O MUITO QUE O AMARAL FAZ PELO CARNAVAL CARIOCA E O MUITO QUE JÁ FEZ

O que eu conversava com o professor Ivo Pitanguy naquela mesa comprida da varanda do MAM durante o Baile da Cidade, ontem? Muitas coisas. Mas o assunto principal era a importância para o Rio de Janeiro de empreendedores visionários e apaixonados como Ricardo Amaral, um homem com boas ideias. E falamos de sua coragem de abraçar a causa de trazer de volta para o Rio o carnaval de salão, há bem uns 10 anos ou mais no esquecimento. Com honrosa exceção ao Baile do Copa, que se mantém hors concours, alheio aos modismos. Mas o Copa é o Copa, como digo sempre. E o Baile do Copa é o Baile do Copa…

Tempo houve em que baile de carnaval era todo dia no Rio de Janeiro, anos 70/80, num período que se estendia do sábado anterior ao sábado de Momo indo numa batida só até o Sábado de Aleluia.

Ivo, ao meu lado, lembrava: “O primeiro era o Baile do Popeye, no Marimbás. Depois vinha o baile do Iate Club, do Havaí!“. Bem, o do Popeye eu não peguei. Mas peguei os almoços do Pitanguy e da Marilu no sábado pré-pré Momo. Almoço sucedido pela Feijoada do Amaral, que atualmente passou-se para o sábado de carnaval mesmo. E depois vinham, nessa ordem: na segunda-feira, no Castel, o Baile do Pierrô; na terça,  no Hippopotamus, o Baile Borbulhantes, uma co-produção do Amaral comigo; na quarta, no Flamengo, o Vermelho e Preto, que começou muito bem frequentado;  na quinta, o Baile Circo Fantástico, da Régine Choukroun, no Canecão; na sexta tinha o Baile do Havaí, no Iate Club, e o Sugar Louaf Ball, do Guilherme Araujo, no Pão de Açúcar; no sábado, o Baile do Copacabana Palace, posteriormentre sucedido pelo Baile do Champagne, do Humberto Saade, no Canecão. No domingo, trabalhos de baile suspensos para todo mundo virar a noite nas escolas de samba, que às vezes se estendiam até meio-dia do dia seguinte, pois naquela época o desfile não se desdobrava em duas noites. Na segunda, o Baile da Cidade, no Canecão (NR: aqui houve uma correçãozinha {09/02 ás 10h44m}  na postagem feita anteriormente {08/02 às 23h18m}, pois eu troquei os eventos de domingo pelos de segunda, sorry! ;-( ). Na terça, fecho de ouro, de ouro mesmo, pois era o Baile Dourado, no Hippopotamus, grã-finérrimo. Ah, tinha também o Baile do Monte Líbano, mas esse era da pesada, de exibicionismo explícito. Mesmo assim, o Humberto Saade e o presidente Alfredo Saade conseguiam levar grupo bacana para o camarote presidencial. E todos faziam fantasias para todos os dias (eu, pelo menos, garanto que fazia).

Sem esquecer que houve também o Gala Gay, e que o Chico Recarey inaugurou o Scala com outra sequência incrível de bailes (todos os dias), e depois Mario Priolli suspendeu os bailes no Canecão e o Recarey sucedeu-no no posto de Rei dos Bailes

Quanto baile, quanta história, quanta mulher bonita que foi lançada neles, quantos homens também, e até travestis, como a Roberta Close, num baile do Chico…

E a noite disco não parava nuuuuuuuunca, durante todo o período de carnaval, rolando non stop no Régine’s, no Hippopotamus, no Privé, no Concorde Special, no aconchego do Chiko’s Bar e em outras casas, que abriam e fechavam. Era a vida carnavalesca trepidante do Rio nos anos 70 e 80.

É isso que o Amaral quer reabilitar com os Bailes do Rio, que se sucedem em todos os dias de Momo. Por isso, em vez de ter dificuldades para licenciar seus bailes ou levantar patrocínios, acho que, pelo muito que o Amaral faz à cidade, as autoridades é que deveriam estar correndo atrás dele para procurar facilitar ao máximo suas realizações e o mesmo no que diz respeito aos patrocinadores.

PS: E tem gente me cobrando aqui que não falei dos Bailes do Municipal. Mas isso foi mais atrás minha gente, anos 60 e comecinho de 70. Depois que ele acabou houve aquele marasmo, só o Baile do Copa e aí, naquela onda de nostalgia do Baile do Municipal é que vieram os bailes todos do Canecão e aquela avalanche de bailes de Hippo, de Scala etecetera e tal. 😉

E eu ainda conto aqui, informação de cocheira, como nasceu, na piscina do Copa, a ideia dos bailes do Canecão que deram início ao turbilhão de bailes do Rio. Fui testemunha ocular e auditiva dessa história. E o Mario Priolli pode confirmar.

Hildezinha também é História.

baileFotos de Marcelo Borgongino e Verônica Pontes

3 ideias sobre “O MUITO QUE O AMARAL FAZ PELO CARNAVAL CARIOCA E O MUITO QUE JÁ FEZ

    • Mas isso foi em período anterior. O Baile do Copa ainda se estendeu depois que acabou o do Municipal. Depois o Baile do Copa foi interrompido pelos Guinle, para voltar há alguns anos na administração Orient Express.

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