Sobre Hildegard Angel

colunadahilde@gmail.com Hildegard Angel é uma das mais respeitadas jornalistas do Rio de Janeiro. Durante mais de 30 anos foi colunista no jornal O Globo, quer cobrindo a sociedade (com seu nome e também com o pseudônimo Perla Sigaud), quer cobrindo comportamento, artes e TV, tendo assinado por mais de uma década a primeira coluna de TV daquele jornal. Nos últimos anos, manteve uma coluna diária no Jornal do Brasil, onde também criou e editou um caderno semanal à sua imagem e semelhança, o Caderno H. Com passagem pelas publicações das grandes editoras brasileiras - Bloch, Três, Abril, Carta, Rio Gráfica - e colaborações também em veículos internacionais, Hildegard talvez seja a colunista social com maior trânsito

RJ: grandes da cirurgia plástica do mundo reverenciam Ivo Pitanguy em congresso e no lançamento de seu último livro

Os mais importantes cirurgiões plásticos do mundo, inclusive o célebre norte-americano dr. Baker,  estão reunidos no Rio de Janeiro, em Copacabana, no Sofitel, em congresso internacional presidido pelo dr. Volney Pitombo.

Hoje, às 19 horas, no grande salão do hotel para mais de mil congressistas, será prestada homenagem póstuma ao grande da especialidade, o brasileiro professor Ivo Pitanguy. Sua família estará presente.

Honrarias, homenagens, condecorações, teses, obras, dissertações celebrando o mestre Pitanguy e sua memória notável sempre será pouco, aquém de seu merecimento. Mas necessárias, obrigatórias.

Por isso a importância do lançamento, dia 2, 16h, no âmbito do mesmo congresso, no mesmo Sofitel, do livro “Cirurgia plástica – uma visão de sua amplitude”.

Trata-se do último projeto acadêmico do mestre Ivo Pitanguy, com co-autoria da médica Bárbara Machado, cirurgiã plástica sua colaboradora por longo tempo na Clínica da Dona Mariana, e Henrique Radwanski, pela editora Atheneu.

Com prefácio escrito por Ivo Pitanguy, o livro, cujo texto é baseado na orientação do professor, é todo ilustrado e transmite o conhecimento adquirido nos seus 65 anos de carreira. A obra relata, ponto a ponto, as atualizações das técnicas desenvolvidas pelo professor, ao longo da vida, sua experiência dentro da clínica de Botafogo, deixando para a posteridade médica os princípios utilizados pelo mestre em sua magnífica carreira. 

 

E para vocês, leitores, também admiradores como eu do grande cientista renovador da cirurgia plástica, antecipo o fundamental texto de apresentação escrito pelo mestre, que revela seu pensamento sobre a cirurgia plástica, com toda a sua amplitude de pensamento a respeito da atividade e de seus conhecimentos, que ele sempre distribuiu e compartilhou com generosidade. Os grifos são meus.

Apresentação do livro

A evolução natural de toda ciência é a expansão do conhecimento e a Medicina talvez represente o grau maior de especificação da informação. Sempre gostei de transmitir meus conhecimentos – uma espécie de missão inerente que continuo levando adiante. Creio ser esta a responsabilidade de quem acredita deter algum saber, e nada é mais revigorante do que transmiti-lo.  Este tem sido um dos pilares da minha existência.

Ao escrever um livro, o interesse maior é de abranger os assuntos mais importantes dentro da vivencia diária com a especialidade ao longo dos anos. Entretanto, seria difícil em um só livro cobrir toda a Cirurgia Plástica. Deste modo, com base em minha vivência diante de diversas situações clínicas, compartilho com vocês técnicas que desenvolvi ao longo de minha trajetória profissional e ainda outras técnicas e táticas que permitiram o tratamento adequado de diversos pacientes e deformidades. Não me limito a ensinar técnicas para obter o melhor resultado mas buscando atender os anseios do paciente de forma ética e holística, visando equilibrar corpo e espírito, emoção e razão. Assim se devolve o equilíbrio interno que permite ao paciente sentir-se bem com sua imagem e integrado ao seu grupo social. Esta representa a minha forma de pensar e de exercer a Cirurgia Plástica, ramo nobre da Medicina.

A Cirurgia Plástica tem exercido um papel cada vez mais relevante na sociedade moderna e seu exercício exige grande responsabilidade e conhecimento técnico, pois, como qualquer ato cirúrgico, é complexo. Espero que este livro, fruto de minha experiência ao longo dos anos de prática médica, se torne mais uma ferramenta para aqueles que desejem escolher esta especialidade.

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A capa do livro editado por Ivo Pitanguy é obra de seu filho, o artista plástico Bernardo Pitanguy, cujo talento ele incentivava e admirava

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Dra. Barbara Machado e o professor Ivo Pitanguy em simpósio sobre faces realizado no Rio de Janeiro em 2014 – foto de Cristina Granato

Dilma hoje usa as vestes da República e da Democracia, é a elas que estão tentando eliminar

Enquanto se desenvolve a sessão da Defesa da presidenta Dilma, vai se consolidando a convicção de que não é Dilma Rousseff que está no banco dos réus, é a nossa Democracia, é um projeto que ousou contemplar o Brasil como um todo, contemplar o povo brasileiro, a nossa soberania.

E isso cada vez mais, na medida em que vemos se apresentarem senadores com textos decorados, discursos trazidos de casa na pontinha da língua, como se estivessem blindados a qualquer argumentação, surdos e cegos às verdades que lhes são hoje ditas, arraigados aos objetivos fisiológicos que os levam, com sede ao pote, a pretender um golpe, que podará todos os direitos às minorias, às mulheres, aos trabalhadores, com a precarização das leis trabalhistas, a “flexibilização” da CLT e, com isso, de todos os direitos trabalhistas, o congelamento de despesas com saúde e educação por 20 anos, a desvinculação das pensões e aposentadorias ao salário mínimo, relegando nossos idosos e deficientes à absoluta miséria, privatizando todas as nossas riquezas, sem para isso tenha havido aprovação popular…

E essa crise recessiva será potencializada por uma política cruel neo-liberal, com um Banco Central obedecendo aos interesses dos banqueiros, e não aos do país, não aos do povo do Brasil.

E vemos uma procissão de senadores falando pró impeachment, e a palavra ser dada inicialmente apenas a dois senadores em apoio à presidenta eleita, mesmo assim tendo suas breves preleções interrompidas ao tempo regulamentar, sem o beneplácito de “uns segundinhos a mais”, o que é conferido apenas aos senadores que condenam.

Eu me sinto, sinceramente, assistindo a um julgamento de paródia. A uma mise-en-scène dramatúrgica com um  inevitável final infeliz.

E todos os atores dessa tragédia brasileira, dessa pantomima trágica, tornam-se cada vez menores, minúsculos, imperceptíveis, enquanto a protagonista se agiganta.

Dilma Rousseff passa a ser mais que ela. Alcança dimensão ainda maior. Assume as vestes da Democracia, ela se torna a República do Brasil. É a nossa República que eles hoje pretendem assassinar com as balas da mediocridade, açoitando-a com chibatadas indignas, condenando-a a uma “morte natural pela forca”, como outros algozes de nosso país já fizeram a outros réus, a começar por Tiradentes, mineiro tal qual ela.

E certamente hão de querer apagar Dilma da História, hão de desejar conduzi-la publicamente, não pelas ruas com sua cabeça espetada e as partes de seu corpo exibidas nos postes, mas através das redes de TV, expondo suas entranhas, contando histórias inventadas, com múltiplos Joaquins Silvérios dos Reis traidores a fazerem fila para depor infâmias contra ela, até que o tempo a consuma, à Dilma, aos seus, parentes, amigos, partidários, admiradores. E todos serão perseguidos, terão os seus bens colocados em dúvida, serão difamados, complicados pelo Fisco. E isso não se dará literalmente, como foi com Tiradentes – com sua casa arrasada e a terra salgada – mas toda e qualquer desmoralização será café pequeno. Pois assim vimos fazerem em 64. E assim de novo farão. E os aliados ou tementes ao Poder, mesmo que sendo os melhores amigos, atravessarão para a outra calçada quando virem algum partidário de Dilma vir na sua direção.

E muitos, através das frestas das janelas, vigiarão seus vizinhos e farão denúncias, anônimas ou identificadas, julgando prestar bons serviços à Nação, quando de fato estarão prejudicando cidadãos honrados, que apenas se atreveram a exercer a prática humana de pensar e falar com liberdade.

Que isso seja apenas um delírio, uma fraqueza de meu pensamento atordoado por essas imagens que vejo se sucederem no monitor da TV Senado na manhã deste desgostoso Agosto.

 

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Conhecendo por dentro um dos mais bem guardados segredos da Rio 2016: a Canada House!

A Canada Olympic House House é um dos mais bem guardados segredos da Rio 2016. Ela não está aberta ao público. Nem mesmo ao pagante. Apenas muito poucos convidados têm acesso.*

A Canada House foi basicamente concebida, pela Canadian Olympic Foundation, para os familiares dos atletas passarem seus dias durante as Olimpíadas, em ambientes especialmente produzidos com este pensamento. Lá eles assistem aos jogos, torcem, convivem, fazem suas refeições, muitas vezes com os filhos atletas, e às 11h da noite retornam aos seus hotéis – a maior parte se hospeda em ‘bed&breakfasts’ próximos, na Zona Sul. Iniciativa muito inteligente, pois também dá aos jovens competidores a necessária tranquilidade de saberem que seus pais e irmãos estão bem instalados e assistidos pelo seu próprio país. Touché, Canadá!**

A Canada House é uma permanente festa da juventude, um congraçamento
contínuo dos atletas com suas famílias. Mais do que o espírito olímpico, ali está o vigor espiritual de um povo construído sobre firmes valores, que prestigia a cultura da essência, não a do desperdício. Ali está, naqueles metros quadrados, com a vista que se precipita sobre o deslumbramento da Lagoa  Rodrigo de Freitas, a síntese dos valores canadenses.

Durante dois anos, o governo canadense fez obras adequando as instalações da AABB (Associação Atlética Banco do Brasil) a esse propósito. O investimento, de valores não revelados, foi alto, apesar de muitos apoios preciosos, como o do escritório de interior design, um dos mais conceituados do Canadá, que nada cobrou para conceber os ambientes, que valem mesmo um visita dos profissionais cariocas da área. Jogando com as cores da bandeira, o vermelho e o branco, ele nos envolve desde o túnel da entrada, e nos leva a um foyer da recepção e a uma loja com produtos que celebram a participação canadense na Rio 2016. O primeiro impulso é comprar todo o uniforme vermelhinho da delegação… o blazer, oh!…. os sapatos, ah!… a écharpe, wow! – bem, levei só a écharpe, porque com o dólar tão alto não deu para fazer extravagâncias…

A escada em caracol, que leva ao segundo andar, onde tudo acontece, é decorada com remos das típicas ‘canoes’ canadenses. Aquelas dos aborígenes, que a gente costuma ver no cinema. Estão pintadas com a folha vermelhinha de mapple da bandeira do país, aliás, quase tudo está decorado com a mapple leaf, e vocês hão de convir que é um dos mais simpáticos símbolos que uma bandeira pode ter.

Lá em cima, um varandão, com o piso coberto de grama (sintética) em alusão aos prados do Canadá e as típicas cadeiras de madeira Muskoka (também chamadas de Adirondack chairs), com recosto e assento inclinados – um design canadense clássico, geralmente usado ao ar livre. Elas estão patinadas de vermelho degradé.

O clima é alegre, descontraído, esportivo, de bermudas. Todos em casa. Na Casa do Canadá.

Para as reuniões do comitê esportivo, patrocinadores, entrevistas coletivas, foi providenciado um grande salão cercado por portas de vidro deslizantes, cobertas até o chão por cortinas de seda pura franzidas, na cor areia, e como mobiliário apenas imensa mesa de madeira maciça, larga, cercada por 30 cadeiras austríacas. No teto, a luminária são galhos secos de árvore de mapple (a da bandeira!) pintados de branco. Único detalhe. Sobriedade. Elegância, elegância, elegância.

Os atletas estão chegando. Somos chamados ao grande salão-auditório, onde num telão enorme os convidados assistem aos jogos, em pufes e sofás. E lá vem a rapaziada acompanhada do mascote, um big Moose (alce canadense), que é símbolo do país. Rapazes e moças, abraçados ao Moose peludo, parecem crianças, fazem caretas, posam pras fotos, uma delícia ver assim os jovens ídolos de um país tão grande e importante, divertindo-se com tal simplicidade e de modo saudável, junto aos pais, famílias, amigos, a comunidade canadense no Rio, e nós lá, recebendo as gentis informações de Cherry Ye, Media Relations, e Dianne Hilliard, National Development Manager, da Fundação Olímpica Canadense.

A chefe da delegação olímpica sobe ao palco (há um palco!) e anuncia um por um. Ainda não havia medalhista entre eles (depois houve), mas cada um é aplaudido como se já tivesse um big ouro cintilando no pescoço. Eles são adoráveis. Alguns discursam. E, no fim, para demonstrar que as eventuais vitórias não são individuais, não são mérito apenas do esporte, mas principalmente do país, eles, empertigados, alguns com a mão no peito, fervorosos, compenetrados, patriotas até a medula, cantam seu Hino Nacional:

“Ó, Canadá! / Nossa casa e terra nativa! / O verdadeiro amor patriota guia vossos filhos / Com corações fulgurantes nós vos vemos crescer / O verdadeiro Norte, forte e livre! / Do mais longínquo à sua vastidão, ó, Canadá / Ó, Canadá, nós ficamos de guarda por vós! / Deus guarde nossa terra gloriosa e livre! / Ó, Canadá, nós ficamos de guarda por vós! / Ó, Canadá, nós ficamos de guarda por vós!”.

Vale a pena dizer que, por trás de tudo isso, discretamente, sem se revelar, está mais um canadense até a medula, cujo esporte é pedalar de bike na ciclovia, do Leblon até seu escritório no fim do Leme, o cônsul-geral do Canadá, Sanjeev Chowdhury, que, sem deixar de ser canadense, soube também adquirir os hábitos cariocas.

Canada House

*Acabo de saber que a loja do Time Canadá na Casa Olímpica do Canadá agora está aberta ao público, de 11 da manhã às 5 da tarde, diariamente, até o domingo dia 21 de agosto. São coisinhas im-per-dí-veis. Eu recomendo. Vejam os uniformes nas fotos, wow!

** Este item é importantíssimo. Cobri a Copa do Mundo em Paris e vi como nosso time ficou desestabilizado sem saber onde estariam acomodadas suas famílias, sem conhecer o idioma local, como elas iriam para os estádios, SE iriam etc., por absoluta falta de apoio da CBF. Enquanto isso, os boca livres…

Acostumada aos chás com a imperatriz, Lilian jantou cercada de imortais

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À entrada da sala de jantar, o mapa de placement trazia as fotos dos comensais posicionadas nos lugares à mesa

O jantar era para celebrar o aniversário do diretor do Clube de Roma no Brasil, o professor Heitor Gurgulino, e a alegria de rever Lilian, a Liz Taylor do Cerrado, os olhos de Violeta que marcam presença e encantam onde quer que o casal esteja ou viva, deixando um rastro de amizades indissolúveis, professores, cientistas, a nobreza e até mesmo a imperatriz  do Japão, que, sempre que sabe da presença de Lilian em Tóquio a convida para um chá no jardim de seu Palácio Imperial – e você conhece mais alguém com esse privilégio no currículo?

Mesa de apenas 14, número pequeno em quantidade e grande em expressão. Dois imortais ex-presidentes da Academia Brasileira de Letras, um imortal ex-presidente das academias Nacional de Engenharia e Brasileira de Educação, um imortal vice-presidente da Academia Brasileira de Engenharia e membro da Academia Brasileira de Educação, um ex-presidente duas vezes da Associação Comercial do Rio de Janeiro, um imortal da Academia Brasileira da Educação e reitor da Universidade Cesgranrio, uma ex-primeira-dama da Cidade do Rio de Janeiro esta presidente da Academia Brasileira da Moda e last bust not least o homenageado professor Gurgulino, eleito por unanimidade (o primeiro latino!) presidente da Academia Mundial de Arte e Ciência, criada pelo Prêmio Nobel Robert Oppenheimer, com apoio de Einstein e outros cientistas geniais.

esta que vos fala, presidente da Academia Brasileira da Moda e membro da Academia Brasileira de Artes.

Sem esquecer de mulheres do quilate da professora Eva Gomes, da conferencista Ruth Niskier e de Rosa Maria Barreto, pesquisadora dos hábitos e da cultura carioca na sua melhor performance.

Houve conversas, houve discursos e houve um cherne recheado com camarão, servido de barriga em pé, assado amarradinho com barbante, que todos elogiaram muito, e a Rosa Maria, que dessas artes da gastronomia entende mais que muita gente graúda, jurou que nunca viu nem jamais ouviu dizer.

Foi segredinho encontrado no Google, contou-me a chef da casa. Ah, esta santa Internet!

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Passarinhos na toalha, orquídeas na sopeira… Lilian Gurgulino à cabeceira.

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Belita Tamoyo de pretinho, Beth Serpa de redingote Dolce & Gabbana

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Hilde Angel, esta jornalista, e Lilian Gurgulino, a Liz Taylor do Cerrado

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Lilian e Eva Gomes

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Francis, Beth, Arnaldo Niskier e Rosa Maria Barreto

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Belita e o reitor Paulo Alcântara Gomes

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Rosa Maria, o imortal Marcos Vilaça e Eva Gomes

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Em sua cabeceira, o speech do diretor do Clube de Roma, Heitor Gurgulino

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Hilde, pedindo um brinde, Carlos Alberto Serpa, duplamente imortal, Ruth Niskier

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Professor Gurgulino emocionou-se e terminou o discurso dizendo um poema para Lilian

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Francis e Beth

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Beth, Arnaldo, Rosa e Vilaça

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Os Gurgulino

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Beth, Lilian, Ruth

Fotos de Mr. A.

 

 

Despedindo de Ivo Pitanguy e, para isso, pedindo emprestado a Baudelaire um poema

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Ivo Pitanguy, imortal em seus méritos e na vida realizada, cercado pela família: o caçula Bernardo, artista plástico e músico, Gisela, médica, Marilu, sua mulher e notável companheira, atualmente adoentada, Ivinho, empresário dos esportes, Helcius, empresário internacional

*** 

Não foi uma despedida usual. Foi missa respeitosa, compenetrada, contrita. A igreja Nossa Senhora do Carmo, na hora mais crítica do rush, no Centro da Cidade, lotada, superlotada. Homens vestiam preto. O luto era profundo. O luto clamava.

Já Elas se preocuparam em expor a dor no máximo de sua beleza, como se dessa forma também prestassem reverência. Das meias escuras aos sapatos de salto, bolsas, cabelos, maquiagem pouca, tailleurs bem cortados. Elas poderiam perfeitamente estar na missa famosa da Igreja de São Roque, em Paris, exéquias de Yves Saint-Laurent, outro artífice do belo. Mas, não, Elas pranteavam outro mestre escultor, não de panos, porém de tecidos vivos, revolucionário das ciências, promotor de magníficos resgates transformadores, salvador de vidas, que estariam destruídas por deformações irremediáveis, não fosse seu criativo e inspirado bisturi.

O oficiante, na homilia, descreveu a ação missionária do professor médico e imortal das letras Ivo Pitanguy, que se distinguiu na medicina de reconstrução, sem menosprezar a importância de cultivar a beleza em todos os aspectos da vida. O estético e o ético. O material e o abstrato. Foi um escultor de belezas e um cultor de palavras. Comunicou-se através de todas as formas de arte. A literatura, a pintura, a escultura, a música, as artes cênicas. Todas as expressões o atraíram, e ele trafegou nesses mundos com a mesma intensidade com que se aprofundou nas ciências. Não foi homem de superficialidades. Todas as vezes em que conversou, escutou. Quando falou, disse. Nos esportes – natação, jiu-jitsu, mergulho em profundidade, correu os riscos. Era de seu temperamento.

Os amigos foram os de fato e para sempre. Não discriminou pela condição social. Selecionou pelo nível de interesse humano que as pessoas lhe despertavam, suas peculiaridades, atrativos, méritos.

Por tudo isso, a densidade daqueles momentos na Igreja do Carmo, em que cabeças não se viravam, sequer um mínimo ruído se ouvia, nem mesmo respiração mais acelerada.

Após o ofício religioso, falou a irmã, socióloga Jacqueline Pitanguy, feminista ilustre, defensora dos direitos da mulher. Ela destacou as incontáveis e singulares qualidades humanas do irmão. Em seguida, o filho mais velho, Ivinho, enfatizou a forte ligação com o pai, estabelecida através dos esportes, desde criança, identificação mantida até o último dia da vida de Ivo. O terceiro a falar foi Helcius, filho do meio. Firme, lembrou o vínculo intenso de companheirismo, as viagens, sempre juntos, pelo mundo afora, as aventuras e conquistas vividas, o alto mundo, os desafios, o aprendizado, as lições de vida recebidas, a imensa saudade já agora sentida. Foi muito bonito ouvir o Helcius.

Os próximos foram os netos. Micael, muito comovido, filho de Ivinho, e Antonio Paulo, que segue a carreira de Ivo, filho de Gisela Pitanguy Chamma e de Paulo Müller, também cirurgião plástico. Antonio Paulo impressionou pela semelhança com o avô, no físico, na firmeza e na verbalização de suas ideias. A filha médica, Gisela, encerrou as falas, revelando a intensa simbiose com o pai através da literatura. Os versos que ele dizia, sempre os mesmos, ao chegar em casa. Os poemas que gostava de recitar. Ele iniciava, ela concluía, e vice-versa. E lhe dedicou dois poemas do avô poeta. Faustino Nascimento era um helenista, cuja casa na Lagoa guardava estilo grego, com colunas e capitéis dóricos. A casa grega de Faustino e Stael, pais de Marilu, deu lugar a um prédio, com um apartamento para cada neto.

O filho caçula, Bernardo, na primeira fila, coração engasgado, não conseguiu contornar a emoção.

Durante a missa, a voz da soprano Juliana Sucupira inspirou divindades, preenchendo os florões, volutas, colunas barrocas torneadas, e me fez adivinhar lindíssimas Valkyrias refugiadas por trás das talhas de ouro da Nave da igreja do Carmo, à espreita do espírito imortal do mestre Ivo para – privilégio dos heróis guerreiros – após a cerimônia, conduzi-lo ao ‘salão dos mortos’, com 540 portas, entretê-lo com sua beleza, servir-lhe hidromel, tecer-lhe redes.

Contrariando a mitologia nórdica, tais cuidados não seriam para nosso guerreiro mineiro lutar a batalha do fim do mundo ao lado de Odin, mas para levá-lo ao país cantado por Charles de Baudelaire, “onde tudo é beleza e harmonia / luxo, sensualidade e calmaria”, e onde possivelmente receberá no futuro as melhores companhias…

Afinal, Ivo, guerreiro, merece!

Escutem seu convite, tomado emprestado de Baudelaire, numa livre tradução minha e mínima adaptação do poema…

Convite à Viagem – l’invitation au voyage 

“Marilu, meus filhos, minha irmã,

Pensem na magia

De juntos ir para lá viver

De se esbaldar de tanto amar,

Amar e morrer,

No país com a sua fisionomia;

Os sóis cobertos do orvalho

Dos céus nublados,

Para mim guardam o encanto

De teu olhar fiel

Do qual eu sou réu

Brilhando através do pranto.

Lá, tudo é beleza e harmonia

Luxo, sensualidade e calmaria

Os móveis luzem,

Polidos pelo tempo,

Decorando nosso quarto;

As mais raras flores

Misturam seus odores,

Há um leve aroma de âmbar.

Os tetos opulentos

Os espelhos infinitos

O esplendor oriental,

Tudo ali sussurraria à alma,

Em calma,

Em seu próprio idioma natal.

Lá, tudo é beleza e harmonia,

Luxo, sensualidade e calmaria,

Vê os navios indolentes nos canais,

Repousando no cais.

Eles vêm do fim do mundo

Satisfazer vossos caprichos ideais.

Os sóis se deitam,

Cobrindo os campos,

A cidade inteira, os canais,

De jacinto e de ouro.

O mundo adormece

Nesta cálida luz, se aquece.

Lá, tudo é beleza e harmonia

Luxo, sensualidade e calmaria

(Charles Baudelaire – com mínimas e livres adaptações da colunista)

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Ivo Pitanguy, antes de fazer seu último grande mergulho para sua dernier voyage

Lembrando um belo momento de minha vida, com o amigo Ivo Pitanguy

stela marinho, Ivo Pitanguy e Hildegard Angel

Stella Marinho, o professor Ivo Pitanguy e esta jornalista, na festa dos meus 30 anos, 1980, no Crystal Room do Régine’s, no Hotel Regency, de Park Avenue, em New York.

A festa foi oferecida pela querida Régina Choukroun. Um voo de brasileiros foi organizado pela agência de turismo de Bob Médici (sem parentesco), com mais de 200 amigos brasileiros partindo do Rio de Janeiro e se hospedando no Hotel Plaza (que depois o Trump comprou), entre eles também a querida Tônia Carrrero.

Stevie Wonder ao piano –  pois Régine não fazia por menos – celebridades várias, como Liza Minnelli, Ben Gazzara, Pelé, Eumir Deodato, Fernando Bujones, Eunice Kennedy Shriver (irmã de John Kennedy), Eleanor Lambert.

O professor Ivo Pitanguy, das maiores celebridades brasileiras no mundo, prestigiou com sua presença, que honra!

Ivo nunca falhou comigo. Por circunstâncias da vida, nossas famílias foram amigas. Desde seu pai, médico cirurgião, que operou minhas tias em Minas Gerais. Eles eram da mesma cidade Curvelo. Lembro-me, eu criança, de dr. Pitanguy, pai do Ivo, passeando pela Rua Barão da Torre, em Ipanema, já idoso, e mamãe o fazendo entrar em nossa casa para um cafezinho.

Helcius, o filho de Ivo e Marilu, foi padrinho do meu primeiro casamento. Enviuvei de João, refiz minha vida, e Ivo e Marilu foram os padrinhos do meu casamento com Francis.

Por mais eventuais que possam ser as relações em sociedade, a eventualidade jamais acontecia em se tratando do Ivo, um homem do mundo, que sabia retirar do convívio o que ele podia oferecer de melhor. Tinha o dom de fazer de uma conversa trivial um grande momento, uma troca de experiências, um aprendizado.

Viveu com intensidade durante 93 anos e até o último momento, extraordinário feito.

Na sexta-feira, apesar da proposta feita de se encaixar um suporte em sua cadeira de rodas para o transporte da tocha, fez questão de segurá-la, ele próprio, no percurso olímpico até o Palácio da Cidade, no qual os organizadores tiveram a gentileza de incluir o trecho diante de sua clínica da Dona Mariana. Quanta emoção para o sempre atleta Ivo!

No sábado pela manhã, trabalhou na revisão de um livro, reunindo trabalhos de recente congresso de que participou na Alemanha. À tarde, durante a penosa hemodiálise, não mais resistiu, e o mundo perdeu um grande cientista. E o Brasil perdeu um dos seus personagens mais ilustres. E seus amigos sempre chorarão a perda do Ivo inesquecível. 

Teve uma vida de trabalho exaustivo, realizações consagradoras e festas inesgotáveis, num entorno cintilante de princesas árabes, rainhas europeias, celebridades internacionais, em que circulava com naturalidade. Era o seu mundo.

Tais cenários e personagens deleitavam o esteta observador, mas era na leitura dos clássicos e nas artes, que o homem voltado para a pesquisa e a curiosidade sobre tudo que dissesse respeito ao universo, alimentava a alma.

Coube-lhe até o último momento o privilégio da memória e da lucidez. Durante seu tratamento, sua filha Gisela lia-lhe Voltaire, e ele completava as citações, de cor e salteado, em francês.

Nesta festa da foto acima de Régine, com o vestido azul de corpo bordado em sur tons pelo grego Michel de mãos de fada, eu era mais um personagem do mundo extraordinário e encantador.

Naquela noite, uma pequena multidão de repórteres de programas de TV americanos de celebridade estava lá, entrevistando.

Quando me revejo nesta foto, que me foi enviada pelo jornalista Ovadia Saadia neste momento triste da perda de um amigo, volta-me tudo à memória –  e eu era o centro das atenções no Crystal Room.

Quanta ousadia, estar sentada à mesa com o mestre Ivo Pitanguy e julgar que centralizava alguma coisa!…

 

Hotel Emiliano RJ: Não se assustem, a fachada tapada se abre e desvenda a vista espetacular

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Cariocas ou não, os LPR (Loucos Pelo Rio), que passam pela fachada do ainda inconcluso Hotel Emiliano, na Avenida Atlântica, se indignam: “O que é isso? Um hotel com a fachada toda tapada!”; “Deixaram só o buraco da fechadura pro turista espiar o mar de Copacabana!”; “Por quê não construíram o prédio logo de costas, se era pra esconder a praia?” (NR: Há, aliás, precedente – o Clube Flamengo foi construído com sua frente de costas para a Lagoa Rodrigo de Freitas, mas isso foi erro na execução do projeto dos Menescal).

Um mais entendidinho arrisca: “Deve ser a “cheese grater aesthetics” (Estética do Ralador de Queijo), a mesma que usaram os arquitetos americanos do novo Museu da Imagem e do Som. Que em síntese quer dizer ‘quem quer vista pode ralar daqui’ ”.

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A Estética do Ralador de Queijo

Enganaram-se todos. Na verdade, a fachada de buraquinhos, concebida pelo arquiteto Arthur de Mattos Casas, consiste em amplos janelões que se abrem, descortinando a vista espetacular, através de portas-paredes de vidro, sem qualquer interferência.

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Arthur de Mattos Casas

Entre as portas-paredes de vidro e os janelões-ralador há uma varanda com uma sacada de vidro, que permite uma faxina constante e segura dos vidros, mantendo o padrão impecável de limpeza, marca do Hotel Emiliano.

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A visão dos quartos será total e espetacular, ainda possibilitando limpeza frequente e segura da parte externa dos vidros. Visão da fachada com algumas janelas abertas

No hotel de São Paulo, há também a preocupação do vistão, com grandes janelas contemplando a Oscar Freire e suítes com vista 180º da cidade. No Rio, bastará olhar em frente e se deliciar com a mais linda das princesas, a Princesinha do Mar.

É claro que os turistas daqui vão ter também aquelas coisinhas fofas que todos adoram em Sampa, como o Champagne Bar Caviar, os banheiros com assento japonês, controle de temperatura e bidê eletrônico e os travesseiros com plumas de gansos húngaros – eles têm que ser húngaros, hein, digo qüen!

Porém, e para a alegria geral da vizinhança, não vão ter o heliponto! No lugar dos helicópteros barulhentos, quem vai pousar em sua cobertura ensolarada serão celebridades, como Gisele Bündchen (espera-se, pois ela costuma eleger o Emiliano quando vai a SP), em torno da piscina instalada lá no topo.

Ah, também teve um arquiteto americano emprestando sua prancheta ao projeto, na fase inicial: Chad Oppenheim.

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Chad Oppenheim

O conceito do hotel é muito bom: homenagear o Rio de Janeiro boêmio dos anos 50, sem dúvida o período mais sofisticado e divertido que viveu a cidade, época dos anos dourados, da irreverência non chalante da Capital Federal, dos playboys, das damas refinadas, dos cafajestes inconsequentes, tudo junto e misturado. Um odor forte de dinheiro, bastante, esnobismo, requinte e a caipirice endinheirada do Brasil inteiro aportando por aqui, buscando aprender como gastar com quem de fato sabia. E aprendia!

Todo o mobiliário do hotel é de design daquele período. A começar pelo big painel de Burle Marx à entrada. Show!

Ganha o turismo do Rio. Ganha a Hotelaria 5 Estrelas. Ganha o bairro de Copacabana. Ganha a memória Carioca.

Ganham, sobretudo, os vizinhos, com a valorização de seus imóveis, num quarteirão antes de fama duvidosa, pois, apesar estar localizado no terreno do emblemático casarão do Consulado da Áustria, e de logo na esquina ter morado a Mais Bem Vestida do Mundo Elisinha Moreira Salles (Hall of Fame), o hotel fica ao lado da lendária Galeria Alaska, histórico, digamos, point alternativo de Copacabana. O que nos anos 50 chamava-se bas fond..

Bem vindo seja o Hotel Emiliano RJ!

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Elisinha Moreira Salles (à direita), Hall of Fame das Mais Bem Vestidas do Mundo, viveu e conferiu nobreza ao quarteirão onde hoje se ergue o Hotel Emiliano na Avenida Atlântica. Com ela, na foto de Ronaldo Zanon, a também elegante Marlene Rodrigues dos Santos

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O prédio de Elisinha na esquina, o prédio da Galeria Alaska, hoje com letreiro da Igreja Universal na fachada, e o Consulado da Áustria antes da demolição

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A emblemática casa cor de rosa do Consulado da Áustria, das últimas demolidas na Praia de Copacabana

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Na época do show dos Leopardos a Galeria Alaska já tinha passado por um upgrade, não era mais tão underground quanto antes

 

Proibição da Equipe Russa pelo COI causa saia justa no clube mais simpático da Zona Sul carioca

Não foram só as abóbadas do Kremlin que se abalaram com a decisão histórica da Iaaf, de punir com rigor a Rússia, deixando o país fora dos Jogos Olímpicos 2016. Também balançaram as finanças de um dos mais simpáticos clubes do Rio de Janeiro, o Marimbás, em Copacabana.

É que, em novembro passado, o Comitê Olímpico Russo assinou contrato de 2 milhões de dólares para instalar a sua Casa da Rússia naquele que é o único clube situado nas areias de uma praia em toda a Zona Sul. O que aconteceria de 25 de julho a 28 de agosto, neste período olímpico.

Animada com o bom negócio feito, a diretoria do clube providenciou os alvarás e licenças necessários junto à Prefeitura e ao Corpo de Bombeiros e ficou esperando o depósito sinal de US$ 600 mil em sua conta da Caixa Econômica Federal… O que, depois de várias datas marcadas, remarcadas e adiadas, acabou não ocorrendo. Mesmo tendo o Comitê Russo avisado que pagaria apenas a metade – 300 mil –  do combinado e tendo o Marimbás concordado.

No fim de maio, os russos pediram novo adiamento do depósito do sinal: para o  dia 17 de junho. O Conselho Deliberativo do clube aceitou aguardar. Em 17 de junho, nada do dinheiro e, diante das reclamações dos ‘marimbensens’, os russos enviaram carta justificando sua dificuldade para saldar os valores dada a desistência dos patrocinadores após o COI barrar a equipe de atletismo russa da Rio 2016.

Foi feito novo acerto entre os dois lados. O período de ocupação da Casa da Rússia foi reduzido, mudando-se suas datas para de 01/08 a 22/08, bem como o valor a ser pago ao clube, que passou a ser de US$ 1.257.142,85. Os primeiros US$ 300 mil já foram depositados, ufa! O clube permanecerá fechado aos sócios nesse período.

Esperamos que, ao fim da temporada, ambos os lados possam celebrar contentes o sucesso dessa negociação e de seus atletas, dançando a troika na varanda com a mais impactante vista de Copacabana e virando, de um gole só, várias doses de caipirovska de lima, preparada pelo barman do Marimbas, com fama de ser a melhor da cidade.

E se dizendo coisas amigáveis como “Zdravstvujtje”, “Priviet”, “Dobroje utro”, “Dobrij djen” e “Dobrij vjecher”.

Ah, o que me mata é essa minha erudição 😉

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Anastasiia Lysenko é medalhista russa Ouro, Prata e Bronze, no Levantamento de Peso, e foi liberada pelo COI para vir participar da Rio 2016

O grande e inesperado legado destas Olimpíadas será para a Moda

O grande e inesperado legado destas Olimpíadas será para a Moda. Devido à Rio 2016, as marcas mais importantes do atletismo mundial desenvolveram produtos que sequer a ficção científica jamais ousou cogitar.

Como os protótipos em impressão 3-D, os ‘túneis de vento’, os scanners de corpo para a modelagem de encaixe aerodinâmico, saliências de silicone, que redirecionam o fluxo de ar ao redor do corredor maratonista, e outras fabulosas tecnologias.

Através da impressão 3-D, a New Balance criou para o velocista norte-americano Trayvon Bromell os tênis de trilha Vazee Sigma. Testando várias configurações, ela pôde aprimorar a tração e a transferência de energia.

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Trayvon Bromell exibe os seus tênis de trilha desenvolvidos a partir de protótipos 3D

A impressão em 3D contribuiu também para a grande inovação da Nike nestes jogos olímpicos: pequenas saliências de silicone que redirecionam o fluxo de ar ao redor do atleta corredor.

A marca incorporou essas ‘saliências ar-resistentes’ de silicone aos uniformes de treinamento de cerca de duas dezenas de equipes, incluindo EUA, Brasil, China e Alemanha.

A Nike apresentará essas ‘saliências ar-resistentes’ também na forma de uma fita para os corredores as usarem presas em seus braços e pernas.

O mais sensacional é o combo da Nike: impressão 3-D + ‘túneis de vento’ + ‘saliências ar-resistentes’, que permitiram a ela obter um resultado nos seus produtos para corrida de velocidade superior ao alcançado nos Jogos Olímpicos de 2012. Seus protótipos encontraram performances excepcionais também para distâncias mais longas.

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Allyson Felix Black, ouro olímpico americano, e seu tênis biomecânico desenvolvido pela Nike

A Adidas projetou seus tênis ADIZERO MD, de média distância, levando em conta as curvas na pista, em vez de considerar apenas as corridas em pista regular. Ela testou várias combinações de rigidez e magreza, para que corredores, como David Rudisha, do Quênia, se mantenham estabilizados e não abrandem seu ritmo nas curvas.

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A Adidas desenvolveu calçados para o corredor David Rudisha, do Quênia, ter estabilidade nas curvas 

Scanners corporais ajudaram o design da Adidas a manter seus nadadores em sua boa forma ideal.

A marca suíça Assos, especialista em ciclismo, colocou seu foco no ‘túnel de vento’, modelando uniformes personalizados com encaixes aderentes ao corpo, para a equipe de ciclismo dos EUA.

Altíssima tecnologia, em que tudo é pensado. Tudo conta. Os sapatos, as roupas… Para fazer os atletas mais velozes, a prova olímpica começa nos laboratórios científicos, nos cálculos dos engenheiros, na criatividade dos designers das roupas, que precisam se submeter às limitações das regras olímpicas super restritivas, contemplando também a preocupação com o doping.

O código olímpico regula tudo, até o local onde podem ser feitas aplicações sobre os maiôs dos nadadores – apenas nas costuras do tecido. Com habilidade, a Adidas confeccionou para o britânico Chris Walker-Hebborn e outros nadadores da Rio 2016 os maiôs Adizero XVI, com aplicação de bandagens elásticas que mantêm os corpos em posições aerodinâmicas, minimizando o arrasto e impulsionado os nadadores na piscina.

E já que as regras permitem apenas colocar as bandagens sobre as costuras dos maiôs, a Adidas moveu a modelagem das costuras até a posição mais conveniente colocar as bandagens elásticas. Touché!

A roupa de um atleta deve ter modelagem aderente que minimize a resistência do ar, especialmente nas competições de natação, corrida e no ciclismo, em que quatro segundos, em quatro quilômetros, significa a diferença entre o primeiro e o oitavo lugar.

Materiais ou design errados podem levar a desconforto e aumento de peso desnecessários e prejudiciais à performance.

Roupas adequadas também podem reduzir irritações, como suor e calor – o que foi motivo de preocupação das equipes que vieram competir no Rio de Janeiro, nestes Jogos.

Os uniformes Armour usam tecnologias espaciais da NASA, e são forrados com folhas de cristal, que reduzem a temperatura do corpo.  Serão usados pelas equipes do Rugby canadense e de vôlei de praia suíças e holandesas.

O know how da NASA também foi utilizado nos maiôs de corpo inteiro de natação da Speedo. Elas os desenvolveram juntas visando aumentar a flutuabilidade e diminuir o arrasto, o que ajudou Michael Phelps e outros nadadores a baterem recordes e ganhar medalha de ouro nas Olimpíadas de 2008.  Depois disso, os maiôs de corpo inteiro foram  proibidos e as regras se tornaram ainda mais rigorosas.

Atletas costumam usar roupas e sapatos ofertados pela marca patrocinadora.

O tênis Hyperion, da marca Brooks, projetado para a maratonista americana Desiree Linden, vem em tecido, sem costuras, reduzindo o risco de bolhas nos pés. Ele também traz anéis de borracha na sola, produzindo tração nos terrenos escorregadios, servindo como barreiras para conter e impulsionar a atleta de volta, com sua própria energia. A avaliação de Linden sobre os novos calçados é entusiasmante: “Parece que você está com uma mola”, disse Linden. “Não há desperdício de energia, ela retorna a você.”

Ainda a Linden: “Você não vai vencer a corrida por causa de sapatos mágicos, mas se eu ganhar uma bolha no pé porque treinei duro (com os sapatos errados) a corrida já estará perdida.”

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A maronista americana Desiree Linden vai calçar Hyperion, da marca Brooks, com estrelas douradas, de tecido e sem costuras para não haver risco de bolhas nos pés

Outro item que importa é o atleta estar bem acostumado ao seu ‘uniforme de trabalho’. Ele é o seu parceiro silencioso na busca da vitória.

A Assos suíça desenvolve seus uniformes em laboratórios com grande aparato científico e tecnológico, com os recursos mais sofisticados para testar os tecidos, a forma como eles são cortados, para medir seus efeitos e as diferenças/hora no desempenho dos atletas. A marca traz  os ‘túneis de vento’ para a equipe de ciclistas norte-americanos, que receberam seus uniformes há apenas  duas semanas, com a opção de usarem suas roupas regulares, caso não se adequem a tempo às novas.

Na obsessiva corrida do vestuário perfeito, há ainda as empresas mais conservadoras, que utilizam o computador para projetar suas coleções, realizando menos protótipos.  O que em breve será visto como coisa do passado. A moda entrou na era nos túneis de vento e dos protótipos 3D. A corrida tecnológica não para. Os engenheiros da Adidas já trabalham em designs para daqui a 10 anos, quando as expectativas serão bem mais ambiciosas.

O grande legado olímpico da Rio 2016 será a consciência de que a moda do futuro não será feita por mestres da modelagem ou da costura, mas por engenheiros com especialização em fashion design.

Ah, este novo mundo, que admirável que ele é!