Michel Temer assume a vice-presidência renovado, novinho em folha…

O vice-presidente da República Michel Temer tomará posse amanhã em Brasília, ao lado de Dilma, novinho em folha, depois de uma temporada rejuvenescedora, revitalizadora, restauradora, de alguns dias, no Kurotel de Gramado, ao lado de agradáveis companhias, como Tarcísio Meira e Glória Menezes, que também se hospedam lá neste final de ano.

O Kurotel, neste 2014, somou à sua grande galeria de troféus o “Seven Star Global Luxury Awards”, premiação que o coloca como spa médico  “number 1 of the World” (número 1 do Mundo), considerando sua excelência em hotelaria e lifestyle.

No cardápio do Kurotel há um tratamento preventivo e rejuvenescedor, que atrai até Gramado, anualmente, algumas grandes figuras da República, como o novo vice-governador do Rio de Janeiro, Francisco Dornelles, e o empresário gaúcho Jorge Gerdau Johanpetter.

Enfim, todos os cuidados de saúde e de bem estar de que Temer necessitava para assumir o meio de campo no estica-e-puxa das exigências pemedebistas e ajudar Dilma a fazer a máquina do Brasil andar.

PARTE 2 – No jantar dos Serpa, a inocência vive, a fé é a razão. Bem aventurados aqueles que têm Fé!

Vamos começar a distribuir os presentinhos logo pela manhã?

Que tal iniciarmos cumprindo a promessa feita e exibir as imagens do mais lindo dos jantares desta temporada natalina?

O “Pré-Natal party” de Beth e Carlos Alberto Serpa é uma tradição consolidada na sociedade carioca.

Felizes os que alcançam o privilégio de um lugarzinho (e há apenas 30!) nas mesas de lugares marcados (sempre com a foto de cada comensal) e têm a oportunidade de usufruir ‘o máximo do máximo’ que um casal de anfitriões pródigos e de bom gosto pode oferecer.

Católicos, eles levam a religião a sério e fazem, da ocasião, não mera circunstância social, mas oportunidade de somar a devoção ao congraçamento com amigo.

No mais belo e inspirador dos cenários, somam a arte, através dos autos de Natal, corais afinados e a emblemática participação de Papai Noel.

Eis que se dá, então, um outro ‘milagre de Natal’, e todos se fazem crianças grandes, ou grandes crianças!

Vemos senhoras elegantes, bem penteadas, em seus longos, com seus faiscantes colares, disputarem um selfie com Papai Noel, e importantes empresários levantarem-se para fazer pose ao lado do bom velhinho, enternecidos.

Mas o momento pontual é aquele em que Maria, com o menino Jesus nos braços, e São José, apoiado em seu cajado, entram na sala. Eis que se faz respeitoso silêncio, após um “ah!” geral de admiração. Comovidos, os presentes acompanham respeitosos a procissão da Sagrada Família e compreendem, em toda a sua real dimensão, o motivo de sua presença ali.

Sagrada Família nos faz perceber que não estamos naquele jantar exclusivo pelo seu menu fantástico, pelas bebidas bem selecionadas, os garçons impecáveis de paletó vermelho, o décor natalino ou pela oportunidade de exibir roupas elegantes (como o Heckel Verri da própria Beth Serpa). Não estamos pelas joias (o lindo crucifixo antigo de ouro de Monica Farias), as conquistas (a nova forma de Terezinha Pittigliani), os acessórios (a cestinha com seda e pedras luxuosa, by Nieta, de Sueli Stambowsky), as vitórias (a euforia do Leleco com o sucesso do musical “Chacrinha”).

Compreendemos, admirando o cortejo divino, que formos de fato os Escolhidos para aquele jantar único, devido àquela palavrinha tão minúscula quanto a família sagrada que agora contemplamos: Fé!

É Natal! Tempo de Perdão, de congraçamento, amor, união, tempo de escutar melhor e entender o alerta do bom Papa Francisco contra um certo ‘Mal de Alzheimer’, que contamina mentes e corações de nossa religião católica.

Não nos deixemos contaminar. Não percamos a inocência.

No jantar dos Serpa, a inocência vive, a fé é a razão. Bem aventurados aqueles que têm Fé!

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FOTOS VERÔNICA PONTES E MARCELO BORGONGINO, O CASAL ‘PAPARAZZI DE OURO DO HIGH CARIOCA’!

PARTE 1 – A extraordinária ceia pré-natalina dos Serpa… Aguardem todo o relato…

Em um determinado momento, depois de sucessivas ondas de surpresas, energias de belezas, deslumbramentos, luxos, eis que adentra a sala de jantar, seguramente a mais bela que já conheci, o cortejo da Sagrada Família –  Nossa Senhora, São José, o Menino Jesus – envolvendo os presentes em aura de emoção.

A beleza nos entrava pelos olhos, nos inspirava religiosidade, fazendo-nos cristãmente humildes e desimportantes, diante da grandiosidade da fé.

Tudo isso precedido e sucedido pelas mais belas músicas natalinas do cancioneiro norte-americano, entoadas por um coral de “Mamães Noel” e “Papitos Noel” afinadíssimos, muito bem ensaiados, que percorriam o salão, circulavam entre as mesas, nos contagiando com sua sonoridade, alegria e júbilo…

Mas os anfitriões, Carlos Alberto e Beth Serpa, ainda haviam nos reservado outros deliciosos carinhos, próprios de quem se excede sempre, e ainda mais, a cada vez, para nos proporcionar a noite de todos os sonhos e nos fazer ingenuamente “pequeninos”, como aqueles da rima da canção dos “sinos” de Belém…

sagrada familia

Alto de Natal - musical com apresentação do Presépio (15)O Coral das Mamães Noel e dos Papitos Noel interpretou clássicos americanos natalinos…

Aguardem as próximas revelações…

FOTOS MARCELO BORGONGINO E VERONICA PONTES

Quando O Globo, o Pravda e o Estadão têm a mesma opinião!

Depois de Luiz Fernando Veríssimo, em sua irretocável crônica de ontem nos jornais O Globo e Estadão, hoje foi a vez de o principal jornal russo, o Pravda, na página em português de seu site, se posicionar a respeito do trabalho da Comissão da Verdade do Brasil, classificando-o de “um passo à frente”. Aqui está o link para vocês:

O Pravda: justiça à memória das vítimas de crimes hediondos da ditadura brasileira

Ah, não leram o que escreveu o Veríssimo? Leiam aqui a transcrição:
(Estadão, O Globo)

Os dois lados

Luiz Fernando Veríssimo

É desonesto não aceitar a diferença entre a violência clandestina de contestação a um regime ilegítimo e a violência que arrasta toda a nação para os porões da tortura

Na reação ao relatório da Comissão da Verdade sobre as vítimas da ditadura, afirma-se que, para ser justo, ele deveria ter incluído o outro lado, o das vítimas da ação armada contra a ditadura. Invoca-se uma simetria que não existe. Nenhum dos mortos de um lado está em sepultura ignorada como tantos mortos do outro lado. Os meios de repressão de um lado eram tão mais fortes do que os meios de resistência do outro que o resultado só poderia ser uma chacina como a que houve no Araguaia, uma estranha batalha que — ao contrário da batalha de Itararé — houve, mas não deixou vestígio ou registro, nem prisioneiros. A contabilidade tétrica que se quer fazer agora — meus mortos contra os teus mortos — é um insulto a todas as vítimas daquele triste período, de ambos os lados.

Mas a principal diferença entre um lado e outro é que os crimes de um lado, justificados ou não, foram de uma sublevação contra o regime, e os crimes do outro lado foram do regime. Foram crimes do Estado brasileiro. Agentes públicos, pagos por mim e por você, torturaram e mataram dentro de prédios públicos pagos por nós. E, enquanto a aberração que levou a tortura e outros excessos da repressão não for reconhecida, tudo o que aconteceu nos porões da ditadura continua a ter a nossa cumplicidade tácita. Não aceitar a diferença entre a violência clandestina de contestação a um regime ilegítimo e a violência que arrasta toda a nação para os porões da tortura é desonesto.

O senador John McCain é um republicano “moderado”, o que, hoje, significa dizer que ainda não sucumbiu à direita maluca do seu partido. Foi o único republicano do Congresso americano a defender a publicação do relatório sobre a tortura praticada pela CIA, que saiu quase ao mesmo tempo do relatório da nossa Comissão da Verdade. McCain, que foi prisioneiro torturado no Vietnã, disse simplesmente que uma nação precisa saber o que é feito em seu nome. O relatório da Comissão da Verdade, como o relatório sobre os métodos até então secretos da CIA, é um informe à nação sobre o que foi feito em seu nome. Há quem aplauda o que foi feito. Há até quem quer que volte a ser feito. São pessoas que não se comovem com os mortos, nem de um lado nem do outro. Paciência.

Enquanto perdurar o silêncio dos militares, perdura a aberração. E você eu não sei, mas eu não quero mais ser cúmplice.

(Nota da Hilde: Não sei se estou cometendo alguma transgressão grave por reproduzir neste espaço o texto, já publicado, do cronista, mas como este blog não tem fins comerciais, acho que ele vai entender que o faço por pura e simples admiração)

Happy hour ‘cool trepidante’… era noitinha e elas usavam óculos escuros…

O empresário Gustavo Gonçalves, da Ótica Arnaldo Gonçalves de Ipanema, antecipou –  porque a data real é 24 de dezembro – e recebeu na segunda-feira para Happy Hour de aniversário em seu belo apartamento da Lagoa, num clima de descontração, papos engraçados, piadas e grupinho retrô no fumódromo na varanda, com comentários críticos de como andam as coisas na atualidade, bem no clima das festas dos anos 70, quando os times eram diversificados, mas interagiam muito bem, e quem frequentou as rodas ‘cool-trepidantes’ lembra.
O apartamento de Gustavo tem identidade, mistura estilos, reúne um belo acervo de quadros, mas nada supera a vista extraordinária da Lagoa Rodrigo de Freitas, emoldurada por uma parede de vidro que domina o salão, dando para a varanda.
Happy regado a vinhos franceses, branco e tinto, e recheado com salgadinhos, pratinhos volantes e uma mesa de doces para os formiguinhas magrinhas do high.
IMG_4537 Ana Maria Castelo Branco e o aniversariante Gustavo Goncalves
Ana Maria Castelo Branco, de óculos, e o aniversariante Gustavo Gonçalves, dono da ótica das coroadas do Rio
IMG_4593 Vera Bocayuva e Edgar Moura Brasil
 Vera Bocayuva e Edgar Moura Brasil
IMG_4712 Kiki Garavaglia, Paulo Muller e Lenir Lampreia

Kiki Garavaglia, Paulo Muller e Lenir Lampreia

IMG_4643 Paulo Reis, Bia Vasconcellos e Chico Gouvea.Paulo Reis, Bia Vasconcellos e Chicô Gouvêa com lapiseira no bolso

IMG_4754 Daniela Seade, Marcia e Ana DuviverDaniela Seade, Marcia e Ana Duvivier

IMG_4612 Anna Burle Marx e Geraldo LamegoAnna Burle Marx e Geraldo Lamego

IMG_4578 Graca de Oliveira Santos, Gustavo Goncalves e Jane Rose KlarnetGraça de Oliveira Santos, Gustavo Gonçalves e Jane Rose Klarnet

IMG_4682 Os Celidonio, Jose Hugo, Carolina,Mario Sergio, Maria Alice e Geraldo.A feliz família Celidônio: José Hugo, Carolina, Mario Sérgio, Maria Alice e Geraldo

IMG_4784 Ticiana Berardo, Alice Maria da Silveira e Norma BerardoTiciana Berardo, Alicinha Silveira e Norma Berardo

IMG_4771 Bia Vasconcellos, Nelita Leclery e Tania CaldasTrinca de óculos escuros à noitinha: Bia Vasconcellos, Nelita Leclery e Tania Caldas

Fotos de Geraldo Valladares

As 12 Estações da Paixão da Mulher Brasileira, aquela que não merece ser estuprada, feia ou bonita

O deputado Jair Bolsonaro diz que não estupra a deputada Maria do Rosário porque ela não merece. Ainda explica: não merece porque é feia.

O deputado militar da reserva não aprecia a deputada, a qual, além de defender a linda causa das mulheres oprimidas, patrocina, através de seu mandato, os direitos humanos em geral.

A Comissão Nacional da Verdade, depois de anos de um trabalho sério, exaustivo, minucioso, imparcial, conduzido pelo jurista Pedro Dallari, cumpriu sua missão – como bem declarou o comandante da Marinha, almirante Julio Moura Neto – e publicou longo Relatório, deixando um legado fundamental para a História do Brasil.

Ato contínuo à divulgação do Relatório, um grupo de já notórios militares reformados, que costuma celebrar os aniversários do Golpe, fez publicar um anúncio pago em página fúnebre de jornal carioca, e alguns colunistas e editorialistas correram céleres a sofregamente comparar “dois lados”. Como se fosse possível tal similaridade, baseando-se em suposta lista de mortos “do lado de lá”, elaborada não se sabe com que elementos, na tentativa de se conferir a esta lista a mesma credibilidade dada ao árduo trabalho de mais de três anos da Comissão Nacional da Verdade, constituída pelo Governo do Brasil!

Compreende-se o desconforto de tais senhores, que encomendaram o espaço publicitário, ao verem seus nomes ou os de seus pares indelevelmente comprometidos com o massacre covarde e unilateral realizado durante a ditadura, quando quem detinha o Poder e a Força eram apenas eles. O que alguns colunistas, comentaristas, editorialistas e palpiteiros em geral, escandalosamente, ainda ignoram.

Já que nesta segunda década do terceiro milênio, em nosso país, persiste o descaso pelas mulheres, somando-se à total ignorância, por formadores de opinião de alto porte, dos fatos históricos ocorridos em unidades militares protagonizados por agentes de Estado (e não faz tanto tempo), oportuno é repetir hoje, domingo 14 de dezembro de 2014, minha reportagem de 29 de março de 2010, Sexta-Feira da Paixão, publicada no Jornal do Brasil. Vamos a ela.

O título:

UMA VIA CRÚCIS BRASILEIRA

“Hoje não é dia de rir nem de brincar. É Sexta-Feira da Paixão, dia de jejuar, lembrar a paixão do Cristo crucificado, os suplícios sofridos em nome de salvar a Humanidade de seus próprios horrores.

São as estações da Via Crúcis, que nós nos acostumamos a ver representadas nas paredes das igrejas. Hoje, dia de chorar e carpir dores, percorreremos juntos as 12 estações de uma Via Crúcis diferente, brasileira, sofrida por mulheres notáveis, que vocês vão agora descobrir.

Não eram nem assaltantes nem traficantes nem criminosas. Brasileiras patriotas, jovens idealistas, estudantes na maioria, atuando para reconduzir nosso país ao atual estado democrático, para que pudéssemos exercer a liberdade do pensamento, do ir e do vir, do discutir, do divergir; pudéssemos voltar a ser cidadãos, a pensar como indivíduos e não como um rebanho perfilado e obediente, um Brasil de catatônicos, sob a ditadura militar.

Outras mulheres como essas, bravas, corajosas. únicas, enchem as páginas do livro Luta, substantivo feminino – mulheres torturadas, desaparecidas e mortas na resistência à ditadura, lançado pelos ministros Paulo Vannuchi e Nilcéia Freire. Todos são casos comprovados pela Comissão dos Mortos e Desaparecidos, e  nos dão vergonha, nos tiram qualquer possibilidade de inocência, revelam o quanto sórdido pode ser o homem quando detém poder absoluto sobre o seu semelhante. Um circo de anormais pago com o dinheiro do contribuinte.

Creiam, dói tanto em mim escrever sobre isso quanto será dolorosa, para vocês, a leitura. É a penitência que a colunista lhes propõe nesta Sexta Santa, na esperança de que cada vez mais brasileiros apoiem a Comissão Nacional da Verdade, cujos trabalhos estão prestes a ser iniciados, para que tais horrores, sob ordem e patrocínio daqueles governos vigentes, não caiam no esquecimento, jamais se repitam…”

A PRIMEIRA ESTAÇÃO

A paixão segundo Rose…

“Sobe depressa, “Miss Brasil”, dizia o torturados enquanto me empurrava e beliscava minhas nádegas escada acima no Dops. Eu sangrava e não tinha absorvente. Eram os ’40 dias’ do parto. Na sala do delegado Fleury, num papelão, uma caveira desenhada e, embaixo, as letras EM, de Esquadrão da Morte. Todos deram risada quando entrei. ‘Olha aí a Miss Brasil. Pariu noutro dia e já está magra, mas tem um quadril de vaca’, disse ele. Um outro: ‘Só pode ser uma vaca terrorista’. Mostrou uma página de jornal com a matéria sobre o prêmio da vaca leiteira Miss Brasil numa exposição de gado. Riram mais ainda quando ele veio para cima de mim e abriu meu vestido. Segurei os seios, o leite escorreu. Eu sabia que estava com um cheiro de suor, de sangue, de leite azedo. Ele (delegado Fleury) ria, zombava do cheiro horrível e mexia com seu sexo por cima da calça com um olhar de louco. O torturador zombava: ‘Esse leitinho o nenê não vai ter mais’.

Rose Nogueira, que conheci quando eu apresentava, na Globo, um quadro no TV Mulher, dirigido por ela, é jornalista e foi presa, em 1969, em São Paulo.

SEGUNDA ESTAÇÃO

A paixão segundo Gilze…

“Eu estava arrebentada, o torturador me tirou do pau de arara. Não me aguentava em pé, caí no chão. Nesse momento, fui estuprada”.

Gilze Cosenza, assistente social aposentada de Belo Horizonte. Foi presa em 1969. Sua filha tinha quatro meses.

TERCEIRA ESTAÇÃO

A paixão segundo Izabel…

“Eu, meu companheiro e os pais dele fomos torturados a noite toda ali, um na frente do outro. Era muito choque elétrico. Fomos literalmente saqueados. Levaram tudo o que tínhamos: as economias do meu sogro, a roupa de cama e até o meu enxoval. No dia seguinte, eu e meu companheiro fomos torturados pelo capitão Júlio Cerdã Mendes e pelo tenente Mário Expedito Ostrovski. Foi pau de arara, choque elétricos, jogo de empurrar e ameaça de estupro. Eu estava grávida de dois meses e eles estavam sabendo. No quinto dia, depois de muito choque, eu abortei. Quando melhorei, eles voltaram a me torturar”…

A professora Izabel Fávero foi presa em 1970, em Nova Aurora, no Paraná. Hoje ela é docente universitária, lecionando administração, no Recife. 

QUARTA ESTAÇÃO

A paixão segundo Hecilda…

“Quando fui presa, minha barriga de cinco meses de gravidez já estava bem visível. Fui levada à delegacia da Polícia Federal, onde, diante da minha recusa em dar informações a respeito de meu marido, Paulo Fontelles, apanhei e comecei a ouvir, sob socos e pontapés: ‘Filho dessa raça não devia nascer’. (…) me colocaram na cadeira do dragão, bateram em meu rosto, pescoço, pernas, e fui submetida à ‘tortura científica’. Da cadeira em que sentávamos saíam uns fios, que subiam pelas pernas e eram amarrados nos seios. As sensações que aquilo provocava eram indescritíveis: calor, frio, asfixia. Eu não conseguia ficar em pé nem sentada. As baratas começara, a me roer. Aí me levaram ao hospital da guarnição em Brasília, onde fiquei até o nascimento do Paulo. Nesse dia, para apressar as coisas, o médico, irritadíssimo, induziu o parto e fez o corte sem anestesia”.

Hecilda Fontelles Veiga, estudante de Ciências Sociais, presa no quinto mês de gravidez, em 1972, em Brasília. Hoje vive em Belém, onde é professora da Universidade Federal do Pará.

QUINTA ESTAÇÃO

A paixão segundo Marise…

“Eu era jogada nua e encapuzada, como se fosse uma peteca, de mão em mão. Com os tapas e choques elétricos, perdi dentes e todas as minhas obturações”.

A socióloga Marise Egger-Moelkwald ainda amamentava seu filho quando foi presa em 1975. Marise mora em São Paulo.

SEXTA ESTAÇÃO

A paixão segundo Yara…

“Era muita gente em volta de mim. Um deles me deu pontapés e disse: ‘Você, com essa cara de filha de Maria, é uma filha da puta’. E me dava chutes. Depois, me levaram para a sala da tortura. Aí, começaram a me dar choques direto da tomada no tornozelo. Eram choques seguidos no mesmo lugar”.

Yara Spadini, assistente social, foi presa em 1971, em São Paulo, onde é professora aposentada da PUC.

SÉTIMA ESTAÇÃO

A paixão segundo Inês Etienne…

Fui conduzida para uma casa em Petrópolis. O dr. Roberto, um dos mais brutais torturadores, arrastou-me pelo chão, segurando-me pelos cabelos. Depois, tentou me estrangular e só me largou quando perdi os sentidos. Esbofetearam-me e deram-me pancadas na cabeça. Fui espancada várias vezes e levava choques elétricos na cabeça, nos pés, nas mãos e nos seios. O ‘Márcio’ invadia minha cela para ‘examinar’ meu ânus e verificar se o ‘Camarão’ havia praticado sodomia comigo. Esse mesmo ‘Márcio’ obrigou-me a segurar seu seu pênis, enquanto se contorcia obscenamente. Durante esse período fui estuprada duas vezes pelo ‘Camarão’ e era obrigada a limpar a cozinha completamente nua, ouvindo gracejos e obscenidades os mais grosseiros”.

Inês Etienne Romeu – bancária, presa em São Paulo, em 1971. Hoje, vive em Belo Horizonte.

OITAVA ESTAÇÃO

A paixão segundo Ignez Maria…

“Fui levada para o Dops, onde me submeteram a torturas como cadeira do dragão e pau de arara. Davam choques em várias partes do corpo, inclusive nos genitais. De violência sexual, só não houve cópula, mas metiam os dedos na minha vagina, enfiavam cassetete no ânus. Isso, além das obscenidades que falavam. Havia muita humilhação. Eu fui muito torturada, justamente com o Gustavo (Buarque Schiller), porque descobriram que era meu companheiro”.

Ignez Maria Raminger estudava medicina veterinária, quando foi presa em 1970, em Porto Alegre, onde trabalha atualmente como técnica da Secretaria da Saúde. 

NONA ESTAÇÃO

A paixão segundo Dulce…

“Eu passei muito mal, comecei a vomitar, gritar. O torturador perguntou: “Como está?”. E o médico: “Tá mais ou menos, mas aguenta”. E eles desceram comigo de novo”,

Dulce Chaves Pandolfi, professora da FGV-Rio. Da ALV, foi presa em 1970 e serviu de “cobaia” para aulas de tortura. 

DÉCIMA ESTAÇÃO

A paixão segundo Maria Amélia…

“Fomos levados diretamente para a Oban. Eu vi que quem comandava a operação do alto da escada era o coronel Ustra. Subi dois degraus e disse: ‘Isso que vocês estão fazendo é um absurdo’. Ele disse: ‘Foda-se sua terrorista’, e bateu no meu rosto. Eu rolei no pátio. Aí, fui agarrada e arrastada para dentro. Me amarraram na cadeira do dragão, nua, e me deram choque no ânus, na vagina, no umbigo, no seio, na boca, no ouvido. Fiquei nessa cadeira, nua, e os caras se esfregavam em mim, se masturbavam em cima de mim. Mas com certeza a  pior tortura foi ver meus filhos entrando na sala enquanto eu estava na cadeira do dragão. Eu estava nua, toda urinada por conta dos choques”.

Maria Amélia de Almeida Teles, diretora da União de Mulheres de São Paulo, era professora de educação artística quando foi presa em São Paulo, em 1972.

DÉCIMA-PRIMEIRA ESTAÇÃO

A paixão segundo Áurea…

“Uma vez eu vi um deles na rua, estava de óculos escuros e olhava o mundo por cima. Eu estava com minha filha e tremi”.

A enfermeira Áurea Moretti, torturada em 1969, considera a anistia inócua, porque ela cumpriu pena de mais de quatro anos de cadeia, mas seus torturadores sequer foram processados pelos crimes que cometeram.

DÉCIMA-SEGUNDA ESTAÇÃO

A paixão segundo Diléa…

“Dois homens entraram em casa e me sequestram, juntamente com meu marido, o jornalista Paulo Markun. No DOI-Codi de São Paulo, levei choques nas mãos, nos pés e nas orelhas, alguns tapas e socos. Num determinado momento, eles extrapolaram e, rindo, puseram fogo nos meus cabelos, que passavam da cintura”…

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Dileá Frate por mais de 20 anos dirigiu o programa de Jô Soares, em São Paulo. Hoje, vive no Rio, onde é jornalista e escritora, com vários livros publicados. Foi presa em 1975, em São Paulo, quando estudava jornalismo.

Reportagem publicada em 29 de Março de 2010

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ACORDO DE R$ 150 MILHÕES ENCERRA PROCESSO DE 25 ANOS E BENEFICIA 1,5 MIL PROFESSORES DA UERJ

O título é a notícia boa.

A notícia ruim é que o pagamento será feito por Precatórios!

Para receberem as verbas trabalhistas a que têm direito, foram necessários 25 anos de espera pelos 1.574 professoras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj).

O acordo entre os representantes da instituição e do Sindicato dos Professores do Município do Rio de Janeiro, no valor líquido de R$ 149.637.170,47, foi homologado na manhã desta quarta-feira (3/12), na Coordenadoria de Apoio à Efetividade Processual (Caep), no Prédio-Sede do TRT/RJ. Em audiência presidida pelo desembargador Cesar Marques Carvalho.

As partes acertaram que o pagamento será feito mediante a expedição de precatórios, sendo R$ 131.140.522,73 em favor dos substituídos pelo sindicato e R$ 18.496.647,74 de multa processual, em favor da entidade sindical.

Com o cumprimento dos termos da conciliação, o processo, iniciado em 1989, estará encerrado.

Até a promulgação da Lei Nº 8.112, de 1990, que instituiu o regime jurídico único dos servidores civis, os professores da Uerj eram contratados pelo regime celetista, e por essa razão os docentes ingressaram na Justiça do Trabalho, por meio do sindicato, para pleitear verbas trabalhistas.

O valor total do acordo, de quase R$ 150 milhões, chama a atenção.

A título de comparação, a Semana Nacional de Conciliação – evento promovido de 24 a 28 de novembro pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em parceria com os tribunais estaduais, federais e do Trabalho – atingiu, no âmbito do TRT/RJ, o montante de R$ 65,125 milhões.

Esta é a notícia que acaba de ser divulgada pelo Tribunal Regional do Trabalho 1ª Região.