Essa o Sérgio Cabral não conheceu: uma privada Louis Vuitton!

O página do Facebook do Le Figaro acabou de botar no ar a novidade. Vejam só:

 

É preciso ter mesmo muito estômago, isto é, muito intestino, para ter a coragem de usar um negócio desses. Pior: de desembolsar 100 mil dólares pela peça, apoteose da ostentação, num universo em que os contrastes e injustiças a cada vez mais se acentuam.

Todo revestido de couro Louis Vuitton, o vaso sanitário criado pela artista plástica Illma Gore, por encomenda do site de vendas Tradesy, está exposto em Los Angeles, e é sendo apresentado como obra de arte, talvez peça decorativa. Illma precisou desmanchar 24 bolsas Vuitton de 2 mil dólares cada uma para fazer esta peça que é oferecida  à venda por 100 mil dólares (alguém se anima?).

Tudo nele tem as letras LV. Todo o mecanismo interno, que funciona, é com ferragens adaptadas de acessórios da Louis Vuitton. Foi difícil trabalhar naquele couro muito duro e modelá-lo para fazer assento etc. O interior do vaso é de ouro. IIlma Gore, que ficou famosa por uma escultura de Trump na época da campanha, diz que nunca se sentaria nessa peça, mas entende que alguém queira fazer uso dela… (algum Vuitton-maníaco, talvez…)

Não se trata de um item da linha de produção da Louis Vuitton, é de fato uma iniciativa de marketing do site Tradesy, e que deu certo. Bem capaz da Vuitton se animar e resolver produzir de verdade. Enfim, fato é que vai ter fila no restaurante que tiver uma latrina LV disponível no banheiro.

A primeira vez que eu vi usarem livremente o couro da Louis Vuitton, para fazer uma peça alheia à linha de produtos da marca, foi iniciativa de uma brasileira: Vera Loyola. Ela desmanchou uma bolsa e mandou forrar um par de sapatos scarpins de saltos finos com o couro LV. Ficou uma graça. Passaram-se muitos anos até a grife enfim produzir seus sapatos, além das bolsas e malas famosas que já fazia. Vera foi pioneira. Quem sabe a história se repete com essa privada?

 

Casa Zuzu Angel, o lar-doce-lar da moda brasileira, em semana emblemática

Esta foi uma semana emblemática para a Casa Zuzu Angel de Memória da Moda do Brasil. Depois de um ano de palestras mensais, com os Cafés na Zuzu, articulados em parceria com a Abepem, da professora Kathia Castilho, iniciamos nossos cursos, transmitindo conhecimento sobre o objeto principal da nossa atividade: a museologia da moda.
A professora doutora pela USP, Manon Salles, nossa colaboradora, Coordenadora e Organizadora do Acervo Têxtil da Casa Zuzu Angel, ministrou o curso Conservação preventiva em acervos históricos de moda.
Foi uma emoção, no primeiro dia, ver os alunos chegando de todos os cantos do país. Do Piauí, o responsável pela coleção de vestes do primeiro bispo piauiense, verdadeiras preciosidades. De Minas, Juiz de Fora, o professor da UFJF, que desenvolve tese de Doutorado “Construção de um museu de moda para Juiz de Fora”, e ao longo de sua pesquisa constrói também um acervo importante, com peças nacionais e estrangeiras doadas por elegantes mineiras.
A chapeleira brasileira que veio da Itália e se encantou com o acervo de chapéus da casa, peças de Carmen Mayrink Veiga, Evinha Monteiro de Carvalho, Zilda Canavarro – e até a última cartola usada por Chacrinha!
A interessada pesquisadora de Santa Catarina. De São Paulo, a professora da Unicmap, especializada em Conservação de Fotografias, interessada no Acervo Documental de Zuzu Angel e se iniciando também em têxteis. E mais as jovens conservadoras da UFRJ. Uma turma alegre e vibrante, que se emocionava a cada caixa revelada do acervo de Zuzu Angel, e me pedia a história de cada roupa.
Na despedida, ao me verem distribuir os Certificados de Conclusão do Curso, eles aplaudiam e agradeciam, emulados pelo entusiasmo contagiante da professora Manon Salles, o cenário daquela arquitetura especial, os jardins exuberantes no entorno, sons de passarinhos, os intervalos para café com bolo caseiro e sucos de frutas nas varandas com azulejos portugueses, a memória de Zuzu intensamente presente.
Eu só tive a dizer: “Quem agradece sou eu por vocês ajudarem a fazer desse acervo de Zuzu Angel um acervo vivo. Através da sua presença e do conhecimento que vocês adquiriram, este acervo se perpetua”.
E lá estavam os vestidos, deitados comportados nas mesas forradas com tecido TNT branco, e manuseados por curiosas luvinhas brancas, no avesso e no direito, investigados com delicadeza pelos novos – e agora certificados – peritos legistas da nossa moda.
Até a próxima, amigos, foi um prazer recebê-los em nossa Casa Zuzu Angel, o lar-doce-lar da moda brasileira!
Hildegard Angel

Que orgulho o nosso! Os novos peritos legistas da moda brasileira, saídos dos bancos de estudo da Casa Zuzu Angel de Memória da Moda, vistos aqui no curso Conservação Preventiva em Acervos Históricos de Moda, que eles concluíram com louvor e certificado.
Ministrado por nossa Conservadora, a professora doutora da USP Manon Salles, o curso lhes deu o instrumental básico para começarem a trilhar seu sonho de conservar as coleções que guardam, ou pretendem formar, é a nova mentalidade da importância da moda como registro da memória cultural e de costumes do Brasil, que começa a se formar e se expandir pelo país. Uma bandeira antiga empunhada com obstinação por nosso Instituto Zuzu Angel.

O curso da Casa Zuzu Angel promoveu o encontro mágico da colecionadora Marília Rezende Martins, que foi adquirir noções de como preservar o acervo de seu trisavô, o Barão Geraldo de Rezende, descendente do Marquês de Valença, com a a moradora da cidade de Barão Geraldo, distrito de Campinas, a pesquisadora da Unicamp Marli Marcondes, encarregada do acervo documental do… Barão Geraldo! Não é incrível, fantástico, extraordinário?!

Marilia, a colecionadora do acervo do Barão Geraldo de Rezende, e Marli, a pesquisadora da Unicamp, nos jardins da casa da Usina da Tijuca.

Imprevisível, carismático, em vez de um casamento convencional, Josias proporcionou a Heralda um permanente Parque de Diversões

Josias Cordeiro com sua “Santinha”, Heralda, que partiu antes dele, e agora se reencontraram

No ofício religioso de ontem, 6 da tarde, a Igrejinha branca com janelas azuis de São Conrado estava lotada, com bancos extras nas laterais, todos ocupados. Era a missa de sétimo dia pela alma de Josias Cordeiro, “o estereofônico Josias”. Megafônico, mastertrepidante, Josias fez o society do Rio de Janeiro sacudir o esqueleto, nos anos 70 e 80, ao ritmo de suas aparelhagens de som customizadas e poderosamente amplificadas.

Montadas com aço escovado, placas de acrílico, luzes coloridas e equipamentos de última geração, as mesas do Josias eram o objeto de todos os desejos, sinal de status, coroação de qualquer ambiente dos 70’s, ponto alto das decorações de residências milionárias ou quase isso, que todos, quando inauguravam ou repaginavam suas casas, faziam questão de exibir em grande estilo, promovendo altas festas dançantes, com as caixas de som em potência máxima.

Josias, Josias, Josias, uma epidemia, coqueluche, mania. A marca que caracterizou uma época. Sérgio Dourado e Suzette, Carlos Carvalho e Maria Raquel, Marcos Tamoyo e Belita, Mario Ribenboim e Solange, Antonio Mac Dowell da Costa e May, Flavio Teruszkin e Adalgisa, Albino Avellar e Maria Laura, Nelson Seabra Veiga e Idinha, John Lowndes e Lyginha, Eurico Amado e Helô – depois apenas Helô, Lelia Gonçalves Maia, José Pedroso e Lucia – depois apenas Lucia, Milton Cabral e Myriam, Newton Lins e Patrícia, Antônio Galdeano, Ronald Levinsohn e Henriqueta, Leda Lage, Newton Rique e Regina, Sivuca Malta, Ibrahim Sued, José Carlos Galliez Pinto e Sarita, Luiz Felipe Índio da Costa e Marly, Mario Priolli e Maria de Fátima, os Gouthier, os Pitanguy, os Chermont de Britto todos, os Borges, os Sève, Nonô inclusive, os Penna Marinho todos, os Palhares todos, os Monteiro de Carvalho todos, Murilo Meirelles e Rosinah, Paulo Maia e Flávia, Alberto Pittigliani e Teresinha, Paulo Marinho e Odile, Ricardo Amaral e Gisella, Paulo Fernando e Regina, Eric Waechter e Martha, Celidônio e Marialice, Jorge Guinle e Tânia Caldas, Pedro Augusto Guimarães e Helena, Márcio Braga e Noelza, Jorge Veiga e Nelly, Oscar Bloch e Inês, Sergio Figueiredo e Yolanda, Moema Jafet, José Rodolfo Câmara e Lucia, Paulo Vianna e Sony, Maurício de Carvalho e Lucianita, Luís Fernando Santos Reis e Sônia, Homero Leal de Meirelles e Terezinha, Roberto Andrade e Yara, Bebeth Freitas com o Rui, Martha Rocha (já sem Ronaldo Xavier de Lima), Theo Atherino e Nair, Mauricio Zacharias e Glaucia, Carlos Alberto Vieira e Carmen, Júlio Fabbriani e Dayse, Glorinha e Luiz Cesar Magalhães (depois, Glorinha e Carlos Moacyr Gomes de Almeida), Alfredo Castro Neves e Leda, Eliana Moura (e Zé Prior), Renato Garavaglia e Kiki, Hélio Fraga e Silvinha, Marcio Segia e Cristiana (Neves da Rocha), Alfredo Thomé e Jacyra, Maurício Stambowsky e Nieta e tantos outros nomes absolutos dos setenta promoveram, protagonizaram ou foram personagens de noites dançantes intermináveis, inebriantes… borbulhantes…

Ao som do guru sonoro Josias, a exclusiva multidão de chics e abonados saracoteou duas décadas seguidas na pista do Hippo, cuja mesa de som era, naturalmente, by Josias.

Para um aficionado do som de Josias, o must era ter uma boate inteira montada por ele. Era consagrador. Numa época da vida em que todos os amigos estavam em máximo vigor, uma geração que não levantou ferros nas academias na adolescência, et pour cause não sofreu de problemas precoces de joelho, artroses e tendinites, todos podiam dançar e se acabar nas pistas de dança a madrugada inteira, fossem eles trintões, quarentões ou mesmo cinquentões – até sessentões! Ninguém negava fogo.

Albino Avellar foi o primeiro a inaugurar uma boate by Josias, em sua casa de Petrópolis, onde recebia com Maria Laura para um pré-carnavalesco tradicional, que deixava as pessoas alucinadas por convite. Em seguida vieram muitas outras boates by Josias. A última, que eu me lembre, foi a de Françoise e Alberto Boruchovitch na casa da Barra da Tijuca, muito bem instalada, show! Todas elas com a obrigatória bola de espelhos giratória, marca da década ‘disco’. A década Josias.

Vejam vocês como Josias é inspirador. Comecei a falar dele e acabei discorrendo sobre o Rio de Janeiro dourado, que ontem estava lá, atento, na igreja, escutando padre Marcos contar que Josias se tornara assíduo frequentador das missas dominicais, quando, em longas conversas com ele, filosofava: “só saberei conviver com os outros quando aprender a conviver comigo”.

De fato, apenas a doce-como-pão-de-mel Heralda, que ele chamava de “santinha”, dominava a fórmula do bom convívio com Josias. Imprevisível, carismático, guiado pela inspiração do momento e movido por impulsos sempre surpreendentes, em vez de um casamento convencional, Josias proporcionou a Heralda um permanente Parque de Diversões. Ora saltitavam num Carrossel de Cavalinhos, em total encantamento, numa espiral interminável de festas, que podiam ser no Rio, em São Paulo, Nova York ou até como convidados para o fabuloso aniversário de Frank Sinatra em Las Vegas, ora estavam num Trem Fantasma, levando um baita susto, com a vida comercial de Josias virando de ponta cabeça, para em seguida se recuperar ainda com maior brilho, pois tino criativo para superar obstáculos era com ele mesmo.

Tudo em se tratando de Josias era singular. A mãe de Josias, uma instituição, era Josias de saias, e a ideia de envelhecer não estava em seus planos. A família Josias ocupava uma casa de quatro andares na Rua Barão de Jaguaribe, em Ipanema. A casa tinha, é claro, um baita salão de dança, mas imperdível era o quarto do casal, com inúmeros aparelhos de TV embutidos na parede. Um monitor para cada canal existente. Assim, ele podia manter ligados simultaneamente os programas de todas as emissoras, e aumentava o volume da imagem que mais o agradasse. Era o luxo do luxo numa época em que não havia TV a cabo.

Criativo, Josias ganhou as páginas até da mídia internacional com seu projeto das exéquias high tech. Durante o funeral, telões na capela mortuária exibiam documentário com momentos felizes da vida do morto, fotos do álbum de família, sua mensagem gravada aos amigos presente e, se fosse o caso, também aos desafetos.  Equipado com alto-falante e aparelhagem de som sofisticada, o caixão podia transmitir hits musicais ao gosto do freguês, ao longo da eternidade. Josias chegou a receber encomendas, por inusitado que isso possa parecer. Uma sofisticação tecnológica tão avessa à simplicidade daquela missa discreta, na igreja de São Conrado, com singelas flores lilases e brancas cobrindo os balaústres diante do altar. Sim, Josias aprendeu a conviver consigo, sem precisar de caixas de som, bolas de espelho nem trens fantasma.

As conversas com padre Marcos, o afeto dos filhos Moniquinha e Joca, sempre por perto, e a perspectiva do reencontro com Heralda ajustaram, pouco a pouco, o ritmo acelerado de Josias. Com a intuição atilada e o senso de sincronicidade próprio de um bom DJ das suas mesas de som dos anos 70, ele percebeu que a faixa de seu vinil na Terra estava expirando e que já estava prestes a se iniciar, no mesmo ritmo, métrica e velocidade, a faixa de uma nova vida, ao lado de Heralda, que o aguardava sorridente e doce, como sempre, porém firme, e cheia de personalidade. Só por isso foram tão felizes.  E assim continuarão a ser, ao som de hits pela eternidade…

Deputados europeus em missão no Brasil arriscam a vida e vão à Penha sem escolta

Chegou esta semana ao Rio de Janeiro uma Comissão Parlamentar Europeia, composta de 20 deputados e seus assessores. Vieram em missão junto ao Brasil e Mercosul. Na noite de quarta-feira, constava na agenda oficial do grupo um jantar na Casa de Viseu, localizada em uma das regiões mais perigosas da cidade: a Penha.

No meio do trajeto, os policiais da escolta foram avisados de que havia “ruídos” de risco no percurso e decidiram dar meia volta, não se responsabilizando se algum deles desejasse prosseguir sem a segurança.

Homenageado do jantar, o deputado português Fernando Ruas, ex-prefeito de Viseu, e os deputados holandês e espanhol, com dois assessores, decidiram ir à Penha mesmo assim e chegaram à Casa de Viseu, onde foram brindados com uma saborosa “punheta de bacalhau” (o peixe marinado).

Os parlamentares terminaram a noite sãos, salvos, bem alimentados e indignados com a “omissão” de sua escolta.

O fato passou batido na imprensa carioca, mas, por pouco, muito pouco, os parlamentares europeus não motivam notícia sangrenta das primeiras páginas dos jornais do mundo todo…

O deputado português Fernando Ruas, ex prefeito da cidade de Viseu, homenageado na Casa de Viseu, na Penha

Corregedor do episódio que levou ao suicídio do reitor Cancellier tem vasto prontuário de calúnias e difamações

Denúncia gravíssima, envolvendo o Corregedor, que deu origem ao processo e à prisão, que levou o reitor Cancellier, da Universidade Federal de Santa Catarina, ao suicídio.
 
O jornalista não assina a matéria por questões de segurança, já que se encontra em Santa Catarina e teme represálias dos denunciados.
 

No Rio, antiga chapeleira de Lady Di ganha feijoada temperada com história de amor

O embaixador Marcio de Oliveira Dias e Sandra Valle receberam no bonito apartamento do Edificio Prelúdio, no Condomínio do Chopin, para homenagear a carioca londrina Cristina Eastwood

Cristina Eastwood está in town. Cristina é chic. Vive em Londres há mais de 40 anos. Dedica-se à filantropia e, entre outras práticas artísticas, ao design de jardins. Nos anos 80, ganhou editoriais das boas revistas de moda com seus acessórios, chapéus e arranjos de cabeça, chegando a criar alguns para a princesa Diana, por encomenda do príncipe Charles, outros para a duquesa de York, para a atriz Joan Collins, a marquesa de Bath e grandes lojas como Harvey Nichols, Harrods e Saks Fifth Avenue. Enfeites para a cabeça e até para o calcanhar dos sapatos, como fez para a princesa. Tudo o que ela cria é inspirado e de muito bom gosto. Sua linha de chapéus góticos vitorianos foi parar em galeria de arte. Até os filhos são master pieces. Uma delas, Heloise Lorentzen, nome de casada Heloise Wilson-Smith, é campeoníssima de polo, disputando nos campos da nobreza europeia.

Para facilitar o reencontro de Cristina com os amigos cariocas, o embaixador Marcio de Oliveira Dias abriu ontem o apartamento no Chopin para uma feijoada de lugares marcados. Seriamos 12 à mesa, mas no final fomos 13, mas como nenhum de nós é supersticioso e o “plus” de última hora, levado por uma convidada, é estimado por todos, houve quem nem reparasse na contagem fora do usual de lugares.

Conheço Marcio há muitos anos, e fico feliz em vê-lo numa fase tão boa e feliz, iniciando novo capítulo em sua vida, ao lado de uma alma gêmea, sua namorada de décadas atrás. Uma love story cujo relato ele não se furta a fazer – aliás, adora contar. Sandra Valle teve imediata acolhida dos amigos de Márcio. É simpática, agradável e muito divertida. E os que conheceram a embaixatriz Walkyria Dias, de quem Márcio é viúvo, identificam nelas uma mesma qualidade fundamental ao convívio: inteligência arguta.

Patrícia Barbeyron, filha única de Márcio e Walkyria, endossou a união desde o início. O que foi brindado por todos à mesa, onde estavam Jonja e Kitty Assis (ela nos premiou com algumas de suas sobremesas impensavelmente saborosas), Marco Rodrigues e Alicinha Silveira, Vera Bocayuva, José Ronaldo, o ministro aposentado do Itamaraty Eduardo, a inglesa Connie, que viaja com Cristina. Ao final, como é parte da tradição da casa nas grandes ocasiões, Marcio serviu o Armagnac de estimação, na garrafa gigante que vem com a torneirinha…

Saímos de lá já com o programa das próximas férias agendado: um passeio de carro pelas cidades do Vale do Jequitinhonha, abrangendo Diamantina, o Serro e arredores. Marcio e Sandra, Francis e eu. Tomara que seja logo.


Cristina Eastwood, a homenageada de ontem de Márcio Dias e Sandra Valle, no bem decorado apartamento da Avenida Atlântica

E aguardem o relato devidamente ilustrado do jantar em torno do novo casal Marcio Dias-Sandra Valle, com o top da intelligentzia itamaratiana na cidade. 

 

Brasil nunca mais

Compartilho com vocês minha dificuldade de agora, ela paralisa e asfixia. Houve tempos em que minha inconsciente juventude permitia que eu colorisse com festas a mais feiosa das vidas. O mais cinzento dos tempos. Não sei o tipo de patologia, mas eu floria exuberâncias onde poucas flores tinham, pintava beleza onde ligeiro traço havia, enaltecia elegância havendo leves sugestões. E todos resplandeciam, e os cenários preciosos emolduravam casamentos, festas, jantares, em que todos almejavam estar, e a vida se tornava mais perfeita para os frequentadores daqueles ambientes ou os apenas leitores de minhas páginas de jornal. Eu tinha o dom.

Compulsivamente, eu maquiava o dia a dia, a night by night, fazendo tudo mais frenético do que de fato, mais e mais encantador. Recepções, bailes, coquetéis, trepidações em boates, foram incontáveis páginas de jornal cobertas com centenas, milhares de fotografias, que se desdobraram em milhares outras, de outros jornais e de outras colunas, emergindo tal e qual em todo o país, no mesmo estilo editorial, na trilha daquela minha viagem, determinada a fazer especial e mágico o mundo da elite brasileira.

Os profissionais da moda me amavam. Seus ateliês viviam agendados, a cada evento  noticiado. Eu, filha de costureira, me rejubilava com isso. Os cabeleireiros, cheios. Floristas, banqueteiros, profissionais de festas, todos satisfeitos. A coluna social do sábado fazia o mundo girar, palpitar, gargalhar. Colunas da concorrência empenhavam-se em se igualar, podiam até ser melhores em tudo, porém no capítulo fazer  bombar era minha a primazia.

Até mesmo no carnaval. Perguntem ao Amaral quem fazia anualmente o Baile Borbulhantes, de carnaval, do Hippo? E ao Priolli, a quem ele delegava seu camarote principal, todos os anos, no Baile da Cidade, no Canecão? Ao Recarey, quem ocupava anualmente, com seus convidados, o maior camarote do Baile Oficial da Cidade, quando passou a ser no Scala – e acontecia um baile dentro do baile? E ao Marcio Braga, perguntem quem inventou o Baile Vermelho e Preto – e apoiou? Ao Phillip Carruthers e à Andréa Natal, quem desde sempre apoiou o Baile do Copa, até ele se tornar um sucesso? E quando Régine Choukroun vinha de Paris promover seu baile de pré-carnaval Le Cirque Fantastique, do Canecão, era em minha casa o coquetel de convidados que o antecedia, com todas as celebridades internacionais que chegavam. Quanto fôlego!

Sem esquecer das escolas de samba.  Quando, bem antes do Sambódromo, sugeri ao João Roberto Kelly, presidente da Riotur, um camarote só com os artistas, na época todos duros ou remediados, sem acesso às poucas áreas vip da assistência do desfile das escolas. Kelly providenciou um grande camarote e um ônibus. Para a concentração, o Copacabana Palace cedeu a Pérgula, água, refri, sanduíche e cafezinho. E lá nos reunimos para partir rumo ao primeiro dos camarotes dos artistas. Sucesso absoluto. Naquele tempo, eu acumulava a “Perla Sigaud” com a coluna diária de TV de O Globo – “Por dentro da TV”, na última página do Segundo Caderno, vizinhança ótima, logo abaixo das críticas televisivas do mestre Artur da Távola.

Esse 1º camarote foi épico. Esperadíssima por Grande Otelo, a Mangueira passou triste, xôxa, plumas molhadas, riscando o chão, enquanto chovia a cântaros, Otelo deprimido bebia a cântaros, chorava a cântaros e xingava a Josephine Hélène, a cântaros, também. Ittala Nandi, sem convite, xingava, lá de baixo, a nós todos e a ditadura. A ex-sra. Antonio Pitanga, Vera Manhães, linda, também passava na Sapucaí e, pelo mesmo motivo, xingava geral. E nós sob risco de irmos parar todos no Dops, com tanta xingação, já que apenas uma divisória baixinha de madeira nos separava do Ministro do Exército de Figueiredo, Walter Pires, no camarote ao lado. Foi em 1981, o ano da bomba do Riocentro.

Foram duas décadas de apoteose e vibração para o Rio de Janeiro e, em decorrência, para as demais capitais e as cidades do interior, cujas vidas em sociedade eram regidas pelo colunismo social. Eu era a Perla Sigaud, responsável pelas páginas duplas de sábado, de O Globo, uma referência forte, uma inspiração do colunismo nacional, nos dramáticos anos 70 e 80.

Mesmo nos piores cenários, a vida me inspirava projetos e possibilidades. Havia na época um hino, “Vai passar”, que a nós todos emulava ao primeiro acorde no rádio do automóvel.

Isso foi antes, bem antes de, nos anos 90, passar a me assinar com o próprio nome, no mesmo jornal, as mesmas páginas duplas semanais, depois, a página única diária do Segundo Caderno, e a coluna diária do Jornal do Brasil, e a edição semanal do Caderno H  no JB. Sempre borbulhando aos borbotões.

A anunciada dificuldade que tenho a compartilhar com vocês se chama ‘nunca mais’. Nunca mais juventude, nunca mais inconsciência, inconsequência nunca mais. Nunca mais talento de colorir cor de rosa o que cinza está. De me equilibrar bailarina em fios tênues sobre o despenhadeiro escuro. De chorar com a alma e sorrir com a boca. Nunca mais cegueira para não ver a face horrenda da maldade, que agora se agiganta em máscaras disformes, projetando escuridão sobre nossas perspectivas de futuro. Nunca mais “Vai passar”.

Essa a causa de meu profundo entristecimento. O Brasil cinza chumbo de ontem retirou-nos o nosso presente, mas não subtraiu a esperança de um amanhã. O de hoje só nos oferece trevas, sem qualquer amanhecer. Brasil submetido à pena da obscuridade eterna, sob a opressão de religiosos fundamentalistas, que promulgam leis a seu critério e prazer, debaixo do jugo e do taco de falsos moralistas, investidos do papel de censores sem apreciar a arte, sequer conhecê-la, reprimido por movimentos que, de forma violenta, silenciam todos os canais de cordialidade, reflexão e diálogo.

Brasil dos sem memória, dos que desprezam a História, dos que prezam a tortura, enaltecem o estupro, humilham as diferenças. Brasil dos capas pretas, ‘cabeças pretas’, camisas pretas, gravatas pretas. Brasil da grande escuridão.

Representação infernal de Bosch – “O último julgamento”

A melhor gastronomia regional do Brasil, em noite única, no Rio de Janeiro

Vejam meu ar de satisfação, ao lado de meu marido e da musa da gastronomia de Manaus, a Charufe. Foi ontem, na Casa Julieta de Serpa, no lançamento do livro de receitas Mitos e Sabores do Amazonas da chef Charufe Nasser. A maior da Amazônia, a mais celebrada, elogiada, paparicada. A colônia amazonense prestigiou, e eu, carioca, porém apaixonada por tudo que signifique a pujança do Amazonas, da floresta, aos rios, ao povo à culinária, sobretudo a da Charufe, estava lá, saboreando as empadinhas de pirarucu, as hóstias de tucuman nhamnhamnahm.
E nesta quinta-feira volto à Casa Julieta de Serpa para o Grande Festival da Amazônia, em noite única, com um degustação que consistirá em delícias que irão dos peixes gloriosos como tambaqui e pirarucu, ao pato ao tucupi e jambu. Tudo trazido de lá fresquinho pela própria Charufe, temperos inclusive, preparado por ela – e sem precisar pegar o avião! Que bela oportunidade. Eu já contando os minutos, em contagem regressiva. Os experts são unânimes: a culinária mais inspiradora do Brasil é a da Norte, pois lá temos os peixes mais saborosos e os temperos mais perfumados. Charufe, me aguarde, que meu apetite é grande, e os dos convidados de nossa mesa também!

 

Brasil em queima total: Eletrobras, patrimônio de 500 bilhões, posta a venda por 20 bi

O Governo Temer está apressando a privatização da Eletrobras, a maior geradora de eletricidade da América Latina, um patrimônio de 500 bilhões a ser vendido por 20 bilhões. Ao mesmo tempo está forçando os estados de Minas Gerais e Paraná a privatizarem a Cemig e a Copel. Isto está sendo feito em alta velocidade e no maior silêncio, sem debate com a sociedade brasileira. A motivação alegada é levantar dinheiro para cobrir o rombo das contas públicas, mas corre o boato de que também os políticos querem dinheiro para a campanha eleitoral de 2018.
Para referência, informamos que, nos países mais adiantados do mundo, as hidrelétricas são estatais, para garantir o uso correto da água por todos os setores da economia. Nos Estados Unidos, além de estatais, as hidrelétricas mais estratégicas são administradas pelo Exército (US Engineering Corps). No Canadá as hidrelétricas são administradas por estatais regionais, como B C Hydro, Ontario Hydro, Hydro Quebec, e outras. Na França, toda a energia elétrica é administrada pela Électricité de France – EDF; na Suécia, pela Vattenfall AB; na Finlândia, pela Imatran Voima Oy  IVO;  na Alemanha, RWE AG, ENEL; na Itália, ENDESA; na Espanha, EDP, em Portugal e assim por diante.
No Paraná, para debater o assunto, haverá uma Audiência Pública na Assembleia Legislativa, dia 10 de outubro às 9:30 da manhã, que foi precedida de uma reunião preparatória dos engenheiros no Sindicato dos Engenheiros do Paraná, ocorrida no último dia 20.
É o que informa a esta coluna o engenheiro Elcias Ferreira.

PS: Impressionante a apatia e o descaso do povo brasileiro diante da dilapidação de seu próprio patrimônio, do desmonte de seu país. Não comenta, não discute, não se envolve, como se a discussão não coubesse a ele. Se fossemos uma ditadura de tutelados, de acostumados a dizer “amém” a tudo, até se entenderia… Mas, no Brasil das polêmicas, esse silêncio sepulcral diante da venda de tudo causa-me consternação. Ontem, li que Gustavo Franco, ex-presidente do Banco Central, declarou que o nosso Banco do Brasil está “limpinho”, pronto “para ser vendido”. E ninguém reage, ninguém se manifesta. Vamos acabar todos nus com a mão no bolso, e no bolso furado.

Mais um valor que parte: astro da reumatologia nacional vai brilhar na Filadélfia

Nessa debandada geral que caracteriza o país nos tempos atuais, o Brasil perde nomes importantes de sua comunidade científica. A última má notícia vem da área de pesquisa das doenças reumáticas e autoimunes.

O brilhante médico e pesquisador brasileiro doutor Roger Levy, professor e clínico atuante, sempre apresentando-se em congressos internacionais e nacionais, sempre empreendendo no Brasil ações mobilizadoras desinteressadas em prol de pessoas vivendo com artrite ou doenças reumáticas, levando informações atualizadas, através de palestras, fóruns, seminários, acaba de receber – e aceitar- proposta irrecusável dos Laboratórios Glaxo para se transferir para seus headquarters nos EUA, GlaxoSmithKline, na Filadélfia, onde se aprofundará nas pesquisas sobre lúpus e artrite reumatoide degenerativa, participando de permanente brainstorm científico com seus pares nos EUA, em busca de descobertas de medicamentos e tratamentos que curem e amenizem tais males.

Com o dr. Roger, muda-se também do Rio de Janeiro para a Filadélfia um dos nossos consagrados valores da arte contemporânea, seu companheiro, Gilvan Nunes, cujas obras estão nos acervos do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro – Coleção Gilberto Chateaubriand, da Fundación Ankaria, em Madrid, da Fundación AMBA Arte, em Londres, da Fondazione Dolce&Gabbana, em Milão, da Fondation Cartier, em Paris.

O Brasil perde dois grandes valores, na área científica e nas artes plásticas. Os fieis pacientes se despedem de seu reumatologista, dr. Roger A Levy, que deixará os competentes médicos assistentes de sua clínica prosseguindo os tratamentos. Já os colecionadores da obra de Gilvan precisarão viajar aos EUA para visitar seu novo atelier – quem sabe em Manhattan, a uma hora e meia da Filadélfia? Nada mal.

Deborah Levy entre Gilvan Nunes e Roger Levy, de mudança para a Filadélfia em janeiro de 2018, tendo como fundo uma pintura de Gilvan