Vítima do bueiro voador conta detalhes de sua aventura

Sobre a participação, noticiada aqui, do diretor do Museu Mariano Procópio, Douglas Fasolato, no episódio do bueiro explodido em Copacabana, eis o email que esta coluna/blog acaba de receber…

Hilde, querida,

Como você publicou, realmente sou mais uma vítima não contabilizada do acidente ocorrido no Rio, em Copacabana, na última sexta-feira, dia 1º de abril. Retornava ao hotel depois de um dia de reuniões e pesquisa em instituições culturais, quando, por volta das 19h10min, na calçada em frente ao Supermercado Zona Sul, percebi que acabou a energia, seguindo-se um estrondo. Quase que simultaneamente, vi um táxi ser atingido, dando-me a impressão de que havia explosão e fogo avançando em minha direção. Não sei como, mas eu disparei para dentro do Supermercado. Em questões de segundo, já me encontrava atrás dos caixas, percebendo-me com um dos dedos machucado e sangraando, e sentindo dores no braço e na coxa direita. Não me lembro de qualquer rosto, mas de pessoas caídas e carrinhos de compras ao chão. Tive a impressão de que poderia haver explosão e meu instinto me fez sair em disparada, sem olhar para trás. Só no lobby do hotel pude perceber mais detalhes, quando entrei em contato com uma amiga médica, que me passou as primeiras orientações, inclusive de fazer compressa de gelo. Minha camisa branca ficou coberta de fuligem, assim como minha cabeça.

Quando voltei ao local do acidente, vi que a tampa de ferro era enorme e estava em linha reta ao trecho da calçada em eu estava naquele exato segundo da explosão. Não fiquei muito tempo por ali, mas o suficiente para ouvir um funcionário do serviço de manutenção da Ligth desabafar com outro sobre as dificuldades causadas pela interdição, pela Prefeitura, de trechos daquela Avenida, o que segundo ele teria tornado seu trabalho mais complicado, com as mudanças das faixas seletivas.

Se não fossem os incômodos, que ainda sinto, diria que tive a impressão de participar de uma cena de atentado em filme de Hollywood. Quanto ao anjo da guarda, o meu existe, pelo menos para as grandes causas.

Obrigado pelo carinho.

Douglas Fasolato

ag91 Vítima do bueiro voador conta detalhes de sua aventura

O diretor do Museu Mariano Procópio, jornalista Douglas Fasolato, dois dias depois do acidente do bueiro voador, no elegante black-tie de Angela Gutierrez, em Belo Horizonte. Aqui, cercado por Veronica Castro, Cida Zurelo e Angela Dourado (Foto da Hilde)

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