Morreu aos 94 anos a mulher mais rica do mundo, Liliane Bettencourt, dona da L’Oréal

Sua fortuna é de US$ 39.5 bilhões, e a elegante herdeira da gigante dos cosméticos L’Oréal, Liliane Bettencourt, era considerada a mulher mais rica do mundo. Tive o prazer de conhece-la num jantar para ela oferecido por Lily de Carvalho Marinho na casa rosa do Cosme Velho, onde os flamingos deixavam os jardins, os ambientes, a vida ainda mais rosados. Sentamos lado a lado num dos sofás amarelo ocre de Lily. Conversamos amenidades, coisas como as impressões dela sobre o Rio de Janeiro, seu dia na cidade, seus interesses culturais, ela respondeu amenamente, como é de costume no convívio em sociedade. Era  uma mulher sem um pingo de arrogância, que não criava qualquer tipo de dificuldade a quem se aproximasse de “sua riqueza”, ao contrário. Citada pela Forbes como a 14ª fortuna do mundo, ela talvez se esforçasse para que aquela aura de tanto dinheiro não a contaminasse com a afetação que as pessoas esperavam ver nela.

Segundo declaração de sua filha, Françoise Bettencourt Meyers, ela “partiu em paz, ontem, em sua casa de Paris”. Liliane se afastou (ou foi afastada) do Conselho da L’Oréal em 2012 depois de um diagnóstico de demência senil feito no ano anterior e de Alzheimer, desde 2006, mas seu nome se manteve nas manchetes dos jornais e revistas de gossips (sobretudo) porque pessoas que a cercavam eram acusadas de a explorarem já que ela não tinha mais condição mental.

Tudo isso resultou num rumoroso processo na Justiça, envolvendo a única filha de Liliane, um bando de mui amigos inescrupulosos, como o administrador da fortuna dela, Patrice de Maistre, acusado de dar propina aos membros do partido de Nicolas Sarkozy em sua campanha presidencial. Até Sarkozy esteve envolvido, mas as acusações contra ele caíram em 2013 por falta de provas.

Liliane Bettencourt era filha do fundador L’Oréal, Eugene Schueller, e aos cinco anos perdeu sua mãe, Louise Madeleine Berthe. Ela começou a trabalhar na empresa aos 15, como aprendiz, colocando rótulos nas embalagens de shampoo, e cresceu nos departamentos ao londo dos anos. Casou-se com um político francês e futuro ministro de Estado, Andre Bettencourt, em 1950, em casamento duradouro de 57 anos, no qual tiveram uma única filha. Quando o pai morreu, em 1957, ela herdou a L’Oréal e o comando da empresa por mais de cinco décadas.

Ela criou com o marido e a filha a Fundação Bettencourt Schueller de projetos humanitários. Ela recebe grandes críticas quanto ao trabalho desenvolvido por ela, o que lhe valeu um irônico Prêmio Planeta Negro, criado pela Ehecon Foundation para os que destroem o planeta.

Sua morte abre nova fase para a quarta maior companhia da França, a L’Oréal, alterando sua relação com um acionista chave, a empresa suíça de alimentos Nestlé. As Bettencourt possuíam 33 por cento da empresa. Com a morte de Liliane, sua filha distribuiu nota declarando que a família permanece dando pleno apoio aos dirigentes da L’Oréal e sua equipe no mundo todo, sob a presidência executiva de Jean-Paulo Agon desde 2011.

A Nestlé, que detém pouco mais de 23 por cento da L’Oréal, tem um acordo com a família Bettencourt estipulando que ambas as partes não poderiam aumentar seus participação no grupo de cosmético enquanto Liliante vivesse e pelo menos até seis meses depois da sua morte.

A empresa suíça tem sido o investidor principal  da L’Oréal desde 1974, quando Lililane Bettencourt confiou quase metade de sua participação na companhia para a Nestlé, em troca de três por cento na holding daquela empresa suíça. Este movimento foi motivado pelo medo que tinha de a L’Oréal ser nacionalizada pelos socialistas, prestes a assumirem o poder na França.

A mulher mais rica do mundo era simpática, descontraída e acessível, diferente de muitas menos ricas que conheci

 

Julgamento do herói José Dirceu entrará para a História, não a dos jornais que forram gaiola, mas a dos livros da posteridade

Gostaria de ter escrito o texto abaixo. Não fui eu. Não fui, porque não vivi aquelas situações e prisões. Porém fui vítima das mesmas pressões e de suas consequências, como tantos outros brasileiros que tiveram suas famílias dilaceradas. Por isso minha enorme admiração pelos que lutaram bravamente, correram riscos, foram ao fundo do poço, e por aqueles que emergiram vivos deste caldeirão de crueldades, mantendo intactas suas convicções, íntegros em seus princípios e na ideologia. Entre eles, incluo José Dirceu. Seu silêncio ao longo de todo o tempo desta sua prisão, altivo e leal, diz o que ele é. Compreende-se porque seus inimigos desejam se livrar dele, enquanto aqueles implicados ostensivamente em fatos que nos causam tanta aversão, permanecem impunes. E mandando. Orientando o processo.

O texto abaixo é do advogado e ex-deputado federal João Paulo Cunha. Foi postado há pouco no site www.Brasil247.com .  Hoje, 13 de setembro, o recurso de José Dirceu será julgado pelo TRF 4, em Porto Alegre.

Diferente do ex-deputado, que prevê uma condenação, eu firmemente creio que há juízes justos no Judiciário brasileiro, e espero que aí se encerre essa via sacra judicial, que mais parece pretender penalizar o passado heroico e histórico de José Dirceu do que qualquer ação que por ventura ele haja cometido no presente.

Um julgamento que vai entrar para a História. Não a história mesquinha, de breve curso, das páginas de jornal, que no dia seguinte forram gaiolas de pombos. Mas aquela dos livros, que ficam para a posteridade, frequentada por nossos heróis.

CAMARADA ZÉ DIRCEU

por João Paulo Cunha

Vivemos tempos sombrios!

Hoje, mais uma vez, você caminhará na direção de seus algozes. Provavelmente eles não olharão em seus olhos. As meninas de suas íris terão brilho e encararão a toga amarrotada de vergonha.

Eles, juízes de uma causa só, olharão de esgueiro para as câmeras de TV e disfarçadamente fecharão suas pálpebras avermelhadas pela injustiça. Mas se manterão falsamente firmes.

E você empurrará o cabelo para trás e lembrará da bandeira do Brasil, da estrela do PT e do dia primeiro de janeiro de 2003.

Você não abaixará sua cabeça!

Você será culpado por sonhar um Brasil para seu povo. Por organizar um partido que mudou a história do país e por um governo que devolveu aos trabalhadores o lugar de sujeito na história.

Você será declarado perigoso porque foi altivo, estabeleceu relações solidárias e companheiras e soube juntar gente para formar coletivo e andar por caminhos abertos pelas próprias mãos.

Escreverão com caneta vermelha que tu és um transgressor desde muito jovem. Que não respeitou a ordem, que pegou em armas e consolidou um pensamento de solidariedade entre os povos.

Será acusado de ter amizade com os sem terra, de formar dirigentes partidários, de ser companheiro dos sindicalistas e defender as mulheres os negros e a comunidade LGBT.

É causador de uma vitória espetacular chamada Lula, de construir um governo com a cara do Brasil real e implantar programas revolucionários para o momento do país.

Será incriminado por gostar da juventude e reconhecer nela o vigor das mudanças.

Camarada Zé Dirceu, és meu companheiro de muitos anos. Carregamos muitas bagagens. Brigamos, divergimos, mas o resultado foi sempre a soma. Fizemos planos, tabelamos e muita coisa deu certo.

Sofremos a solidão da cela, o desterro das ruas, a frieza de quem ficou e a amargura dos dias sem sol. Mas não desanimamos nem nos entregamos. Nos escoramos uns nos outros.

Agora assisto o seu caminhar para um julgamento já definido e não posso fazer nada. A impotência aflige todos nós. Sei das razões políticas para tal ato, mas a alma entristece em ver você pagar mais uma vez por todos nós.

Fique tranquilo, camarada: seus filhos sentirão orgulho de você!

Seus amigos e companheiros falarão de você com brio e dignidade!

É claro que ainda existem recursos para serem usados. É claro que é possível retardar o processo para fazer justiça.

Mas, consumando a condenação, sei que muita gente gostaria de dividir com você o cumprimento da sentença.

Entendo, não é possível.

Então leve nossas memórias e cultive a esperança. Ainda há tempo.

No mais, com altivez e repetindo a crença no amanhã, digo: vá em frente, camarada Zé Dirceu. Nos encontraremos onde estiver um brasileiro lutando por justiça, solidariedade e igualdade.

Leilão dos reis do gás: tradição mineira, raízes rurais paulistas, o apogeu do refinamento

Wilson e Lourdes Lemos de Moraes
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Vai a leilão, nas noites de 19, 20, 21 e 22 deste mês, o Espólio da Família Lemos de Moraes. Consiste no magnífico recheio do apartamento do Edifício Golden Gate, onde Lourdes e Wilson eram vizinhos da prima dele, Sarah (Lemos) e de Juscelino Kubitschek.
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A exposição será a partir do dia 20, das 15 às 20 horas, naquele prédio histórico da Avenida Atlântica, que reuniu a fina flor da República dos anos 40 aos 60, inclusive a filha de Assis Chateaubriand, Teresa Alkmin. Hoje, pontifica na cobertura o cirurgião plastico Carlos Fernando Gomes de Almeida, frequentemente visitado por Valentino, quando o grande nome da moda italiana vem passar férias no Rio… ou vem passar pelo seu bisturi. O organizador do leilão é o Carlos Eduardo de Castro Leal.
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Quando, há dois anos, morreu minha comadre Lourdes Lemos de Moraes, viúva de meu compadre Wilson Lemos de Moraes, brilhante empresário, que erigiu um império do gás (Supergasbrás), do gado, em imensas extensões de terra, de caminhões e máquinas pesadas, chegando a ser classificado dos maiores do país, escrevi o obituário que vocês lerão abaixo (link). Contudo, omiti no texto um aspecto de Lourdes muito particular, que apenas os frequentadores de suas múltiplas casas, no Rio de Janeiro e nas diversas fazendas, conheciam: o extremo refinamento de suas residências, o alto nível de sua qualidade de vida.
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Aquela mulher quase ingênua, que divertia os amigos com suas tiradas “do interior”, sabia ser sofisticada como poucas donas de casa que conheço e conheci.
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Tudo que Lourdes possuía em casa era bom, das dobradiças das portas às maçanetas. O piso de mármore de seu apartamento na Atlântica é um grande mosaico. As peças chinesas, únicas, preciosas. As peças brasileiras são de museu.
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Para guiá-la nessas aquisições, Lourdes teve a melhor das mestras, a decana da decoração de São Paulo, Celina Duarte Martinho, 98 anos, decoradora de Campinas, talento excepcional. Celina decorou dezenas de casas para Lourdes e, quando digo dezenas, são dezenas mesmo. As dela, as de suas múltiplas fazendas, as de seus filhos, suas noras, seus netos – decorações e redecorações, e pela vida inteira.
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Grande estudiosa de estilos e épocas, Celina também tem o dom de criar objetos e móveis, reciclando antiguidades. Assim – exemplo meu – uma linda mesa de centro pode ser uma coleção de caixas de engraxate do início do século passado, envidraçadas, e sobre elas peças nobres de prata.
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Entre as N residências de Lourdes e Wilson decoradas por Celina jamais cheguei a conhecer a da Amazônia. Tinha a forma de um pássaro, projeto de Zanine, e estava pousada em pleno Brasil profundo, numa fazenda que começava lá no Pantanal e ia se estendendo país afora. Ou adentro. Lourdes cansou-se de me convidar, mas sempre pintava o convite com tintas de Indiana Jones, contando – os olhinhos azuis piscando maliciosos – que naquela região caía um aviãozinho por dia do ano, 365. E por fim perguntava se eu tinha medo de jacarés, já que à noite eles rondavam a casa e mergulhavam na piscina. Eu respondia: “É convite pra eu ir ou pra sair correndo?”. E nunca tomei coragem. Volta e meia ela insistia. Mas não deixava de me provocar.  Ah, minha comadre!
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Lourdes com seu inseparável chapeuzinho
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Fui diversas vezes à fazenda de Campinas com Lourdes, e me diverti embarcando em sua pick-up, junto com Celina, e fazendo o “garimpo” por fazendas antigas da região, onde a decoradora encontrara coisas extraordinárias que poderiam servir às decorações de Lourdes. Extraordinárias e muito antigas. Acredito que numa dessas expedições elas tenham encontrado esses magníficos chicotes de tropeiros do leilão, peças tão raras, com cabos de prata.
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Na casa da fazenda, meu olhar se perdia atraído pela beleza dos armários, as mesas cheirando à melhor antiguidade, as louças, os cristais, as toalhas, roupas de cama, monogramas, cada detalhe. A educação e a gentileza dos empregados, a governanta, que despachava todas as manhãs com Lourdes em seu quarto, e assim ela tomava rédeas de tudo – tudo mesmo – que acontecia dentro da casa e fora dela… “rádio peão”.
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Depois, de maiô e com chapelões imensos, íamos as duas pra piscina comer tangerina pokan, porque era sempre época, e vinha o empregado do pomar com cestos e cestos – éramos insaciáveis. Êta vidão.
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Na volta, Lourdes embarcava no aeroporto em Campinas, voo regular, cheia de cestos com pokan, ovos, queijos, produtos da fazenda, toalhas de banho com dois metros, que só lá em Campinas tinha, pra abastecer as casas da filharada no Rio. E isso era uma rotina de suas vindas e idas. Era uma tropeira dos tempos modernos.
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Quem imaginaria que aquela senhora de chapeuzinho de palha, cheia de cestos e isopores, era uma das mais refinadas deste país, com requintes, em sua intimidade, que só uma grande dama de longo curso sabe ter.
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A presença da decoradora Celina Duarte Martinho  na organização dos espaços domésticos dos Lemos de Moraes lembra a de Rudy Siqueira na casa-fazendola da Gávea Pequena, com os Fontes. E assim foi sendo escrita a história das grandes famílias brasileiras, jamais dispensando a assessoria do bom gosto e do melhor talento.
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 Celina Duarte Martinho, decoradora das residências Lemos de Moraes
1. chicote de tropeiro com cabo de prata, uma raridade.
2. As esporas de prata são do Rio de Janeiro, século XIX, contrastadas, o que não é comum
3 e 4. outro chicote de chefe de tropa, em madeira com guarnições de prata. Brasil, São Paulo, século XIX. Eles são de grande raridade. As tiras de couro – os chicotes propriamente ditos – chegavam às vezes a mais de três metros de comprimento, e com a vergastada inicial o tropeiro, muitas vezes chefe de ilustre progênie, dava início à cadência das bestas que iam trazendo arrobas e arrobas dos produtos que nossa terra exportava desde tempos imemoriais.
5. A mesa de queijo mineira tem um relevo absolutamente impar.
6. par de anjos barrocos.
7 e 8. Representação da Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo, devoção de grande raridade.
9 – Mesa de encostar com gavetas.
10. A estante de partituras de uma lira de comunidade do interior servia aos chefes das famílias de mais destaque com alguma vocação musical se organizarem na execução de alguma ária.
https://www.castrolealleiloes.com.br/leiloes/6/catalogo?page=1
Obituário de Lourdes, neste blog em abril de  2015:
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A poesia de Chico Buarque às claras, sem voz nem melodia, com lupa, luvas, uma radiografia

No tempo em que morou em Paris, de 2007 a 2012, e serviu na Embaixada do Brasil como funcionário do Itamaraty, o pesquisador da Música Popular Brasileira Alberto Lima fez na Sorbonne sua dissertação de mestrado, que se tornou livro e agora será publicado pela Companhia Editora de Pernambuco.

Na assinatura do contrato para a publicação de sua obra Quem É Essa Mulher – A Alteridade Do Feminino na Obra Musical de Chico Buarque de Holanda, Alberto destinou seu percentual nas vendas a instituições que trabalhem pelo empoderamento feminino e no combate à violência contra a mulher em Pernambuco, seu Estado Natal, com tristes índices nesse campo. Atualmente ele mora em Brasília.

O livro de Alberto é um impacto para quem lê. Quem admira a obra de Chico não consegue interromper a leitura. Ele disseca a obra de Chico como um delicado legista das letras, com lupa, luvas, pinças, dançando e cantando enquanto escama o corpo de cada poema canção.

Fiquei muito honrada com o convite para escrever o Prefácio, que transcrevo para vocês abaixo.

PREFÁCIO – E Chico criou a Mulher

Hildegard Angel

Do entusiasmo ao encantamento. Da revelação à euforia. A leitura de Quem É Essa Mulher – A Alteridade Do Feminino Na Obra Musical de Chico Buarque de Holanda inspira um jorrar de sentimentos intensos e múltiplos, o que não seria de se esperar de um texto acadêmico, mesmo sendo ele merecedor de honrosa menção na conclusão do mestrado do autor na Université Paris III, Sorbonne Nouvelle.

Imagino que o très bien da menção concedida tenha sido com o mesmo ânimo com que agora me debruço para escrever a respeito. Inicialmente o autor Alberto Lima, cuidadosamente e por várias fontes e caminhos, nos insere nos diversos cenários que levaram a mulher até onde hoje está. Acompanhamos, no anoitecer de 13 Brumário Ano II, em seu cárcere na Conciergerie, Olympe de Gouges, precursora dos sonhos igualitários femininos, ouvir sentença de pena de morte pelo Tribunal Revolucionário e depois seguir engaiolada pelas ruas escuras de Paris até o cadafalso, onde entregou sua cabeça brilhante, corajosa, especial, à guilhotina, cumprindo ironicamente o Artigo X de sua própria Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã: “Uma mulher tem o direito de subir ao cadafalso. Ela deve, igualmente, ter o direito de subir numa tribuna”. Seus textos libertários desagradaram aos jacobinos, naquele momento dando as cartas na França revolucionária. O ruído do baque da guilhotina abafou suas últimas palavras: “Filhos da Pátria, vocês vingarão minha morte!”.

Olympe mereceu lâmina afiada porque “abandonou os cuidados do lar, quis fazer política, instituiu sociedades de mulheres”. Foi por isso chamada na sentença de “virago”, “impudente” e “mulher-homem”. Era 1793.

O autor nos leva mais longe, aos anos 300 AC, na Grécia de Aristóteles, quando “cidadão” era palavra sem feminino, a honra da mulher era um modesto silêncio e a força da mulher consistia em vencer a dificuldade de obedecer. Apresenta a mulher do Período Romano mais senhora de si, coproprietária dos bens do marido, dirigindo educação dos filhos, comandando escravos, indo às festas e ao teatro, alegria que durou pouco, até a reação masculina, com a criação de uma lei em que a mulher passou a ser disposta como um bem pelo marido e o pai, e o Estado a privá-la de quase toda a capacidade civil.

A popularização da Bíblia, com a invenção de Guttenberg, trata de jogar por terra qualquer bom conceito que se pudesse ter sobre a mulher, essa melíflua, que induz Adão a comer o fruto proibido. Com isso, Eva tem como castigo as dores do parto e a sina de sempre desejar o marido e ser dominada por ele por todos os tempos. E segue a mulher eternamente maldita, até nos vocábulos que exprimem sua fisiologia, com os franceses chamando gravidez, parto, aleitamento e menopausa de malédiction.

Com a Inquisição, bruxas são as mulheres, personificação de Satanás. Período de trevas em que mulheres sequer tinham instrução, e só em 1592, enfim, fiat lux, abre-se nesga clara para elas, com o registro da primeira aparição num palco de uma mulher. No Renascimento, nasce a mulher influente na Corte francesa, para incômodo de Montesquieu expresso em palavras. No século 17, a ascensão da burguesia revela mulheres na literatura. Vem a Revolução Industrial e o uso da força masculina perde lugar para a máquina, sendo requisitada também a habilidade manual feminina. As mulheres são submetidas à opressão daquele capitalismo emergente, trabalhando em locais insalubres, sem hora para começar, terminar ou descansar, subnutridas, sub-remuneradas, em condições de miserabilidade e ainda com casa e filhos para cuidar. Essa panela cheia de revoltas e reivindicações negadas alcança o ponto de fervura máxima em 1857, num 8 de março, quando 129 operárias são carbonizadas dentro de fábrica em Nova York, retaliação dos patrões e da polícia contra uma greve delas. Data jamais esquecida, é o Dia Internacional da Mulher, motivador de infindáveis ações e movimentos pelos direitos das mulheres, desde sempre e para sempre.

Bem, vieram as conquistas, ralas, mas reais. Vieram as sufragistas, veio o voto, veio Simone de Beauvoir, num alvorecer de ideias, sacolejando as mentes femininas em despertar luminoso. Veio o conceito de gênero construído por mulheres, uma antropóloga e uma historiadora, e, nos anos 90, detonado por outra mulher, filósofa – todas elas ilustres. Reanálises, reavaliações, re-opiniões, entre barrancos e trancos, a mulher desembarca no século XXI ainda por se resolver, por se situar, por se fazer perdoada pelos estigmas que milenarmente lhe pesam, de leviana, infiel, mistificadora, traiçoeira, interesseira, devassa, pecadora, insubordinada, inconfiável, desde Eva, desde Aristóteles, desde a Inquisição, desde Montesquieu, desde os Jacobinos, desde as sufragistas – a mulher permanece a Deus dará.

E onde entra nisso tudo o Chico? É aquele que não se basta a cumprir, junto à sociedade, seu papel de artista difusor de valores. Vai muito além. Assim como seu personagem em Teresinha, chegou sorrateiro, avassalador e, antes que percebêssemos, instalou-se, posseiro, em nossas mentes, vidas, reuniões, fossas (ele é desse tempo), retomadas, decisões. Reinventou-nos mulheres. Ligou a luz. Alimentou a fogueira. Acendeu o lampião. Acalentou fantasias, despertou tesões, aliviou tensões. Compôs 190 canções poemas tendo a mulher como inspiração. Foi menino filho da gente, frágil como nós, outrou-se em nós (e aprendi que outrar é invenção de Pessoa, o Único), e nós nos outramos nele.

Também outra-se Alberto Lima. O escritor se outra em Chico Buarque de Holanda e nas mulheres brasileiras, que, a partir dessa obra, têm a oportunidade de se verem inteiras, pelos olhos verdes do Chico, pelos olhos da perversidade dos conquistadores salteadores, que se apossaram do Brasil, pelos ingênuos olhos das índias, possuídas e violentadas, pelos olhos tristes das africanas, sacrificadas, coisificadas, pelo olhar mortiço das brancas despersonalizadas.

Conhecer as mulheres de Chico através da visão analítica de Alberto é redescobri-las. Despidas de sua melodia, nuas da voz do artista e das vozes de outros artistas, elas nos aparecem em sua inteireza, com seus petits signes de beauté mais recônditos, as estrias mais discretas, os pneuzinhos indisfarçáveis. Tudo à mostra. Perfeições e imperfeições. Ler este livro é sair dele certa de que separar o artista da obra é uma tremenda tolice.

O livro de Alberto Lima não deverá esquentar prateleira.

E minha alma lavada por perceber que, entre esses 190, há dois poemas canções in memoriam de Zuzu Angel, que se outrou mãe de todas as outras, não só de mim.

O escritor Alberto Lima disseca Chico Buarque com lupa, luvas e delicadeza

Era uma vez… no Alto da Boa Vista, casamento, padre Jorjão e a Família Imperial Brasileira

Legitimidade é uma palavrinha mágica, sinônimo de elegância. O artificialismo, a presunção, o fake, definitivamente, têm odor de breguice. Mesmo que seja um leve aroma jeca, mas têm. Daí que o natural, o real, a verdade logo provocam encantamento. Como foi a impressão à chegada na casa dos Godinho, no Alto da Boa Vista, onde se casou a princesa Maria Thereza de Orléans e Bragança. Sua mãe, Cláudia de Orléans e Bragança, decorou a varanda da entrada com peças originais da residência, móveis rústicos, outros coloniais, cestos de vime, grades e lustres antigos, arranjos de flores naturais e secas, numa combinação de épocas e estilos, misturando histórias da casa, da família, inspirando tradição real, momentos com sentimento impregnados naquele cenário.

Atravessamos os salões da casa até o jardim atrás, onde foi montada a capela. Padre Jorjão oficiou, em tarde com sua veia poética motivada. Na verdade, uma bênção nupcial, já que o casamento religioso foi íntimo, dias antes, no Outeiro da Glória, com a presença de poucos da família. Porém, era sonho de sempre da noiva a cerimônia naquela floresta doméstica. Embarcamos juntos nessa fantasia e para nós era como se por trás de cada árvore espiasse uma ninfa, um elfo. Maria Thereza, nascida e criada ali, naquele pedaço exuberante da Floresta da Tijuca, engendrou e organizou cada detalhe, com a ajuda da mãe. A irmã gêmea idêntica, Maria Eleonora, veio de Londres para ser madrinha e causou sensação entrando acompanhada de Klaus Theodore pela coleira, o cão mascote da família.

O noivo, Guilherme Zanker, estudou no Teresiano. Lá estavam todos os antigos amigos dele da escola, já casados, alguns com os filhos. Só faltava Guilherme a capitular. O que começou a acontecer quando ele conheceu Maria Thereza, na Toscana, justamente no casamento de um desses amigos, contou em seu sermão o padre Jorjão, que por sinal também oficiou o tal casamento na Itália.

E os grupos assim se dividiam pelas mesas redondas dos salões: os amigos dele, uma alegre e enorme família, os familiares de ambos, toda a Família Imperial Brasileira, as amigas dela desde a infância  – e muitas, madrinhas, entraram sozinhas no cortejo, já que o número de mulheres superava o dos padrinhos, e esse lance de ter que fazer tudo certinho, par a par, casal a casal, já foi, é passado, importa é todos ficarem felizes.

Felicidade excedia. No grande salão envidraçado, nomes coroados em todas as direções. Eram empresários bem sucedidos, grandes famílias, mulheres empreendedoras, homens idem. E no salão disco gente jovem e definitivamente linda evoluindo sem régua e sem trégua. .

Assim foi, tal e qual, a história do casamento dessa princesa brasileira, Maria Thereza, com seu encantado Guilherme, sem por nem tirar, sem tirar nem por e, quem tiver mais a contar, que conte outra, porque essa eu já contei. Afinal, Era uma vez…   

Olhos nos olhos…

Na exuberância da Floresta da Tijuca, o altar nos jardins da casa do Alto

Princesa Maria Eleonora e Klaus Theodore

Klaus Theodore, o cão com pose e nome de nobre

Bolo enfeitado com guirlanda de flores nas cores da decoração da festa

Cláudia de Orléans e Bragança com as três filhas marias princesas, Maria Eleonora, Maria Thereza e Maria Elizabeth


Ensaio com delicadeza

Havia mesas também ao ar livre.

 

As fadas e os elfos da Floresta da Tijuca observavam aquele sonho de uma noite de inverno…

 

Claudia Orléans e Bragança, que é Godinho de solteira, com as amigas Bia Costa e Silva, Juju Müller, Renata Cardim, Luiza Prettyman (o pai da noiva, Francisco de Orléans e Bragança, ao lado), Lilah Moreira de Souza e Lidô Machado

Pablo Trindade de Souza, Maria Elizabeth, Carol Ribeiro e Augusto Fellipi

O vestido da noiva provocou exclamações. Elegante, despojado, bem feito e, além disso, espetacular. É do Atelier White Hall, de São Paulo. Criação de Nana Martinez.

Isabel, Olivia e Sofia

Elizabeth de Orléans e Bragança, príncipe Alexander Stolberg & Stolberg, Ana Gabriela Godinho Ribeiro

Princesas Cristine e Graça de Orléans e Bragança

Com o pai, dom Francisco de Orléans e Bragança

A princesa Cláudia de Orléans e Bragança com a neta, Maria Isabel

As tias da noiva: Tuti, Isabel e Cristine de Orléans e Bragança

Carol Neuman e Augusto Godinho Ribeiro, padrinhos

Padre Jorjão dá a bênção aos noivos. O casamento de fato foi dias antes, só as famílias, no Outeiro da Glória, como é tradição da Família Imperial Brasileira.

THE END

Bailarino volta a dançar após o tratamento com as células tronco

Sabem por que mantenho este blog? Para manter vivo o contato com vocês e poder compartilhar coisas boas como a pesquisa médica desenvolvida com sucesso pelo dr. Carlos Henrique Bittencourt, no campo das células tronco, e que tem feito bem a tanta gente. Inclusive já fez a mim. Agora aí vai mais um caso médico de sucesso do dr. Bittencourt:

Bailarino volta a daçar…

http://www.mundomulher.com.br/?pg=17&sec=18&sub=88&idtexto=12126&keys=Bailarino+volta+a+dancar+apos+terapia+celular

Rui, o gaúcho, decano da alta moda brasileira

O decano da alta costura do país Rui Spohr deu uma longa entrevista à revista Donna sobre sua recente imortalidade acadêmica, como membro da Academia Brasileira da Moda, e seus projetos com o Instituto Rui.

Aos 87 anos, Rui Spohr entra para a Academia Brasileira de Moda e afirma que não quer ser visto como um estilista para poucos

Em seu 75º aniversário, a Academia Brasileira de Arte ganha de presente a imortal Nélida Piñon

A Academia Brasileira de Arte – a ABA -, na mesma semana em que festeja seu 75º aniversário, indica o novo membro, que ocupará a Cadeira 24, da classe de Letras, vaga aberta em razão do falecimento do  embaixador Antonio Fantinato. E o faz em grande estilo. Trata-se da também imortal pela Academia Brasileira de Letras, Nélida Piñon, mais de 20 livros escritos, 12 prêmios internacionais, inclusive o Príncipe de Astúrias, doze nacionais, sete doutorados honoris causa, sendo seis estrangeiros, e 18 condecorações.

Nélida é também acadêmica correspondente da Academia das Ciências de Lisboa (1998), da Real Academia Espanhola (2009), da Academia Mexicana de La Lengua e acadêmica de honra da Real Academia Galega (2013) e de numerosas instituições culturais no Brasil e no exterior.

A escritora vem se juntar a outros membros “caçulas” recentes da ABA: o violonista Turíbio Santos, a atriz Nathalia Timberg e o empreendedor cultural Sérgio Costa e Silva, diretor do Projeto Música no Museu.

O nome de Nélida só foi confirmado hoje, por isso sua indicação não chegou a ser ventilada no jantar festivo dos 75 anos do último sábado, evento que reservei para contar e divulgar junto com esta boa nova, em ritmo de fogos de artifício e com espocar de rolhas de champagne, dando boas vindas à nova confreira, viva!

Foi há 75 anos que, sob inspiração de Ataulpho de Paiva, um grupo de pintores, escultores, arquitetos, escritores, teatrólogos, músicos, críticos e historiadores de arte se reuniu em uma academia, a Academia Brasileira de Arte. Eles eram os pioneiros.

Uma nova geração somou-se a eles, 22 anos depois, e a Academia Brasileira de Arte ganhou sigla – ABA -, institucionalizou-se, passou a ter fardão, colar e bandeira, a exemplo de suas co-irmãs. Passadas mais de sete décadas e ao longo de 104 confrades, que se sucedem numa convivência frutífera e harmoniosa, hoje são 40 membros, e também nomes da Dança, do Cinema, do Design e da Moda, além de colecionadores de, estudiosos do Patrimônio Artístico e empreendedores culturais.

A ABA é um caldeirão de arte em permanente ebulição, evoluindo de acordo com os tempos e a modernidade. Na ABA, o ambiente é de troca de experiências, ideias, saberes. Diferente não poderia ser, não lhe desse o tom a amabilidade maestra da presidente Heloísa Aleixo Lustosa, mineira que é só delicadeza, dada aos ritos da cerimônia afetuosa e gentil, fazendo que com prazer antecipemos os momentos de convívio entre pares.

A comemoração do 75º aniversário foi no Copacabana Praia Hotel, cujo primeiro prédio teve projeto e construção do saudoso arquiteto Carlos Lustosa, marido de Heloísa. Estávamos, de certa forma, em casa. Com esse espírito, fomos recebidos pelo hoteleiro Aloysio Maria Teixeira Filho, o anfitrião da noite, que nos homenageava.

O discurso de Heloísa, além de belo e conciso, foi informativo e me serviu de guia a este texto. Thanks, amiga e confreira!

Aloysio Maria Teixeira Filho, Heloísa Aleixo Lustosa e sua filha, Eliane Lustosa

Heloísa Lustosa, Victorino Chermont de Miranda, vice presidente da ABA, Sergio Costa e Silva, novo membro na cadeira representando os empreendedores culturais, com Ignez, esta Hilde, da cadeira da Moda, e Francis

 

O membro historiador Arno Wehling, recém admitido também na ABL, com sua sra. e a sra. Victorino Chermont

Os imortais poeta Alexei Bueno e o ensaísta Silvio Lago e senhoras

Victorino Chermont com Mary Marinho e Haroldo Costa, da cadeira de Arte Popular Brasileira

Sergio Duarte, Francis Bogossian, Hildegard Angel e Francis Bogossian

Maria Luiza Nobre, representando o marido maestro, Marlos Nobre, membro da Aba, a presidente Heloísa Lustosa, e Paulo Barragat, membro antiquário

O gerente geral do Copacabana Praia Hotel, Sérgio Duarte, e a senhora  Euclydes Aranha

Aloysio Teixeira, Heloísa Lustosa, Victorino Chermont de Miranda e a restauradora do Patrimônio Histórico Brasileiro, Dora Monteiro e Silva de Alcântara, membro da ABA

OS membros imortais Haroldo Costa e o colecionador de arte Patrick Mayer, com suas caras metades e  a cara amiga Yacy Nunes

Família Imperial Brasileira casa mais uma princesa, nos moldes clássicos e com elegância

Espera-se grande trânsito e bateção de asas de fadas madrinhas, nos céus do Alto da Boa Vista, na noite de sábado. Afinal, não é toda dia, nem toda noite, que se casa uma princesa, muito menos, no próprio palacete da família. E com lago na frente! Uma princesinha gêmea, que, quando nasceu, toda a corte social carioca subiu o Alto para conhecê-la e sua irmã, nos berços enfeitados com babados de organdi branco, rendas e fitas, uma visão para sempre lembrar.

Como acontece em se tratando das Orléans e Bragança, será um casamento clássico, familiar e alegre, em que as tradições serão obedecidas, exceto por um detalhe, a noiva desta vez não vestirá Guilherme Guimarães, o que era item obrigatório nos casamentos da Família Imperial Brasileira até dezembro passado, quando o costureiro das noivas princesas nos deixou.

Maria Thereza, porém, há de estar linda, bem como sua irmã, Maria Eleonora, que vem de Londres, onde mora e trabalha na área de finanças. A mãe é a princesa Cláudia Godinho de Orléans e Bragança, linda mulher, filha dos saudosos e adoráveis Nilza e Eurico Godinho, cujas festas naquela propriedade, praticamente uma chácara urbana toda murada, marcaram época na cidade. O pai da noiva é o príncipe Francisco de Orléans e Bragança. Fui ao casamento deles, ao batizado das meninas e agora vou ao casamento de Maria Thereza com Guilherme. E assim  segue a vida…

   As irmãs gêmeas princesas dona Maria Thereza e dona Maria Eleonora

 O convite do casamento de Maria Thereza de Orléans e Bragança e Guilherme Zanker

Em papel de linho creme e impresso em relevo azul marinho, os convites do casamento são sobrescritos por calígrafo, também com letra azul marinho – muito elegante

A marca d’água em relevo, no convite, com o brasão do Império

Os casamentos em Brasília, surpreendendo sempre… e uma Igreja emergiu do Lago Paranoá!

E segue a vida em Brasília… Nesta sexta-feira, um tempo magnífico, e uma igreja emergiu em pleno Lago Paranoá, boiando a bordo de uma imensa balsa, atracada no deck da residência do megaempresário Geovanni Meireles, que, com Andréa, casavam a filha, Vanessa, com Adriano Mesquita. Geovanni é o homem dos helicópteros e jatinhos alugados, que decolam e zarpam, pra lá e pra cá, na Capital Federal, além de atuar no setor de mineração.

Para um homem que voa alto, os sonhos são elevados. Daí que concretizou todas as fantasias de um casamento espetacular para Vanessa. A balsa-igreja não comportava apenas o altar, com cenografia de inspiração mourisca, como também as cadeiras dos 500 convidados e o palco da orquestra. A solenidade foi às quatro da tarde. À noite, o espaço virou pista de dança e a orquestra eletrizou, chacoalhou Brasília inteira com seu som.

E quem era essa ‘Brasília inteira’? O casal senador Fernando Collor e Caroline, cujas filhas gêmeas foram daminhas do casamento; o senador Cyro Nogueira, de quem Geovanni é muito próximo; Raimundo e Gitana Lyra; nosso embaixador no Irã, Azeredo Santos, e Marília. Do Rio de Janeiro, estavam o desembargador Paulo Cesar Espírito Santo,  presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região, e sua Leise, juíza, Walter Moraes e Maria Célia, Ângela Fragoso Pires. E assim seguiu a procissão de homens de poder e mulheres de longos.

Tudo nesse casamento teve inspiração das Arábias. Do bolo, com quase dois metros, cortado com espada, ao inacreditável vestido de mil e uma noites da noiva. Nos salões da residência à beira do Lago, onde foi construído o deck para ancorar a balsa-Igreja, mal sobrava uma nesga de parede, teto ou alisar de porta. Tudo eram flores e flores, em tons de rosa, subindo pelas paredes, como se fossem heras, se esparramando pelos tetos, transformando as salas em grandes caramanchões.

Foi um casamento civil no altar, não houve cerimônia religiosa. A religião consistiu numa bênção, que padre Fábio de Mello, um dos padrinhos, conferiu aos noivos, simbolicamente, através de canção interpretada por ele, para delírio dos presentes, que após a cerimônia cercaram o padre pop star pedindo selfies. Fábio e o pai da noiva são grandes amigos.

E assim finalizo o relato de mais um casamento grandioso, entre tantos que já descrevi, realizados em Brasília, sem dúvida a cidade que, quando casa suas jovens herdeiras, surpreende sempre, supera expectativas, estabelece novos limites em ousadia e rasgos de generosidade.

Já houve uma noiva brasiliense que importou da cidade de Baccarat, na França, 350 candelabros de cristal, e encomendou na fábrica de Limoges, naquele país, 700 pratos de porcelana com seu monograma; outra mandou construir um palácio, especialmente, para depois da festa o demolir; mais uma reuniu no altar as mulheres de sua família e as madrinhas, todas elas vestindo haute couture francesa, Christian Dior. Enfim, o auge do luxo e do refinamento. Coisas que a gente só lê nos livros de estória, e que só mesmo a pena de uma colunista social para descrever…

A noiva, Vanessa, em seu vestido espetacular, com renda aplicada sobre zibelina, levada ao altar pelo pai, Geovanni Meireles, pisando a passadeira branca com moldura ouro velho. Ao fundo, a residência.

No altar, durante o ofício Civil, a capela católica com inspiração mourisca, as duas daminhas de branco são as filhas gêmeas de Fernando Collor e Caroline

O noivo Adriano Mesquita aguarda a noiva Vanessa Meirelles. Ao fundo, seus pais, Marcelo e Ana Cláudia Mesquita

A juiza Leise Espírito Santo e o desembargador Paulo César Espírito Santo,  presidente do Tribunal Regional Federal da 2ª Região

Os pais da noiva, Geovanni e Andréa

A representação carioca: Ângela Fragoso Pires (em pé), Walter e Maria Célia Morais, de seda verde de Valdemar Iódice.

Capela antes do “Sim”

 Leise Espírito Santo e o padre Fabio de Mello

O bolo romântico e florido alcançava quase dois metros de altura com seus 10 andares

As flores subiam pelas paredes, como heras, derramavam-se pelos tetos, não deixando quase uma nesga para se enxergar a alvenaria… as mesas de doces eram em degradê

Valsa de luzes

Os doces nas mesas “bordavam” flores

Levando as alianças, a neta de Geovanni e Andréa Meireles

A foto clássica dos noivos com os pais

Cortando o bolo de dois metros com o sabre

As 500 cadeiras da igreja que emergiu no Lago Paranoá especialmente para casar Vanessa e Adriano