Despedindo de Hero Ortenblad

O Rio de Janeiro perdeu, na semana em que as grandes marcas de moda desfilaram suas elegâncias, uma das mulheres mais bem-vestidas das últimas muitas décadas: Hero Ortenblad.

Hero era irmã de Elisinha Moreira Salles, ícone de elegância, do Hall of Fame das Mais Bem-Vestidas do Mundo, da mítica lista de Eleanor Lambert. Elisinha foi uma brasileira que serviu de referência internacional de classe, bom gosto, savoir faire. Ao lado de Walter, ela frequentou o Olimpo dos poderosos, dos milionários (numa época em que ainda vigorava a letra M e não a B de bilionários), dos super-hiper-ricos, do universo dos inatingíveis, e o casal era um deles. E isso no exterior, quando o Brasil ainda era visto como uma Banana Republic e o termo usado para nosso high era Café Society, já que o que plantávamos era o café. Pois bem, Elisinha era tudo isso, exalava elegância, luxo, poder. E Hero era a irmã antítese. Calma, very cool, discreta, casada com um homem voltado para as ciências, Alberto Ortenblad, que inventou um cálculo que até hoje nossa engenharia aplica em seus projetos, uma cabeça respeitada. Um homem vocacionado, não para multiplicar dinheiro, mas para somar saberes. E nem por isso Hero era mulher menos elegante do que a irmã, com menos allure, menos savoir faire. É que as irmãs Gonçalves, de solteiras, traziam isso na veia. Em suas origens mineiras, no DNA Vianna, que também eram. Vianna de Santa Luzia, Minas Gerais, com pegadas remotas na nobreza portuguesa. Por acaso, e isso o genealogista Douglas Fasolato me confirmou, os mesmos Vianna da família de Zuzu Angel (como o mundo é redondo, hein, meus amores?). Foi Hero, quando me encontrou certa vez no cabeleireiro Jambert, quem me revelou: “Sabia que somos primas?”. Eu não sabia, e fiquei très touchée, naturalmente…

Gostava muito dela, admirava sua classe, a delicadeza, a postura, a boa educação, a completa ausência de frivolidade, os bons valores, sem ares imperiais de superioridade, que nunca couberam em seu estilo, e estes, contudo, Elisinha volta e meia apresentava, apesar de ter sido também uma boa figura humana, mulher culta e interessante. Mas são os cacoetes do grand monde, que às vezes grudam, vão e voltam…

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