Aos que me cobram uma posição…

Aos que me cobram por nada ter falado neste blog a respeito da eleição, desde o último domingo das urnas, eis o que tenho a dizer. Por enquanto…

Para superar Dilma Rousseff, como pretendem os tucanos, José Serratem um caminho longo e difícil a percorrer,  passando dos 33% que mereceu no primeiro turno para 51% nas urnas do segundo. Para isso, o que já se percebe é que sua campanha deverá jogar ainda mais pesado junto à ala conservadora que deu a Marina os 6% a mais que ela não tinha. E o jogo pesado já começou, trazendo de volta à pauta o mesmo “discurso do aborto” que tirou uma eleição de Lula no último minuto do segundo tempo, com aquela acusação de Miriam Cordeiro, hoje sabidamente falsa, mas que na época serviu aos propósitos dos opositores…

No recente primeiro turno, vimos coisas de arrepiar, como jornalistas, ditos liberais, da grande imprensa irem ao Clube Militar no Rio defender a ‘democracia’ unidos aos milicos de pijama, os mesmos daquele tempo negro do país; vimos Cesar Maia, em seu blog, defender como ‘tática’ de ataque apontar o risco de ‘chavenização’ do Brasil com Dilma; vimos uma saraivada de e-mails ofensivos, com mentiras e covardias, construindo uma falsa imagem da candidata Dilma, identificando-a com a truculência, quando ser truculento é participar sem nenhum escrúpulo de uma tal campanha difamatória, habilmente pensada, construída e orientada. Um verdadeiro vale-tudo…

Nessa estratégia de matar ou morrer, vemos agora, com ainda mais escândalo, um manifesto com diretrizes do Comando de Caça aos Comunistas ser distribuído em reunião do PSDB; vemos o aborto na ordem do dia; vemos o Estadão demitir articulista porque emitiu opinião diferente da voz de comando da redação 100% pró-Serra – e justamente o jornal que levantou sua voz contra uma suposta ‘censura’ (!!)…

É a campanha do mata-mata, do salve-se quem puder, numa violência de dar inveja até aos mais raivosos momentos do lacerdismo. Ética, bons costumes, palavra, honradez, tudo isso posto de lado por um tempo, justamente por aqueles que se arvoram de donos da moral…

Resta saber se o eleitor concorda que tudo seja mesmo válido até se alcancar o objetivo do poder; até se conseguir destronar a possibilidade de continuidade de um governo que dá certo, que é sucesso em todas as áreas, que tira o miserável da miséria, o pobre da pobreza, que faz o rico produzir, que gera empregos, que enriquece o país, que nos levou ao tão anunciado, desde sempre, fim do túnel onde enfim encontramos a tal luz tão falada…

Um governo que nos retirou da escuridão da ausência de perspectivas, que faz jovens que haviam partido em busca de oportunidades retornarem ao Brasil, que atrai os investidores estrangeiros…

Temos, com tristeza e vergonha, presenciado uma maratona de maldades e artimanhas patrocinadas por parte da grande mídia em conluio, uma lavagem cerebral nos eleitores querendo convencê-los de que o amarelo é verde, distorcendo a realidade…

Mas não é apenas essa campanha vexatória que ameaça Dilma. O entorno da candidata também tem deixado bastante a desejar. Quando, na última semana da campanha, foi detectado o estrago da ‘bala de prata’ do aborto, eles deveriam ter mudado seu programa de TV. E não mudaram. Ficaram engessados dentro de uma agenda previamente estabelecida, sem qualquer agilidade…

A campanha apócrifa do medo contra Dilma, através de e-mails e boatos, prosperou sem contra-ataques, sem desmentidos incisivos, sem praticamente qualquer reação dos petistas. Outro erro fatal que impediu a vitória no primeiro turno…

Fizeram falta, também, nos programas da campanha na TV, os depoimentos de personalidades que formam opinião, conhecem Dilma e podem falar sobre ela com propriedade. E esses depoimentos existem, como aquele magnífico dado por Maria da Conceição Tavares, que permanece restrito aos blogs da internet. A cantora Alcione também gravou um depoimento muito bom, que o grande público da TV não viu…

E a última falha foi da própria Dilma, que não ganhou o debate da Globo, empatou, quando poderia ter saído vencedora se, em vez de se retrair, tivesse abordado diretamente, por sua iniciativa, o caso Erenice, a questão do aborto e a própria campanha de medo que a apresentava e ainda a apresenta como uma ‘Chavez de saias’, o que ela definitivamente não é…

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