Ricardo Amaral, guerrilheiro do bom combate de transformar, agregar, amar o Rio, a Gisella, love is all

Ricardo Amaral, militante da noite carioca e internacional, não dá adeus às armas ou abre a guarda, mantém-se na trincheira do bom combate por aquilo em que acredita: a promoção do convívio através da alegria, da música boa, da interação de pessoas raras que poucos conseguem atrair e cativar. Um sedutor vocacionado para agregar, congregar, realizar e transformar, promovendo beleza e renovação. Combatente de sonhos, guerrilheiro de projetos que nunca se esgotam, Ricardo são dois, ele e Gisella, protagonistas únicos de um espetáculo de casamento, que se mantém campeão de audiência, sucesso de bilheteria, plateias superlotadas e cortinas de veludo abertas há seis décadas, tanto na vida íntima e familiar quanto na profissional. Eles se complementam e são indissolúveis. Um sem o outro não é. Ele, ardente, humor explosivo, língua incendiária. Ela, branda, palavras suaves, atitudes gentis. Ricardo, arrebatado. Gisella, contida. Mas ambos igualmente vigorosos, energéticos e corajosos. Exercem juntos superações de todos os tipos. Sejam elas nas crises de saúde ou nos empreendimentos desafiadores. Ele se preocupa, ela reza. Ela se fragiliza, ele se desmonta. E assim caminham meus padrinhos, amigos queridos, minhas admirações. Sempre no ritmo de seu tempo, Amaral trouxe de volta ao Rio o Hippo, com um terraço charmoso para as sunset celebrations, e perpetua a memória da cidade em seu Rio Book. Ricardo que Ama a Gisella, que Ama a noite, que Ama o Rio, Ricardo que Amar All…. 

‘Catito mio’ ou ‘O Rio corre para Omar’, a campanha de Omar Peres ao governo do Rio já acontece até na TV

Omar Peres, o Catito, é dono das casas mais emblemáticas do Rio de Janeiro – a Fiorentina, o Bar Lagoa, o Hippopotamus. Já conduziu dois estaleiros, o Verolme e a Netumar. Tem uma cachaça com seu nome. Em sua fazenda Guaritá, desliza sobre trilhos uma Maria Fumaça autêntica. E é sobre os trilhos que ele pretende, como governador, reconduzir o Estado do Rio de Janeiro no caminho de sua antiga liderança do desenvolvimento e do progresso, contando para isso com a indústria naval, com a linha de montagem dos navios e com as encomendas da Petrobras, que deve voltar a gerar empregos aqui no Brasil, no Rio de Janeiro, não na China ou na Coréia, como passou a fazer.

Esse mérito ninguém lhe tira. O empresário Omar Resende Peres – o Catito – foi o primeiro a se apresentar, nas mídias sociais, como candidato independente ao governo do Estado do Rio de Janeiro.

Bem articulado, com um discurso objetivo e de fácil compreensão, em pouco tempo Catito conquistou uma grande legião de seguidores, admiradores fiéis, que tudo comentam e quase tudo aplaudem. São votos garantidos. Com este animado e super participativo nicho eleitoral do Facebook, a campanha de Catito só cresceu. Em seguida, veio o slogan, muito bom por sinal, O Rio corre para Omar (lembrando O Rio é Nilo, de Nilo Baptista quando foi candidato à reeleição). Um jingle também foi composto e gravado por uma eleitora entusiasta de suas ideias. Eu, pessoalmente, optaria pelo já consagrado Catito mio

Quanto ao partido, Catito negociou com o presidente Lupi, do PDT. A legenda não lhe foi negada, mas também não foi ainda confirmada, Catito é pré-candidato. O que não o impede de continuar firme em campanha pelo Face, já em viagens pelo interior do estado e concedendo entrevistas à mídia impressa e à TV. Como a dada sábado à noite ao programa do jornalista Ricardo Bruno, Jogo do Poder, na CNT.

Catito já acertou ao optar pelo PDT, na esteira do carisma de Leonel Brizola, cuja memória ressurge com enorme força neste momento brasileiro. Ao olhar da História, Brizola cresce por sua sabedoria política e a singular sensibilidade social. Na entrevista à CNT, o pretendente ao governo do Rio demonstra conhecer as necessidades do Estado e ter pronto um projeto para ele. Deveria ser o beabá de qualquer candidato, mas não é o que acontece.

Empresário da indústria naval, Catito escolheu apresentar-se ao eleitorado com seu perfil empresarial, não o de político, apesar de já ter ocupado uma secretaria no governo de Itamar Franco, em Minas Gerais. Sabe que, hoje, experiência no poder público não qualifica. Ele tem uma proposta para o Rio de Janeiro, acredita na retomada de seu desenvolvimento através da indústria naval, vê nesse caminho uma saída. E tem argumentos. É animador assisti-lo.

No seu caldeirão de ideias que pretende colocar em prática, borbulha o legado humanista de Brizola. Critica os “mandados coletivos de busca”, que autorizam revistas indiscriminadas, pela polícia, das casas dos moradores das favelas, “onde 99% são pessoas de bem”, e sonha sonhos de Darcy Ribeiro, por um ensino escolar abrangente, que forme cidadãos plenos, preparados para viverem este grande desafio que é ser brasileiro.

Se Catito for eleito, teremos uma primeira dama bonita e preparada. Ex-correspondente internacional da Rede Globo na Itália por muitos anos, Lenise Figueiredo ainda vive em Roma, com seus dois filhos, e faz com frequência a ponte aérea Roma-Rio-Roma para estar ao lado de Omar.  Foto de José Peres.

Nas frigideiras do noticiário político espocam, como pipocas, nomes para cargos majoritários de candidatos impossíveis possíveis. O ano 2018 bate à porta e estamos todos ainda no ar. Fora do ar. Sem ar. Os ares da política nos intoxicam. A tradição política, em vez de contar pontos para os concorrentes, subtrai.

A maré está pra Bernadinhos e Hucks. Até já emplacou um Doria na maior prefeitura do país – no momento lutando com bravura para interromper a oscilação (pra baixo) do ponteiro de sua popularidade.

Com episódio racista de Waack, todos os jornalistas globais descem do pedestal, diz site da imprensa

Reproduzo aqui a excelente análise de Pedro Zambarda para o Portal Comunique-se, de acesso exclusivo dos profissionais da imprensa, sobre o episódio da frase racista proferida pelo apresentador do Jornal da Globo William Waack. Para Zambarda, os jornalistas globais, depois disso, não estão mais imunes às críticas. Desceram de seu inacessível pedestal.

 

 

Pedro Zambarda 

Pedro Zambarda é Jornalista e escritor. Teve experiência na Editora Abril (EXAME.com) e Globo.com (TechTudo). Atualmente, é editor dos projetos Drops de Jogos e Geração Gamer, além de colunista da rede social Storia e repórter do site Diário do Centro do Mundo DCM.

 

O episódio da frase racista dita pelo jornalista William Waack num intervalo durante cobertura feita pela TV Globo da eleição presidencial norte-americana, divulgada um ano depois, teve reação imediata das pessoas na internet.

A primeira onda foi categorizar a frase “é coisa de preto”, entre risadas, como racismo. A Globo, como reação, afastou Waack no mesmo dia do ‘Jornal da Globo’ e do ‘GloboNews Painel’.

A segunda onda veio de jornalistas muito bem pagos e prestigiados de outras emissoras, além de um juiz do STF. Augusto Nunes, Reinaldo Azevedo, Demétrio Magnoli, Rachel Sheherazade, Gilmar Mendes, Rodrigo Constantino e grandes nomes opinativos da direita conservadora mídia foram defender a “biografia de William Waack”. Relembraram sua competência como correspondente de conflitos armados, conhecedor da Europa e outros feitos, como sobreviver a um sequestro de grupos de Saddam Hussein na Guerra do Golfo. Enquadraram a frase racista como “erro”, “tribunal de Facebook” e “patrulha das redes sociais”.

Tentaram, em suma, dar uma passada de pano no colega. Uma curiosidade levantada pelo jornalista Anderson Scardoelli, editor deste Portal Comunique-se, é que nenhum deles é da Rede Globo. A emissora, pasmem, não descartou crime de racismo e nem censurou o ator Lázaro Ramos, que criticou abertamente Waack.

E o que aprendemos neste episódio protagonizado por William Waack? O jornalismo sacralizado de âncoras da TV Globo não está mais imune aos deslizes da ética.

Nada adiantam grandes salários, grandes audiências e nem mesmo uma grande biografia profissional para dissociá-la da falta de ética cotidiana. Se William Waack realmente partilhasse de princípios democráticos, talvez não faria alguns comentários que fez durante o impeachment de Dilma Rousseff. Procuraria um certo distanciamento crítico acerca das próprias opiniões. Sacralizado, ele achou que podia fazer o que quisesse, no ar ou fora do ar.

E não faria “piadas” de cunho racista em ambiente profissional que foram vazadas pelo operador de VT Diego Rocha Pereira e pelo designer gráfico Robson Cordeiro Ramos. Os dois se queixaram que aquela não era a primeira vez que William Waack falava algo racista e saía impune.

E o que aprendemos neste episódio protagonizado por William Waack? O jornalismo sacralizado de âncoras da TV Globo não está mais imune aos deslizes da ética.

Dessacralizado, o jornalismo mais honesto pode ser praticado diante do público.

Por isso, é importante enquadrar o episódio de Waack da forma que realmente ocorreu, sem poupá-lo das críticas pelo seu preconceito.

 

‘É coisa de preto’ do Waack impacta o país e promove detox do racismo na alma brasileira

O impacto causado pelo vídeo em que William Waack, entre palavrões, vomita frases racistas – “só podia ser coisa de preto, coisa de preto” – ao mesmo tempo, em que foi um grande desserviço para a carreira do jornalista, prestou imenso serviço à causa racial no Brasil, que em poucas horas galgou novo e mais elevado patamar.

O choque provocou uma catarse da consciência geral da Nação quanto ao incontestável racismo que ela evita assumir, um detox do preconceito em cada indivíduo, alcançando os escaninhos mais recônditos do que de pior o brasileiro busca esconder. Foi um despertar necessário, reacendendo a discussão sobre cotas raciais e revelando em sua plenitude o óbvio e injusto cenário da desigualdade racial de nossa sociedade.

Do ‘episódio William Waack’, todos saímos melhores. Sua repercussão gigantesca mostrou um Brasil em estado de alerta permanente contra o racismo, que se apresenta como nosso calcanhar de Aquiles cronicamente machucado, tratado com band-aids, mas que no primeiro sapato apertado solta um “é coisa de preto!”.

Outro saldo positivo foi a farta produção de bons textos sobre o assunto. Textos jornalísticos, nos blogs progressistas, feicibuquis e circulando pelo What’s App. Enfim, autores inspirados nos brindaram com generosidade. Na safra desta semana, pincei dois textos. Um, do escritor Anderson França, em sua página do Facebook. Outro, da poetisa Elisa Lucinda, que circulou pelo What’s App. Deliciem-se.

O escritor Anderson França pergunta: “Onde mora o Waack dentro de você?”

Coisa de Branco / Coisa de Preto 

por Anderson França

Eu poderia escrever um texto incitando os sentimentos de vingança da massa, contra o William Waack.

Seria um texto ótimo.

Não tenho dúvidas, que seria um dos mais lidos hoje. Postado em outras páginas. Jornalistas ligando, pedindo entrevista. Pessoas amigas dizendo que, sim, é isso mesmo, pau no racista.

Mas uma coisa me chama a atenção, de maneira silenciosa. E mesmo que pouca gente leia, eu me dou por satisfeito.

Waack, daqui um mês, será lembrado como mais um racista do passado. E talvez seja difícil para ele recuperar seu posto numa bancada, talvez não na Globo, que se autodenomina a emissora de 100 milhões de “uns”.

Desses 100 milhões de uns aí, ela sabe, 54% são pretos.

E como disse um amigo, ninguém mais peita essa força da opinião pública. Para o mal, ou para o bem. Seja o Santander que cancela exposição de arte, seja a emissora que retira o jornalista da bancada.

A rede, como ele disse, é o quinto poder.

Tomara seja.

Mas o que me chama a atenção no caso do Waack não é ele, e sim a expressão que ele usa.

“Coisa de preto.”

Em resumo, deixa eu resumir mesmo o texto pra você que tá no trem e quer pensar: Onde mora o Waack dentro de você?

Porque essa expressão não foi criada por ele.
Ele ouviu de alguém. Eu diria que ele cresceu ouvindo isso. Logo, sua fala denuncia seus pais. Que provavelmente ensinaram isso a ele. E provavelmente aprenderam dos seus pais também.

E dos outros adultos. E dos outros pais. Amigos, colegas. Ele fez jornalismo na USP. Ele fez Ciências Políticas na Universidade de Mainz, na Alemanha. Ele trabalha na Globo. Ele mora num bairro nobre. Ele come num restaurante fino. Ele tem amigos importantes. Ele bebe vinho caro.

Quando chega o primeiro navio com pretos prisioneiros, chega também a primeira afirmação sobre eles, que eram animais, sem alma, intelecto, valores, princípios, modos, capacidade de relacionamento.

Quando o primeiro navio negreiro chega, quem anuncia sua chegada é um antepassado do William Waack.

Com o navio ancorado aqui na frente, no Cais do Valongo, o William Waack do século 16 está em frente a uma câmera, pronto para o link pra Portugal.

E os negros que saem do navio, debaixo de surra, gritam de dor.

Ali ele disse, pela primeira vez: “Sujeito de merda. Sabe o que é isso? Coisa de preto.”

A falta de uma mão no meio da cara, naquele momento, permitiu que essa expressão se perpetuasse.

Nunca discutimos o quanto essa expressão está nas nossas vidas. Pare e pense sozinho, se possível, com o computador fechado, para evitar que, sei lá, por telepatia seus pensamentos se tornem públicos.

Quantas vezes, nós já ouvimos e falamos isso?
Vou me colocar nesse lugar com você. Porque é isso: é ilusão pensar que só o Waack diz isso.

Eu digo, você diz, sua mãe, o pastor, aquela vó fofinha fazendo tai-chi-chuan, aquela feminista famosa, aquele socialista povão, aquele artista daora, aquele jogador que veio da favela, o taxista, o uberista  e o motorista de ônibus, o carteiro, o médico cardiologista, o psicólogo, o baterista daquela banda, sua esposa, sua prima, seu marido, seu filho,e o jornalista.

Todos nós hoje precisamos descobrir onde está o William Waack dentro de nós. E não tem desculpas. Tem que estudar. Tem que fazer terapia. Tem que priorizar isso.

Porque você sabe, e eu sei, os efeitos esmagadores do racismo na sociedade brasileira. A escravidão oprimiu pessoas que hoje vivem em desigualdade. Durante 400 anos foi isso, e os outros 117 não deram conta da desordem provocada pelo branco.

Se “coisa de preto” é tocar buzina, promover desordem, ser inconveniente, o que é a coisa de branco?

O matador da igreja? Coisa de branco. O Estado brasileiro falido? Coisa de branco. A vida de luxo que a filha do Eduardo Cunha tem? Coisa de branco. Luciano Huck, que apoiou todos os criminosos do Rio? Coisa de branco. Mallu Magalhães? Coisa de branco. Histeria na porta do Sesc Pompéia? Coisa de branco. Ir pro samba e sair de lá dizendo que somos todos humanos porque tem até amigos pretos? Coisa de branco. Esconder a bolsa no elevador? Coisa de branco. Se alguma feminista te oferece trabalho por moradia? Coisa de branco. Se você tá sendo demitido pra ser contratado nas novas leis que fuderam a CLT? Coisa de branco. Tá fechando a empresa porque a economia não te absorve? Coisa de branco. Tá sem merenda na escola? Coisa de branco. Não tem esparadrapo na UPA? Coisa de branco.

Fazer um barco, e sair pelos continentes estuprando, roubando, pilhando, destruindo e escravizando povos que criaram as grandes ciências da humanidade, para no futuro estabelecer uma sociedade baseada no capital onde apenas 8 pessoas se deram bem na vida?

Coisa de branco.

Mas a reflexão de hoje é: Onde está o William Waack dentro de nós. Esse dissimulado. Esse educado, de boas maneiras, que espuma pelo canto da boca, ele diz que não vai falar, mas ele não se controla, ele tá rindo sozinho, ele PRECISA falar, ele tá de piru duro e cu piscando. Ele precisa pingar ódio contra o preto.

Antes de atirar pedra no cara, dá uma passada no espelho do banheiro da firma. Porque o episódio do Waack não é um sinal verde pra você linchar ele, mas pra você descobrir o quanto você tem de semelhança, e meter o loko pra mudar sua cabeça.

Eu vou trabalhar. Trabalho é coisa de preto, mala de dinheiro é coisa de branco vagabundo. Eu vou por um Jazz nos fones. Jazz, essa invenção disruptiva com instrumentos europeus, que deu outro significado a música, coisa de preto. Vou aproveitar pra ler um livro sobre alternativas de país, um livro de Abdias. Coisa de preto. Vou assistir Toddy Ivon falando sobre bitcoin, economia do futuro, ou Adriana Barbosa organizando mais uma Feira Preta, ou Lázaro encenando mais uma peça, ou Obama dando mais uma palestra lotada, ou Pablinho Fantástico fazendo o riscado no passinho, ou Marcio Black peitando o sistema político, ou Ian Black sendo o único homem preto dono de uma grande agência em São Paulo, ou Beyoncé, amor, Beyoncé sendo a artista e investidora negra mais desejada pelo mercado americano, vou sonhar em ter a eloquência de Marcus Garvey, o intelecto de Dr. King, a escrita de Ta-Nehisi, a virtuose de Robert Glasper, coisa de preto.

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Elisa Lucinda: “O mundo pede abolicionistas modernos e quer saber de que lado você está”

Coisa de branco, até quando?

por Elisa Lucinda

Escroto, consciente, ativo, legitimado, estrutural, septicêmico em todos os órgãos da nação, o racismo de William Waack não é só dele. Essa é a pior notícia. “Coisa de preto” é subtexto corrente na mente de grande parte de uma sociedade criada sob os parâmetros da Casa Grande. O diabólico plano que começou com tráfico, tortura e assassinato do povo negro e que durou quatrocentos anos, é mais nefasto e homicida do que os cinco ou seis anos do holocausto judeu e essa dor a humanidade respeita mais. Não estou dizendo que uma dor é menor do que a outra. Mas afirmo que o holocausto da escravidão negra continua até hoje e não comove nossa sociedade. Não importa, em geral, a quantidade de negros sem nome, sem sobrenome nobre que é assassinada diuturnamente nas favelas e periferias deste país. Ainda rola no imaginário brasileiro a ideia obsoleta de que “preto bom é o de alma branca”, é o sem voz, e há neste imaginário uma desvalorização da etnia negra como se houvesse para isso alguma defesa científica que apontasse no DNA de uma raça sua propensão à sub-humanidade.

O que impressiona muito no vídeo do William é sua falta de conflito com o tema, seu conforto escancarado e muito bem acomodado dentro de sua convicção. Quando a Globo que, felizmente, com muita rapidez, prontamente se posicionou repudiando e afastando o jornalista, afirma que vai pedir esclarecimentos dos fatos dá vontade de ser uma mosquinha na cabeça deste profissional para ver qual será o melhor argumento nos bastidores dessa saída. A situação é indefensável. Não falou sem querer, não estava nervoso. Repito: trata-se de uma convicção. Absolutamente consciente e levemente temeroso de que sua fala pudesse comprometê-lo, ele, textualmente, quase evita falar abertamente: “Tá buzinando por quê? Ô seu merda do cacete! Deve ser um… Não vou nem falar quem. Eu sei quem é… Você sabe quem é né?” Mas não resistiu. Saiu. Pulou da boca. Pensa assim. Concorda com o racismo. É porta voz dele. Estamos diante de um vazamento e por ele podemos supor quantas dessas atitudes não chegam a público e fazem a graça de muitos bastidores. Não seria leviano de minha parte afirmar que essa não é uma atitude isolada deste jornalista. Um detector de discriminação racial afinado talvez não tivesse dificuldade em encontrar na educação, dele e de sua família, a ideologia revelada no patético vídeo gravado em frente à Casa Branca. Ele estava nos Estados Unidos, ele falava português, ele estava em seu “camarim” e não imaginou que a máscara Waack estava sendo retirada antes do público deixar o teatro.  Sou atriz, vivo no teatro, e sei que se o público por algum motivo avista o truque, a ponta da carta escondida sob o manto do mágico, não há outra saída para o artista se não render-se à verdade. Já era. O público viu. Fodeu. É melhor admitir. Flagrantes são inegáveis. Qualquer tentativa de desqualificar a verdade flagrante é constrangedoramente impotente.

O que está em jogo aqui é como deter o escravagismo moderno, esse que foi trazido através da linguagem das escrotíssimas expressões que destroem a auto estima do povo negro a cada minuto, e que vão mantendo a obra da escravidão na cabeça de jovens brancos, de crianças brancas, em pleno 2017. A semente do mal é reproduzida em todos os lugares, inclusive nos jornalismos, inclusive nas ficções. Sou jornalista também de formação, e sei da responsabilidade pública que temos com a informação, sei do poder de influência da palavra jornalística na formação de opiniões. Diante disso numa democracia, ter um jornalista que apresenta um jornal importante numa emissora que alcança milhões de espectadores diariamente, defendendo posturas racistas, expondo-se inclusive judicialmente a um processo, aponta para uma demissão sumária deste profissional. Não vejo outra saída. Para mim é tão grave quanto um médico que não atende um paciente preto e pobre na emergência.

Para William Waack a vida do preto, o pensamento do preto, a atitude do preto, os direitos do preto são menores e tudo nele vale menos. Está entranhado em seu DNA cultural branco e dominador tal aberração intelectual. Sua ignorância é sofisticadamente tosca, uma vez que ocupa um cargo nobre na tele informação. E essa ignorância é tão sofisticada quanto perniciosa, representa um pensamento vigente que raramente tem coragem de mostrar a cara, de sair do armário. Mas é este pensamento que gera a atitude prática de fechar portas, e de provocar em nós, em nossas organizações civis e nas leis, a feliz estratégia dos sistemas de cotas.

Quando Cazuza diz que a burguesia fede é a isso que ele se refere. Há uma hipocrisia católica, disfarçada de caridosa, ornada dos aparentes bons costumes, mas que chafurda na lama tóxica de seus preconceitos e na sua luta pela preservação das senzalas, dos quartos de despejos e da persistência variada das chibatas. Presídios, quartos de empregadas, entulhos das favelas e periferias, tudo têm como modelo os porões da escravidão.

Eu teria vergonha de ensinar racismo aos meus filhos, William não tem. Eu teria vergonha de ser racista em meu local de trabalho, William não tem. Eu teria vergonha de ser racista sendo brasileira e estando trabalhando em terras estrangeiras, William não tem. De usar a minha língua contra o povo que construiu a minha nação, William não tem. E por isso representa uma vergonha para o povo brasileiro. Sua declaração bate na cara dos negros que labutam para o sucesso da história desse país e da empresa que ele trabalha; sua declaração é um acinte, um achincalhe no talento de grandes atores negros que deram e dão sua arte à teledramaturgia brasileira contribuindo para um sucesso de público que atravessa décadas. Sua declaração atinge  também em cheio a consciência de brancos a quem ele não representa, os constrange, os convoca a limpar a própria barra. Puni-lo com uma demissão me parece uma atitude equivalente ao crime. Condiz. Sua opinião provoca um grande estrago e põe o dedo numa chaga acesa. Se ele trabalha numa empresa que não apoia o racismo, o seu flagrante delito o torna naturalmente afastado da emissora.

Se a Rede Globo não quer compactuar com uma atitude discriminatória não pode ter em seus quadros quem pensa diferente disso, uma vez que tal quesito está espargido em todos os conteúdos de sua programação. Neste momento, estou fazendo a campanha da ONU chamada Vidas Negras. Os números são alarmantes, perdemos grandes exércitos de meninos que saem da escola para o crime e, entre estes, milhares são assassinados sendo inocentes, só por serem negros. E só. Por valerem menos.

Mas a tragédia só se realiza, só chega a virar sangue, a virar tiro de fuzil, só chega a matar depois de se consolidar na mente de muita gente, e muita gente que manda neste país. É este jogo que nós temos que desmontar. Quando se diz “coisa de preto” como sinônimo de inferior ou ruim, no fundo estamos produzindo um conteúdo que dará autorização para matar. William Waack não é o único a pensar assim, é isso que o vídeo veio nos revelar. É coisa de branco e aos bons brancos deve envergonhar. O assunto está bombando.  A questão racial no novo  filme de Daniela Thomas vai ser assunto nessa sexta no Pedro Bial. Não dá mais pra segurar. O mundo pede abolicionistas modernos e quer saber de que lado você está.

Essa o Sérgio Cabral não conheceu: uma privada Louis Vuitton!

O página do Facebook do Le Figaro acabou de botar no ar a novidade. Vejam só:

 

É preciso ter mesmo muito estômago, isto é, muito intestino, para ter a coragem de usar um negócio desses. Pior: de desembolsar 100 mil dólares pela peça, apoteose da ostentação, num universo em que os contrastes e injustiças a cada vez mais se acentuam.

Todo revestido de couro Louis Vuitton, o vaso sanitário criado pela artista plástica Illma Gore, por encomenda do site de vendas Tradesy, está exposto em Los Angeles, e é sendo apresentado como obra de arte, talvez peça decorativa. Illma precisou desmanchar 24 bolsas Vuitton de 2 mil dólares cada uma para fazer esta peça que é oferecida  à venda por 100 mil dólares (alguém se anima?).

Tudo nele tem as letras LV. Todo o mecanismo interno, que funciona, é com ferragens adaptadas de acessórios da Louis Vuitton. Foi difícil trabalhar naquele couro muito duro e modelá-lo para fazer assento etc. O interior do vaso é de ouro. IIlma Gore, que ficou famosa por uma escultura de Trump na época da campanha, diz que nunca se sentaria nessa peça, mas entende que alguém queira fazer uso dela… (algum Vuitton-maníaco, talvez…)

Não se trata de um item da linha de produção da Louis Vuitton, é de fato uma iniciativa de marketing do site Tradesy, e que deu certo. Bem capaz da Vuitton se animar e resolver produzir de verdade. Enfim, fato é que vai ter fila no restaurante que tiver uma latrina LV disponível no banheiro.

A primeira vez que eu vi usarem livremente o couro da Louis Vuitton, para fazer uma peça alheia à linha de produtos da marca, foi iniciativa de uma brasileira: Vera Loyola. Ela desmanchou uma bolsa e mandou forrar um par de sapatos scarpins de saltos finos com o couro LV. Ficou uma graça. Passaram-se muitos anos até a grife enfim produzir seus sapatos, além das bolsas e malas famosas que já fazia. Vera foi pioneira. Quem sabe a história se repete com essa privada?

 

Casa Zuzu Angel, o lar-doce-lar da moda brasileira, em semana emblemática

Esta foi uma semana emblemática para a Casa Zuzu Angel de Memória da Moda do Brasil. Depois de um ano de palestras mensais, com os Cafés na Zuzu, articulados em parceria com a Abepem, da professora Kathia Castilho, iniciamos nossos cursos, transmitindo conhecimento sobre o objeto principal da nossa atividade: a museologia da moda.
A professora doutora pela USP, Manon Salles, nossa colaboradora, Coordenadora e Organizadora do Acervo Têxtil da Casa Zuzu Angel, ministrou o curso Conservação preventiva em acervos históricos de moda.
Foi uma emoção, no primeiro dia, ver os alunos chegando de todos os cantos do país. Do Piauí, o responsável pela coleção de vestes do primeiro bispo piauiense, verdadeiras preciosidades. De Minas, Juiz de Fora, o professor da UFJF, que desenvolve tese de Doutorado “Construção de um museu de moda para Juiz de Fora”, e ao longo de sua pesquisa constrói também um acervo importante, com peças nacionais e estrangeiras doadas por elegantes mineiras.
A chapeleira brasileira que veio da Itália e se encantou com o acervo de chapéus da casa, peças de Carmen Mayrink Veiga, Evinha Monteiro de Carvalho, Zilda Canavarro – e até a última cartola usada por Chacrinha!
A interessada pesquisadora de Santa Catarina. De São Paulo, a professora da Unicmap, especializada em Conservação de Fotografias, interessada no Acervo Documental de Zuzu Angel e se iniciando também em têxteis. E mais as jovens conservadoras da UFRJ. Uma turma alegre e vibrante, que se emocionava a cada caixa revelada do acervo de Zuzu Angel, e me pedia a história de cada roupa.
Na despedida, ao me verem distribuir os Certificados de Conclusão do Curso, eles aplaudiam e agradeciam, emulados pelo entusiasmo contagiante da professora Manon Salles, o cenário daquela arquitetura especial, os jardins exuberantes no entorno, sons de passarinhos, os intervalos para café com bolo caseiro e sucos de frutas nas varandas com azulejos portugueses, a memória de Zuzu intensamente presente.
Eu só tive a dizer: “Quem agradece sou eu por vocês ajudarem a fazer desse acervo de Zuzu Angel um acervo vivo. Através da sua presença e do conhecimento que vocês adquiriram, este acervo se perpetua”.
E lá estavam os vestidos, deitados comportados nas mesas forradas com tecido TNT branco, e manuseados por curiosas luvinhas brancas, no avesso e no direito, investigados com delicadeza pelos novos – e agora certificados – peritos legistas da nossa moda.
Até a próxima, amigos, foi um prazer recebê-los em nossa Casa Zuzu Angel, o lar-doce-lar da moda brasileira!
Hildegard Angel

Que orgulho o nosso! Os novos peritos legistas da moda brasileira, saídos dos bancos de estudo da Casa Zuzu Angel de Memória da Moda, vistos aqui no curso Conservação Preventiva em Acervos Históricos de Moda, que eles concluíram com louvor e certificado.
Ministrado por nossa Conservadora, a professora doutora da USP Manon Salles, o curso lhes deu o instrumental básico para começarem a trilhar seu sonho de conservar as coleções que guardam, ou pretendem formar, é a nova mentalidade da importância da moda como registro da memória cultural e de costumes do Brasil, que começa a se formar e se expandir pelo país. Uma bandeira antiga empunhada com obstinação por nosso Instituto Zuzu Angel.

O curso da Casa Zuzu Angel promoveu o encontro mágico da colecionadora Marília Rezende Martins, que foi adquirir noções de como preservar o acervo de seu trisavô, o Barão Geraldo de Rezende, descendente do Marquês de Valença, com a a moradora da cidade de Barão Geraldo, distrito de Campinas, a pesquisadora da Unicamp Marli Marcondes, encarregada do acervo documental do… Barão Geraldo! Não é incrível, fantástico, extraordinário?!

Marilia, a colecionadora do acervo do Barão Geraldo de Rezende, e Marli, a pesquisadora da Unicamp, nos jardins da casa da Usina da Tijuca.

Imprevisível, carismático, em vez de um casamento convencional, Josias proporcionou a Heralda um permanente Parque de Diversões

Josias Cordeiro com sua “Santinha”, Heralda, que partiu antes dele, e agora se reencontraram

No ofício religioso de ontem, 6 da tarde, a Igrejinha branca com janelas azuis de São Conrado estava lotada, com bancos extras nas laterais, todos ocupados. Era a missa de sétimo dia pela alma de Josias Cordeiro, “o estereofônico Josias”. Megafônico, mastertrepidante, Josias fez o society do Rio de Janeiro sacudir o esqueleto, nos anos 70 e 80, ao ritmo de suas aparelhagens de som customizadas e poderosamente amplificadas.

Montadas com aço escovado, placas de acrílico, luzes coloridas e equipamentos de última geração, as mesas do Josias eram o objeto de todos os desejos, sinal de status, coroação de qualquer ambiente dos 70’s, ponto alto das decorações de residências milionárias ou quase isso, que todos, quando inauguravam ou repaginavam suas casas, faziam questão de exibir em grande estilo, promovendo altas festas dançantes, com as caixas de som em potência máxima.

Josias, Josias, Josias, uma epidemia, coqueluche, mania. A marca que caracterizou uma época. Sérgio Dourado e Suzette, Carlos Carvalho e Maria Raquel, Marcos Tamoyo e Belita, Mario Ribenboim e Solange, Antonio Mac Dowell da Costa e May, Flavio Teruszkin e Adalgisa, Albino Avellar e Maria Laura, Nelson Seabra Veiga e Idinha, John Lowndes e Lyginha, Eurico Amado e Helô – depois apenas Helô, Lelia Gonçalves Maia, José Pedroso e Lucia – depois apenas Lucia, Milton Cabral e Myriam, Newton Lins e Patrícia, Antônio Galdeano, Ronald Levinsohn e Henriqueta, Leda Lage, Newton Rique e Regina, Sivuca Malta, Ibrahim Sued, José Carlos Galliez Pinto e Sarita, Luiz Felipe Índio da Costa e Marly, Mario Priolli e Maria de Fátima, os Gouthier, os Pitanguy, os Chermont de Britto todos, os Borges, os Sève, Nonô inclusive, os Penna Marinho todos, os Palhares todos, os Monteiro de Carvalho todos, Murilo Meirelles e Rosinah, Paulo Maia e Flávia, Alberto Pittigliani e Teresinha, Paulo Marinho e Odile, Ricardo Amaral e Gisella, Paulo Fernando e Regina, Eric Waechter e Martha, Celidônio e Marialice, Jorge Guinle e Tânia Caldas, Pedro Augusto Guimarães e Helena, Márcio Braga e Noelza, Jorge Veiga e Nelly, Oscar Bloch e Inês, Sergio Figueiredo e Yolanda, Moema Jafet, José Rodolfo Câmara e Lucia, Paulo Vianna e Sony, Maurício de Carvalho e Lucianita, Luís Fernando Santos Reis e Sônia, Homero Leal de Meirelles e Terezinha, Roberto Andrade e Yara, Bebeth Freitas com o Rui, Martha Rocha (já sem Ronaldo Xavier de Lima), Theo Atherino e Nair, Mauricio Zacharias e Glaucia, Carlos Alberto Vieira e Carmen, Júlio Fabbriani e Dayse, Glorinha e Luiz Cesar Magalhães (depois, Glorinha e Carlos Moacyr Gomes de Almeida), Alfredo Castro Neves e Leda, Eliana Moura (e Zé Prior), Renato Garavaglia e Kiki, Hélio Fraga e Silvinha, Marcio Segia e Cristiana (Neves da Rocha), Alfredo Thomé e Jacyra, Maurício Stambowsky e Nieta e tantos outros nomes absolutos dos setenta promoveram, protagonizaram ou foram personagens de noites dançantes intermináveis, inebriantes… borbulhantes…

Ao som do guru sonoro Josias, a exclusiva multidão de chics e abonados saracoteou duas décadas seguidas na pista do Hippo, cuja mesa de som era, naturalmente, by Josias.

Para um aficionado do som de Josias, o must era ter uma boate inteira montada por ele. Era consagrador. Numa época da vida em que todos os amigos estavam em máximo vigor, uma geração que não levantou ferros nas academias na adolescência, et pour cause não sofreu de problemas precoces de joelho, artroses e tendinites, todos podiam dançar e se acabar nas pistas de dança a madrugada inteira, fossem eles trintões, quarentões ou mesmo cinquentões – até sessentões! Ninguém negava fogo.

Albino Avellar foi o primeiro a inaugurar uma boate by Josias, em sua casa de Petrópolis, onde recebia com Maria Laura para um pré-carnavalesco tradicional, que deixava as pessoas alucinadas por convite. Em seguida vieram muitas outras boates by Josias. A última, que eu me lembre, foi a de Françoise e Alberto Boruchovitch na casa da Barra da Tijuca, muito bem instalada, show! Todas elas com a obrigatória bola de espelhos giratória, marca da década ‘disco’. A década Josias.

Vejam vocês como Josias é inspirador. Comecei a falar dele e acabei discorrendo sobre o Rio de Janeiro dourado, que ontem estava lá, atento, na igreja, escutando padre Marcos contar que Josias se tornara assíduo frequentador das missas dominicais, quando, em longas conversas com ele, filosofava: “só saberei conviver com os outros quando aprender a conviver comigo”.

De fato, apenas a doce-como-pão-de-mel Heralda, que ele chamava de “santinha”, dominava a fórmula do bom convívio com Josias. Imprevisível, carismático, guiado pela inspiração do momento e movido por impulsos sempre surpreendentes, em vez de um casamento convencional, Josias proporcionou a Heralda um permanente Parque de Diversões. Ora saltitavam num Carrossel de Cavalinhos, em total encantamento, numa espiral interminável de festas, que podiam ser no Rio, em São Paulo, Nova York ou até como convidados para o fabuloso aniversário de Frank Sinatra em Las Vegas, ora estavam num Trem Fantasma, levando um baita susto, com a vida comercial de Josias virando de ponta cabeça, para em seguida se recuperar ainda com maior brilho, pois tino criativo para superar obstáculos era com ele mesmo.

Tudo em se tratando de Josias era singular. A mãe de Josias, uma instituição, era Josias de saias, e a ideia de envelhecer não estava em seus planos. A família Josias ocupava uma casa de quatro andares na Rua Barão de Jaguaribe, em Ipanema. A casa tinha, é claro, um baita salão de dança, mas imperdível era o quarto do casal, com inúmeros aparelhos de TV embutidos na parede. Um monitor para cada canal existente. Assim, ele podia manter ligados simultaneamente os programas de todas as emissoras, e aumentava o volume da imagem que mais o agradasse. Era o luxo do luxo numa época em que não havia TV a cabo.

Criativo, Josias ganhou as páginas até da mídia internacional com seu projeto das exéquias high tech. Durante o funeral, telões na capela mortuária exibiam documentário com momentos felizes da vida do morto, fotos do álbum de família, sua mensagem gravada aos amigos presente e, se fosse o caso, também aos desafetos.  Equipado com alto-falante e aparelhagem de som sofisticada, o caixão podia transmitir hits musicais ao gosto do freguês, ao longo da eternidade. Josias chegou a receber encomendas, por inusitado que isso possa parecer. Uma sofisticação tecnológica tão avessa à simplicidade daquela missa discreta, na igreja de São Conrado, com singelas flores lilases e brancas cobrindo os balaústres diante do altar. Sim, Josias aprendeu a conviver consigo, sem precisar de caixas de som, bolas de espelho nem trens fantasma.

As conversas com padre Marcos, o afeto dos filhos Moniquinha e Joca, sempre por perto, e a perspectiva do reencontro com Heralda ajustaram, pouco a pouco, o ritmo acelerado de Josias. Com a intuição atilada e o senso de sincronicidade próprio de um bom DJ das suas mesas de som dos anos 70, ele percebeu que a faixa de seu vinil na Terra estava expirando e que já estava prestes a se iniciar, no mesmo ritmo, métrica e velocidade, a faixa de uma nova vida, ao lado de Heralda, que o aguardava sorridente e doce, como sempre, porém firme, e cheia de personalidade. Só por isso foram tão felizes.  E assim continuarão a ser, ao som de hits pela eternidade…

Deputados europeus em missão no Brasil arriscam a vida e vão à Penha sem escolta

Chegou esta semana ao Rio de Janeiro uma Comissão Parlamentar Europeia, composta de 20 deputados e seus assessores. Vieram em missão junto ao Brasil e Mercosul. Na noite de quarta-feira, constava na agenda oficial do grupo um jantar na Casa de Viseu, localizada em uma das regiões mais perigosas da cidade: a Penha.

No meio do trajeto, os policiais da escolta foram avisados de que havia “ruídos” de risco no percurso e decidiram dar meia volta, não se responsabilizando se algum deles desejasse prosseguir sem a segurança.

Homenageado do jantar, o deputado português Fernando Ruas, ex-prefeito de Viseu, e os deputados holandês e espanhol, com dois assessores, decidiram ir à Penha mesmo assim e chegaram à Casa de Viseu, onde foram brindados com uma saborosa “punheta de bacalhau” (o peixe marinado).

Os parlamentares terminaram a noite sãos, salvos, bem alimentados e indignados com a “omissão” de sua escolta.

O fato passou batido na imprensa carioca, mas, por pouco, muito pouco, os parlamentares europeus não motivam notícia sangrenta das primeiras páginas dos jornais do mundo todo…

O deputado português Fernando Ruas, ex prefeito da cidade de Viseu, homenageado na Casa de Viseu, na Penha

Corregedor do episódio que levou ao suicídio do reitor Cancellier tem vasto prontuário de calúnias e difamações

Denúncia gravíssima, envolvendo o Corregedor, que deu origem ao processo e à prisão, que levou o reitor Cancellier, da Universidade Federal de Santa Catarina, ao suicídio.
 
O jornalista não assina a matéria por questões de segurança, já que se encontra em Santa Catarina e teme represálias dos denunciados.
 

No Rio, antiga chapeleira de Lady Di ganha feijoada temperada com história de amor

O embaixador Marcio de Oliveira Dias e Sandra Valle receberam no bonito apartamento do Edificio Prelúdio, no Condomínio do Chopin, para homenagear a carioca londrina Cristina Eastwood

Cristina Eastwood está in town. Cristina é chic. Vive em Londres há mais de 40 anos. Dedica-se à filantropia e, entre outras práticas artísticas, ao design de jardins. Nos anos 80, ganhou editoriais das boas revistas de moda com seus acessórios, chapéus e arranjos de cabeça, chegando a criar alguns para a princesa Diana, por encomenda do príncipe Charles, outros para a duquesa de York, para a atriz Joan Collins, a marquesa de Bath e grandes lojas como Harvey Nichols, Harrods e Saks Fifth Avenue. Enfeites para a cabeça e até para o calcanhar dos sapatos, como fez para a princesa. Tudo o que ela cria é inspirado e de muito bom gosto. Sua linha de chapéus góticos vitorianos foi parar em galeria de arte. Até os filhos são master pieces. Uma delas, Heloise Lorentzen, nome de casada Heloise Wilson-Smith, é campeoníssima de polo, disputando nos campos da nobreza europeia.

Para facilitar o reencontro de Cristina com os amigos cariocas, o embaixador Marcio de Oliveira Dias abriu ontem o apartamento no Chopin para uma feijoada de lugares marcados. Seriamos 12 à mesa, mas no final fomos 13, mas como nenhum de nós é supersticioso e o “plus” de última hora, levado por uma convidada, é estimado por todos, houve quem nem reparasse na contagem fora do usual de lugares.

Conheço Marcio há muitos anos, e fico feliz em vê-lo numa fase tão boa e feliz, iniciando novo capítulo em sua vida, ao lado de uma alma gêmea, sua namorada de décadas atrás. Uma love story cujo relato ele não se furta a fazer – aliás, adora contar. Sandra Valle teve imediata acolhida dos amigos de Márcio. É simpática, agradável e muito divertida. E os que conheceram a embaixatriz Walkyria Dias, de quem Márcio é viúvo, identificam nelas uma mesma qualidade fundamental ao convívio: inteligência arguta.

Patrícia Barbeyron, filha única de Márcio e Walkyria, endossou a união desde o início. O que foi brindado por todos à mesa, onde estavam Jonja e Kitty Assis (ela nos premiou com algumas de suas sobremesas impensavelmente saborosas), Marco Rodrigues e Alicinha Silveira, Vera Bocayuva, José Ronaldo, o ministro aposentado do Itamaraty Eduardo, a inglesa Connie, que viaja com Cristina. Ao final, como é parte da tradição da casa nas grandes ocasiões, Marcio serviu o Armagnac de estimação, na garrafa gigante que vem com a torneirinha…

Saímos de lá já com o programa das próximas férias agendado: um passeio de carro pelas cidades do Vale do Jequitinhonha, abrangendo Diamantina, o Serro e arredores. Marcio e Sandra, Francis e eu. Tomara que seja logo.


Cristina Eastwood, a homenageada de ontem de Márcio Dias e Sandra Valle, no bem decorado apartamento da Avenida Atlântica

E aguardem o relato devidamente ilustrado do jantar em torno do novo casal Marcio Dias-Sandra Valle, com o top da intelligentzia itamaratiana na cidade.