Velório e enterro de Lily Monique de Carvalho Marinho

Lily de Carvalho Marinho teve a despedida digna e honrosa que merecia. Foi na capela refrigerada do Cemitério São João Batista, santo da sua devoção, cujo nome deu ao segundo filho, assim como criou uma instituição de caridade com esse nome. Estavam lá os amigos, os funcionários do escritório e da casa, os médicos, membros da Academia Brasileira de Letras que sempre frequentaram o Cosme Velho, o governador do Estado, artistas do elenco da Rede Globo e as famílias de Lily e de Roberto Marinho…

Lily estava num momento especialmente belo. Esplendoroso mesmo. Coberta por orquídeas brancas com miolo arroxeado. Vestia um tailleur bege de sua preferência. Em volta do pescoço e do rosto, um foulard de tecido tênue e claro. Pediu que não lhe colocassem a peruca, que vinha usando nos últimos meses devido à quimioterapia. Estavam lá seus cabelos brancos cacheados. Muito bem maquiada, pelo Alberto de sempre, fazendo evidenciar seus traços majestosos. Era uma perfeitamente linda mulher, e assim ela partiu. Foi comovente ver a emoção de seus colaboradores mais próximos, os humildes do seu grande séquito. E isso revela mais do que qualquer coisa o que a pessoa é. Seu Edgar, o mordomo do Cosme Velho, seu Manuel, o mordomo de toda a vida, do apartamento na Avenida Atântica e das fazendas, a governanta, antigas secretárias. Todos profundamente comovidos, mas mantendo aquela postura de elegância que todos que se aproximavam da Lily adquiriam, praticamente por osmose…

A família Marinho compareceu au grand complet. Os que não foram, estão em viagem ao exterior. José Roberto, com Vânia, liderava o clã presente. Todos os netos de Roberto Marinho foram, e trataram com extremo carinho os netos de Lily e seu filho, João Batista. Além de terem, ao chegar, saído cumprimentando as pessoas já presentes praticamente uma a uma. Entre os ex-colaboradores de Roberto Marinho presentes estava Jorge Serpa, com sua Vicentina. Entre os médicos Carlos Giesta e Barros Franco, que a cuidaram. O presidente da Academia Nacional de Medicina, Pietro Novellino. Impossibilitado, pelo acidente sofrido, de fazer o esforço de comparecer, o presidente da Academia Brasileira de Letras estava representado por sua mulher, Maria do Carmo Vilaça, e por seus pares, Nélida Piñon, Ana Maria Machado, além de Arnaldo Niskier e Domício Proença e senhoras. Sérgio Costa e Silva, diretor do Projeto Música no Museu, cujo board tinha Lily como presidente. O casal de galeristas Géneviève e Jean Boghici. Olavo Monteiro de Carvalho lembrava, terno, a brincadeira feita a ele por Lily, quando, por um mal entendido de secretárias, ele à sua revelia esteve ausente a um jantar dela de lugares marcados. Lily colocou no lugar um urso de pelúcia. Este era o humor refinado de Lily…

Isabelle de Ségur, Sylvia Fraga, Harilda Larragoiti, dom Pedro de Orléans e Bragança com a mulher, Fátima, e a irmã, Isabel, Julio Rego, lá estavam os bons amigos de sempre dos jantares de toujour. Romaric Büel, colaborador de Lily em várias ocasiões, inclusive na produção do livro que ela escreveu sobre o marido, Roberto Marinho. O jornalista Merval Pereira, das Organizações Globo, com sua mulher, Elza. Da área de museus, veio de Juiz de Fora o diretor do Museu Mariano Procópio, Douglas Fasolato…

O pároco do Outeiro da Glória, padre Sérgio, falou que dom Eugenio só não foi porque os médicos não permitiram. E também transmitiu uma mensagem de dom Orani à família. Junto com o frei Antonio, dominicano, da Igrejinha do Leme, ele procedeu aos ofícios finais. Foi frei Antonio quem, há um mês, deu a unção a Lily, em casa, no Cosme Velho, chamado por ela, que já pressentia que não teria mais condições de ir pessoalmente à Igreja do Leme…

A imprensa, que Lily sempre prestigiou, também a acompanhou em seu último momento. Havia um batalhão de fotógrafos, repórteres, cinegrafistas no lobby do cemitério, cuja presença não foi permitida dentro da capela, totalmente enfeitada pelas coroas de flores brancas. Uma delas, a única colorida, enviada pela presidenta da República Dilma Rousseff. Nas demais, lia-se Cosme Velho, Família Roberto Marinho, Organizações Globo, Rede RBS. E não vou mencionar as incontáveis coroas do lado de fora…

Quando chegou o momento mais difícil, da despedida final, com o fechamento da urna, amigos se aproximaram para ajeitar a renda branca em torno do rosto, certificando-se de que ela partisse impecável como viveu. E percebeu-se o carinho da atitude do enteado, José Roberto, arregimentando filhos e sobrinhos para que, com ele, ocupassem seus postos juntos às alças douradas do caixão. Assim partiu Lily rumo ao túmulo onde foi enterrada ao lado do filho, Horácio Gomes Leite de Carvalho Neto. Vontade dela. O que fez a imortal Nelida Piñon, que acompanhou o cortejo até o fim, dizer: “Esta é a força do ventre, palavra que guarda em seu conteúdo a matriz”…

Voltou a matriz ao seu destino de ser para todo o sempre a mãe amorosa…

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O governador Sérgio Cabral vela Lily Marinho ao lado do mordomo fiel do Cosme Velho, Edgar, e de Anthony, neto querido de Lily

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Na capela, a coroa de flores, a única colorida, enviada pela presidenta Dilma Rousseff e sua equipe de Governo

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