igrejas, frutas, flores e astros celestes se misturam a símbolos sacros cristãos, num sincretismo de religiões e costumes dos povos espanhol e indígena equatoriano. Assim como lembro a adoração de todos por Simon Bolivar, o conquistador, e a guia do ônibus de turismo narrava seus feitos com entusiasmo patriótico como nunca vi aqui falarem dos nossos heróis.

A festa de aniversário de Frank Sinatra no Caesar Palace, em Las Vegas. Toda a Hollywood presente. Apenas os amigos dele. Do Brasil, as amizades feitas no Rio de Janeiro, em 1980, convites de Barbara Sinatra: Josias e Heralda Cordeiro e… eu!  Usei um vestido amarelo coberto de paetês bordado a mão pelo Michel. Sinatra cantou no palco com os amigos Sammy Davis e Dean Martin. O que mais eu poderia desejar? E eu fotografando enlouquecida. Tudo devidamente publicado.

Vieram os anos de Brasília, levada pelos amigos Rai e Said Farhat, nomeado Secretário de Comunicação Social, status de ministro, de João Figueiredo, por influência de seu irmão, Guilherme Figueiredo, grande escritor e dramaturgo consagrado.

Said era um liberal de centro, em sua casa faziam pouso todos os jornalistas políticos de prestígio, a começar por Carlos Castelo Branco. Foi Said quem escreveu o discurso de posse do presidente, quando Figueiredo proclamou “Juro que hei de fazer deste país uma democracia”. E como falou (o que estava escrito), estava falado. Não era homem de voltar atrás em suas palavras. Foi mesmo o governo da abertura. Os militares da linha dura do governo e de fora dele não engoliam o Said por isso.

Em Brasília, eu me hospedava com os Farhat. Havia um grande carinho entre nós. Rai levava a foto de meu irmão em sua carteira. Era uma mulher especial. Quando voltei da China, precisava estar em lugar sossegado para escrever minha longa reportagem, fui pra casa deles no Lago Sul, onde, não só escrevi o texto, como diagramei todas as páginas, distribuindo as fotos no chão, sentada sobre o piso acarpetado do quarto de hóspedes.

Numa determinada manhã, acordei e encontrei a casa alvoroçada, “secretas” entravam e saíam. Rai, madrugadora como sempre, no café da manhã recebera um pacote, um livro. Como de hábito, ela o abriu de trás para a frente. O “livro” explodiu em suas mãos. Se ela o tivesse folheado do modo convencional, da frente para trás, a bomba teria feito enorme estrago. Sem saber, Rai desativou o petardo. Mesmo assim saiu machucada.

Foi um aviso. Farhat estava desagradando àqueles que desejavam endurecer e, mesmo, perpetuar a ditadura. Ele foi defenestrado antes do fim do governo.

A solenidade do anúncio da eleição de Tancredo Neves foi realizada numa sala do Congresso, apenas para um grupo reduzido. A família de Tancredo convidou-me a assistir, como única jornalista presente entre eles. E me deram lugar na primeira fila. Sempre amáveis comigo.

No governo Collor, tudo era motivo para festas. Os voos seguiam para a Capital Federal cheios de cariocas e paulistas, levando os sacos de smokings e vestidos longos. A festa começava a bordo. Itamar não recebeu para nada. Fernando Henrique Cardoso e dona Ruth reabriram a temporada das recepções no Itamaraty, e elas foram muitas.

No governo Lula, não fosse o traquejo mineiro e a generosidade pessoal de Marisa e José Alencar Gomes da Silva, o vice-presidente, ninguém do poder travaria novas relações. Ficaria todo mundo girando em torno do mesmo círculo. Às suas próprias custas, o segundo casal abriu o Jaburu para eventos diversos de confraternização, de modo descontraído e discreto, jamais ostentando.

Foi assim, graças a Marisa e José Alencar, que, quando voltei a cobrir Brasília, encontrei uma capital diferente. Passei a ouvir outras preocupações. Fui convidada por eles para a posse no Planalto. Na véspera, houve aquele réveillon íntimo dos Alencar, em que Lula apareceu e fez um discurso, de mãos dadas com o vice-presidente, prometendo vida melhor para os pobres, comida na mesa dos miseráveis. Cumpriu.

Até que veio o Mentirão, como eu chamei, e ainda chamo, o Mensalão, com salvo conduto para tal concedido por um dos membros da corte suprema ao dizer a frase: “Não tenho provas, mas vou condenar porque a literatura jurídica me permite”. Com essa permissão literária, cravei a alcunha, lançada em meu discurso na ABI, de defesa do réu José Dirceu, depois reproduzido em minha coluna e muitas outras.

E por que fiz defesa tão ardorosa? Porque desde o início intuí, naquele julgamento das capas pretas voadoras, um objetivo muito mais amplo: o de demolir a aura heroica dos jovens de 68 como um todo. Aqueles bravos, que deram suas vidas pela nossa democracia nos porões dos torturadores. Satanizando os sobreviventes, destruiriam todas aquelas louváveis biografias e tornariam palatável qualquer forma de ditadura. Esperneei o que pude. Obtive grande leitura, mas não grande resultado. O fake Batman tornou-se pop.

E foi o que se viu. Não bastou prenderem Dirceu, Genoíno, Vaccari, Pizzolato. Queriam mais. Eles foram os aperitivos. Queriam também Dilma e, por conseguinte, a cereja do bolo, o mote principal: queriam Lula.  Vieram as manifestações de 2013 por causa de 20 centavos de aumento de passagens de ônibus. E vieram as ofensas graves a Dilma em estádio de futebol. E veio o Pixuleco. E a grande mídia, em uníssono, rotulada de PIG (Partido da Imprensa Golpista), repercutindo e estimulando, de seu jeito torto, as insatisfações; omitindo as conquistas inúmeras dos governos daqueles períodos. Era o golpe já a galope. Vieram as manifestações verde/amarelas e, enfim, o Impeachment.

O ciclo não estava completo. Saiu Dilma, faltava Lula. Impedi-lo de se candidatar a presidente. Como massa de bolo sovado, quanto mais o juiz Sergio Moro o condenava, e mais a mídia lhe batia, mais crescia a pontuação de Lula nas pesquisas do eleitorado.

As sovas no bolo de Lula eram e são diretamente desproporcionais aos tapinhas de leve nas costas de políticos da situação flagrados com a mão no pote de dinheiro. O que, para nós, que sempre confiamos na Justiça, só traz desalento e desesperança.

Hildezinha Benjamin Button, fato, na medida em que fica mais velha na idade, perde a noção do perigo, torna-se desafiadora e intrépida adolescente, pronta a revelar sua alma, a falar o que acredita ser o certo e justo.

Num processo de regressão fantástica, torno-me criança inconveniente, agindo como se na democracia estivesse, quando esta não passa de leve sombra, remoto conto de alta magia, uma pedra filosofal que se perde, pronta a se dissipar ou a ser surrupiada pelo bruxo das trevas, o nosso Lord Voldemort, que pretenderia se tornar imortal, subjugar as pessoas e destruí-las, especialmente o Lula, ops, digo, o Harry Potter.

Eu não disse que virei criança?

 

O Samba da Volta do JB – O Jornal do Brasil voltou, e o de amanhã já vai pras bancas

Três dias depois de sua morte, Jesus Cristo, cumprindo a promessa, voltou. Após ressuscitar, subiu aos céus, anunciando que retornaria. E nós, com fé, aguardamos. Os Tribalistas voltaram no ano passado, 15 anos depois do primeiro e único álbum de Arnaldo Antunes, Marisa Monte e Carlinhos Brown. A banda Led Zeppelin também ressurgiu das cinzas, após seu fim em 1980, e mais de 20 milhões de pessoas se inscreveram para concorrer aos ingressos de seu último show em 2007. O gato cantor Felipe Dylon voltou! Desde o hit A Musa do Verão, de 2007, à nova Vai Ver o Sol Nascer, com que pretende voltar a bombar na meca musical. Silvio Caldas, o cantor famoso das serenatas, que JK adorava escutar, anunciou várias vezes o fim da carreira, e não conseguia parar. O mesmo acontecia com a cantora Elizeth Cardoso, a divina. Anunciava o último show e, em seguida, vinha o show do próximo anúncio. Para alegria dos fãs, estavam permanentemente de volta.

Agora, o exemplo mais expressivo de volta bem-sucedida foi o de Frank Sinatra. Depois de fase péssima, com baixas vendas de discos e plateias pela metade, anunciou a aposentadoria aos 56 de idade, com um show em Los Angeles. Mas só conseguiu segurar o gogó por dois anos, voltando glorioso com um dos maiores sucessos de sua carreira, New York/New York, quando então The Voice, como era chamado, viveu fase extraordinária.

Pois é, meus amores, este é o plano: o Jornal do Brasil voltar como Sinatra, ao som da melódica cidade do Rio de Janeiro/Rio de Janeiro, soltando a voz por ela e para ela, a favor dela, e não contra ela, sendo noticioso, e não tendencioso, com um jornalismo independente, empenhado em que o Estado do Rio de Janeiro retome seu natural posto de tambor de ressonância do país, de lançador de tendências, irradiador de alegria, modismos, estilos, sua vocação desde sempre, pelo próprio temperamento contagiante, irreverente e descontraído de seus cidadãos.

Uma volta carinhosamente acolhida pelos leitores saudosos, que, precedendo nossa chegada, se manifestaram pelas redes sociais com entusiasmo, o que só nos estimulou e confirmou que estamos no caminho certo.

Na contramão de tudo e de todos. No momento em que a mídia impressa fecha as portas e para as máquinas em todo o mundo, o Jornal do Brasil ousadamente retorna ao jornalismo diário em tinta e papel, aquele que a gente toca, sente, apalpa, amassa, recorta e, se quiser, guarda. As notícias com afetividade. Reportagens como memória nossa. O jornal que é matéria, parte da vida da gente. Não se dissolve no ar após a leitura. Fica perto, pra ser compartilhado, mostrado. Volta agora como um velho amor, saudosamente lembrado, ardorosamente esperado.

A partir deste 25 de fevereiro de 2018, quando o assinante do novo Jornal do Brasil encontrar seu velho e bom amigo no capacho da porta vai lembrar dessa minha paródia da canção emblemática de Toquinho e Vinicius, o Samba da Volta (do JB): “Você voltou, meu amor / alegria que me deu / quando a porta abriu / você me olhou, você me viu / ah, você se derreteu / e me folheou, me leu, me investigou / conferiu o que era todo seu / É verdade, eu reconheço, fui eu que quis/ mas agora tanto faz / O perdão pediu seu preço / meu leitor / Eu te amo / e Deus é mais”.

Bênção Toquinho, bênção Vinicius, bênção àqueles que compartilham da silenciosa frustração e da ardorosa ansiedade por um veículo em que possam, sinceramente, confiar. Um órgão da imprensa que lhes permita a sensação de transparência, de sinceridade na apuração e na transmissão das notícias, de responsabilidade e comprometimento com os básicos princípios constitucionais e democráticos, a soberania nacional e o povo brasileiro. Um jornal que não coloque outros interesses corporativos acima do nobre objetivo de informar seu leitor de maneira correta, ética e sem manipulação. Como nos bons tempos.

É este Jornal do Brasil – o novo Jornal do Brasil – que inspirou, também a mim, a voltar.

Hildegard Angel

Foto de Zezinho Peres,

Omar Catito Peres, o empresário responsável pelo ato de atrevimento, fazendo o Jornal do Brasil voltar a ser impresso em papel nas oficinas, o mensageiro desse grande sonho de todos nós, jornalistas e leitores, virou esta madrugada bem desperto e foi buscar o primeiro exemplar do seu Jornal do  Brasil diretamente saindo da esteira, para ter o prazer de manuseá-lo antes de todo mundo. Tem todo o direito. Na capa do  Caderno B, quem vemos? Ziraldo, o grande mestre ilustrador do Brasil, nome consagrado, que supervisiona a produção de Arte do JB, “o mineiro do traço e do humor”, conforme reza o título. Ao mestre o que é do mestre.

Como é de hábito, o Jornal do Brasil de Domingo já se encontra nas bancas no sábado. E eu estou lá, na Página 3 do Caderno B, fazendo a retrospectiva e revelando bastidores de minha vida profissional. Pauleira!

 

Intervenção militar no Rio é fim, não é consequência

Sabendo dessa súbita decisão de se intervir militarmente no Rio, temos que dar o devido crédito à Globo, que fomentou, através de seus veículos, esse clima de horror e insegurança na população do Rio de Janeiro, onde não parece que houve carnaval. Só crimes.

No último mês todos os telejornais da emissora iniciaram com crianças mortas em tiroteios no Rio. Todos. E flagrantes de assaltos. Três ou quatro imagens de celulares, que eles repetiam à exaustão. Carnaval do Recife só tinha frevo. Da Bahia, só axé. Do Rio, só destacaram violência, o carnaval vinha depois. Vergonha. Como os jornalistas da emissora se prestam a isso? Vão arder no mármore do inferno dos comunicadores.

Repetiram com requintes a campanha feita pela emissora contra o governo de Brizola, quando conseguiram satanizar os CIEPS com seu ensino em tempo integral. Projeto do visionário Darcy Ribeiro, que Brizola concretizou, e os jornalões, com grande eco da elite e da classe média, detonaram o que puderam. Findo o governo Brizola, cresceu mato nos Cieps. Foram abandonados, junto com o sonho de uma juventude carente salva das ruas e do crime, através do tempo integral na escola, até sua profissão. Hoje temos aqueles menores – abandonados pela sociedade – feitos bandidos. E ninguém se lembra. E todos reclamam disso, reclamam daquilo, mas não assumem as próprias responsabilidades, quer como mídia, quer como cidadãos. Reclamar é bom, né? Distancia a imagem de quem reclama do problema e exibe apenas seu dedo acusador. Mas não custa lembrar que, no local do primeiro CIEP, o CIEP modelo, no Panorama Palace Hotel, no Morro do Cantagalo, em Ipanema, o que há hoje é a sede do Criança Esperança. E o que se disse quando lá se instalou a escola para crianças pobres, em local nobre, de grande visibilidade e bem perto da favela do Cantagalo? “Que absurdo! Vão enfiar um monte de pivetes ao lado da casa da gente em Ipanema pra assaltar todo mundo”. Pois é. Parece que “pivete” de Criança Esperança é mais bem-vindo do que os de escola pública. E assim caminhou a hipocrisia nacional, até…. esta segunda campanha massiva e obsessiva contra o Rio, com fins e endereço certos: intervenção militar.
Ela serve bem ao propósito de muitos, que gostam de brincar de guerra, de metralhar cidadãos (pobres e pretos, sobretudo), de matar sem ter que dar satisfação. Afinal, foi aberta a alta temporada de caça, com soldadinhos de chumbo já em marcha em direção à Venezuela…

O povo quer saber: quem foram as ciganas mais bonitas do Baile do Copa? Hildezinha conta

Agora são cinzas. Restaram os confetes pra varrer… Ops! E alguém ainda sabe o que é confete? Vou explicar: são esses pontinhos coloridos que “chovem” sobre as fotos dessas ciganas lindas que causaram no Baile do Copa 2018. Elas são apenas 13, escolhidas por mim entre centenas de fotos de Marcelo Borgongino e Verônica Pontes, como as mais belas gipsies, do Gipsy Follies Ball, tema da festa este ano.

Estar neste pódio já consagra. E como todo pódio, ele tem diferentes classificações, que eu ilustro aqui com emoticons carinhosos de… beijinhos, ui!

Assim, todas são igualmente vencedoras, vitoriosas entre centenas. Algumas classificadas com três beijinhos, pois passam o verdadeiro espírito cigano, em seu conjunto da obra. Outras ganham dois emoticons beijinhos, porque estão lindas, divinas, mais ficou faltando alguma gipsy coisa nelas. E mais outras, um beijinho estalado, porque estão bonitas de capotar, mas faltou ciganidade.

No mais, beijinho nos ombros de todos vocês.

Ah, como acordei beijoqueira hoje!

FOTOS DE VERÔNICA PONTES E MARCELO BORGONGINO