De mãe para filho, a equação do sucesso da Praça Tahrir

Meu filho pergunta por que os brasileiros não saíram às ruas aos milhões, como os egípcios, para dar fim à nossa ditadura? Eu tento responder que o cenário era outro, que já havia um processo paulatino de distensão no Brasil, como o episódio da Anistia, que também partiu da pressão popular. Falei do governo de abertura, de João Figueiredo, que já no discurso de posse proclamou “juro que farei deste país uma democracia!”. Falei do temperamento cordial, manso, acomodado e até medroso do brasileiro – afinal, até para termos a Independência foi preciso um português dar o grito! Falei que lá no Egito foram 30 anos, aqui foram 20, talvez não tivesse ainda havido o tempo para a gota d’água que entorna o copo. Mas não falei que, diferentemente do Egito, não havia voz dissonante nem descontentamento nas Forças Armadas no Brasil, que continuavam jogando unidas, e o supremo poder era de um militar general. Também não falei do principal: as redes sociais, que desafiam e desmontam qualquer esquema de censura, qualquer cala-boca de dono de jornal. Está aí a equação do sucesso da Praça Tahrir, meu filho…

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