Anna Maria Ribas, aquela que soube despertar amizades verdadeiras

As pessoas vão-se, desencantam-se como dizia Guimarães Rosa, escorrem entre os dedos, evaporam, desmaterializam-se, mas depois disso, dependendo do papel que desempenharam junto a cada um de nós, ganham incrível intensidade em nossas vidas. Ficam mais vivas. Ainda mais presentes. Curiosamente…

Não falo daquelas que se tornam medalhas, logradouros públicos, vultos históricos…

Falo mesmo das anônimas, sem pretensões de terem seus nomes gravados na História, mas que bem o mereciam, pelo muito que foram referência para aqueles com quem conviveu…

Foi essa a sensação que eu tive e muitos dos que assistiram à missa de 7º Dia, bela, singela e matinal, na PUC, por Anna Maria Ribas. Tudo organizado pelas amigas Tite de Lamare, Bebel Niemeyer, Maria Lucia Guimarães, Karla Schaeffers, Maria Inês Barbosa e o amigo e ex-marido embaixador Marcos Azambuja. Em lugar na segunda fila, Sammy Cohn, com quem Anna trabalho e foi muito atencioso com ela nos meses em que sofreu com seu câncer. Foi a missa da amizade. Na primeira fila, a ex-sogra, Dirce Azambuja. Marcos foi um cavalheiro com Anna em toda a fase penosa de sua doença, amigo solidário. Com a palavra, as duas grandes amigas de Anna Maria. Tomei emprestados seus textos, lidos por elas na missa, pois achei que vocês gostariam de conhecer. Dizem tudo que uma verdadeira amizade pode expressar,..

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Anna Maria, sempre risonha, sempre meiga, sempre igual. Fosse como a reverenciada embaixatriz Anna Maria Azambuja, fosse como a indispensável e elegante presença social Anna Maria Ribas

“Anna tinha a qualidade de ser e estar presente na vida dos amigos, como uma rocha existe ou como uma árvore secular se pousa no meio da estrada.

Nada que necessite de muita explicação.

Uma palavra aqui, um sorriso, uma exclamação ou um dar de ombros quando não satisfeita com algo. A simplicidade de gestos e de falas. Tudo coisa de afeto. Tudo coisa de carinho.

Anna se pertencia na hora em que se fazia pertencer àqueles de quem gostava. Ela se explicava quando os outros a explicavam. Tragava a vida quando o brinde se fazia coletivo e se entregava, em salto alado e mágico, quando os que a amavam a chamavam. Uma quietude amorosa, um afeto sem muita contrapartida. Uma doação espontânea, alegre, ou, quando necessário, discreta como se soubesse que sua presença sem palavras, bastasse.

E foi nesta cuidadosa tecelagem que criou a enorme teia de amigos que hoje choram sua morte.

Anna tinha um jeito só seu de parecer desamparada no meio de uma multidão de amores. Amigas e amigos, sobretudo alguns deles, que se tornaram uma verdadeira família para ela e que tentaram amenizar os momentos de dor, de medo e de tristeza frente ao desafio diante da doença que lhe tirou a vida.

Ao se jogar nos braços e nas decisões tomadas por aqueles que a cuidavam nestes últimos tempos, ensinou-lhes o verdadeiro sentido da doação e da amizade.

Anna praticou a cortesia sem esforço, a elegância de sentimentos, com pitadas de humor, a suavidade e a fidelidade sem percalços. Anna que nos ouvia, Anna que ria ou que chorava conosco.

Anna. Amiga Anna. Para sempre”.

Tite de Lamare Rego Barros

 

“Anna Maria

Quando, há muitos anos, Marcos surgiu em Brasília acompanhado de Anna Maria, com aquele seu jeitinho assustado de menina, logo nos encantamos. Trazia com ela o sorriso de pessoa meiga e generosa, seu mais valioso passaporte. Logo tornou-se de nós, então futuras amigas, aquela amiga de sempre e para sempre, o que nunca deixou de ser, até o último domingo. Sempre querida, torcendo por nós e nos querendo.

Nas lembranças de nossos bons, jovens e, porque não dizer, dourados anos de Brasília, Anna Maria estará sempre lá, com sua doçura, sua elegância, seu chique e seu encanto. Fazia parte da paisagem, fazia parte da nossa vida. Foi querida por todo o Itamaraty, dos menos aos mais graduados. Foi especialmente querida por amigos e amigas do governo com quem convivíamos e por diplomatas estrangeiros. E foi sobretudo muito amada, não podemos deixar de mencionar, pela grande mãe “brasiliense” de todas nós, a querida Ivone Giglioli. Em nenhum momento Anna deixou de ser a mesma. Jamais importou a posição que o marido ocupasse. Tratava a todos igualmente, com o mesmo sorriso, o mesmo carinho, a mesma vivacidade.

E até há poucos dias, quando nos deixou, ela continuava assim, a mesma pessoa querida, se interessando por nós, nossas famílias, nossas atividades. Quem um dia dela gostou, tenho certeza, vai saber enxergá-la no céu, onde merece estar, sorrindo para nós”.

Maria Inês Barbosacleardot Anna Maria Ribas, aquela que soube despertar amizades verdadeiras
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