Cordélia, uma francesinha Orgânica, na praça mais falada do Rio…

Quem a vê de Havaianas, chapéu panamá e listrado colorido até pensa que se trata de uma carioca nata. Mas não tem jeito, o sotaque carregado acaba entregando: ela é francesa! E tem coisa mais bela do que um francês/francesa que se rende aos encantos de nosso Brasil? Se eles já carregam o charme e a elegância no DNA, imagina quando resolvem virar cariocas! Aí sim… C’est parfait! Estamos falando da designer Cordélia Fourneau, também conhecida como Cordélia de Melo Mourão, nome adquirido na época em que foi casada com o artista plástico brasileiro Tunga

Cordelia Cordélia, uma francesinha Orgânica, na praça mais falada do Rio...

Como parte dos eventos paralelos à Rio+20, Cordélia bolou um desfile pra lá de performático e fora do comum, que em breve será transformado em um curta-metragem. O happening de sua marca Arajuba não poderia ter sido em um lugar mais apropriado: a feirinha de orgânicos da Praça Nossa Senhora da Paz, em Ipanema (ela mesma, a praça mais comentada do momento, com a polêmica das centenas de árvores que serão arrancadas). No melhor estilo commedia dell’arte, modelos/atores se misturaram à realidade da feira, como consumidores comuns…

Para a designer, as feiras orgânicas não são apenas meras feiras. O bacana de frequentá-las é que, além de se poder adquirir produtos naturais e saudáveis, os feirantes que os vendem são os próprios produtores. Há uma relação de amor com o alimento que foi produzido por este agricultor e que ali está sendo vendido. Pode-se dizer que este alimento está carregado de alma, sentimento, ao contrário das feiras “clássicas”, onde, geralmente, intermediários compram os produtos no Ceasa e os revendem. E, mais do que isso, as feiras orgânicas viraram um ponto de encontro e debates sobre meio-ambiente, saúde, receitas, bem-estar… Ali nascem projetos e amizades! Fazem lembrar as feiras da Grécia antiga, onde os cidadãos se encontravam na praça, não só para fazer comércio, mas para conversar sobre a organização da polis (cidade, raiz da palavra “política”)…

Na passarela natural, dois times se “enfrentaram”: os Patricinhos, vestidos em cores vivas, e os Orgânicos, vestidos em cores cruas, todos em tecidos orgânicos. Segundo Cordélia, a briga de ambos os times ilustra a dialética entre as ofertas sedutoras do mercado têxtil comum, acostumado a fabricar tecidos industriais, que poluem, e a proposta eticamente correta da produção de tecidos orgânicos, que não atinge ao meio-ambiente. Tal dialética simboliza, também, as numerosas escolhas de nosso dia-a-dia, quando, por exemplo, hesitamos entre comprar frutas e legumes ditos “normais” ou outros que foram cultivados sem o uso de agrotóxicos…

Orgânicos Cordélia, uma francesinha Orgânica, na praça mais falada do Rio...

Patricinhos Cordélia, uma francesinha Orgânica, na praça mais falada do Rio...

Fotos de Sebastião Marinho

Nas coleções passadas, a designer confessa ter usado tecidos industriais, mas, depois de pesquisar e descobrir os danos que sua produção pode causar à natureza e os danos que eles próprios podem nos causar, em contato com a pele humana, Cordélia agora só quer saber dos orgânicos, tanto na moda quanto na alimentação! E faz muito bem!

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