Andréa Dutra, nossa Amy Winehouse tropical, faz o Triboz adernar no Off-Lapa

Essa nossa coisa colonizada, boba, de babar só pras celebs e os valores de fora, ficou bem evidenciada ontem. Enquanto Amy Winehouse, com toda a imprensa em sua cola, se apresentava em Floripa, acontecia discretamente no Rio antigo, sem flashes nem press, no sossego do Off-Lapa, na Rua Conde Lages 19, ali onde a Glória faz conjunção com o Passeio Público, um show em que o Triboz praticamente adernava de gente escutando o voz de Andréa Dutra, nossa Amy Winehouse tropical, mas, porém, todavia, contudo, muito melhor em tudo, até porque não esquece as letras e seu show não é rapidinho…

Vou começar pelo começo pra vocês entenderem. O Triboz é uma casa, relativamente nova, inaugurada por um australiano LPR (Louco Pelo Rio), que ali programa o que há de melhor na cidade, da música internacional. Situado no Off-Lapa, o Triboz é tipo o nosso Blue Note. As melhores vozes, os melhores instrumentistas, as escolhas mais sofisticadas. É o endereço dos ouvidos mais bem informados do Rio. A programação é requintadíssima. Lá, num sábado por mês, se apresenta a diva da casa, Andréa Dutra. E as reservas têm que ser feitas com grande antecedência, pois, senão, não há Cristo que lhe consiga um lugar. No Triboz não tem jeitinho (o dono é um australiano, já contei). É uma casa bem Rio Antigo, restaurada, decorada com grande classe, com direito a jirau, com máscaras aborígenes nas paredes. Tudo muito chique. Acústica boa, conforto. Uma comidinha bem católica, e os tira-gostos muito bem sacados. Como o sanduíche wrapped ou as batatinhas fritas com lasconas de alho, que alguns até pensam se tratar de queijo parmesão. Tem cervejas Bohêmia e Antártica Original geladérrimas. Tudibom…

Agora, vamos à melhor parte: antes do show, o dono sobe ao placo, fala com sotaque dos propósitos da casa e anuncia a super-Andréa Dutra e seu quarteto. Naquela noite enriquecido pelo violão paranormal do Fernando Caneca, que veio lá de Itaipu só pr’aquela ocasião. E Andréa canta. Canta blues americanos divinamente. Canta MPB. Canta Jobim, Vinicius, Djavan. Canta Black Is Beautiful, que só Elis Regina ousou gravar, e Andréa não fica nenhum nadinha atrás. Canta musicais americanos, incendeia com My favorite things, e canta coisas por coincidência do repertório da Amy Winehouse, mas que Andréa já cantava há muito mais tempo…

No gargarejo, Dino Trapetti, um italiano descobrindo a cidade, queixo caído, hipnotizado. Com a autoridade de ser dono do Ateliê Tirelli, de Roma, que já computa 11 Oscars de Melhor Figurino em seu currículo de guarda-roupas para o cinema interenacional, Dino aplaude, se levanta, bate palmas de pé e agradece penhorado a quem teve a ideia de levá-lo até lá. Então, meus amores, gostaram da dica?…

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Andréa Dutra: Tri-Voz no TriBoz

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