NUM PAÍS EM QUE A MENTIRA É CELEBRADA, PAGA O COXO PELO PECADOR. NESTE PAÍS, CARLOS VIU O SUICÍDIO COMO ÚNICA SAÍDA!

No dia 1º de abril, pela 25ª vez, acontecerá a entrega da Medalha Chico Mendes pelo Grupo Tortura Nunca Mais, seção Rio de Janeiro. Apesar de os nomes de todos os homenageados já estarem escolhidos, ontem foi decidido em reunião do Grupo que será prestada homenagem especial a Carlos Alexandre Azevedo, o mais jovem torturado pela Ditadura Militar brasileira, ainda bebê, e que suicidou há cinco dias….

A data da entrega da medalha é emblemática, pois lembra o Golpe  Militar, que de fato aconteceu num 1º de abril, em 1964, porém sua comemoração passou a ser anualmente no 31 de março pois não pegava bem a celebração ser justo no Dia da Mentira.

Contudo, a Mentira é praticamente uma predestinação para esse golpe, pois as mentiras foram sendo sucessivamente pregadas por ele ao povo brasileiro, adaptando a realidade às suas conveniências. Senão, vejamos…

O Golpe, que foi um golpe de fato – com tanque de guerra nas ruas e presidente eleito pelo povo deposto – imediatamente teve seu nome mudado para Revolução, e até hoje há quem a ele se refira dessa forma mentirosa: “Revolução”. A mentira tantas vezes repetidas virou verdade.

Os golpistas logo passaram a se intitular “revolucionários”, quando os revolucionários de verdade eram classificados por eles como “subversivos”. Porém, quem subvertia a ordem constitucional, fechando o Congresso, baixando atos institucionais, censurando a imprensa, abolindo a democracia, eram justamente eles, os golpistas, que dos revolucionários usurpavam o legítimo título.

Ato contínuo, nessa cadeia de mentiras desencadeadas, veio a mentira do terrorismo. Enquanto eles, os donos do poder, aterrorizavam os jovens com choques em paus de arara e afogamentos, lhes arrancavam as unhas, torciam os bicos dos seios das mulheres com alicates e costuravam suas vaginas, inserindo baratas vivas no interior (há relatos terríveis), também se davam ao desfrute de chamar “terroristas” às suas vítimas torturadas e assassinadas.

Incontáveis mentiras paridas a partir de um Dia da Mentira, de um golpe que, em vez de Pra frente Brasil, de  Miguel Gustavo, poderia ter como Hino a memorável canção, de Erasmo Carlos, Pega na mentira.

O suicídio, há cinco dias, da mais jovem vítima torturada por esses vilões mentirosos aos 1 ano e oito meses de idade, bebê frágil, inofensivo e desprotegido, que depois se tornou um jovem arredio, soturno, depressivo e triste, vem coroar com espinhos essa mentirada toda, que até hoje há quem insista em nos impingir.

Diz-se que mais rápido se pega um mentiroso do que um coxo. No Brasil, a mentira anda com vagar e tranquilidade, sem pressa nem susto, sem culpa nem contas a prestar.

Pobres coxos, dilacerados, amputados no corpo e na alma, condenados a arcar com o peso das maldades e das inverdades dessa mentira lenta e dessa Justiça ainda mais vagarosa do que os mentirosos impunes. Uma Justiça que jamais se faz…

Para quem tem lágrimas para chorar, coração para sentir, boca para transmitir, deixo aqui abaixo o link da reportagem do Observatório da Imprensa. Acessem o link e leiam. Vocês vão ficar mais bem informados sobre o nosso verdadeiro Brasil. Aquele que muitos procuram ainda esconder…

Acessem aqui o link da matéria: Morrer aos poucos

 

carlos_alexandre_azevedo2O menino Carlos Alexandre, no colo de seus pais, Dermi e Darcy

3 ideias sobre “NUM PAÍS EM QUE A MENTIRA É CELEBRADA, PAGA O COXO PELO PECADOR. NESTE PAÍS, CARLOS VIU O SUICÍDIO COMO ÚNICA SAÍDA!

  1. não vivi nesta época, mas choro sim pelo absurdo que isso foi…mas me orgulha saber que houve um tempo em que os brasileiros mesmo correndo o risco da morte se impunham e gritavam contra o abuso de poder. Hoje me entristece ainda mais saber que nossos jovens universitários…o futuro…lutam para poderem fumar maconha dentro da faculdade enquanto o mundo vai de mal a pior…

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