BODAS DE RUBI DOS STAMBOWSKY – PARTE 1

Uma celebração de 40 anos de bodas como qualquer casal bem intencionado, quando sobe ao altar, adoraria um dia poder festejar igual…

Bem, eram as Bodas de Rubi de Sueli e Ricardo, os queridos Stambowsky, e lá, no salão exuberante, decorado com centilhões de rosas vermelhas pelo talento de Ovídio Cavalleiro, guiada na pista pelo meu partner Stambowsky, noivo e anfitrião, dançando ao som das músicas ‘disco’ dos anos 70, girando ao ritmo da infinidade de bolas de espelho do teto do Bar do Copa, girando e girando e girando, sentindo-me uma Travolta travessa, entrei numa espécie de máquina do tempo pra trás, e fui lembrando, lembrando e lembrando…

Lembrei-me de eu, aos 16, 17 anos, dançando com o mesmo Ricardo, mas não girando, pois o ritmo, acho, era o twist, em casa dos Laport (ou seria em casa da mãe do Pedro Sayad, que eu na época desconhecia chamar-se Rosinah Meirelles?), quando nem de longe me passava pela cabeça tornar-me um dia colunista social…

E lembrei-me da queridinha da “jeunesse dorée”, Suely Pittigliani, prestes a se casar com o Ricardo, e eu, já em O Globo, Interina gandulinha da coluna de Nina Chavs, escrevendo sobre o próximo “mariage” e publicando foto de Suely (na épora era grafada nas colunas com Y), vestindo blusa de organdi branca de pala de fru-fru e fita de veludo preto com lacinho no alto do decote. Creio que o fotógrafo era o Jacques Avadis. Ou seria o Antonio Guerreiro?

Depois veio a amizade com o casal, nesses 40 anos, que eu não poderei dizer longos, pois tudo aconteceu de modo tão breve…

Lembro-me tanto de uma recepção na casa linda de Maurício e Nieta Stambowsky, no Cosme Velho – gente discreta e classuda. Um casarão transpirando tradições. Maurício, construtor, incorporador, muitos prédios na Zona Sul, vários em Ipanema, um sucesso. Bonachão, amigo dos amigos, presença cativa das feijoadas de sábado do Le Bistrô famoso, sempre em mesa com o Alberto Pittigliani, pai da Sueli, do Amaral Neto e outros poucos.

E a Nieta, firme, determinada, sóbria. Quando ficou viúva, recolheu-se. Em festas, nunca mais a vi. E descobri outra Nieta. A Nieta reinventada, um dos nomes mais talentosos na arte dos acessórios que este país jamais produziu. Suas bijuterias fizeram a glória das mulheres que gostam de se enfeitar, nos anos 80 e 90. Coisas lindas, para guardar para o resto da vida. Depois, vieram os trabalhos em papier mâché. As trousses, minaudières, bijús, joias raras, privilégios das pouquíssimas que as têm.

Possuir um item Nieta Stambowsky é de uma importância na Moda que as pessoas só no futuro hão de, efetivamente, realizar. Mas Nieta, danada, jamais quis dar uma entrevista. Já pedi, implorei, só faltei me ajoelhar. E nem em nome de nossa amizade… ela faz concessões. Lástima!

Então, Ricardo deu uma virada em meu braço e eu rodopiei, enquanto Donna Summer esgoleava-se cantando Hot Stuff, e recordei quando Sueli, famosa pelas suas joias poderosas by Armando Garcia e as roupas capotantes trazidas das viagens a Nova York e Paris, decidiu ser ela mesma a estilista: inaugurou marca própria, em sociedade com uma amiga de infância. E as elegantes do Rio fizeram romaria ao atelier.

Depois, Sueli trocou de mundo – da moda para a decoração – e de sócia: elegeu a Guida Séve. Juntas continuam e até hoje estão bombando nos revestimentos.

Ricardo também encontrou novos aspectos profissionais, após a morte de Maurício e o encerramento da empresa da família. Foi estudar jornalismo. Trabalhou na imprensa e em seguida profissionalizou-se no setor de eventos, pouco servido no Rio de Janeiro. Fez sucesso, consagrou-se absoluto. Entende do riscado. Paralelamente, se dedica ao antiquariato.Também entende, adora!

Enfim, o DJ da festa atacou de Dancing Queen, com o grupo Abba inspirando-me outra memória: a capacidade do casal de conservar os mesmos amigos sempre. E isso é bonito de testemunhar e raro de constatar.

Paramos de dançar. Sueli cochichou-me, cheia de orgulho: “Somos os únicos que continuam juntos entre os do nosso grupo que se casaram na mesma época”. Belo motivo para celebrar. Até valsa houve, com as amigas queridas todas. Bacana!

Os Stambowsky formam com seu grupo de amizades um grande e harmonioso clã. E de harmonia familiar eles entendem. Lá estava a sempre companheira Terezinha, viúva do Alberto Pittigliani, pai de Sueli, mãe dos meios-irmãos dela, Beto e Andréa, avó da Bárbara. Todos presentes. Todos amicíssimos. Viajam juntos, festejam juntos, riem juntos, um grude único, uma cumplicidade só. União difícil de ver. E disso sou há quatro décadas testemunha.

Neste momento, o som esquenta enlouquecido, com o vozeirão de Gloria Gaynor trombeteando I Will Survive, e eu, no turbilhão de minhas memórias, não resisto ao apelo, escalo meu Fred Astaire privé, o Francis, e retomo o piruetear das lembranças da história de vida deste casal pleno de felicidade em suas Bodas de Rubi… Lembranças de nossa amizade, que se manteve intocada por tanto tempo e…, seguramente, It Will Survive

Amizade solidária, sem omissões, mas costurada por momentos alegres. Alegrias e festas. Festanças de arromba como aquela, em que fomos recebidos, desde a fachada do Copa, pela brigada de recepcionistas, terno escuro e luvas brancas. Perfilados. Um estúdio fotográfico, montado na Pérgula pelo Aszman, com fundo infinito e refletores, onde cada casal convidado posava à chegada e, já na saída, recebia a foto emoldurada de vermelho-rubi. Parecendo coisa de cruzeiro de luxo.

O champagne petillant, o coquetel volante, o jantar, tudo irrepreensível. As mulheres em seu melhor, homens também. Time social raro de reunir. Convidados faziam comparações com grandes festas já acontecidas no Rio, em Paris, Nova York, onde fosse. Anna Silos, de vestido vermelho de tafetá, elogiada pela beleza. Grande noite.

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Fotos de Marcelo Borgongino, Verônica Pontes e Paulo Jabur

Uma ideia sobre “BODAS DE RUBI DOS STAMBOWSKY – PARTE 1

  1. Estou convencidíssima de que você deve: a) escrever um livro de memórias, ou vários livros de memória, que serão, na verdade, verdadeiras pérolas repletas da história do Rio, e do Brasil, desde sua mais tenra idade; b) escrever novelas de época, a época que você aqui tão bem retrata e que enquanto eu lia foi como se tivesse feito parte, tal a riqueza de detalhes.

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