Presidente do BNDES é lançado à presidência da República em jantar no Rio de Janeiro

Aconteceu quarta-feira um jantar em sociedade no Rio de Janeiro, 20 pessoas. Estava lá o presidente do BNDES, Paulo Rabello de Castro, que pela manhã havia sido aclamado por dois mil empresários, no Encontro Nacional de Comércio Exterior no Centro de Convenções Sul América, e Michel Temer foi vaiado pelos mesmos dois mil empresários.

À sobremesa do jantar, houve vários discursos, inclusive do próprio Paulo Rabello de Castro, depois de seu nome ser lançado à Presidência da República. Confirmando, Paulo falou de nossas altas reservas internacionais de US$ 380 bilhões e 863 milhões, que são “imexíveis” para despesas de custeio…, “a não ser que… eu seja o presidente do Brasil”.

À mesa, seis grandes empresários, que estão penando nesta era pós-impeachment. Vibraram. O discurso de Rabello fala em inclusão social, já que em sua gestão no BNDES ele está priorizando a distribuição dos títulos de propriedade nas comunidades do Rio de Janeiro. O que causou forte reação positiva na representação feminina, como Gisella Amaral, Eliana Moura e Maria Célia Moraes, que tanto se preocupam com o bem estar dos desfavorecidos.

O partido do candidato Paulo Rabello de Castro é o PSC, do pastor Everaldo, que não se identifica mais com Jair Bolsonaro. Esse estranhamento data do ataque de raiva de Bolsonaro, naquele debate da TV ano passado, quando não permitiu que Jandira Feghali, médica, atendesse seu filho, Flávio, que desmaiou no estúdio. O destempero do militar teria causado grande mal estar no partido cristão.

Rabello, com perfil de gestor, sem ser fundamentalista de mercado, um desenvolvimentista, bom de diálogo com a classe empresarial e com sensibilidade social, por sua postura e por tudo que disse, causou ótima impressão nos presentes, recebendo sua segunda ovação do dia (no bom sentido, hein, gente). Seria um novo José Alencar? Os dois eram amigos. As famílias são da mesma mineira Caratinga. Comigo, conversou sobre José, sua admiração, o empenho na redução dos juros, na transposição do São Francisco.

Um dos comensais, entusiasmado, comentou em voz alta: “Ele poderá ser o nosso Macron”. “Isso, naturalmente, se não houver um Lula no meio do caminho”, lembrou outro… Eu cá, pensei com meus botões (ih, minha roupa não tinha botões!): “se houver um Lula no caminho, Paulo Rabello de Castro é o José Alencar que ele tem pedido a Deus”.

Ah, o jantar foi para Lenise Figueiredo e o novo marido, Catito Perez, que governa a noite carioca (Hippopotamus, Bar Lagoa, Fiorentina), e quer também governar o Rio. Foi outra candidatura lançada e aplaudida à sobremesa. A campanha de Catito prospera no Facebook a cada dia, crescendo como uma bola de neve, com milhares de entusiasmadas adesões espontâneas. Por sinal, é o único candidato ao governo do Rio de que se tem notícia até agora, e vários partidos já se interessaram em chancelar seu nome. Catito reflete.

Afinal, Perez não é mais um solteiro, que age ao primeiro impulso, sem ter satisfações a dar. Catito é, há alguns dias, um homem casado. O civil foi discretamente, em sua Fazenda Guaritá, familiares e alguns amigos. O religioso, na capela ao pé do Cristo Redentor, em noite de forte ventania. Ricardo Amaral, presente com Gisella, lamentou à mesa não ter levado uma filmadora para registrar aquela manifestação impetuosa da natureza, durante a bênção católica. Bons augúrios.

Lenise e Catito se conheceram exatamente há 12 anos, num 30 de agosto, em Juiz de Fora, onde ele era O publisher importante da cidade e ela revia a família, durante as férias de seu trabalho como correspondente da Rede Globo em Roma. Catito ficou hipnotizado pelos olhos dela. Azuis. O romance de fato tem oito anos. Entre idas e vindas, Brasil-Itália, onde ela ainda vive. Um amor que resistiu até à distância.

Depois dos discursos vários, enaltecendo Lenise, ela se levantou e agradeceu, citando poesia de Fernando Pessoa. Falou breve, falou bonito como ela própria.

E a noite não acabou por aí… Houve o expresso na varanda, os licores, a Adega Velha há anos esperando ocasião especial, a conversa comprida e agradável que a gente não queria interromper nem sob a pressão do relógio e das responsabilidades do dia seguinte. Estar com bons amigos dá nisso.

Eliana Moura e Ricardo Amaral

Myrian Dauelsberg, Mônica Faria, Lenise Figueiredo Maria Célia Morais, Mariza Coser

Maria Teresa Jardim de Moraes e Douglas Fasolato

Lenise Figueiredo e Gisella Amaral

Djalma Moraes, Walter Morais, Ricardo Faria

Ricardo Faria, Rafael Fragoso Pires, Djalma Moraes

Guiga Corrêa Lopes, o pianista boulanger, autor das broas mais disputadas pelas minhas amigas

Márcia Müller assina o livro de presenças

Douglas Fasolato, Myrian Dauelsberg, Jair Coser, Paulo Rabello de Castro, Catito Perez

Catito Perez e Paulo Rabello de Castro

Catito Perez, Hilde Angel e Paulo Rabello de Castro

Mônica Faria e Mariza Coser

Douglas Fasolato e Maria Célia Morais

Lenise Figueiredo e Francis Bogossian

Jair Coser faz seu discurso saudando os candidatos… e tudo terminou em brindes. C’est la fête!

Fotos de Mr. A.

 

A estréia de Sylvia Crivella como anfitriã no Palácio da Cidade

A primeira-dama Sylvia Jane Crivella estreou como anfitriã no Palácio da Cidade com charme e correção. Coerente com o discurso do marido prefeito da Cidade do Rio de Janeiro, Sylvia abriu pela primeira vez as portas dos salões oficiais em Botafogo para um evento beneficente em que cada um dos 350 presentes adquiriu seu ingresso, contribuindo assim para uma causa importante: a aquisição de 110 cadeiras de rodas para a ABBR, instituição de reconhecida credibilidade, 63 anos de serviços médicos ortopédicos à população carente do Rio de Janeiro, referência de qualidade, 3 mil atendimentos ao mês, 60% elo SUS.

Foram 76 mil reais arrecadados entre os empresários, autoridades e personalidades presentes ao coquetel beneficente, com direito a um recital da pianista Fernanda Canaud e ao violino de Thiago Proença.

Sensibilizada, Sylvia Jane voltou sua atenção para aquela obra e reuniu um grupo expressivo de apoiadores do evento, que iam de A, de Alliance Decor Locações e Allure Eventos, a  B, de Baby Beef e Bloise Pâtisserie, C, de Camelia Flores e Copacabana Praia Hotel, E, de Exclusiva Office, F, de Felicité Bebidas finas, G, de Garibaldi, H, de Heckel Verri e Hotel​ Hilton Barra, M, de Mel Gastronomia (Buffet), N, de Nenena Brigadeiros, O, de Odonne Monteiro, R, de RC Models, S, de Spazio La Byancco, T, de Thelma Carvalho, e V, de Vinícola Aurora.

A ABBR penhorada agradece a todos, assim como Sylvia Jane várias vezes externou sua gratidão aos apoiadores.

Sylvia Crivella é a madrinha da campanha “Doe Mobilidade”, de doação de cadeiras de rodas, lançada em março deste ano pela ABBR. Atenciosa, Sylvia foi de mesa em mesa e cumprimentou cada convidado, um por um.

A primeira-dama entregou ao presidente e ao superintendente da ABBR, Deusdeth Nascimento e  Aquiles Ferraz Nunes, um cheque simbólico no valor de R$ 76 mil, para a compra de mais de 110 cadeiras de rodas. A instituição retribuiu presenteando Sylvia Jane presenteando-a com uma paisagem do Rio pintada por um deficiente, sem as mãos, com o uso da boca. 

Com a primeira-dama Silvia Jane Crivella, no Palácio da Cidade, os amigos da Rede Record Rio, que apoiou a campanha. À esquerda, na foto, o diretor de marketing da emissora, Thomaz Naves. 

Silvia Jane cercada pelo ‘dream team’ feminino que a apoiou no evento, entre elas,  Valéria Valenssa, Kristel Byancco, Leila Albuquerque, Maria Araújo, Alice Tamborindeguy, Maria Luiza Nobre, Eliane Ovalle e Márcia Veríssimo. No contexto, o bendito-o-fruto Franklin Toscano, influenciador digital.

Uma Academia perpetua a memória de seus membros, que, através de sua obra, se fazem imortais

A Academia Brasileira da Moda, ABM, vocês sabem, é um braço do Instituto Zuzu Angel, IZA, que criou o primeiro curso de graduação em design de moda do Estado do Rio de Janeiro, então coordenado por ele na Universidade Veiga de Almeida, em 1994. Isso foi há 23 anos. Foi o terceiro do país. O mais antigo foi o da Faculdade Santa Marcelina, em São Paulo, há 30 anos. Depois, veio o do Anhembi-Morumbi. Hoje, somos o país com mais cursos de graduação em moda no mundo! São em torno de 150.

O novo acadêmico Luiz de Freitas, com as freirinhas Irmã Carmem e Irmã Maria Aparecida e Lucimara Chaves, diretoras das faculdades de moda Santa Marcelina, do Rio de Janeiro e São Paulo, a primeira do Brasil. O professor João Braga é um dos mestres de seus cursos.

O ensino acadêmico não pode prescindir da memória acadêmica, por isso o IZA criou a ABM.  O que faz uma Academia? Ela procura perpetuar a memória daqueles criadores e pensadores originais, que merecem ter sua obra e suas reflexões conservadas, na História, para bem do conhecimento da posteridade. É este e tem sido o empenho da ABM, em seus 22 anos, não circunscrevendo seu interesse à produção de Rio de Janeiro e São Paulo, mas abrindo o foco até as mais longínquas geografias.

Com Dóris e Rui Spohr, mais de 60 anos de moda, 89 de idade, primeiro brasileiro a estudar moda na França, descobriu e lançou a modelo gaúcha Lucia Curia, e muitas histórias e histórias sobre a moda brasileira e internacional  

Na posse no Palacete Cesgranrio, tivemos o decano, atual maior nome da haute couture nacional, Rui Spohr, do Rio Grande do Sul. Rui falou com propriedade, lembrando que há uma importante moda pulsante pelos quatro cantos do Brasil, que deve ser enaltecida e prestigiada. Esta tem sido a orientação da ABM, que na composição de suas 50 cadeiras tem representantes de todo o país e, para propor nomes a ocupá-las, acompanha com atenção a moda e seus criadores.

Como prometi, aqui vão mais registros fotográficos daquela noite da posse dos três novos membros da ABM, reunindo não só quem faz moda, mas também quem veste moda e a prestigia. Além do gaúcho Spohr, foram empossados o professor e enciclopedista fluminense João Braga, radicado em São Paulo, e o criador e revolucionário de nossa moda mascuina, Luiz de Freitas, nascido em Pau Grande, a terra do craque Garrincha.

O professor João Braga tem vários títulos publicados sobre moda, inclusive uma enciclopédia – História da Moda no Brasil. Ministra aulas e cursos em inúmeras faculdades de moda. Em São Paulo, na Santa Marcelina, na FAAP. Em Minas, na Universidade de Juiz de Fora, de onde veio uma comitiva de professores prestigiá-lo. João, na foto com Heckel Verri, maranhense, que conquistou cariocas e paulistas com sua moda clássica e elegante, em sua rede de lojas RJ-SP.  

A estilista Lucília Lopes, 2ª Secretária da Academia Brasileira da Moda, à mesa da solenidade. Diante dela, os porta retratos do atelier residência de Guilherme Guimarães, que hoje constam do acervo da Casa Zuzu Angel de Memória da Moda

Fui receber à porta do Palacete Cesgranrio nossa Imortal das bolsas, Glorinha Paranaguá, que ocupa a Cadeira Carmen Miranda

Na mesa acadêmica, homenagem a Guilherme Guimarães, com as cortinas de cânhamo de seu atelier e  seus porta retratos. Fotos do costureiro com sua mãe, com Yara Andrade, Glorinha Paranaguá, Celita Procópio, Christian Lacroix, Oscar de La Renta, Thereza de Souza Campos, Laís Gouthier, Eleanor Lambert…

Caravana 1

Caravana 2

Várias caravanas de admiradores do professor João Braga se organizaram para assistir à sua posse na Academia Brasileira da Moda. Caravanas de professores de moda de Juiz de Fora, de fãs de São Paulo, onde ele vive, e de Paraíba do Sul, onde tem suas raízes.  Um big ônibus interestadual e duas vans estacionaram diante da entrada do palacete.Os admiradores também cercaram o grande renovador da moda brasileira masculina, o querido da moda show, da moda samba, da moda trans, da moda divine, da moda Wonderful, da moda em geral, Luiz de Freitas, aqui à esquerda. No centro da foto, a estilista Carla Roberto.

Nina Kauffmann entre Cecilia Garotti e Jessica Garducci

Pedro Silva e Marcelo Borges

Miriam Gagliardi de sapatilhas douradas e Paulo Barragat

Priscila Rica, linda filha do homenageado da noite, Marco RicaLonga vida às longas pernas da Verinha Bocayuva e ao meu palazzo pijama bois de rose by Heckel Verri!

A acadêmica Celina de Farias, 1ª secretária da ABM, e Roberta Aguiar, que fez o cerimonial da festa

Angela Fragoso Pires e Maria Célia Moraes

Andréa Cardoso, Sebastião Marinho e Sylvia de Castro, o reencontro de uma equipe

Rogério e Tereza Vaz

Suzi Cantarino e Alberto Sabino, o estilista das bijuterias

Mary Marinho e Harold Costa, meu confrade na Academia Brasileira de Artes

Com Ricardo Castro, que pontificou na moda carioca com sua Movie, e Vanja Chermont de Britto

O novo Imortal João Braga e o estilista Heckel Verri

Mauricio Bogossian, Francis Bogossian, Aloysio Maria Teixeira e Ricardo Oliveira Filho

Com Rosane Castro Neves, amiga-irmã

Com Simone Costa Ávila, conservadora do Acervo Documental da Casa Zuzu Angel, e a conselheira Lucília Lopes

Celina de Farias e Alice Tapajós

A imortal Glorinha Paranaguá e as irmãs Bogossian, the girls from Ipanema 

Encontro da alta costura com o prêt à porter: Lucília e Luiz

Glorinha Paranaguá e Silvia Fraga

Aplausos aos novos acadêmicos

Marcelo Borges e Lu Catoira, do Senai/Cetiqt

Vera Bocayuva, Iolanda Figueiredo, Yara Figueiredo, Carlos Alberto Serpa e Henriqueta Hermanny

A rosa de prata e brilhantes de Iolanda Figueiredo 

Fratton e Freitas

A família Araújo: Dara Chapman, Gilson, Helenita, com seu tailleur Oscar de La Renta, Gilsinho e a pequena Ana Carolina

Francis, Hilde e Yone Kegler

E, para encerrar esta galeria de fotos em grande estilo… A pele azul nas mangas do tailleur de Eliana Moura e o foulard roxo de Angela Fragoso Pires quebram a “sinfonia dos pretinhos” de Eliana, Isis Penido, Glória Severiano Ribeiro e Angela. Duas ruivas e duas louríssimas.

Fotos de Marcelo Borgongino e Sebastião Marinho

 

Em seu 22º ano, a Academia Brasileira da Moda realiza sua mais concorrida sessão de posse

A Academia Brasileira da Moda é um órgão estatutário do Instituto Zuzu Angel, o IZA, primeira ONG de moda do país, fundada em 1993.

Somos uma Academia jovem, inaugurada no encerramento do I Congresso Brasileiro da Moda – I Cobram – realizado por nós no campus da Universidade Veiga de Almeida, a UVA, com a presença de grandes da moda internacional, como Hubert de Givenchy, Oscar de La Renta, Philipe Venet, Eleanor Lambert.

Na ocasião, em 27 de novembro de 1995, tendo dona Mena Fiala como presidente da Academia Brasileira da Moda, ocupando a Cadeira Nº 6, que leva o nome de sua irmã, Candida Gluzman – que traçava os bordados da Casa Canadá – tomaram posse o carnavalesco Joãosinho 30, na Cadeira Nº 5, cujo patrono é Arlindo Rodrigues; a figurinista de teatro Marie Louise Nery, Cadeira Nº 3, de Jean Baptiste Debret; o jornalista Fernando de Barros ocupou a cadeira Nº 4, patrono Lívio Rangan; a jornalista Elza Marzullo, a Cadeira Nº 2, cujo patrono é Alceu Penna.

Em 1999, dia 30 de março, houve uma outra solenidade de posse, quando passei a ocupar a Cadeira Nº 1, patronímica de Zuzu Angel, minha mãe, e sucedi a dona Mena Fiala, falecida, na presidência. As jornalistas de moda Costanza Pascolato, na Cadeira 8, patrono Dener; Gloria Kalil, Cadeira 28, patrono Aparício Basílio da Silva; e Celina de Farias, sucedendo a Elza Marzullo, na Cadeira Alceu Pena, ascenderam à Imortalidade na Moda. Bem como a estilista de bijuterias Ethel Moura Costa, a estilista de alta costura, Lucília Lopes, e a designer de moda Maria Cândida Sarmento, da marca Maria Bonita.

Dia 8 de novembro de 2004, posse dos seguintes acadêmicos: Francisco Carlos Ferreira, na Cadeira Nº 6, sucedendo a Mena Fiala.  Na Cadeira 4, sucedendo a Fernando de Barros, a jornalista Iesa Rodrigues. Na Cadeira 19, cujo patrono é Isidro Herrera, a figurinista de cena Kalma Murtinho. Na Cadeira 17, patrono Markito, a pesquisadora Laís Pearson. Regina Guerreiro passou a ocupar a Cadeira 12, de George Henri, sucedendo a Maria Cândida.  A carnavalesca Rosa Magalhães, na Cadeira 16, do designer de fantasias de luxo, Evandro de Castro Lima. A jornalista Ruth Joffily, cadeira Nº 40, do seu editor de moda na Bloch, o saudoso Roberto Barreira. O promotor do São Paulo Fashion Week, Paulo Borges, ganhou a Cadeira Nº 42, batizada com o nome de Giorgio Knapp, o idealizador das semanas de moda.

Os Imortais da Moda Rosa Magalhães, Paulo Borges, Laís Pearson, Kalma Murtinho e Ruth Joffily com suas capas e colares acadêmicos

Em 28 de outubro de 2008, no Palácio das Laranjeiras, houve quatro posses. Do estilista de alta costura Guilherme Guimarães, na Cadeira Nº 14, levando o nome de Gil Brandão. Na Cadeira Nº 26, de Carmen Miranda, a estilista de bolsas Glorinha Paranaguá. Na Cadeira Gregorio Faganello, a de Nº 15, o designer Ronaldo Fraga. A promotora de feiras e semanas de moda, Eloysa Simão, inaugurou a Cadeira Nº 30, cujo patrono é Mauro Taubman.

Guilherme Guimarães recebeu seu diploma da Academia Brasileira da Moda no Palácio das Laranjeiras, com jantar de gala, quando também se tornaram Imortais da Moda Eloysa Simao, Glorinha Paranaguá e Ronaldo Fraga. A maioria dos Imortais compareceu, do Rio e dos demais estados.

Nesta sexta-feira, o Palácio Cesgranrio iluminou-se pleno para receber os nomes da moda e seus admiradores, na noite em que seriam celebrados acadêmicos três nomes indiscutíveis da moda brasileira. A saber:

O enciclopedista, pesquisador e professor de moda, ocupando a cátedra há 30 anos João Braga. Ele preenche a Cadeira Nº 39, com o nome do visionário e realizador Caio de Alcântara Machado, o “inventor” das feiras têxteis e de confecção do país, a Fenit e a Fenatec, em São Paulo. Grande impulsionador de nossas indústrias, atraindo a atenção da mídia e dos compradores do exterior para a moda brasileira.

João Braga demonstrou seu enorme prestígio. Um ônibus com admiradores, vindos de Paraíba do Sul e São Paulo, desembarcou na porta do Palácio Cesgranrio.

João Braga, que foi saudado por Celina de Farias, assina o Livro de Posse e exibe o Diploma Acadêmico, que ele assinou com uma pena de prata levada consigo, uma peça de antiguidade, e a irmã coloca seu colar.

O artista revolucionário Luiz de Freitas, que se notabilizou pela moda masculina, com a marca Mr. Wonderful. Sempre transgressor, inovador, desafiando padrões, propondo liberdade. O preferido dos artistas, que se identificam com tudo que cria, dos sambistas, de quem pensa e faz diferente. Luiz ocupa a Cadeira Nº 21, do artista modernista Flavio de Carvalho, que foi tão especial em suas múltiplas artes quanto ele é na moda.

Foram momentos de emoção forte. Lágrimas respingaram aqui e ali, quando Cristina Franco revelou, no texto lido pela secretária geral da ABM, Ruth Joffily, que Luiz de Freitas chegou a dormir em bancos de praça até surgir a primeira oportunidade de trabalho. Nesses tempos atuais em que vemos moradores de rua serem tão maltratados, faz refletir…

Esse Luiz “sem teto” tornou-se a luz no fim do túnel de uma moda masculina obscurecida pela falta de novidade e de coragem, intimidada por medos e preconceitos. Ele irradiou liberdade, cor e alegria. Fez maravilha, foi wonderful demais, foi Mr. Wonderful, e ainda é. Escreveu seu nome na moda brasileira de um jeito diferente, singular, impetuoso, artista. E todos dobraram os joelhos, curvaram as cabeças, lhe prestaram honrarias, vassalagem, respeito.

Ave Luís, Ave Wonderful, Ave Maravilhoso Maravilha! A moda brasileira lhe deve mais do que títulos, lhe deve todos os aplausos, toda a fama e toda a prosperidade.

Doninha, braço direito de Luiz de Freitas toda a vida, foi quem ele escolheu para colocar seu colar acadêmico

Como todo mito e gênio (ele é assim considerado), Luiz de Freitas é simples, humilde mesmo. A horas tais, disse-me feliz, cheio de encantamento: “Não pensei que fosse tão amado. Muitas pessoas vieram dizer que me amam”. O Luís é lindo. 

O terceiro a receber seu colar acadêmico foi o decano da alta costura brasileira, o gaúcho Rui Spohr, 89 anos de idade, mais de 60 de ofício. Contemporâneo de Yves Saint-Laurent e Karl Lagerfeld na École de la Chambre Syndicale de la Couture, em Paris. Rui Spohr integrou, nos anos 60, o time de estilistas coroados nacionais, pinçados a dedo, que realizavam coleções para os desfiles-show da Rhodia. Naqueles circuitos fashion, ele dividia os quartos de hotel, com Guilherme Guimarães.

Com a morte recente do estilista carioca Gui-Gui (também nascido no Rio Grande do Sul), Rui passa a ocupar sozinho o trono de mais importante nome da nossa haute couture, com sua história e vivência, junto aos grandes da moda. Foi ele quem lançou a modelo Lucia Curia, que depois se tornou a manequim vedete de Chanel e de Valentino.

A pesquisadora de moda Renata Fratton saudou o imortal gaúcho Rui Spohr

Rui vestiu e ainda veste, desde sempre, as mulheres mais elegantes do Sul do Brasil. Das Sirotski às Silveira, das Gerdau às Chaves Barcelos. Quem lhe colocou o colar foi sua mulher, Doris, que o acompanha, na vida e no trabalho, braço direito e coração, desde o princípio. Linda história ali contada.

Foi inspirador o beijo terno, na boca, das duas cabecinhas brancas, Rui e Doris, ali diante de nós, comovidos, profundamente emocionados, ao receberem a homenagem.

Doris Spohr, mais de 60 anos de casamento e companheirismo no trabalho com Rui, colocou-lhe o colar, foi uma cena de afeto e cumplicidade. A filha, a neta e o genro na plateia

Rui fala à plateia superlotada, gente de pé, sobre sua experiência de vida e de moda

E como havia gente! O triplo do projetado. Mas, quando a boa vontade é grande e o coração fraterno, tudo se multiplica, inclusive o espumante e os canapés, como aconteceu naquela noite, que começou às 6 da tarde e se estendeu até às 22 horas, no machadiano Rio Comprido, num prédio com lendas passadas românticas, contadas de boca em boca, onde teria vivido a amante de um prefeito do início do século passado, que generosamente ofertou a ela tal belezura pra morar…

A secretária geral Ruth Joffily lembrou o saudoso e grande designer do Grupo Moda Rio, Marco Rica. Foi um momento emocionante.

A mesa ficou de pé, solene, em respeito à memória de Marco Rica. Foi o encerramento da cerimônia, com a presença de toda a família Rica, uma linda família comovida, como todos nós. Marco Rica tem sua história profissional preservada na Casa Zuzu Angel de Memória da Moda do Brasil, onde está guardada sua iconografia e peças de moda criadas por ele. 

A mesa da solenidade tinha, nas extremidades, as cortinas de cânhamo e seus prendedores de bronze, do atelier de Guilherme Guimarães, que hoje pertencem ao acervo da Casa Zuzu Angel de Memória da Moda. Tratava-se de uma homenagem ao estilista falecido, bem como os porta-retratos de seu bureau, com suas amigas e admirações. Havia também um porta retrato com foto de Marco Rica.

Sentados à mesa, os presidentes da Academia Brasileira de Educação, professor Carlos Alberto Serpa, da Academia Nacional de Engenharia, engenheiro Francis Bogossian, da Academia Brasileira da Moda, jornalista Hildegard Angel, e a secretária geral, Ruth Joffily, as 1ª e 2ª secretárias da ABM, Celina de Farias e Lucília Lopes.

Highlights da festa:

Iolanda Figueiredo com seu turbante avassalador e o redingote longo; Vera Bocayuva com suas pernas inteiraças; o visual luxuoso do quinteto “Idinha Seabra-Eliana Moura-Isis Penido-Angela Fragoso-Glória Severiano”; a onça da Tania Caldas; o jacaré da Miriam Gagliardi, o dragão da Marga Padilha; a roupa de fibras by Marcia Ganem da Suzi Cantarino; as bolinhas de ouro da Henriqueta Hermany; a bolsa-saco noir et or de Glorinha Paranaguá; o look preto e branco de Silvia Fraga; o bois de rose by Patricia Bonadio de Nina Kauffman com bolsa bordada de Dolce Gabbana; o look calças cigarette de Lu Catoira; o veludo molhado de Yara Figueiredo; as franjas de lã mohair e canutilho da saia de Lucília Lopes; o tailleur Oscar de La Renta de Helenita Araujo; o terno cinza com boina amassada igual de Luiz de Freitas; o bem cortado blazer branco da freirinha diretora da Faculdade de Moda Santa Marcelina; a frente única preta de tafetá com bolas brancas aplicadas e xale de tafetá vermelho da gaúcha Renata Fratton; a parure de coral e turquesa de Teresa Vaz; o broche de brilhantes de Maria Célia Moraes; o blazer de lã com saia de renda da Vanja Chermont; a elegância de Aloysio Maria Teixeira, Marcio de Oliveira Dias, Heckel Verri e Luis Fernando Santos Reis; o ‘conjunto da obra’ de Marco Rica: seus filhos todos bonitos.

Fotos de Marcelo Borgongino e Sebastião Marinho

Mais fotos virão, e comentários, aguardem, a colheita foi farta. Beijos… ou Abreijos como diz o jornalista Miro Borges…

Jair Coser, há 10 anos o Líder dos Líderes do café no mundo

Jair Coser, o grande nome desta semana em que tantos nomes se apequenaram. Ele foi eleito nacionalmente por votação eletrônica o Líder Empresarial do Ano 2017, na premiação Líderes dos Líderes. Décima vez que conquista tamanha gloria. Foi por ser o Maior Exportador de Café do Espírito Santo, do Brasil e do Mundo! E sempre com a mesma simplicidade, o mesmo sorriso, a mesma doce Mariza, a quem entregou seu troféu quando chegou em casa, vindo de Vitória, onde foi a solenidade. Mariza é a mulher mais feliz e completa desta Terra. Jair, um vencedor vitorioso. E eu sou admiradora deste casal 😍

Nesse momento dramático nacional, fala Jandira!

A deputada federal carioca Jandira Feghali acaba de sair de uma reunião com seus pares em Brasília, e divulgou um vídeo, relatando os momentos dramáticos que antecedem a decisão de hoje, na Câmara dos Deputados, que definirá o destino de Michel Temer, e orientando os cidadãos brasileiros sobre como agir.

Punhos fechados, braços estendidos, hinos de luta, a platéia negra não decepcionou Angela Davis

Angela Davis, a líder dos Panteras Negras, militante do movimento negro dos EUA nos 60′, chegou à Bahia e foi recebida como pop star. Punhos fechados, braços estendidos, hinos de luta, a platéia negra não a decepcionou.
Respeito a auto estima do negro baiano, que cultiva sua ancestralidade, sua africanidade, mais do que os negros do resto do Brasil.
Assisti semana passada na ABL ao discurso do historiador João José Reis, que aborda em sua obra o tema escravidão no Brasil, origem, fatos, consequências.
Corajosamente, ele disse tudo que aquela audiência precisava ouvir. É branco, mas é baiano.
As cotas provaram ser um sucesso. Devem prosseguir e ser expandidas. O racismo deve ser enfrentado e combatido. O negro, valorizado na sua presença forte na memória brasileira, na literatura, na ciência, em todos os momentos pontuais de nossa vida.
O negro teve papel importante na construção da História do Brasil, em todos os níveis e segmentos. Não foi nem é mero fenômeno ou acessório. Mas tal reconhecimento só acontecerá a partir de movimentos organizados, como esta manifestação na Bahia, punhos fechados e hinos em altos brados. Impressiona, faz estremecer a alma brasileira. Desperta o gigante.
Bem-vinda Angela Davis!

O que seria do frio social carioca se não houvesse o calor disseminado pelo Pinho?

Não, queridos, não é o calor do Pinho, que arde nas lareiras elegantes de Itaipava, ou muito menos do Pinho, que estala nas fogueiras das festas julinas petropolitanas. O Pinho a que me refiro é o sobrenome Araujo Pinho, da Maria Alice, a responsável, como sempre, por esquentar a temporada friorenta do Rio de Janeiro, com os festejos de seu aniversário, do qual, de fato, ninguém lembra direito a data justa, pois são tantos os almoços, chás e jantares que a celebram, que o dia D em si passa a ser mero detalhe, pretexto para o congraçamento de um grupo social realmente elegante, cada vez mais restrito, ensimesmado em seus requintes, e sem se ressentir disso. Ao contrário, feliz por encontrar afinidades entre iguais, com uma intensa atividade cultural, compartilhando filmes, estreias de teatro, temporadas eruditas, vernissages, visitas a museus, discussões literárias, sobre negócios, geopolítica, frissons de elegâncias.

Eles e elas se completam, tendo a afetuosa casa de Maria Alice e João Maurício como o obrigatório ponto de encontro semanal, aos sábados sempre, com a projeção dos filmes em lançamento, ou já consagrados, e as trocas de impressão posteriores, em volta da mesa, degustando comidinhas saborosas.

Por isso tudo e muito mais, todos querem celebrar Maria Alice. Como aconteceu em mais este jantar da longa série, que mostro nas fotos abaixo de Mr. A.  

Espelho, espelho meu, onde está Maria Alice de Araujo Pinho?  “Refletida na minha extrema direita”. – Ah, bom, obrigada!

A aniversariante Maria Alice de Araujo Pinho e Belita Tamoyo

Servindo Gilbertinho Buffara

Luciana Araujo Pinho e Mirtia Gallotti

Belita Tamoyo, first lady forever

Embaixatriz Sandra Naslausky e Moema Jafet

Manuel Pereira Lopes, Mauricinho Araujo Pinho e Fabio Cuiabano

Hilde e Sergio Chemont de Britto

Maria Helena Chermont de Britto

Francis Bogossian e Luiz Fernando Santos Reis

The girls: Maria Helena, Belita, Moema, Luciana, Maria Alice

Os rapazes: Sergio, Luiz Fernando, Manuel, João Mauricio Araujo Pinho e embaixador Marcos Cesar Naslausky

The table

The table 2:  Marcos Cesar e Maria Alice em momento divertido – até o garçom achou graça

The Table 3: Deve ter sido engraçado mesmo – Mauricinho Pinho e Sandra Naslausky

Maria Helena e Buffara conferindo a selfie

Completando a tela abstrata, a elegância de Luciana Pinho, Sandra Naslausky, Maria Helena Chermont, Moema Jafet e a exclamação parada no ar de Mirtia Gallotti

 

Para historiadora, massacre diário de 12 anos teria contribuído para morte de Marco Aurélio Garcia

Morreu Marco Aurélio Garcia. E quem foi Marco Aurélio Garcia?

Foi um dos idealizadores de uma política externa brasileira digna e altiva, desconstruindo o ancestral “complexo de vira lata”, fazendo do Brasil, então subserviente ao “primeiro mundo”, um ator protagonista no cenário internacional, uma liderança solidária e integrada à América Latina.

Professor aposentado do Departamento de História da Unicamp, ele dividiu a formulação da política externa com o Itamaraty, na condição de assessor dos governos petistas. A cooperação com países da América Latina, a articulação dos Brics, bloco formado por Brasil Rússia, Índia, China e África do Sul, foram iniciativas que levaram as digitais de Garcia.

Apesar das críticas de que fora uma postura ideológica, o que ele negava, os superávits comerciais advindos da relação com os governos latino-americanos de esquerda provaram que Garcia estava certo.

Bem, eu não tive proximidade com Marco Aurélio Garcia, apesar da admiração. Mas o jornalista Gilberto Maringoni teve. E escreveu belo depoimento a respeito na Carta Maior, que tomo a liberdade de reproduzir aqui, a quem interessar possa. Como homenagem a quem bem merece,

ALGUMAS COISAS SOBRE UM GRANDE CAMARADA
(Gilberto Maringoni / Via Carta Maior)

1.
Marco Aurélio Garcia era um sujeito atípico. Mesmo sendo um dos personagens centrais dos governos lulistas, tinha zero de pose ou vaidade. Sempre falou de forma franca e aberta e separava aliados de adversários com nitidez. Aliados não eram os que concordavam totalmente com suas ideias, mas os que se perfilavam num mesmo campo, independentemente de diferenças pontuais.

2.
Marco Aurélio morava em um edifício dos anos 1950, na  praça da República, centro de São Paulo, que mereceria um trato na parte externa. Não tem luxos ou nome francês, marca de condomínio de classe média. O amplo apartamento é um caos em vias de organização, como ele definiu quando estive lá para um almoço, em março deste ano. Livros em profusão, DVDs e CDs – sim, MAG ainda não baixava filmes ou músicas -, posteres, papeis e mais papeis e uma cozinha repleta de garrafas de rum de variadas marcas. Um agradabilíssimo bunker para sua imensa cultura e vivências de militância, enfrentamentos, exílio, estudos, andanças e formulações no governo ou fora dele.

3.
E o livro, Marco? Que livro? O livro que você deve estar escrevendo sobre o governo. Ele ri, maroto. Verdade, estou reunindo essa papelada, caixas e mais caixas, vou compilando, separando, pré-editando e tentarei dar forma. Para quando é, Marco? Não sei, pretendo ter tudo pronto lá para setembro do ano que vem. Cadê livro? Perdemos. Perdemos a memória privilegiada de quem colocou o Brasil no mapa-mundi, juntamente com Celso Amorim. Ele conta que ambos formaram uma dupla impressionantemente afinada, que não raras vezes se encontrava em aeroportos, um vindo, outro indo ou vice-versa.

4.
A partir daí, a conversa fluia. Qual a melhor versão do “Homem que sabia demais”, de Hitchcock, o da fase inglesa ou o da americana? Ninguém fala muito, mas os chocolates venezuelanos se equiparam a alguns dos melhores suíços. Tintin é o que de mais divertido foi feito na Europa em matéria de quadrinhos, apesar do reacionarismo de Hergé. Queria escrever como Garcia Márquez. A prosa de Marco era refinada e divertida, mesmo quando não se debruçava sobre seu tema de interesse desde os tempos do movimento estudantil, a política externa.

5.
Nunca soube porque Dilma não o nomeou chanceler. Talvez fosse falta de visão da mandatária numa área estratégica, como em todas as outras. Pois MAG consolidou uma vertente original nessa área, combinando interesses econômicos e políticos com uma visão anti-hegemônica clara. Sem fazer lobbies ou defender ganhos pessoais, firmou-se como leme de uma diplomacia que tinha o desenvolvimento e a construção de novas parcerias Sul-Sul como meta. É possível discordar de sua orientação, mas não duvidar de sua coerência.

6.
No governo, desenvolveu agendas por vezes estafantes, mas nunca deixou de atender pedidos para palestras ou debates. Foi um entusiasta da Conferência de Política Externa que montamos na UFABC, em 2013, com o esforço exemplar – entre outros – de Giorgio Romano, Gonzalo Berron, Igor Fuser, Iole Iliada Lopes e dezenas de professores, alunos, ativistas que – de forma injusta, eu sei – não vou conseguir lembrar aqui.

7.
Brincava comigo. Você é a direita do PSOL e eu a esquerda do PT. Ainda vamos estar no mesmo partido. Estivemos, por muito tempo, embora eu fosse um militante para lá de irrelevante. No fundo, Marco Aurélio era um dos raros que se batia por uma esquerda ampla, plural e afiada nos propósitos. Intelectual sólido, com trânsito entre vertentes políticas variadas de todo o mundo, MAG era de fato único. Não há outro semelhante ou substituto não apenas no PT, mas na esquerda brasileira.

8.
Eu estava numa banca de mestrado, quando, meio por acaso, vi a notícia de sua morte no celular. Uma pancada. Isabel Lustosa chama atenção para algo de suma importância: “A gente não pode deixar de pensar em como esse massacre diário, ao longo de mais de doze anos, deve contribuir para a morte de gente como Marco Aurélio Garcia”. Não podemos deixar de pensar nisso não. Ao mesmo tempo, é fundamental ver que, com toda a tensão, MAG jamais saiu da linha de frente dos combates, mesmo com custos políticos e pessoais altíssimos.

9.
Quando alguém como Marco Aurélio Garcia se vai, vale a pena olhar para o lado de lá, o lado da escória que nos assalta, e ver como eles são mínimos, medíocres e rasteiros. Se não existe um substituto do lado de cá, o lado de lá não tem figura que a ele se ombreie.

Nós não perdemos Marco Aurélio Garcia. Nós o ganhamos por 76 anos..