De Aderbal Freire-Filho sobre a permanência de Juca Ferreira: “Ele pode ser o parceiro ideal da presidenta para a sua política de continuidade com avanços”

Toda mudança de governo é a mesma coisa: a grande polêmica, que faz os jornais gastarem mais tinta, é em torno da sucessão no Ministério da Cultura. Pois artistas gostam de fazer barulho, de se posicionar, e tudo que eles dizem ganha repercussão na imprensa. Desta vez, é grande o apoio da classe artística à permanência do ministro Juca Ferreira no cargo. Mas o produtor de cinema Luiz Carlos Barreto abriu novas frentes de debate sobre o tema. Telefonei, então, para o bem articulado Aderbal Freire-Filho, um dos maiores diretores de teatro do Brasil e também um formulador de idéias, com grande influência no setor cultural e liderança. Perguntei:

HA – Como você vê esse momento de formação do ministério pela futura presidenta?

AF-F – É um momento político precioso esse da construção do ministério de um governo que foi eleito para continuar e ao mesmo tempo precisa afirmar sua personalidade. Estamos acompanhando como a Dilma – a gente vota e já fica cheio de intimidades – mostra seus talentos político, administrativo, de organização, que de cara negam as tentativas dos seus adversários durante a campanha de desqualificá-la.

HA – Que perfil, você pensa, deveria ter o próximo Ministério da Cultura?

AF-F – Em todas as áreas muito mais está por fazer do que foi feito, pois oito anos não são suficientes para compensar um passado tão grande de desacertos. Então é preciso uma reforma na casa, ou melhor, no condomínio. Não falo pensando no uso depreciativo que certo glossário político atribui a essa palavra, mas pensando na esplanada dos ministérios, aquele condomínio construído pelos mestres Oscar e Lúcio e onde depois arranjou um lugar para se instalar o Ministério da Cultura. Pois é justamente da construção desse Ministério que quero falar. É uma das partes novas da casa, morou nela nos começos Celso Furtado, vieram outros, etc. Mas como os primeiros moradores eram mais ou menos como aqueles parentes do interior que chegaram de repente e foram se acomodando como dava, e nem sempre o dono do condomínio estava satisfeito com eles – teve até um alagoano que botou eles pra rua – , não puderam fazer muito pra se instalar direito. Foi só o mesmo governo que pagou as contas com o FMI, e sobretudo pagou as contas com os pobres, que olhou pra gente da cultura instalada ali e começou pra valer a assegurar o alvará e boas condições moradia. Botou lá o Gil e o Juca (vindos mesmo da Bahia), e eles, com o quinhão de terra que ganharam, construíram a casa.

HA – Quer dizer que sua avaliação do ministério baiano é positiva?

AF-F – Com eles, finalmente o Ministério da Cultura teve uma estrutura, colunas, vigas, espaços bem divididos para caber todo mundo de uma família tão grande, a família das artes, o povo da cultura popular e de todas as culturas, um povo que cozinha, trabalha o barro, pinta e borda. E esses baianos puderam fazer tudo isso deixando a porta aberta, isso então é mais surpreendente ainda. Pois bem. Se um ministério precisa de cuidados especiais, porque a construção é ainda muito recente, esse é o Ministério da Cultura. Ele é muito grande – a cultura está em toda parte, é um bem de todo mundo – e a casa é muito nova.

HA – como você interpreta, então, os movimentos de apoio à manutenção do ministro Juca Ferreira no cargo?

AF-F- Os movimentos de apoio ao Juca Ferreira querem dizer isso: aqui a continuidade que em outros lugares pode ser feita com mudanças de morador, aqui precisa da presença dos seus construtores. Os artistas apóiam essa política vencedora e nova. E pensam que o atual ministro, que estruturou a casa e nunca parou de construir, pode ser o parceiro ideal da presidenta para a sua política de continuidade com avanços”.

Juca e Aderbal De Aderbal Freire Filho sobre a permanência de Juca Ferreira: Ele pode ser o parceiro ideal da presidenta para a sua política de continuidade com avanços

Min.Juca Ferreira e Aderbal Freire-Filho – Foto: reprodução

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