A guerra dos cisnes nas páginas de O Globo

No Segundo Caderno de O Globo de hoje, Arnaldo Bloch dá uma resposta a Artur Xexéo, que fez duras críticas ao filme Cisne negro no jornal e em seu blog. Tão pesado quanto Xexéo pegou com o filme, Bloch pegou com Xexéo, até ironizando explicitamente suas considerações estéticas. A polêmica fica ainda mais interessante se soubermos que foi Xexéo quem sucedeu a Arnaldo Bloch na editoria do Segundo Caderno de O Globo, hoje entregue à Isabel De Luca…
Confiram abaixo…

Trecho da crítica de Xexéo:
“Como filme de balé, é medíocre. Natalie Portman fez aulas diárias de dança durante dois anos para atuar nas cenas coreografadas. O resultado é decepcionante. Nas cenas em que dança de verdade, as tomadas são sempre em planos próximos para que a câmera não mostre que o movimento de suas pernas não condiz com um posto de primeira bailarina. Nos planos tomados à distância, foi utilizada uma dublê. Quem quer ver dança vai sair do cinema decepcionado”.

Trecho da crônica de hoje de Arnaldo Bloch:

“Mas o que me chocou realmente foi, nos dias que se seguiram, abrir o jornal e ver que críticos de grande credibilidade junto ao público médio e de larga experiência e história reclamavam de “Cisne negro” por não ser um bom “filme de balé”, e de Natalie Portman, por não estar dançando o fino, tanto que a câmera pouco mostra os pés. “Filme de balé”? “Cisne negro” pode ser muitas coisas, menos “filme de balé”! (…) É como dizer, grosso modo, que “Strangers on a train”, de Hitchcock, é um “filme de trens” (…). Não, caros críticos. Não é um balé de Tchaikovsky. É um filme de Aronofsky. Onde um balé é pretexto, mote simbológico, para se falar de uma infinidade de temas”.

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