Quem bebe a água do Rio sempre volta. E Gal voltou de McQueen!

(Aqui abaixo, para vocês, o texto do “Repórter por um dia do Lounge da Hilde” Ricardo Medina, que veio do Mato Grosso do Sul e foi imediatamente escalado por este blog para fazer a cobertura do show de ontem de Gal Costa…)

Ricardo Medina

Gal voltou! Ainda que num show apenas, no Fashion Business, na Marina da Glória. Mas foi o suficiente se derramar de amores ao Rio e deixar uma platéia em estado de graça. Logo de cara, reconheceu que “a água-de-coco do Rio é mais doce que a da Bahia”, e entre uma música e outra dava bicadinhas exclamando “que delícia!”; confessou que dirige melhor aqui (“lá em Salvador eu me perco”) e ainda arrematou com uma declaração emocionada: “Toda vez que o avião vai descendo no Santos Dumont, sinto uma emoção, o coração pula… Vem um flash back dos 23 anos que morei aqui, as casas que tive. Amo o Rio”. Foi retribuída com gritos de “Volta, volta!”, deixando no ar uma charada: “Quem sabe. Há uma possibilidade…”

E como sabia que a concorrência é grande num evento de moda, subiu ao palco com figurino de fazer os fashionistas se descabelarem: um Alexander McQueen arrasa-quarteirão. Túnica em degradê vermelho (meio abóbora) e cinza, sobre calça cinza, tudo em seda, esvoaçante, hipnotizante, que fazia dela uma verdadeira diva no palco, misturando a impecável postura das estrelas da ópera com aquele charmoso gingado que só a baiana tem. Gal sabe tudo, claro.

Cantou esplendorosamente! A voz cada vez mais cristalina, o domínio da interpretação e da improvisação apurado ao extremo. Deitou e rolou no repertório de pérolas inesquecíveis da MPB. Contou que quis fazer um show homenageando os grandes mestres, de Caymmi a João Gilberto, passando por Tom Jobim, Vinícius, Chico, Caetano… E a platéia cantava junto, mas nem o coro vibrante conseguia concorrer com aquele “concerto simples”, como ela própria chamou, com a própria voz valendo por uma orquestra inteira na antológica “Vapor Barato”, que encerrou o show – atendendo ao clamor geral.

A lista vip da Liège Monteiro tinha Luiz Fernando Guimarães, Tereza Cristina, José Maurício Machline… E Gal falando que estava se “sentindo numa sala de visitas, onde a gente pode conversar com amigos”. Puxou papo com Glória Maria, perguntando das meninas: “Elas estão lindas. Vi na revista”. Provocou a Zélia Duncan: “Adota um filho, Zélia. É a melhor coisa do mundo, renovação, energia!” Mas quem causou frisson mesmo ao chegar foi a Totia Meireles, exibindo um par de pernas que na passarela deixariam qualquer top na rasteirinha – coisa que não é tão difícil, porque as modelos estão cada vez mais altas e magrinhas, né? Mas as panturrilhas da Totia são de atleta! Verdadeiros batatões, que fizeram o escritor Jorge Salomão, dos mais animados da platéia, traduzir a voz do povo: “Eu queria dar uma dentada nessas pernas!”

Depois de deixar todo mundo com um gosto de “pimenta malagueta, um bocadinho mais”, Gal recebeu convidados no camarim e exclamava: “Que alegria encontrar amigos que há tanto tempo eu não via!” Estava radiante, contando do filho, Henrique: “Ele está com seis anos, enorme! Sempre vai aos meus shows, mas é um problema, porque ele quer entrar no palco comigo! Em casa até já canta as músicas, é uma graça”.

E a gente sai de lá levitando e pensando: tem algo que esteja mais na moda que uma mãe encantada e arrebatando todos os corações de uma platéia?

Volta, Gal, volta!

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