Aloysio Maria Teixeira, um homem justo, deixou suas marcas

Há muito tempo não vou a uma Missa de Sétimo Dia tão cheia. A Ladeira da Glória engarrafada desde o início. Todos os lugares do Outeiro ocupados, algumas cadeiras “extras”, gente de pé do lado de dentro e do lado de fora. Se considerarmos que Aloysio Maria Teixeira, o motivo daquelas orações, morreu já se encaminhando para seu centenário, e que já há bem alguns muitos anos ele não era visto nos eventos, sempre recolhido em casa com a família, a gente pode imaginar o muito de amigos e admiradores este homem notável soube fazer ao longo dos anos em que esteve ativo…

O desembargador, que presidiu o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, cargo espinhoso em que se costuma multiplicar desagrados, ao contrário, milagrosamente, apenas somou amigos fraternos. Sabem por quê? Porque era um justo na essência. Não usava sua função para agradar, muito menos para desagradar. Assim como não a usava para oprimir e para tripudiar. E muito menos era um vaidoso. Um homem simples, de boa conversa, que sabia colocar-se bem, ser afável, mas manter a necessária cerimônia, que ajuda a perenizar as boas relações…

Presidentes de tribunais, antigos e recentes, desembargadores, juízes, procuradores, advogados ilustres, dois senadores – Saturnino Braga e Bernardo Cabral, o imortal Arnaldo Niskier, o juiz Francisco Horta, o ator Roberto Bonfim, a deputada Laura Carneiro, o jornalista Franklyn Toscano, Odaléa Brando Barbosa, Marlene Serrador, Déa Liao, Alfredo Marques Vianna, enfim, amigos…

Tão expressiva quanto a igreja lotada foi a carga de afeto, sinceridade, emoção e dor expressada por Aloysio Maria Teixeira Filho em suas palavras sobre o pai, ao falar do grande homem que teve a conduzir sua vida, do afeto, dos conselhos, do tanto que seu pai fez por ele. Aloysito falou sentidamente, totalmente, numa entrega que muito nos honrou e comoveu, a nós que ali estávamos. Disse de sua orfandade aos 67 anos, do órfão espiritual que passou a ser, já que o material não lhe falta, pois Aloysio pai soube orientá-lo e aconselhá-lo de forma a que isso fosse possível…

Os olhos de Aloysio filho choraram, a voz, as mãos, ele chorou inteiro. Alguns de nós também. E lembrei-me de Aloysio pai, que era um homem sorriso. Um sorriso inteiro. Quando os escritores fazem literatura e dizem “sorria com os olhos” é porque devem ter conhecido o velho desembargador, cujos olhos estavam sempre a observar e a sorrir. Observar com argúcia, sorrir com tolerância e compreensão do próximo. Um bom homem deixou suas marcas na Terra

————————————————————————————-

Concurso Spa e Resort2 Aloysio Maria Teixeira, um homem justo, deixou suas marcas

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *