Faca na língua, drama nos olhos, champagne nas taças… ah, voltei mesmo a borbulhar!

O motivo era dar as boas vindas à artista pernambucana Dani Acioli, na cidade para inaugurar sua exposição “Trama – Diálogos com Zuzu”, em cartaz no Espaço GaleRio (Rua São Clemente 117 A – Botafogo).

Dani se viu cercada por todos os lados por curiosidade, grande interesse por seu trabalho, perguntas, afeto. Os artistas Edgar Duvivier, que acaba de inaugurar a escultura de Clarice Lispector em tamanho natural, no Leme; Fernanda Cruzick e Thera Regouin – a atual e a próxima em cartaz na Galeria Cor e Movimento; Mazeredo, voltando de mais uma exposição de suas esculturas no exterior; Lucia Lima – a das jóias étnicas. Gente da moda, como as irmãs Giustino, da arquitetura, da decoração, galeristas, editores, o mundo cultural, enfim.

E aquele delicioso perfume da elegância de Lourdes Catão, Sueli e Ricardo Stambowski, Arnaldo Danemberg e sua filha, Paloma, Marcia Müller, Vania Neylor, Anna Clara Herrmann, os príncipes Durini, Heckel Verri, Francesca Romana, Alicinha Silveira, o art collector Gustavo Gonçalves…

A mostra “Trama – Diálogos com Zuzu” se encerrará em setembro, com a entrega do Prêmio Rio V.I.E.S. da Moda – Zuzu Angel e a distribuição de bolsas de estudo na Universidade de Matosinhos, em Portugal, pelo Instituto Zuzu Angel, e no IED, na Urca, além de vários outros prêmios bem bacanas.

A proposta do projeto é fazer um “vies” da Moda com outras artes, através do Instituto Eixo Rio, da Prefeitura do Rio de Janeiro. Uma iniciativa bem bacana, que envolve pessoas super conectadas com a atualidade.

Eu altamente recomendo uma visita à exposição do trabalho dessa pernambucana Dani Acioli, que nos toca a alma e arrepia os sentidos logo à primeira visão. Nanquim sobre papel amarelo, na maior parte das telas. Há também uma grande obra de renda Renascença branca, que faz o coração parar de bater… e depois acelerar enlouquecido. Foram necessárias 12 rendeiras atuando sobre o enorme bastidor.

Como pano de fundo um enorme painel de tecido fluido em branco e preto, esvoaçando mistérios nordestinos. Há uma tela de pano desbotado com água sanitária, pingo a pingo, por cotonete. Quanta lindeza e delicadeza! E tudo isso inspirando a obra e a história da mineira Zuzu, enVIESadamente, como é a proposta da exposição. Muito belo, muito lindo, vixe, uai!

O quadro de que mais gostei é justamente o que ela levou a este coquetel da véspera que mostro aqui. Chama-se “Cale-se”: Zuzu com faca na língua, drama nos olhos, os seios entumescidos de maternidade plena.

Os convidados circulavam pelo salão, falantes, os champagnes borbulhantes.

Ah, voltei mesmo a borbulhar…

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Edgar Duvivier, a homenageada Dani Acioli, Viviane Spitz, produtora executiva da mostra, e a curadora Olívia Mindêlo

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Gustavo Gonçalves, Lourdes Catão, Hilde e Vania Neylor

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Alexandre Bojar, articulador de moda do Eixo Rio, e Fabio Palma, diretor do IED

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Thera Regouin, Francesca Romana, Heckel Verri e Narcisa Tamborindeguy

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Carlos Leal, Alicinha Silveira e Marco Rodrigues

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Hildegard e Francis Bogossian

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Jandira Feghali e a artista Dani Acioli, com o quadro “Cale-se”, alusivo a Zuzu Angel, pintado por ela

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As irmãs Wilma Amaral e Aimée Roque

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Sueli Stambowsky, Hilde Angel, Marina e Cristine Giustino, Ricardo Stambowsky

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Celina de Farias, Arnaldo e Paloma Danemberg

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Wagner Menezes e Lucia Lima

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Elizete Ignácio, diretora executiva da Clave de Fá, de Pesquisa Social e Inovação, a professora Ruth Joffily, Luisa Bogossian e Marina Vieira

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Heckel Verri e Thera Regouin

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Chica Dutra, Bia Martins Costa, a artista Fernanda Cruzick, que expõe na Cor e Movimento, da galerista Rosa Cordeiro Guerra, também na foto

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Giulio Durini, Heckel Verri e Henrique Mollica

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Olivia Mindêlo, Silvio de Borges, do Eixo Rio, Dani Acioli, Narcisa Tamborindeguy, Viviane Spitz e Alexandre Bojar

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A escultora Mazeredo e a designer de joias Lucia Lima

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Marcio, Luis Amaral, da Comunicação da Light, e Hilde Angel

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Luisa Bogossian e Ivete Najn

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Luiza Bogossian, Elizete Ignácio, Francis Bogossian e Rosa Cordeiro Guerra

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Alexandre Bojar e Cristine Levinspuhl, Coordenadora Executiva do Instituto Eixo Rio

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Francis Bogossian e Chica Dutra

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Hilde, Arnaldo Danemberg e sua filha, Paloma

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Lucia Lima

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As irmãs Cristine e Marina Giustino

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Sueli e Ricardo Stambowsky e Alicinha Silveira

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Henrique Mollica, Giulio Durini e o editor Carlos Leal, atualmente dominando o mercado de livros de arte

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Celina de Farias, Alicinha Silveira e Anna Clara Herrmann

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Olivia Mindêlo e Dani Acioli, grandes admiradoras da deputada federal Jandira Feghali

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Elizete Ignácio, a escritora Ruth Joffily, a arquiteta Luisa Bogossian, que assina o projeto da Casa Zuzu Angel, e a produtora cultural Marina Vieira

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Lucia Lima, Bia Martins Costa, Hildegard Angel, Fernanda Cruzick

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Lucia Lima

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Caique Tibiriçá, Elizete Ignácio e a jornalista Flávia Gusmão

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Marcio , Luis Amaral e Dani Acioli

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Chica Dutra e Rosa Cordeiro Guerra

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Celina de Farias, Marina Vieira, Ruth Joffily e Edgar Duvivier

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Fotos de Mr. A.

Tudo azul no mundo bleu de Chine de Gisella Amaral

O mundo é azul e branco onde quer que os Amaral habitem. No apartamento onde viveram em Paris. Na casa em Sutton Place e no apartamento da 3ª Avenida, quando Ricardo teve seus restaurantes e nightclubs em New York. No alto de uma torre com vistão para o mar, durante o tempo que tiveram apartamento em Miami Beach. Bem como na sua cobertura carioca, da vida toda, no Leblon, onde Gisellinha recebeu para almoço um grupo mínimo, em torno de sua hóspede Dorita Moraes Barros.

Foi uma avant avant prémière da cozinha dos chefs pai e filho, Claude e Ricardo Lapeyre, que vão conduzir a mesa do novo Hippopotamus, a ser inaugurado depois das Olimpíadas, em data a ser revelada, na mesma Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema.

Nosso apetite foi aberto com indescritivelmente saborosos canapés by Lapeyre, com bandejas enfeitadas com flores by Gisella. E tudo era tão bonito que a gente não sabia se comia as comidinhas ou as florzinhas.

Isso foi no andar da cobertura, que é um ambiente inglês, sóbrio, com paredes imprimées em tons de castanho, muito elegante.

O primeiro astronauta, o russo Yuri Gagarin, quando voltou do espaço, proclamou inebriado com a beleza lá de cima: “A terra é azul!”. As amigas da Gisella não precisam ser astronautas pra saber que o Paraíso é bleu de Chine.

Quando descemos para almoçar na sala íntima azul e branca, matamos saudades do universo azulado dos Amarall, com sua chinoiserie encantadora misturada, pelo último decorador da casa, Helinho Fraga, às treliças do decorador anterior, Julio Senna.

Juntar esses dois talentos da decoração em ambiente único foi sabedoria da Gisella, que sabe tudo e mantém guardado o lustre de porcelana com chicrinhas azuis e brancas penduradas, da época do décor de Senna. Quando lhe der vontade, ela o recoloca no teto. E todas aplaudimos a boa ideia.

Falamos das Olimpíadas, do tratamento de saúde da brava Gisella, que a todos embates supera com fé e insuperável determinação, e da comida deliciosa dos Lapeyre: primeiro as vieiras, em seguida, cherne, por fim o filé mignon. Todos muito bem acompanhados. Os do mar foram buscados no dia no mercado de peixes em Niterói.

Ah, falamos também da famosa aventura em Búzios, nos anos 70, quando os Amaral tinham casa por lá, com deck amarrado por corda a uma pedra.

Sobre o deck, ao sol e em volta do isopor com gelo, drincavam Arnaldo e Lucília Borges, Claudio Lins e Maria de Fátima, Jackson Flores e Adalgisa Colombo, Jorge Guinle e Ionita, Dorita, Zé Hugo e Maria Alice, Ricardo e Gisella Amaral…

Eis que, com o balanço daquele povo todo “a bordo”, a corda se desprende da pedra e lá vai o deck mar afora. E o pobre do Jorginho Guinle, que havia pulado n’água, não conseguia retornar ao grupo. Nadava, nadava, e o deck se afastando. Ele gritava: “O deck está andando”. E a turma, de pileque: “Você é que tem os braços curtos, nada mais”. E assim foi, com o Jorge nadando atrás, até se darem conta que já estavam fazendo a curva da Praia dos Ossos, diante da casa da Nelly Laport, que fazia acenos de longe, nervosa…

Até aparecer o Octavinho Raja Gabaglia, com sua lancha e uma corda improvisada, que os içou de volta, antes que fossem tragados pelo oceano para sempre. Aí, não teríamos Hippopotamos, não teríamos Gisella e Ricardo, não teríamos aquele almocinho delicioso, nem histórias antigas pra contar…

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Gisella e seu zoo: os tucanos, araras e papagaios de Claudio Tozzi revoam na parede, e o coelhinho das netas, no seu colo.

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Martha Garcia e a homenageada e hóspede da casa, Dorita Moraes Barros

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Maria Lúcia Moura e Maria da Glória Antici

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Lucília Borges, sobrevivente do deck dos Amaral

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Quando Gisella recebe, ela “veste” os vasos do hall do prédio de xadrez branco e verde limão

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Vaso vestido e com laçarote

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Tudo na portaria é vestido com bossa pela anfitriã Gisella Amral

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A sala bleu de Chine de fazer qualquer astronauta soltar exclamações

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A chinoiserie de Gisella

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O bom gosto de Julio Senna mesclado à bossa de Helinho Fraga

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Fishing Balls chineses e orquídeas amarelas

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Arraiolos, pinhas e bleu de Chine

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Gisella perfeccionista

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A mesa coberta por toalha “de azulejos”

Fotos Hildegard Angel

Celebrando a parceria glamourosa do Copacabana Palace com o antiquariato e a decoração

Arnaldo Danemberg – AD – é daqueles realizadores que fariam sucesso em qualquer lugar do mundo. Seu universo é o da sofisticação. Transita nele com desenvoltura e completo domínio de sua atividade, o antiquariato. Tem endereços no Rio de Janeiro, no Edifício Chopin, e em São Paulo, na Consolação, em espaços claros, vivos, contemporâneos, sem qualquer resquício, cheiro ou ranço de “velharia”. Um antiquário que caminha associado à modernidade pode soar como um paradoxo, mas este é o segredo do sucesso da marca Danemberg. Com seu bom gosto extraordinário, ele sabe colecionar e apresentar suas peças em ambientes que inspiram qualidade, tradição e o tempo presente. Ele tem bossa.

Os melhores arquitetos de interiores e decoradores recorrem a Arnaldo.  De São Paulo e do Rio. E quem trabalha com ele logo se torna amigo, pois difícil é cruzar na vida com alguém com tamanha fidalguia nas atitudes, seja com quem ele serve, seja com quem serve a ele.

E assim vai o Arnaldo, ampliando seu network de admiradores…

Naquela tarde de almoço volante na piscina do Copacabana Palace, entre drinks, reencontros e ótimas conversas, rodeando uma tenda montada à beira da piscina, confraternizando com o que há de elegante no Rio e em São Paulo, visitando os belos ambientes criados por Maurício Nóbrega para o corredor lateral da Pérgula, usando as peças de Danemberg, tive a mais absoluta certeza de que Arnaldo seria sucesso em qualquer lugar do Planeta. Estivesse na dificílima Palm Beach, nas exigentes Dallas e Houston, do Texas, na concorrida New York, com a mais difícil das concorrências, na requintada Paris, em Milão, na Côte D’Azur, na encantadora Roma, enfim, onde quer que Arnaldo tivesse pousado com seu talento, a competência, sua força de trabalho e sua fidalguia, ele estaria brilhando tanto quanto brilha aqui no Rio de Janeiro. Tanto quanto se destaca em São Paulo, onde abriu seu business há apenas dois anos.

Agora AD tem como reforço a filha, Paloma, que recebia com ele ao sol com frio, no Copa, vestindo um Diane von Furstenberg de malha vermelho e marinho, com meias opacas no mesmo tom do azul.  Uma garota com estilo.

E chapeau para a diretora-geral Andréa Natal, que ousa apostar em parcerias como esta, que tem a cara do Copacabana Palace, agrega elegância ao hotel e atrai uma frequência glamourosa, confirmando o carisma da hotelaria mais “quality” do Brasil.

 

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Fotos de Lucas Moraes

Operários em protesto contra falta de pagamento: os responsáveis pelo caos na Vila Olímpica da Rio 2016

Não entendo por que os envolvidos não revelam o motivo da vila olímpica estar nas péssimas condições em que os atletas a encontram. Mas, já que ninguém fala, eu digo o que escutei, na quinta-feira passada, em um coquetel, de uma fonte com trânsito nos bastidores olímpicos:  um grupo de operários, revoltado com o atraso de seus pagamentos, danificara apartamentos, quebrando vidraças, entupindo canos e emporcalhando inúmeras unidades.  A fim de deixar as unidades em condição de hospedagem, o Comitê Olímpico precisara bloquear um terço dos apartamentos para realizar reparos de emergência.

Bem, isso eu soube na quinta-feira, dia 21, mas, pelo visto não houve tempo hábil de consertar o estrago, pois, no dia 24, desembarcou aqui a delegação australiana entornando o caldo para a mídia internacional.

Esperei que a mídia informasse a verdadeira razão da situação caótica da vila olímpica, que não foi atraso, que ela ficou pronta a tempo e a hora, que o motivo foi a retaliação do operariado. Isso não aconteceu… hummm…

Como vemos, a Lava Jato lavou tanto que sobrou para a vila dos atletas, com as grandes empresas de Construção Civil sem condição de cumprir seus compromissos sequer com os operários dos canteiros de obras.

O Diabo veste camisa branca

Amanhã é Dia de Sant’Anna, aniversário de minha avó, Chiquinha, de minha irmã, Ana Cristina. Dia dedicado às avós, pois é a data de Sant’Anna, mãe de Maria, avó de Jesus. Dia das mães das mães, de todas as mães. De lembrar as mães que padecem pelos filhos. E há tantas neste Brasil. Mães exemplares. Todas elas. Vou lembrar sua dor postando esta foto da História, que não mais podem negar. Ela retrata, encostado no poste, com a placa PARE, o articulador da emboscada, obedecendo a ordem de eliminação de Zuzu Angel, minha mãe, que partiu diretamente do gabinete do ditador Ernesto Geisel, ao qual o coronel Perdigão – aquele que não PAROU antes de matar – era subordinado.

Tudo isso documentado, com esta imagem, pela Comissão Nacional da Verdade. A filosofia popular sempre vence, sempre se comprova: “cedo ou tarde, a verdade um dia aparece”.

A maldade vestia camisa branca.

foto do assassino

A IMAGEM PRESENTE NA HISTÓRIA

Repórter Fotográfico flagra membro da Ditadura no acidente que assassinou Zuzu Angel em São Conrado, Rio de Janeiro. Coronel Perdigão, membro ativo da repressão na ditadura, de branco encostado na poste, na cena do acidente de Zuzu Angel –

FOTO DO REPÓRTER FOTOGRÁFICO: Otávio Magalhães/14-04-1976

O ex-delegado Cláudio Guerra identificou um dos ASSASSINOS da ditadura, ao apontar a presença do coronel do Exército Freddie Perdigão em uma fotografia do local do acidente que matou a estilista Zuzu Angel em 14 de abril de 1976. A fotografia foi feita pelo reporter fotográfico Otávio Magalhães e publicada no dia seguinte ao assassinato. O coordenador da Comissão Nacional da Verdade, Pedro Dallari disse que a imagem é a prova cabal do envolvimento de Perdigão e outros militares no crime mortal da estilista. Dallari disse que, até o momento, nenhum dos integrantes sabia que o coronel aparecia entre as pessoas fotografadas a poucos metros do karmann-ghia de Zuzu.

 

Depois de celebrar Tarsila, Dani Acioli vem ao Rio homenagear Zuzu Angel, no Prêmio V.I.E.S. da Moda

Abre amanhã, no casarão do Instituto Eixo Rio, na Rua São Clemente – antigo Colégio Jacobina – a exposição da artista pernambucana Dani Acioli, dentro do projeto Rio V.I.E.S. da Moda – Prêmio Zuzu Angel. É a segunda vez que a premiação acontece. Ano passado a homenagem foi a Gil Brandão, o grande nome da modelagem, que chegou a ter um jornal de grande circulação, nos anos 60, exclusivamente com moldes de costura. Estge ano, a ideia de Alexandre Bojar, diretor do Eixo Rio , é conferir arte e brasilidade ao Prêmio. Dessa forma, fez uma parceria com a empresária Viviane Spitz, que realiza a supervisão do projeto e trouxe de Pernambuco as telas da artista pernambucana Danielle Acioli com inspiração no trabalho de Zuzu Angel, realizadas exclusivamente para o projeto de lançamento do prêmio. Essas pinturas servirão de base para a coleção de roupas que a Viviane irá apresentar ao público no evento da entrega do Prêmio Rio V.I.E.S. Moda – Ano Zuzu Angel, neste ano de 2016 comemorativo do 95º ano de nascimento de Zuzu.
Vejam aqui abaixo as obras da artista Acioli e como ela sabe aplicá-las em roupas.
Alexandre Bojar disse ao blog: “Hilde, essa ativação irá reforçar a importância de incluir elementos brasileiros à moda”. Fiquei muito contente com a iniciativa. A brasilidade na moda sempre foi uma bandeira de vida de minha mãe, Zuzu. Ela não colocava elementos brasileiros em suas roupas apenas porque achava graciosos. Era um conceito, uma filosofia, um propósito em profundidade. Era isso que a diferenciava dos demais criadores de moda de sua época. Ela lutava para que a moda do Brasil tivesse a marca da legitimidade.
O lançamento do prêmio será amanhã, dia 26 de julho, com a abertura da exposição de Dani Acioli, aberta ao público, e eu recomendo a todos visitar, e a noite de premiação no dia 27 de setembro.
O prêmio constará de uma bolsa de estudo em Portugal, na Universidade de Matosinhos, conferida pelo Instituto Zuzu Angel, e também um curso no IED, no Rio de Janeiro. A premiação tem também o patrocínio da Farm e da Clave de Fá Pesquisa Social e Inovação.
Hoje, Dani Acioli será conhecida por artistas e galeristas cariocas em happy hour que acontecerá em torno dela oferecida pela direção do Instituto Zuzu Angel de Moda.
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Danielle Acioli, a artista Dani Acioli, diante de seu atelier em Pernambuco e das estamparias desenvolvidas por ela, a partir de seus quadros, da série “ParaTarsila” – vemos aqui quatro deles.
FDotos de Andrea Rego Barros

Um Brasil de Eduardos. O Eduardo trigo e o Eduardo Joio

Prenderam o Eduardo Suplicy! O mais elegante dos senadores que já passaram por nosso Congresso. O filho de dona Filomena Matarazzo Suplicy. E olhem na foto de que maneira truculenta fizeram isso. Suplicy protestava numa reintegração de posse em São Paulo, apoiando os que estavam sendo despejados sem ter para onde ir. Queria uma solução para eles. É um homem de bom coração, amado por todos onde quer que vá em São Paulo. Isso, testemunhei, quando caminhamos juntos, no Ibirapuera, em marcha pelos Desaparecidos e Mortos políticos, e Suplicy, não mais senador, era parado a cada passo para ser abraçado até por quem não vota em seu partido. Muito respeitado e considerado. Menos pela polícia paulistana, que o carregou como a um saco de farinha de trigo.

Este o Brasil de hoje. Não sabe discernir os Eduardos. Prende o Eduardo trigo, enquanto o Eduardo joio janta no Fasano.

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Admirável e talentoso transgressor, corajoso-frágil, afetuoso-maldito, Michael Koellreutter ganha homenagem da Bazaar

A Harper’s Bazaar deste mês de julho traz um perfil de despedida do jornalista Michael Koellreutter, na página dupla Snapshot, assinada por Mario Mendes, com fotos de Tripoli e Lygia Durand.

Um admirável e talentoso transgressor, corajoso-frágil, afetuoso-maldito. O desejo de ser muito bom na linha jornalística que escolheu seguir era mais forte do que o senso de auto-preservação. Escrevia as matérias magistrais, com humor único e revelações estarrecedoras muito bem pesquisadas, e depois esperava encolhido o mundo explodir sobre sua cabeça. Mas não podia resistir à tentação de ser um excelente cronista ácido dos costumes das altas gentes. Em acertas horas de grande aperto, recorreu a meu auxílio contra a truculência de terceiros. Fiquei feliz de poder atendê-lo. Éramos amigos. Foi o mais audacioso dos jornalistas angry que conheci.

Desafiar convenções era seu lema. Chegou a morar dentro de um automóvel com a namorada, onde dormiam todas as noites e, pela manhã, pulavam às escondidas a janela da casa da avó dela para tomar banho. Ah, Michael também vivia em permanente estado de paixão por uma mulher, uma de cada vez, e todas sempre belas, chiques, extravagantes.

Tinha um “look” próprio: o lenço de pirata amarrado na testa. Um “pirata do Caribe” navegando perigosamente nas águas frenéticas deste aquário social-pop-boêmio que é a Baía da Guanabara, volta e meia atracando em Londres, nas raves da Espanha ou onde mais houvesse risco e trepidação.

Sua missa de sétimo dia lotou a Igrejinha da Urca. Parecia a missa de um carola. Uma confraternização de boêmios transgressores e socialites comportados, que, como ponto comum, tinham a admiração pelo texto inteligente do, mais que jornalista, escritor de uma época. Pena que de forma tão inconstante, por força de seu próprio temperamento.
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A Snapshot da Harper’s Bazaar, importante homenagem e merecida

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Koellreutter e uma de suas boas amigas do Rio, Tania Caldas

O mundo visto de cima, com Cor e Movimento, por Fernanda Cruzick

Fernanda Cruzick é chamada de “artista múltipla”. Escreve livros, faz moda, desenha estamparias, atua no teatro e cria figurinos, quando não está fazendo sua atividade principal: a pintura. Voa alto na sua pretensão de abraçar múltiplas artes com as pernas e talvez este o motivo de seu trabalho retratar uma visão aérea sobre o mundo.

Cruzick não enxerga o universo de frente, de lado ou de baixo pra cima. Tudo o que pinta é na perspectiva de cima pra baixo. E seu mundo é todo enladrilhado com os mais lindos mosaicos, referências que vieram desde a infância, em sua Juiz de Fora, onde havia uma fábrica de ladrilhos hidráulicos, a Pantaleoni Arcuri.

Suas telas se completam umas nas outras, interagem, se multiplicam, acoplam, formam conjuntos, montam jogos. Como peças articuladas infinitamente múltiplas, conjugam misteriosas composições de uma beleza espetacular. Dizem os místicos que não existem coincidências, e não deve ser mesmo por acaso que tais obras de Fernanda estão expostas numa galeria com o nome Cor e Movimento, pois elas são puro movimento e cor.

A mostra Jogos Múltiplos soma duas séries de trabalhos de Fernanda. As 15 pinturas “Multiplicidade” e as telas e objetos “Games”.

Fernanda Cruzick está no Facebook, seu contato é fernandacruzick@yahoo.com.br, e seu trabalho pode ser visto belamente exposto na Cor e Movimento, ali na Praça Antero de Quental, no Leblon, Rua General Urquiza 67, Loja 7

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A artista Fernanda Cruzick no vernissage de seus Jogos Múltiplos

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Com o ator Marcos Caruso

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A artista com as galeristas Rosa Cordeiro Guerra e Bia Martins Costa

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Lucia Meira Lima e Thera Regouin, a próxima artista plástica a expor na Cor e Movimento

A casa falante de Maria Pia, o livro borbulhante de Silvia Amélia

A casa de Maria Pia fala. Ela diz: “Sou clara e luminosa, reflito a alma e o momento de minha dona”. Ela é florida, e seu interior mistura pássaros de porcelana a orquídeas em cache pots de palha, porcelana Vista Alegre a louça Bleu de Chine, quadros contemporâneos a aquarelas românticas, móveis ingleses a tapeçarias da França. Tudo na mais completa e harmoniosa combinação, ao balanço dos cabelos de Pia, cada vez com mais volume e brilho, como se sua atual felicidade tivesse o poder revitalizador da lua cheia.
 
Sim, tudo à volta de Maria Pia entra em harmonia com sua energia boa. Já que ela não se aflige com a convidada que se atrasa para o almoço, o suflê, que espera no forno para ser servido, vibra na mesma onda positiva e, quando chega à mesa, ainda está estufado, inflado, no ponto exato, como se uma convergência mágica conspirasse a favor de tudo.
 
Éramos dez amigas no almoço sem lugares marcados. Às cabeceiras, Maria Pia e a aniversariante, Vera Bocayuva Cunha, chemise e colar, très parisienne. No mais, Dorita Moraes Barros, Graça Oliveira Santos, Maria Lucia Moura e sua filha, Luciana Almeida Braga, Maria Celina Saboya Gomes, Ana Paula Leão Teixeira, Fátima Andrada Tostes e eu. A louça Limoges assinada por Alberto Pinto traz cada uma um pássaro pinto à mão. O jogo americano era de organza bordada, com aplicações, renda e forro solto, da incomparável mineira Lygia Mattos. Falamos sobre isso. Lygia não está mais entre nós. Foi a melhor dos bordados do mundo. Daquelas que não deixam substitutos.
 
O buffet foi servido na varanda sobre a mesa pura, só a nobreza da madeira. Há um caramanchão florido contornando os arcos da varanda. Bonito. Bem Maria Pia. A gaiola com flor no interior que, da outra vez, estava na frente da casa, agora está atra´s, na pérgula. Pia diz: “A minha casa é dinâmica. Mudo tudo o tempo todo”.
 
Há bolo coberto com corações vermelhos. Há fotos a meu pedido. Há discurso da Vera. Há cafezinho na volta à sala de estar. E há – mas que delícia! – uma avant prémière do livro de Silvia Amélia, que todas folheiam ávidas na versão francesa, da dedicatória à última página, passeando pelo seu castelo, o “manoir”, o apartamento em Paris, na rue du Faubourg Saint Honoré, a casa palacete do melhor amigo Givenchy, o poema que Manuel Bandeira fez pra ela, enfim, o livro é uma fotobiografia, resumindo o que Silvia é, vive e viveu. Com classe e elegância.
 
A obra será lançada no Rio, na próxima Casa Cor, 1 mil exemplares, Silvia Amélia presente. A Casa Cor será na casa magnífica de Malu da Rocha Miranda na Rua Marquês de São Vicente, marcando a volta de Maria Pia Marcondes Ferraz Montenegro à decoração, assinando um espaço seu.
 
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A capa
 
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Dedicatória de Silvia : pra filha, genro e netos
 
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Página de abertura
 
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Palavras dela no encerramento: “Sempre sonhei fazer um livro bonito para a família, os amigos e todos os que amam a vida colorida, Silvia Amélia, Primavera 2016”. Edições Imagine
 
Ao me levar no carro, na calçada, Maria Pia me diz: “Hilde, estou cada vez mais feliz e apaixonada pelo Carlos Augusto, ele é um marido maravilhoso”. Montenegro também está na calçada. Ele teve a delicadeza de voltar para casa a tempo de se despedir das amigas que foram almoçar com sua mulher. Assim como passou pela sala, antes do almoço, vestido esportivamente, falou com todas nós e partiu. Uma gentileza com as amigas de Pia e também um modo de dizer “Vejam, que homem de sorte eu sou”.

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Fotos de Ana Paula de Almeida Magalhães Leão Teixeira