Na plenitude de seu viço e sorriso, Lourdes Catão celebrou nove décadas de elegância

Invejosa, a Fada Destino costuma ser madrasta para as grandes divas, quando chegam à sua longeva maturidade. Tenha sido o seu estrelato nas artes, nos esportes, na mídia ou até mesmo no universo glamouroso do high, high society, raras as celebridades passam incólumes a esta punição despeitada do destino, como se este quisesse dar um troco final por tantos aplausos, tamanhas glórias, os inúmeros triunfos, as incontáveis manifestações de admiração que as estrelas divas souberam colecionar, ao longo de sua intensa e espetacular trajetória, além dos limites suportáveis pela galáxia ressentida.

Há contudo divas à prova de ressentimentos, invejas, cobiças. Divas tipo ‘de corpo fechado’, que resistem às imprecações do tempo e se mantêm maravilhosas, divinas, em pleno vigor de seu talento e, no caso da diva em questão, de sua beleza e elegância.

Assim, na plenitude de seu viço e sorriso, Lourdes Catão abriu os portões duplos de ferro de 6 metros de altura do Edifício Biarritz para a comemoração de seus 90 anos – e ninguém acreditava. Uns diziam: “Ela está brincando”. Outros especulavam: “São 80”. Sandra Naslausky garantia: “São 70”. E Lourdes, nariz arrebitado, arco vermelho com laço nos cabelos, confirmava: “Noventa”  – o que era endossado pela sucessão de imagens no monitor de TV, registros sociais da década de 50 nas páginas de Jacintho de Thormes, que a elegeu uma das “10 Mais”, e de grandes festas da época…

Lourdes vestindo tomara-que-caia, longos de saias amplas de tafetá. A maternidade de Lourdes, os bebês Catão embrulhados em nuvens de plissados de organdis…

E Lourdes corajosa, rompendo padrões e fronteiras, seguindo a voz do coração, o impulso do sentimento, mudando de país… Lourdes moldando-se ao inesperado, trocando a vida de dondoca pela de career woman, fazendo-se respeitada em sua profissão de decoradora em Nova York…

No mesmo grande estilo, o retorno ao Rio de Janeiro, elegendo como seu pouso carioca o mais dourado dos endereços do Rio – o Biarritz -, retomando amizades, ampliando seu círculo social e dando continuidade ao livro-catálogo ‘Sociedade Brasileira’, da irmã saudosa Helena Gondim.

Sem jamais abandonar o exercício da boa decoração, e para estar perto de seu filho, Antonio, em Santa Catarina, Lourdes construiu um paraíso à beira da Lagoa da Conceição. Com a morte dele, desfez-se da propriedade. De novo, a fibra e a coragem da superação, do engolir em seco, do seguir em frente…

E ali estava a Lourdes, o sorriso largo contornado pela boca vermelha, sua marca registrada, vestindo palazzo pijama preto pontilhado de confetes coloridos – “foi minha filha Bebel quem me deu o pano”. A festa ocupando dois apartamentos – o dela e o da vizinha em frente, vazio e emprestado gentilmente, onde ela montou grande sala de jantar refrigeradíssima, com cadeiras e mesas redondas, buffet, DJ e monitor de TV com a projeção das fotos históricas de sua vida. Lá, houve o bolo, o parabéns pra você e, quem quis, dançou.

Na casa de Lourdes, aquela graça de ambiente, o sumo do bom gosto, os sofás de plumas, houve o coquetel e, noblesse oblige, os da juventude recente foram ficando por ali, enquanto os da juventude passada, na hora do jantar, foram se passando para o outro apê, onde havia mesas com cadeiras. Assim, o apê de Lourdes acabou sendo a sucursal do young people, que ia se servir do outro lado do buffet saboroso, camarão guisado, vitela deliciosa e macia, purê de baroa, arroz negro, farofa de biscoito, nhamnham.

E tanto carinho…  Da filha, Bebel; do filho, Álvaro Luís; de todos os netos a cercar a aniversariante. Carinhos da nora; dos sobrinhos; dos amigos dos netos. Estava ali uma família. Não há energético mais poderoso nem antioxidante mais eficiente do que uma família presente e amorosa. Família boa faz bem pra pele e pra alma, queridos.

Parabéns, Lourdes! Parabéns ao clã Klabin-Catão por saber amar tão bem!

Bebel Klabin e sua mãe, Lourdes Catão

Lourdes e os filhos, Alvaro Luís Catão e Bebel Klabin

Lourdes Catão e netos: David Klabin, Roberto Catão, Rose Klabin, Amanda Klabin, Felipe Catão e Pedro Catão

Pedro Catão, Débora Catão, Lourdes e Luís Otávio Leitão Com o neto, Pedro

Linda foto de Lourdes junto à sua mesa de jantar

Com a neta Rose Klabin e Jean Pierre Cedroni

Com Bebel e Débora Catão

Teresa Muniz e Jonja Assis …… Angela Alhante e Lourdes

Maria Helena e Sergio Chermont de Britto

Embaixadores Helô e Antonio Cantuária com a aniversariante

Diva Leite Garcia e Terezinha Noronha

Rosa e Armando Klabin com Lourdes

Vania e Haroldo Neilor

Guilherme Knabb e Patricia Geyer

Francis e Hilde com Heckel Verri

Manuel Pereira Lopes, Laura e Paulo Simões e Jonja Assis

Nubia Melhem, Lourdes Catão e Marcio Roiter

Com João e Monica Cordeiro Guerra e Mappi Carino

Mirtia Gallotti, Sandra Naslauski e Angela Alhante

Maria Raquel de Carvalho e Rosa Klabin

Lourdes, João Mauricio e Maria Alice Pinho

Com Heckel e Cleuba Verri

Vera Bocayuva Cunha e Vera Bainville com Lourdes

Com Jonja e Kitty Assis, junto ao aparador do lobby social do Edifício Biarritz, usado para os bem-casados

Moema Jafet e Mirtia Gallotti

Vera Bocayuva e Alvaro Luís Catão

O monitor da TV exibia imagens de várias fases da vida de Lourdes, o apogeu dos anos 50, a vida em Nova York, o paraíso de Santa Catarina….

Fotos de Sebastião Marinho

4 ideias sobre “Na plenitude de seu viço e sorriso, Lourdes Catão celebrou nove décadas de elegância

  1. Obrigado Hilde por permitir a este escriba apreciar a onipresente alegria desta senhora, L. Catão, parte importante da história viva deste nosso Brasil. Meus melhores cumprimentos aos descendentes.

  2. Bom dia, Hilde! É impressionante o poder que vc tem de fazer a gente, seus leitores, mergulhar no túnel do tempo e se emocionar com os seus textos maravilhosos. Passam-se os anos e você está cada vez melhor e perfeita. Tudo divino. Como a sua ”crônica” sobre o aniversário de 90 (!?!?!?!) da dona Lourdes. Sensacional. Delicioso. Parabéns!

  3. Minha “ídola e inspiração”, desde que a vi no “O Cruzeiro” com um famoso vestido vermelhinho! Anos depois, a vi no Aeroporto de Brasilia, de marrom e bege, no dia em que comemorava 42 anos, conforme dizia um jornal… Por causa dela, tomei a coragem de largar a VARIG e mudar para New York! Lá, a encontraria em alguns eventos e, nos anos 90/2000, nas delicatessens do nosso bairro, Agatha Valentina e Zabar’s, no Upper East Side… Mas só viria a falar com ela há dois meses, no Consulado Americano do Rio, onde nós renovávamos nossos passaportes americanos! Simpaticíssima, linda e elegante, como sempre. Contei pra ela, sem falsos pudores, os fatos acima, e ela ficou muito contente de saber! Difícil acreditar que fez 90 anos! Parece mais jovem que muitas por aí!!! Parabéns, senhora Catão!

  4. Como sempre Hilde,faz com que seus leitores habitue,entre na atmosfera mais glamourosa da sociedade brasileira e mostra como ainda se vivem os grandes nomes tradicionais da sociedade carioca.Senti a falta da maior estrela da sociedade brasileira CARMEN MAYRINK VEIGA,nesta festa de aniversário de Lourdes Catao

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