Conheça Makiko e Hiroyuki, os estilistas-revelação da moda japonesa!

Desde a última semana, os estilistas Makiko Sekiguchi e Hiroyuki Horihata, da marca Matohu, estão no Brasil, a convite da Fundação Japão e da Embaixada do Japão, vistos em diversos eventos, divulgando seu trabalho. Em Brasília, participaram da Semana de Moda, desfilando sua última coleção. No Rio, além de comparecerem a um jantar de boas-vindas, promovido pelo consulado japonês no Porcão Rio’s, conversaram com estudantes da faculdade de moda Senai-Cetiqt. E ontem, em São Paulo, participaram de outro bate-papo, desta vez, com estudantes da IED

Se você ainda não conhece este jovem casal de estilistas, irá conhecê-los agora! Figurinhas carimbadas na Semana de Moda de Tóquio, Makiko e Hiroyuki vêm se destacando como “a nova cara” da moda japonesa. Em tempos de globalização, em que a moda tende a se uniformizar, Matohu se notabiliza justamente por seguir o caminho inverso, buscando nas raízes e tradições japonesas a maior inspiração para seu trabalho. Mas não apenas isso! O grande diferencial da dupla é fazer de tais inspirações algo contemporâneo, atual. Os quimonos e o artesanato japonês ganham nova fisionomia, seja na silhueta, nos tecidos ou na estamparia…

Hiroyuki Horihata e Makiko Sekiguchi Conheça Makiko e Hiroyuki, os estilistas revelação da moda japonesa!

Hiroyuki Horihata e Makiko Sekiguchi, o jovem casal por trás da Matohu – Foto de Sebastião Marinho

A moda japonesa é relativamente nova. A partir da segunda metade do século XX, a cultura ocidental invadiu o país com força total, quebrando a hegemonia dos quimonos tradicionais. Pode-se dizer que, atualmente, a moda europeia é que dita as tendências na moda japonesa. De fato, há muitos estilistas japoneses mundialmente conhecidos, como o pioneiro Kenzo, Yamamoto e Rei Kawakubo. Mas os três optaram por estilos modernistas, não necessariamente voltado para as tradições de seu país. Com isso, faltava ao mercado alguém que se pudesse dizer originalmente japonês, isto é, que bebesse na fonte da essência do estilo clássico japonês, que fora relegado neste recente-passado-fashion, adaptando-o para os dias de hoje. E aí surgiu a Matohu!…

Engraçado como as histórias se repetem. Aqui no Brasil, nossa moda ainda está engatinhando no que diz respeito a uma moda genuinamente brasileira. Como já citei muitas vezes, a primeira a levantar essa bola foi Zuzu Angel, ainda no final da década de 60, primórdios da década de 70, quando percebeu que nossa moda só poderia se destacar no exterior – o que era seu propósito – se valorizasse nossa cultura, em uma época que os modelos produzidos por aqui eram em sua grande e maior parte copiados de Paris, praticando-se uma moda colonizada, preocupada com os ditames europeus…

Winter 2013 Conheça Makiko e Hiroyuki, os estilistas revelação da moda japonesa!

Coleção inverno 2013, desfilada pela Matohu na Semana de Moda de Tóquio

Para compreender melhor a essência do trabalho do casal, é necessário entender o significado do nome Matohu...

Matohu, em japonês, pode ter dois significados: envolver-se em uma vestimenta de maneira suave, leve e bela, bem como “esperar”, deixar amadurecer. O que deixa claro que o objetivo da marca não é criar roupas descartáveis, que durem apenas uma estação, mas criar algo que seja belo e atemporal…

Makiko e Hiroyuki são graduados pelo prestigiado Bunka Fashion College, a melhor faculdade de moda do Japão. Antes de fundar a Matohu, em 2005, ambos tiveram boas experiências no mundo da moda. Makiko foi assistente do estilista Yohji Yamamoto e Hiroyuki trabalhou com Rei Kawakubo, da Comme des Garçons. O casal também morou em Londres, onde trabalhou com o turco Bora Aksu

Summer 2012 Conheça Makiko e Hiroyuki, os estilistas revelação da moda japonesa!

Motohu – Verão 2012

Confiram, abaixo, o bate-papo que a repórter de moda deste blog, Marina Giustino, teve com Makiko Sekiguchi e Hiroyuki Horihata, da Matohu:

Blog da Hilde: Antes de lançarem a própria marca, ambos trabalharam com grandes estilistas japoneses (Yoji Yamamoto e Rei Kawakubo). De que maneira essa experiência contribuiu para o trabalho de vocês?

Matohu: Os ambientes em que trabalhávamos eram extremamente criativos e, ao mesmo tempo, a rotina era extremamente rigorosa. No meu caso (Hiroyuki) como eu trabalhava com a linha de ponta em Paris, foi possível observar o funcionamento de um trabalho a nível internacional. Tudo isso me serviu como grande aprendizado.

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Blog da Hilde: Matohu, em japonês, além de “vestir-se de maneira bela e suave”, significa “esperar”, deixar amadurecer, o que já deixa implícito o conceito da marca. No cenário atual das grandes lojas fast fashion, o consumo desenfreado e o descarte imediato de peças tornou-se algo extremamente comum. O que diriam sobre isso?

Matohu: Geralmente, o que essas grandes lojas fast fashion fazem é pegar aquilo que está em moda e fabricar em larga escala. Num certo sentido, estamos fazendo o oposto delas. Nós demoramos bastante tempo para conceber o conceito de nossas coleções e, só aí, passamos para o desenho e depois para a produção. Queremos criar uma roupa que dure e que seja amada por mais de uma estação.

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Blog da Hilde: Zuzu Angel, a primeira estilista brasileira a se inspirar nas raízes de nossa cultura, ainda nos anos 60/70, dizia que, “para a moda brasileira ser internacional, deveria ser legítima”. Isto também pode ser levado como exemplo por estilistas de outras culturas, é claro. Infelizmente, devido à globalização, percebemos que a moda vem perdendo cada vez mais identidade própria. Parece que todos querem falar a mesma linguagem, todos querem ser iguais uns aos outros. Visto isso, qual seria o maior desafio para um novo estilista que deseja fazer sucesso? O que vocês diriam a ele?

Matohu: A maneira como Zuzu pensava é muito parecida com a nossa. Nesta época em que vivemos, tudo tende a ser globalizado, então, acaba se valorizando justamente o que é local. Por outro lado, é muito importante que um estilista possa ter um trabalho que conquiste o mundo todo, não apenas o seu local de origem. Não basta copiar a tradição. Neste sentido, para criarmos nossa moda, por exemplo, jamais utilizamos os mesmos tecidos e estampas dos quimonos. Procuramos fazer diferente, com uma pegada mais contemporânea.

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Blog da Hilde: O que a mulher que compra sua roupa quer dizer? O que ela deseja?

Matohu: Ela não está interessada apenas naquilo que está na moda. Está, sobretudo, à procura de uma peça que a toque o coração.

Blog da Hilde: É a primeira vez de vocês no Brasil, certo? Desde que chegaram, participaram de alguns eventos, incluindo a Semana de Moda de Brasília. O que mais tem chamado suas atenções na moda brasileira?

Matohu: A cor. A maneira como o brasileiro sabe combinar as cores, nos encanta! Percebemos, também, que a modelagem das roupas faz a aparência das pessoas mais sexy. No Japão, as roupas são para esconder. No Brasil, para revelar os belos corpos.

Matohu Conheça Makiko e Hiroyuki, os estilistas revelação da moda japonesa!

Foto de Sebastião Marinho

www.matohu.com

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