O que intriga na manifestação de ontem

O que intriga nas imagens da manifestação de ontem, com os jovens caras-pintadas sendo expulsos na marra da calçada diante do Clube Militar, à base de gás lacrimogêneo e cacete, é que quem estava ali se opondo ao processo de construção da verdade no Brasil não eram eles, eram aqueles que os policiais protegiam…

O que intriga nas manifestações de ontem é que, se havia alguma provocação, ela partiu inicialmente justamente daqueles que se reuniam para um ato que celebrava o 31 de março, depois de a presidenta, no ano passado, ter proibido qualquer festividade e alusão ao golpe! A antecipação da reunião para o dia 29 foi uma falácia de quem desobedecia uma ordem expressa da comandante em chefe de nossas Forças Armadas. Uma descarada insubordinação, que contou, no entanto, com todo o apoio da nossa polícia para a sua realização e para dar segurança aos participantes do evento. E dá-lhe gás no rosto dos manifestantes que protestavam contra isso!

O que intriga é o silêncio das autoridades maiores diante dessas imagens, que estão na TV, nas redes sociais, por toda a parte, com militares dando “banana” para manifestantes, enquanto cuidadosamente eram conduzidos nos braços dos PMs para se reunirem, desrespeitando a presidenta Dilma.

Já se sabia que haveria o evento dos militares, assim como já se sabia que haveria a manifestação dos caras-pintadas, a imprensa já divulgara amplamente. Ambas poderiam ter sido previamente evitadas. Ou o confronto poderia ter sido previamente evitado, impedindo-se os manifestantes, desde cedo, de se aproximarem tanto do prédio. Quis-se o confronto. Era o que se pretendia. Era este o objetivo.

Sabemos que nosso governador, ele também, é um cara-pintada de alma. E um aliado de primeiríssima hora da presidenta Dilma. Então, quem deu as ordens obedecidas ontem?

Isso intriga.

Bom que saibam, e saibam mesmo, que respeito nossas Forças Armadas, acho que elas devem ser equipadas, prestigiadas, admiradas e merecem salários justos. Se tivesse patente, também lhes bateria continência. Aplaudo o trabalho que elas fazem, fundamental na defesa de nossas fronteiras, considero-as mesmo admiráveis. Mas não concordo com esse véu escuro que estenderam sobre elas e, agora, tantas décadas passadas, recusam-se ainda a recolhê-lo. Véu mascarado sob o emblema do “corporativismo”.

A grande maioria dos militares é decente, justa, sincera. Não merecem os jovens militares de agora arcar com os graves erros cometidos por aqueles do passado, que, caso a verdade no Brasil não passe por esse inevitável processo de construção, lhes pesarão para sempre sobre os ombros, junto com os galardões de suas nobres conquistas de hoje e do futuro.

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