Sobre Hildegard Angel

[email protected] Hildegard Angel é uma das mais respeitadas jornalistas do Rio de Janeiro. Durante mais de 30 anos foi colunista no jornal O Globo, quer cobrindo a sociedade (com seu nome e também com o pseudônimo Perla Sigaud), quer cobrindo comportamento, artes e TV, tendo assinado por mais de uma década a primeira coluna de TV daquele jornal. Nos últimos anos, manteve uma coluna diária no Jornal do Brasil, onde também criou e editou um caderno semanal à sua imagem e semelhança, o Caderno H. Com passagem pelas publicações das grandes editoras brasileiras - Bloch, Três, Abril, Carta, Rio Gráfica - e colaborações também em veículos internacionais, Hildegard talvez seja a colunista social com maior trânsito

Em volta da mesa de jantar, as várias lideranças artísticas do Rio de Janeiro reunidas com o secretário de Cultura Lazaroni

Foi um encontro inédito. Em volta de uma longa mesa de jantar, as várias lideranças artísticas do Rio de Janeiro, as mais expressivas, representando diferentes seguimentos da cultura, ouviram o novo secretário – empossado há quatro dias – de Cultura do Estado do Rio de Janeiro, deputado André Lazaroni, e todas elas, individualmente, colocaram suas preocupações, propostas e necessidades.

De pé, na cabeceira, o secretário Lazaroni fala na mesa de jantar para aqueles realizadores que alimentam o estado com suas produções, sua coragem e sua criatividade

Amir Haddad, o grande pensador da cultura, que há décadas inaugurou a proposta do teatro a céu aberto, ganhando as ruas, praças, os parques com o seu grupo Tá na Rua, foi o primeiro a falar, identificando a grande transformação que se opera na civilização e na cultura mundial, com os dominados galgando as posições de domínio. Seguido pela atriz e produtora teatral Christiane Torloni; por Kiko Afonso e Daniel de Souza (filho do Betinho), da Ação da Cidadania, anunciaram que deixaram o assistencialismo, depois de terem contribuído com suas campanhas para tirar o Brasil do Mapa Mundial da Fome, e partiram para formação e capacitação através da cultura, “que é o braço civilizatório”.

Amir Haddad, o primeiro a falar, tendo ao lado Kiko e daniel, da Ação Cidadania, e na frente de Myrian Dauelsberg, Roberto Halbouti, Dalal Achcar e Elisa Lucinda

O produtor cultural pioneiro, Fernando Portella, do Instituto Cidade Viva e da gestão do Parque Arqueológico e Ambiental de São João Marcos, talvez o nosso mais intenso realizador cultural, propôs uma legislação específica para os projetos que têm continuidade, repetem-se a cada ano. Dalal Achcar, do Balé Dalal Achcar, nos lembrou as lições de sabedoria de Darcy Ribeiro. Do Nós do Morro, Luciana Bezerra e Guti Fraga, que reclamou ninguém trabalhar a memória do teatro.

Arte popular, urbana, erudita, tudo junto e misturado. Veio a Myrian Dauelsberg, a dama das grandes produções da ópera e das orquestras, que nos trouxe Pavarotti, Placido Domingo, Zubin Mehta, e ofereceu seus préstimos e de sua Dell’Arte; Renato Saraiva, do Festival Panorama de Dança, lado a lado com o Julio Ludemir, da Flupp  – Festa Literária das Periferias do RJ – e da Batalha do Passinho mais a decana dos museus do Rio de Janeiro, Heloisa Lustosa, presidente da Academia Brasileira de Arte, e o escritor Victorino Chermont de Miranda, também do Instituto Histórico e Geográfico e do Pen Club. Que elenco extraordinário e pródigo em contribuições, ali, generosamente expondo suas experiências ao neo secretário Lazaroni!

Myrian Dauelsberg, ladeada por Dalal Achcar, Elisa Lucinda, Clorys Dale, Guti Fraga, do Nós do Morro. Atrás, Celina de Farias

Na outra cabeceira, a presidente da Academia Brasileira de Arte, Heloisa Aleixo Lustosa. Rosa Magalhães, Guti Fraga, Clorys Dale, do teatro de bonecos. Atrás, Julio Ludemir, da Flupp, e Renato Saraiva, do Panorama da Dança. 

Ah, presente também uma das pioneiras do Teatro de Bonecos no país, 60 anos militando nessa arte, conselheira da Associação Rio de Teatro de Bonecos, Clorys Dale. Compareceu a Christine Nicolay, fundadora da primeira galeria da arte urbana da cidade, no Eixo Rio, liderança do movimento do grafite. A poeta Elisa Lucinda falou de seus projetos de construção do indivíduo através da palavra. Em nome de Jerônimo Vargas, sua colaboradora, Bruna, colocou o Salão Carioca de Leitura – LER – à disposição dos projetos da secretaria.

Pelo carnaval, a notável Rosa Magalhães, imortal da Academia Brasileira da Moda, fez dissertação fascinante sobre as idiossincrasias brasileiras, desde dom Pedro I, e o relato de seu enredo delicioso, que transportará para a Sapucaí o rei de França, Luís 14, com sua corte, no carnaval da São Clemente.

O ator Leonardo Franco, dono do Solar de Botafogo, contou das agruras de ser  produtor e manter um teatro, apenas com a coragem, a cara e recursos pessoais. Marcos Magalhães, responsável pelo festival de animação Anima Mundi, Gabriela Agustini, do espaço premiado Olabi Makerspace, aquele que ‘materializa sonhos’, o advogado de boa parte da classe artística, Roberto Halbouti, a cantora Andréa Dutra prestigiaram com a presença.

Marina Vieira, da Mil e Uma Imagens, produtora com atuação de 19 anos nas artes em todo o país, propôs ao secretário que sua gestão somasse à cultura sua experiência na área ambiental. Marina é quem capitaneia o vitorioso festival internacional Tangolomango, da diversidade cultural.

A conservadora têxtil Manon Salles, dedicada à Coleção Zuzu Angel de Moda, apresentou um Data Show com os trabalhos em andamento na Casa Zuzu Angel de Memória da Moda do Brasil, na Usina da Tijuca. Aplausos Gerais. Celina de Farias, do Instituto Zuzu Angel, falou de nossos quase 25 anos de trabalho de formiguinhas na moda. Este é o 95º aniversário de nascimento de Zuzu, data para ela ser muito lembrada, daí tantos projetos agora alavancados: a Casa Zuzu, o Portal, a restauração da coleção, a peça “Zuzu Angel”, de teatro. Muitos sonhos, muitas vontades.

Diante daquele leque cultural aberto, abanando para ele ventos de boa vontade e promessas de colaboração dos principais realizadores da arte no Estado, o secretário Lazaroni, mesmo na situação de penúria em que nos encontramos, retribuiu com a devida franqueza. Falou que não estava ali para enganar, reconheceu que, com o governo falido, o Teatro Municipal está na eminência de fechar, e prometeu fazer de tudo para isso não acontecer, pois, se o Municipal paralisar sua atividade será a sua federalização ou a sua privatização.

O secretário informou que seu ingresso no cargo foi resultado de uma articulação política, e afirmou: “ninguém ocupa essa função a não ser por injunções políticas”. Propôs-se a voar a Brasília para buscar recursos, nem que tenha que pedir para imprimirem papel moeda. Lembrou da importância de ter na bagagem quatro mandatos e a liderança partidária, o que ajuda muito, pois normalmente quem ocupa tal função não tem poder político. Disse ser homem de diálogo, estar à disposição, e arrematou com uma frase de efeito: “Não tenho preconceito nem conceito”.

Ao fim, retribuiu com elegância os gestos generosos e o coração aberto dos presentes: abriu sua agenda, individualmente, para cada um, assegurando que procurará fórmulas, buscará soluções.

  • Para a atriz Torloni, que objetivamente reclamou dos teatros fechados do Rio –  o Villa Lobos, em obras eternas, o Glória, demolido, o Manchete, interditado aos grupos teatrais pelos novos proprietários, o do Copacabana Palace, fechado “há séculos” – prometeu rápidas ações, “as que forem possíveis”.
  • Para salvar o Municipal, buscará parceiros, como a Firjan ou o Sebrae.
  • O novo MIS já tem em caixa os R$ 42 milhões necessários para a conclusão dos 12% da obra que restam. Mas precisará abrir nova concorrência, já que o empreiteiro responsável desistiu. André fará isso o quanto antes.

A cozinheira passava suas quiches, os sanduíches e salgados. O copeiro enchia os copos. Quem quisesse, se levantava e se servia nos aparadores. Tudo informal, sem cerimônia ou rapapés. Nada de discussões, papo político partidário nenhum. A cultura era a convidada de honra.

A presidente da Academia Brasileira de Arte, a grande dama dos museus, Heloisa Aleixo Lustosa

Casal Bia e André Lazaroni, Christiane Torloni e Juio Ludemir, da Flupp e do Passinho

Fernando Portella e Leonardo Franco

Guti Fraga, do Nós do Morro

Renato Saraiva: Panorama da Dança

O secretário André Lazaroni prometeu, se for necessário, pedir que seja impresso papel moeda para o Municipal não fechar

Marina, Daniel e Kiko, da Ação Cidadania, com Marina Vieira, do Tangolomango e da Casa Zuzu Angel

Bruna, da LER, Salão Carioca de Leitura

A turma do Data Show

Victorino Chermont de Miranda representou três instituições da cultura

Da moda, a conservadora têxtil Manon Salles e a professora Celina de Farias, da Casa Zuzu Angel de Memória da Moda do Brasil

Dame Dalal Achcar

Rosa Magalhães

Kiko Furtado e Daniel de Souza, filho de Betinho, do Ação Cidadania

Clorys Dale, 60 anos de Teatro de Bonecos, desde a inauguração do Parque do Flamengo

Focada na memória da moda e da história de Zuzu Angel, neste seu 95º aniversário de nascimento, coordenei os trabalhos da mesa 

Christiane Torloni lamenta: o espaço para encenações teatrais no Rio é cada vez mais reduzido. Ao que Rosa Magalhães lembrou da lei, ainda vigente, concebida por seu pai, o imortal Raimundo Magalhães Junior, que obriga que um novo teatro seja aberto no local de um que fecha as portas.

Christine Nicolay, a primeira a enxergar a importância do grafite como expressão artística e a abrir espaços para ele no Rio de Janeiro – uma liderança

O ator Leonardo Franco foi franco: ninguém me ajudou

Andréa Dutra reclamou a ausência de espaços para a música, o fim do Canecão e propôs os eventos musicais a céu aberto por todo o Estado do Rio de Janeiro

Maria Célia Moraes, tia do secretário Lazaroni e uma eficiente co-mediadora na mesa do encontro, Claudio e Myrian Dauelsberg e a jornalista

Luciana Bezerra, do Nós do Morro, e Elisa Lucinda com sua produtora, Giovanna

A primeira-dama Bia Lazaroni,  Himallaia, assessor da secretaria de Cultura, Amir Haddad, do Tá na Rua, e Kiko Afonso, da Ação da Cidadania

Francis Bogossian, vice-presidente do Instituto Zuzu Angel, e Roberto Halbouti, advogado do meio literário, da indústria fonográfica e do show business

Fotos de Sebastião Marinho

Minha homenagem final a Marisa Letícia… em céu estrelado pintadinho de balão

Meu jeito de despedir de Marisa Letícia Lula da Silva será este: a republicação de uma coluna minha do jornal O Globo de 16 de junho de 2004, quando os Lula montaram seu primeiro arraial na Granja do Torto, festejando o São João, e a imprensa caiu em cima, com todo o tipo de deboche e desfeita. Como se as Festas Juninas fossem costume de algum país alienígena, completamente avesso à realidade brasileira!…

Eu, em cujo meu coração palpita um céu estrelado pintadinho de balão, reagi com a ardência de uma fogueira flamejante e taquei nos coleguinhas dos punhos das rendas meu chicotinho queimado. De quebra, vou vestir minha saia franzida de chita, em pleno feverê, e dar um caracol geral, para dizer sobre a dança da quadrilha junina que, pra quem desconhece, também sabe falar francês. É quando ela arremeda o aristocrático minueto, e a ‘palavra de ordem’ para os casais irem pra frente é Alavantú (en avant tous), pra irem pra trás, é Anarriê (en arrière), pra trocarem de par, é Changê (changer/changez), pra se cumprimentarem frente a frente, é Cumprimento ‘vis-à-vis’  e, pra repetirem o passo anterior, é Otrefoá (autre fois).

Mas é em sua parte bem brasileira que a dança da quadrilha fica divertida, quando os casais chegam à festança do casamento e os corações se enchem da euforia colorida e festiva de São João.

Assim, espero, seja a chegada de Marisa Letícia, a Marisa dos Casa, ao Reino dos Céus. Santo Antônio, de quem ela é devota desde criança, não pintado no estandarte, que Lula tantas vezes carregou em procissões, mas no comitê receptivo do Firmamento, todo enfeitado com balõezinhos e bandeirolas, ao som dos anjos formando uma banda de forró, tocando sanfoninhas, Luiz Gonzaga, o pai, no acordeon, e o filho, Gonzaguinha, no vocal.  Que recepção!

Bem-vinda seja à casa do Papai do Céu, Marisa!

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Na hora da partida, a honra lavada:

Fonte de consulta:

http://mary-xanxere.blogspot.com.br/2015/06/glossario-da-quadrilha_24.html

São Sebastião abençoa os grandes valores do Rio de Janeiro

A entrega do Prêmio São Sebastião foi ontem, na Casa Julieta de Serpa, lotada, trilotada.

Nelson Sargento, o sambista homenageado, levou um séquito de amigos da Mangueira, entre eles a atriz Bette Mendes e a Célia Domingues, da Amebrás. Gisella Amaral, a homenageada especial, levou séquito familiar, o Ricardo, o Bernardo, o Rick, a neta caçulinha, e alguns amigos de fé, nacionais e internacionais. O ator Marcos Caruso, no palco do Teatro Maison de France naquela hora exata, homenageado ausente, foi representado pela embaixatriz Marilu Seixas Corrêa, que se dirigiu ao Cardeal Arcebispo Dom Orani Tempesta da maneira protocolar correta, Vossa Eminência. A maioria dos homenageados compareceu, numa demonstração forte de prestígio do prêmio. A professora Terezinha Saraiva pelo trabalho social que coordena, junto a várias comunidades, Apostando no Futuro. A jornalista Joana Dale, da Revista de Domingo, de O Globo, pelas reportagens em que propaga a fé católica. O ator Mauro Gonçalves, na categoria Audio Visual, acompanhado da mulher, Rosamaria Murtinho. Recebendo o prêmio por seu pai, a filha do falecido Ferreira Gullar. Todos a acharam a cara dele, eu achei a cara da mãe, a Tereza Aragão. Mas, pensando melhor, concluí que Gullar e  Tereza eram tanto a mesma carne, o mesmo pensamento, que acabaram por se parecer.

Foi uma ocasião para rever muitos amigos de quem gosto. Nélida Piñon, Lycia Gaioso, Suely Vasconcellos, Giovanna Deodato, Gilsse Campos, Fátima Cunha, Eva e Paulo Alcântara. E o registro das palavras da premiada Maria Bethânia, repetidas pelo frade seu orientador espiritual ali presente: “Eu rezo, rezo muito, todos os dias e horas, para Nossa Senhora, eu me acostumei a falar com ela porque não tenho coragem de falar com Deus”.

Terezinha Saraiva recebeu o Prêmio Ação Social pelo projeto Apostando no Futuro

Gisella Amaral recebeu o Prêmio São Sebastião, Categoria Especial, por toda a sua trajetória, décadas de dedicação ao próximo, às entidades de apoio aos desvalidos, sempre com grandes e louváveis resultados – ah, se todos fossem iguais a você, Gisella!

Prêmio Comunicação Pessoa Física, para a jornalista Joana Dale, pelas inúmeras reportagens elevando a fé católica, na Revista de Domingo, O Globo

Prêmio Guilherme Arinos para Nelson Sargento, que levou séquito mangueirense, entre outros a atriz Bette Carvalho, aqui na foto, e Célia Dominguez, presidente da Amebras – Associação das Mulheres das Escolas de Samba

Fotos de Marcelo Borgongino

Prêmio Cesgranrio de Teatro se consagra por seu mérito junto à classe artística nacional

Metas e realizações.

Há quatro anos, na entrega do I Prêmio Cesgranrio de Teatro, no Golden Room do Copacabana Palace, havia personalidades representativas e a confiança de que era um bom começo de uma semente que frutificaria. Quem conhece o ânimo empreendedor de Carlos Alberto Serpa sabe que, com ele, os projetos têm prosseguimento. Zezé Polessa ganhou o prêmio de melhor atriz de teatro e Laila Garin de melhor atriz de musical. Foi uma grande vibração. Uma noite espetacular. A classe artística congratulou-se e brindou e gargalhou no Salão Nobre, como poucas vezes eu vi, mesclando famosos antigos com novos valores. Lindo demais. A mídia moscou.

No II Prêmio Cesgranrio, a frequência dobrou. Os coroados triplicaram. O prêmio já era consagrado e consagrador em sua segunda edição. Ney Latorraca proclamou no palco que ele já era a mais importante premiação teatral do Brasil. E ninguém contestou. O Golden Room estava eletrificado da primeira à última fileira de cadeiras, em superlotação. Suzana Faini abiscoitou o troféu de melhor atriz, ah, emoção! A cada anúncio de nome vencedor, era uma apoteose de alegria. O Cesgranrio, além de sua expressão em dinheiro (25 mil para cada vencedor) tinha agora agregado o mais importante dos valores: o prestígio! A mídia fez cócegas.

No III Prêmio Cesgranrio de Teatro, uma revoada de gaivotas origamis cor de laranja ocupou os ares do Salão Nobre do Copacabana Palace encantando os olhares, exaltando as almas com a beleza de sua novidade. Carlos Alberto Serpa, sempre inovador,  providenciou mise-en-scène nos moldes da noite do Oscar, com transmissão no palco em tempo real, desde a suposta ‘sala dos julgadores’, onde a apresentadora Claudia Raia, numa grande brincadeira, recolheu ‘os votos’, e veio, seguida pela câmera, dos corredores do hotel até o palco do Golden Room, onde os votos foram anunciados. Tudo muito divertido e palpitante, provocando risos e aplausos. Foi uma noite apoteótica. Nathalia Timberg foi homenageada, e Bibi Ferreira estava lá. Marcos Caruso foi apresentador com Raia. E a mídia despertou.

Esta semana, o IV Prêmio Cesgranrio de Teatro, contemplando as produções de 2016, já veio com ares de tradição. Como nas outras edições, Carlos Alberto Serpa anunciou os próximos projetos. Os anteriores anunciados, todos já foram realizados: A Orquestra Sinfônica Cesgranrio, O Teatro Beth Serpa, voltado para o público infantil, o Teatro Cesgranrio, com 380 lugares, as premiações de artes plásticas e literatura, as produções audiovisuais, o projeto Teatro nas Escolas, levando a arte teatral a toda a rede pública escolar carioca…  Desta vez, ele anunciou a construção do Grande Teatro, com 700 lugares, proscênio com 11 ou 12 metros, pé direito possibilitando todos os tipos de urdimentos, profundidade cênica para grandes espetáculos, fosso, coxias, enfim, tudo de que o povo do teatro gosta e precisa no Rio de Janeiro. Será no antigo Le Buffet, no Rio Comprido, que ele está transformando numa Broadway carioca, com seus três teatros. A grande homenageada foi Nicete Bruno, que fez a mais bela das declarações de amor que uma atriz poderia fazer à profissão, e falou estar esperando ainda ser de novo “virada pelo avesso” numa personagem, como Antonio Abujamra fez com ela tantas vezes. A imprensa foi pródiga, correspondeu à expressão conquistada pelo Prêmio, deu-lhe os amplos, merecidos e consagradores espaços.

Algo me diz que a próxima edição do Prêmio Cesgranrio será no palco do Theatro Municipal do Rio de Janeiro…

Prêmio Cesgranrio de Teatro: seu nome é Mérito!

Momento ternura e emoção: o encontro de Nicete e Serpa no palco do Golden Room

Beth Serpa vestida por Henrique Filho, seu novo personal designer

Zuleide e Bernardo Cabral

Leticia Birkheuer translumbrou no palco do Golden entregando um troféu

Detalhe fashion mais comentado da night: a bolsinha bordada de Nicete, no mesmo tom de azul do vestido, com que ela subiu ao palco  

O grande premiado da noite: o espetáculo Auê

Débora Bloch e Heckel Verri

Os Serpa e Leandro Bellini, o cumprimentado produtor geral e redator do Prêmio Cesgranrio

Fotos Marcelo Borgongino e Veronica Pontes 

Rio 40º, homens de saias kilt, tocando gaitas de fole

Naquela tarde, o Rio de Janeiro deu uma trégua ao calor intenso e providenciou uma brisa, um sopro marinho vindo lá de longe do Atlântico, pra lá do Morro Cara de Cão, da Fortaleza de São João, bem além de Niterói.

Um ventinho leve, que se espraiava pela Urca, ao pé do Pão de Açúcar, vinha contornando a enseada de Botafogo, o Morro da Viúva, até acariciar as copas das árvores do Parque do Flamengo e bater nas sacadas dos apartamentos da Praia do Flamengo…

Assim, o almoço de despedida para o cônsul-geral do Canadá, Sanjeev Chowdhury, e seu companheiro, o chef vietnamita Kiet To, em que os paletós e as gravatas foram dispensados, o único calor foi mesmo o da amizade e o da saudade já previamente sentida.

Verdade que o ar refrigerado forte, nas salas e varanda do almoço sentado, também ajudou, que seguro morreu de velho e ninguém é de ferro.

De Brasília, veio o embaixador do Canadá, Rick Savone. De São Paulo, o cônsul-geral, Stephane Larue, e a consulesa, Karine. A nova cônsul-geral no Rio de Janeiro, Evelyne Coulombe, e Craig, já instalados na cidade com os filhos, também presentes. Assim como a jornalista, correspondente canadense, Stephanie Nolen.

O presidente da Brookfield no Brasil, Luís Simões Lopes. O ex-Motion Pictures e atual Rio Filmes, Steve Solot, com Kate Lyra –  “brasileiro é tão bonzinho”. Da ‘troika’ de assessores de Turismo do prefeito Crivella, o presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro, Paulo Manoel Protásio. O ex-presidente da ACRJ, Antenor Barros Leal, com Silvia.

O presidente da Rede Copacabana Praia de Hotéis, Aloysio Maria Teixeira, e Joanna. O diretor do Projeto Música no Museu, Sérgio Costa e Silva, com Ignês; os médicos Volney Pitombo, Francisco Barreira (com Alice Tamborindeguy), Rawlson de Thuin e Fabio Cuiabano; a museóloga Vera Tostes; os casais Claudio Aboim, Gilson Araújo, Gilson Araújo Jr. eram alguns entre os 50 amigos de Sanjeev, convidados da tarde.

Houve discursos. Num deles, a anfitriã parodiou letra de canção do canadense Leonard Cohen e leu as palmas das mãos dos homenageados, “adivinhando” que em futuro muito próximo eles passarão seis meses em Paris, aprimorando saberes vários. De fato, é para lá que Kiet e Sanjeev embarcam hoje.  Depois, retornarão ao Canadá, para Chowdhury servir ao seu ministério, com o brilho e a lealdade que caracterizam seu caráter.

Prosseguindo a leitura das mãos, a ‘quiromante’ predestinou a enorme falta que todos sentirão daqueles que se despedem, e previu que o Canadá estará bem representado, no Rio de Janeiro, pela nova cônsul-geral, Evelyne Coulombe, parabenizando o embaixador Rick Savone por ter bem encaminhado a sucessão consular.

Bem, a sobremesa já estava servida e, quando todos pensavam que a festa terminava, eis que – surpresa! – adentrou o salão a magnífica Brazilian Piper Band, músicos vestidos a caráter com seus saiotes kilt, meias ¾ e boinas, tocando hinos e músicas típicas em gaitas de fole, tradição praticada em toda a British Commonwealth de Sua Majestade, a rainha Elizabeth II, da qual o Canadá é parte.

Emoção, frisson, arrepios. Alguns olhos enternecidos, molhados até. Abraços de amizade verdadeira. E assim Sanjeev e Kiet se despediram da cidade.

1 – Na sala de jantar, eram 20 lugares marcados… 2 – Os homenageados, Kiet To e Sanjeev Chowdhury… 3 – Evelyne Coulombe e Francis Bogossian… 4 – Volney Pitombo e Antenor Barros Leal… 5 – Buffet nos aparadores…

Fotos de Mr. A.

Marisa Letícia Lula da Silva: as palavras que precisavam ser ditas

Pedindo desculpas aos leitores por este blog ter ficado algumas horas fora do ar, ontem e hoje, devido ao acúmulo de acessos

SIMULTÂNEOS,

excedendo o número de 11 mil acessos ao mesmo tempo, o que provocou seu ‘travamento’, reproduzo aqui o meu texto publicado em  “Marisa Letícia Lula da Silva: as palavras que precisavam ser ditas”, O que deu motivo A este “engarrafamento virtual”.

O problema não se repetirá, pois este blog doravante terá acesso ilimitado

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Foram oito anos de bombardeio intenso, tiroteio de deboches, ofensas de todo jeito, ridicularia, referências mordazes, críticas cruéis, calúnias até. E sem o conforto das contrapartidas. Jamais foi chamada de “a Cara” por ninguém, nem teve a imprensa internacional a lhe tecer elogios, muito menos admiradores políticos e partidários fizeram sua defesa. À “companheira” número 1 da República, muito osso, afagos poucos. Ah, dirão os de sempre, e as mordomias? As facilidades? O vidão? E eu rebaterei: E o fim da privacidade? A imprensa sempre de olho, botando lente de aumento pra encontrar defeito? E as hostilidades públicas? E as desfeitas? E a maneira desrespeitosa com que foi constantemente tratada, sem a menor cerimônia, por grande parte da mídia? Arremedando-a, desfeiteando-a, diminuindo-a? E as frequentes provas de desconfiança, daqui e dali? E – pior de tudo – os boatos infundados e maldosos, com o fim exclusivo e único de desagregar o casal, a família? Ah, meus queridos, Marisa Letícia Lula da Silva precisou ter coragem e estômago para suportar esses oito anos de maledicências e ataques. E ela teve.
Começaram criticando-a por estar sempre ao lado do marido nas solenidades. Como se acompanhar o parceiro não fosse o papel tradicional da mulher mãe de família em nossa sociedade. Depois, implicaram com o silêncio dela, a “mudez”, a maneira quieta de ser. Na verdade, uma prova mais do que evidente de sua sabedoria. Falar o quê, quando, todos sabem, primeira-dama não é cargo, não é emprego, não é profissão? Ah, mas tudo que “eles” queriam era ver dona Marisa Letícia se atrapalhar com as palavras para, mais uma vez, com aquela crueldade venenosa que lhes é peculiar, compará-la à antecessora, Ruth Cardoso, com seu colar poderoso de doutorados e mestrados. Agora, me digam, quantas mulheres neste grande e pujante país podem se vangloriar de ter um doutorado? Assim como, por outro lado, não são tantas as mulheres no Brasil que conseguem manter em harmonia uma família discreta e reservada, como tem Marisa Letícia. E não são também em grande número aquelas que contam, durante e depois de tantos anos de casamento, com o respeito implícito e explícito do marido, as boas ausências sempre feitas por Luís Inácio Lula da Silva a ela, o carinho frequentemente manifestado por ele. E isso não é um mérito? Não é um exemplo bom?
Passemos agora às desfeitas ao que, no entanto, eu considero o mérito mais relevante de nossa ex-primeira-dama: a brasilidade. Foi um apedrejamento sem trégua, quando Marisa Letícia, ao lado do marido presidente, decidiu abrir a Granja do Torto para as festas juninas. A mais singela de nossas festas populares, aquela com Brasil nas veias, celebrando os santos de nossas preferências, nossa culinária, os jogos e as brincadeiras. Prestigiando o povo brasileiro no que tem de melhor: a simplicidade sábia dos Jecas Tatus, a convivência fraterna, o riso solto, a ingenuidade bonita da vida rural. Fizeram chacota por Lula colar bandeirinhas com dona Marisa, como se a cumplicidade do casal lhes causasse desconforto. Imprensa colonizada e tola, metida a chique. Fazem lembrar “emergentes” metidos a sebo que jamais poderiam entender a beleza de um pau de sebo “arrodeado” de fitinhas coloridas. Jornalistas mais criteriosos saberiam que a devoção de Marisa pelo Santo Antônio, levado pelo presidente em estandarte nas procissões, não é aprendida, nem inventada. É legitimidade pura. Filha de um Antônio (Antônio João Casa), de família de agricultores italianos imigrantes, lombardos lá de Bérgamo, Marisa até os cinco de idade viveu num sítio com os dez irmãos, onde o avô paterno, Giovanni Casa, devotíssimo, construiu uma capela de Santo Antônio. Até hoje ela existe, está lá pra quem quiser conferir, no bairro que leva o nome da família de Marisa, Bairro dos Casa, onde antes foi o sítio de suas raízes, na periferia de São Bernardo do Campo. Os Casa, de Marisa Letícia, meus amores, foram tão imigrantes quanto os Matarazzo e outros tantos, que ajudaram a construir o Brasil.
Outro traço brasileiro dela, que acho lindo, é o prestígio às cores nacionais, sempre reverenciadas em suas roupas no Dia da Pátria. Obras de costureiros nossos, nomes brasileiros, sem os abstracionismos fashion de quem gosta de copiar a moda estrangeira. Eram os coletes de crochê, os bordados artesanais, as rendas nossas de cada dia. Isso sim é ser chique, o resto é conversa fiada. No poder, ao lado do marido, ela claramente se empenhou em fazer bonito nas viagens, nas visitas oficiais, nas cerimônias protocolares. Qualquer olhar atento percebe que, a partir do momento em que se vestir bem passou a ser uma preocupação, Marisa Letícia evoluiu a cada dia, refinou-se, depurou o gosto, dando um olé geral em sua última aparição como primeira-dama do Brasil, na cerimônia de sábado passado, no Palácio do Planalto, quando, desculpem-me as demais, era seguramente a presença feminina mais elegante. Evoluiu no corte do cabelo, no penteado, na maquiagem e, até, nos tão criticados reparos estéticos, que a fizeram mais jovem e bonita. Atire a primeira pedra a mulher que, em posição de grande visibilidade, não fez uma plástica, não deu uma puxadinha leve, não aplicou uma injeçãozinha básica de botox, mesmo que light, ou não recorreu aos cremes noturnos. Ora essa, façam-me o favor!
Cobraram de Marisa Letícia um “trabalho social nacional”, um projeto amplo nos moldes do Comunidade Solidária de Ruth Cardoso. Pura malícia de quem queria vê-la cair na armadilha e se enrascar numa das mais difíceis, delicadas e técnicas esferas de atuação: a área social. Inteligente, Marisa Letícia dedicou-se ao que ela sempre melhor soube fazer: ser esteio do marido, ser seu regaço, seu sossego. Escutá-lo e, se necessário, opinar. Transmitir-lhe confiança e firmeza. E isso, segundo declarações dadas por ele, ela sempre fez. Foi quem saiu às ruas em passeata, mobilizando centenas de mulheres, quando os maridos delas, sindicalistas, estavam na prisão. Foi quem costurou a primeira bandeira do PT. E, corajosa, arriscou a pele, franqueando sua casa às reuniões dos metalúrgicos, quando a ditadura proibiu os sindicatos. Foi companheira, foi amiga e leal ao marido o tempo todo. Foi amável e cordial com todos que dela se aproximaram. Não há um único relato de episódio de arrogância ou desfeita feita por ela a alguém, como primeira-dama do país. A dona de casa que cuida do jardim, planta horta, se preocupa com a dieta do maridão e protege a família formou e forma, com Lula, um verdadeiro casal. Daqueles que, infelizmente, cada vez mais escasseiam.
Este é o meu reconhecimento ao papel muito bem desempenhado por Marisa Letícia Lula da Silva nesses oito anos. Tivesse dito tudo isso antes, eu seria chamada de bajuladora. Esperei-a deixar o poder para lhe fazer a Justiça que merece.

DONA MARISA E LULA Marisa Letícia Lula da Silva: as palavras que precisavam ser ditas

Lula e Marisa Letícia da Silva. Foto: reprodução

Marisa Letícia 2 Marisa Letícia Lula da Silva: as palavras que precisavam ser ditas

O estilo de dona Marisa Letícia evoluiu ao longo do período em que foi primeira-dama. Na montagem acima, bons momentos em que demonstrou sua elegância.

Marisa Letícia1 Marisa Letícia Lula da Silva: as palavras que precisavam ser ditas

Marisa Letícia soube valorizar o artesanato brasileiro na moda como nenhuma outra primeira-dama. Vejam, nos looks acima, a bolsa é de fuxico e as rendas são tipicamente brasileiras.

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Com Michelle Obama. Duas lindas mulheres. Foto: reprodução

Despedindo de Rosely de Thuin, vítima da E.L.A.

Rosely Eleonora de Thuin era uma linda e jovem mulher, que teve a pouca sorte de contrair a E.L.A., doença terrível, que vai paralisando os movimentos, imobilizando as possibilidades, congelando a vida, até inviabilizá-la completamente, e isso sob um martírio indescritível.

Rosely passou por isso durante quatro longos anos. Próxima ao término, só se comunicava através do computador, quando tudo o que pedia ao irmão, Rawlson, que amorosamente a acompanhou todo o tempo, era para ser levada à Suíça. No desespero de quem não suportava mais a sua vida aprisionada num corpo inerte, queria viajar para o país onde podia se submeter a uma eutanásia. Rawlson desculpou-se: “Irmãzinha, sou médico, última pessoa a quem você deveria pedir isso”.

E lá estava Rawlson, ontem, cumprindo sua última missão nessa via crucis, na missa de sétimo dia, na Igreja Nossa Senhora da Paz…

“Via, Veritas, Vita”, “Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida”, disse o padre, lembrando-nos Cristo e a verdade inexorável, a de que todos nós, ali presentes, um dia seremos aquele ali ausente.

Foi um belo sermão sobre a humildade como princípio e essência de vida. Com palavras melhores que as minhas, o padre falou da inutilidade do orgulho e do egocentrismo, pois ao pó retornaremos, afinal.  Falou o tempo certo para nos iluminar com seu conhecimento, e talvez por humildade dispensou elogios a quem quis cumprimentá-lo pela homilia. Na hora de ministrar a comunhão, foi restritivo: apenas para os católicos praticantes, que frequentassem as missas em todos os domingos e feriados, tivessem as confissões em dia e não se deixassem seduzir por outras religiões. Mesmo assim, foi longa a fila de bocas famintas da hóstia consagrada.

Rosely, na missa de ontem, às seis e meia da tarde, foi nosso caminho, nossa verdade, nossa revelação da vida. Muito obrigada a ela.

Rosely de Thuin e seu irmão, Rawlson, em foto de Franklyn Toscano

Deputada médica obtém recursos para Museu do Inconsciente criado pela dra. Nise da Silveira

Quando o poder público quer, o poder público consegue. Através de emenda parlamentar da deputada federal e médica Jandira Feghali (PCdoB/RJ) ao Orçamento da União, foram obtidos recursos na ordem de R$ 620 mil, do Fundo Nacional de Saúde, para o Museu da Imagem do Inconsciente, no Rio de Janeiro. Esse apoio providencial será usado para a compra de equipamentos e materiais do Museu, situado no Instituto Municipal de Assistência à Saúde Nise da Silveira (antigo Centro Psiquiátrico Pedro II), cuja atuação tem provado sua grande importância para a saúde mental.
Tendo entre seus trabalhos mais conhecidos a obra de Arthur Bispo do Rosário, o acervo do Museu reúne mais de 350 mil pinturas desenhos, modelagens, xilogravuras. Em seu gênero, é das maiores e mais diferenciadas coleções do mundo, que merece e deve ser conhecida por todos.
A obra da dra. Nise foi recentemente ‘visitada’ pela cinematografia e retratada em filme estrelado por Gloria Pires, sobre o trabalho revolucionário da psiquiatra brasileira, que recuperava e resgatava vidas e mentes, através de método pioneiro, absolutamente sem recursos, mesclando terapia ocupacional, arte, convívio afetuoso e respeito.
Congrats, deputada Feghali, bela iniciativa!
Jandira Feghali, a médica deputada, propôs emenda e obteve apoio para o Museu do Inconsciente e sua importante atuação na psiquiatria 
Nise da Silveira, a grande dama das mentes humanas, do Hospital Pedro II ao Museu do Insconsciente
Arthur Bispo do Rosário e seus bordados, que gritam e clamam o quanto podem fazer pelas mentes fragilizadas o respeito, o carinho, a atenção, a oportunidade da arte

AS LUVAS AZUIS DE MELANIA

Guia prático e ilustrado para bem se enluvar…

As luvas, desde a posse de Donald Trump na última sexta-feira, caíram na boca do povo da moda, de quem gosta de moda, de quem entende e de quem não entende dela. E delas, as luvas.

Comparações do look da nova primeira-dama Malania Trump com Jacqueline Kennedy não faltaram. Vestindo um conjunto de bolero e tubinho azul bebê assinado por Ralph Lauren, Melania preferiu seguir a linha extremamente clássica e optou por usar luvas e sapatos na mesma cor da roupa. Por trás dessa escolha, já podemos confirmar que Melania não é de surpresas, nem tão pouco ousada quanto a ex-primeira dama Michelle, que costumava usar luvas contrastando com as roupas, num look mais trendy.

Melania, apesar de muito bela, parecia ter saído de uma caricatura da década de 60. Na tentativa de se parecer – forçadamente – com Jacqueline Kennedy, a primeira-dama, ou melhor, seu stylist, acabou pecando pela falta de originalidade. O que vimos ali foi um look datado. Talvez seja isso mesmo o que este novo governo de Trump represente. As roupas também exprimem significados e devemos estar sempre atentos.

Em se tratando de luvas, usá-las da mesma cor que a roupa não é um erro. Apenas, é  datado. Nas décadas de 40 e 50 era habitual. Havia espaço, também, para luvas ton-sur-ton. Mas isso não era uma regra. Muitas mulheres optavam por luvas brancas ou pretas. Em geral, as pretas, eram para looks de festa, à noite. As luvas curtas e/ou ¾ eram usadas apenas durante o dia, as longas, exclusivamente para a noite. Hoje, não há tanto rigor.

Grace Kelly e Jacqueline Kennedy eram fãs de luvas brancas e gostavam de vesti-las contrastando com o look.

As luvas caíram em desuso por volta dos anos 60. Primeiro, pararam de ser usadas nos eventos diurnos. Posteriormente nos noturnos. Contudo, continuaram a ser usadas em eventos de grande gala, sobretudo, nas cortes europeias, nas solenidades oficiais obedecendo a protocolos. Nos países tropicais, como o Brasil, elas foram sumariamente abolidas; passaram a ter seu uso apenas pelo pessoal de serviço em ocasiões de grande importância, garçons, maîtres etc., ou para proteção das mãos no frio ou condução de motos, automóveis, além de alguns esportes, como o boxe, a equitação e a esgrima, por exemplo.

Até hoje, há um protocolo rigoroso que deve ser obedecido por quem usa luvas, como não se servir de alimentos com as mãos enluvadas, além de não usar anel, pulseira ou relógio por cima delas. Na hora dos cumprimentos, é educado retirar as luvas. O que as majestades e mulheres de dignitários não fazem, como nos acostumamos a ver nas fotos da Rainha Elizabeth II e nas recepções da Casa Branca.

No Brasil, a elegante que mais pratica a arte de se enluvar é Fernanda Basto. E faz isso com grande classe.

Abaixo, algumas inspirações antigas e atuais:

 

 

O pioneirismo de Zuzu ecoa mundo afora

Via Instituto Zuzu Angel

No último People’s Choice Awards, que premia séries, músicas e filmes da cultura pop americana, a atriz Jamie Chung usou um vestido belíssimo de rendas brasileiras, da estilista Martha Medeiros. O pioneirismo de Zuzu do anos 60 caminhou a long, long way até o red carpet, numa bem-sucedida criação de Martha. Zuzu, foi a primeira estilista brasileira a trabalhar as rendas nacionais, em uma época que todos se voltavam para a Moda parisiense. Esses vestidos transgrediram o clássico, propondo a brasilidade das nossas rendas singelas.

Martha tem feito bastante sucesso lá fora e já vestiu nomes como Jessica Alba e Sofia Vergara.

Abaixo, o vestido usado por Chung, assinado por Martha Medeiros e os vestidos de renda do Norte, de Zuzu Angel, da década de 70.