A lágrima de Mariza que não conseguimos secar…

Não posso deixar de comentar aqui a frustração. Acordamos cedo, vesti preto e lá fomos para o Santos Dumont, onde já encontramos, no balcão da TAM, Bertha Mendes de Souza, Tereza Brito e Idinha Seabra Veiga, todas prontas para decolar rumo ao velório do amigo José Alencar. Feito o ckeck-in, um longo tempo de espera até recebermos a má notícia: com o tempo fechado, o aeroporto estava interditado para pouso e, como nosso avião, que viria de São Paulo, ainda não chegara, era impossível embarcar. Em nossa mesma situação vários outros voos desta manhã, todos cancelados. Embarcar, só se fosse depois do meio-dia e, quando enfim chegássemos a Belo Horizonte, se chegássemos, a cerimônia já estaria terminada…

Bem fez a Maria Célia Moraes, que foi na véspera, em seu jatinho privé amarelo, e ainda passou por Brasília, comentamos…

Uma de nós chegou a sugerir que fossemos todas, então, mesmo que mais tarde, diretamente pra casa de Mariza em Belo Horizonte, para abraçá-la. Ideia logo descartada pois o que Mariza ia precisar, depois de toda a apoteose de emoção que foram as despedidas de seu marido José Alencar, seria um belo e merecido repouso…

Voltamos para casa com a tristeza de não poder sequer abraçar e confortar nossa tão querida, estimada mesmo, Mariza Gomes da Silva. Mariza com M de Mulher de primeira grandeza. Companheirona e sustentáculo. Mulher de fibra, esteio, aquela que jamais faltou, nunca se omitiu e sempre se manteve – porto seguro – a respaldar o marido, a família inteira, durante os 14 anos da doença, que, ao mesmo tempo em que consumiu Alencar, tornou-o maior, multiplicou sua fortaleza e conseguiu o que parecia impossível: redimir a imagem tão desgastada e combalida do Homem Público brasileiro

Pois, se existiu um José Alencar, certamente há de haver outros nomes éticos e com nobreza neste país, patriotas que se disponham a enfrentar este mondo cane da política brasileira e, apesar de tudo, se manterem íntegros, impolutos…

E Mariza ali do lado, cuidando, protegendo, respeitando, admirando. Ah, quantos homens tiveram ou têm a sorte de ter uma Mariza como ela? Muito poucos, certamente. No período da doença do marido, Mariza teve, ela também, um câncer, se operou, submeteu-se à penosa quimioterapia, sem jamais fazer disso assunto. Depois, o mal cardíaco, o marcapasso. E ela firme, sequer mencionando os próprios problemas, pois sua preocupação era apenas ele, as orações eram para ele, a energia, seu tempo, sua dedicação exclusiva…

Sim, lamentamos muito, imensamente, não conseguir estar perto da amiga, ao menos enxugar uma lágrima sua, pois a conhecemos muito bem. Sabemos que não se inebria com homenagens, não se impressiona com pompas, não se ilude com os holofotes e tem a exata consciência de que perdeu o principal. Seu amor, o parceiro de uma vida construída juntos, sua razão, seu motivo, sua metade. E, quando todas as luzes das câmeras se apagarem, os flashes, os hinos, lá estará ela, na companhia dos filhos amorosos e de suas lembranças, mas sem José Alencar

Amiga, estamos com você. Sincera e totalmente. Pois você é diferente, única, profunda e solidária…

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *