CRITICAR, SIM, MAS ELOGIAR TAMBÉM, QUANDO HÁ MOTIVO PRA ISSO

Uma das últimas tendéncias na internet é enviar fotos das partes deterioradas do Viaduto do Joá criando alarmismo sobre a possibilidade daquilo ruir.

Manutenção e conservação são práticas que devem ser empreendidas durante toda a vida útil das pontes e grandes estruturas. Tal prática, lamentavelmente, não vem acontecendo no Brasil inteiro. O antigo e extinto há décadas DNER, Departamento Nacional de Estradas de Rodagem, tinha uma Diretoria de Conservação e Manutenção das rodovias nacionais, assim como a tinham os DERs estaduais.

Essas diretorias se encarregavam, como o nome diz, da conservação e da manutenção das estradas de rodagem estaduais e federais. Ver um prefeito preocupar-se com isso é raro. O prefeito Eduardo Paes é uma dessas exceções. Está atento a isso e empenhado para o Rio de Janeiro voltar a ser a Cidade Maravilhosa.

Porém, em vez do reconhecimento pela administração bem feita, o que vemos é a insistência em se ignorar o que, finalmente, está sendo feito e apenas se preocupar em criticar.

Melhor fariam se estivessem aplaudindo de pé as providências que vêm sendo tomadas depois de décadas de imobilismo de gestões anteriores. A atual prefeitura do Rio de Janeiro trabalha, não só para manter, como também para recuperar os estragos advindos de manutenções jamais realizadas.

9 ideias sobre “CRITICAR, SIM, MAS ELOGIAR TAMBÉM, QUANDO HÁ MOTIVO PRA ISSO

  1. Hilde, estranhei e estranho voce nao ter escrito nada sobre o impasse do Governo, Prefeitura com a Aldeia Maracanã. Por quê? Nao entendi, e muitos não entenderam.
    Beijos!

    • Engana-se. Fiz um registro, sim. Contei que a Cordelia de Mello Mourão estava na militância no Museu do Indio. Dá uma lida.

  2. Hilde, bom dia!!!
    É sempre bom ler crônicas/matérias de colunistas social antenados, pois são verdadeiros observadores e não somente críticos.
    Meus parabéns! !!!

  3. Eu sou até capaz de aplaudir… qualquer demolição.

    Enquanto os criminosos da Ditadura que entraram na minha casa a chutes quando eu tinha 3 anos não forem encarcerados, enquanto eu tiver que pagar as aposentadorias deles e vê-los sorridentes vituperando suas vítimas (eu entre as mesmas), enquanto os túmulos dos líderes daquele golpe não forem escavados e a terra em que eles contaminaram não for jogada em alto mar fora do território do país junto com os seus restos, enquanto os monumentos levantados para homenageá-los s não forem explodidos e enquanto Exército, Marinha e Aeronáutica não pedirem desculpas ao povo brasileiro por terem servido aos propósitos imperialistas dos EUA e da Inglaterra ao derrubar João Goulart, não há absolutamente nada neste país que me faça ficar satisfeito, entusiasmado ou orgulhoso. PREFIRO MORRER A DIZER QUE ESTOU SATISFEITO COM O QUE QUER QUE SEJA.

    • Fábio, você tem sido um leitor presente e sempre sincero em suas manifestações. Às vezes, me abstenho de publicar alguns dos seus comentários, sempre inteligentes, porque eles vêm com teor que pode implicar em futuros processos judiciais, o que não é conveniente nem para você nem para mim. Mesmo se concorde com eles. Mas temos que ser cuidadosos para que as pessoas não se considerem atingidas ou ofendidas. Este é um exercício diário meu. Um equilíbrio cada vez mais delicado e estressante.

      Sim, Fábio, sou sua companheira de sofrimento, de revolta, vítima como você da Ditadura. Talvez menos, talvez mais, porém vítima certamente. Em muitas ocasiões, sinto-me assim: com uma vontade louca de chutar o balde. A revolta gritando no peito, inflamando o corpo todo, a mente. Mas se não a controlo ela me controla. E sem controlá-la, não sigo em frente. Não realizo. Não vivo. Não convivo. Entendeu, Fábio?

      Penso que vale mais viver para realizar, para ter espaço e voz, mesmo que para isso tenha que fazê-lo, ora mansamente, ora impulsivamente, do que apenas me revoltar entre quatro paredes e o meu computador.

      Esse meu jeito, em meu ritmo, às vezes lento, às vezes acelerado, tem me possibilitado acordar todos os dias e prosseguir.

      O beijo respeitoso.

      • Grato pelas sus palavras delicadas e respeitosas. Há uma diferença entre nós. Você é uma sobrevivente e eu nem mesmo sei o que significa viver, pois fui expulso da minha vida antes dela começar. Por mais que tenha sofrido (admito que você provavelmente sofreu muito, talvez até muito mais do que eu) você ainda acredita que a vida é bela e vale a pena ser vivida. Eu nunca cheguei ao ponto de compreender o que significa realmente a palavra “vida”.

        Agora que já tenho quase 50 e já perdi alguns amigos, começo a desconfiar que “vida” é o contrário de “morte”. Mas entre estes dois estágios, há aquele em que algumas vítimas da Ditadura foram lacradas desde a infância. Não há como desfazer um espaço vazio quando seu conteúdo é ignorado ou não pode ser conhecido, nem como preencher uma lacuna que sempre se expande à medida que o tempo passa.

        Toda vez que assisto um filme de Zumbi sinto uma imensa empatia pelos vilões. Por mais que os Zumbis cinematográficos sejam repugnantes, ameaçadores e desprezíveis, há entre eles e eu algo em comum: a incapacidade de se ajustar a uma “vida nacional” (tal como ela é definida e vivida pela maioria das pessoas), mesmo não estando mortos.

        Mas não vou mais aborrecer você com minhas efemérides. Sempre que quiser ou necessitar você pode suprimir meus comentários. Longe de mim complicar a sua vida ou envolvê-la em disputas que você não deseja. A minha quase vida é complicada e, para seguir em frente, não preciso de sua ajuda minha cara. E mesmo que você quisesse me ajudar eu recusaria a oferta, pois como todo Zumbi eu também sou irracional e solitário.

        No mais toca em frente. Este país era uma merda antes de eu nascer, tem sido uma merda no breve espaço de minha quase vida e certamente continuará uma merda depois que eu morrer. Me conforta saber que minha participação nesta merda foi pequena e curta.

        • Fábio.

          Impressionante testemunho. Além das palavras que eu aqui possa ousar acrescentar. Você jamais me aborrece, aguardo com grande expectativa e curiosidade suas manifestações, notáveis sempre. Sei que você não quer me complicar, muito menos eu a vc. Meu cuidado é com todo o comentário que recebo. Quando você mencionou “Zumbi”, minha primeira compreensão foi o Zumbi escravo. O açoitado. O que reagiu e liderou seus irmãos e deixou sua marca na História de luta do Brasil. Um Zumbi que viveu, não foi morto vivo. Nem vilão.

          Você é quem me ajuda, saiba, com seus palpites e opiniões “irracionais, solitários” e sem fazer cerimônia.

          Quanto às merdas, se você prestar bem atenção, elas campeiam neste e em todos os países. Depende de que ângulo se esteja observando. E realmente hei de concordar que a gente morre e ela fica. Somos muito menores do que ela. O que não significa que ela possa nos diminuir como pretende.
          Beijos
          Hilde

  4. Não se trata de crítica e sim de alerta. Sou eleitora do Eduardo Paes, aplaudo sua administração, mas acho importantíssimo poder apontar esta situação alarmante e perigosa que está ocorrendo num viaduto que é a principal via de acesso à zona oeste de nossa cidade. Eu e minha família passamos diariamente pelo elevado e tenho medo sim que um desastre de grandes proporções aconteça. Acho que em casos em que a vida dos cidadãos cariocas corre perigo, e o perigo é real e não fantasioso, o governo deve agir com rapidez para evitar que um mal maior ocorra. As redes sociais têm sido uma ferramenta eficiente para chamar a atenção das autoridades para assuntos que necessitam de intervenção imediata. Acho que a colunista também compartilharia tais fotos se trafegasse habitualmente pelo aludido viaduto em que os vergalhões estão expostos, o concreto ruindo e cuja construção jamais foi pensada para a quantidade de carros que utiliza a via todos os dias.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *